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As redes e o jornalismo cidadão

Parabólicas Parabólicas

Converso nesta quinta-feira com estudantes de comunicação de Vitória, durante a 2ª Semana de Comunicação Social da Faesa, que tem como tema “Interdiscursos: as múltiplas vozes no discurso midiático”.

Fui convidada para falar sobre jornalismo cidadão – a produção e divulgação de notícias por quem não é profissional de comunicação. Um dos livros da coleção Conquiste a Rede, da qual sou co-autora, é justamente, “Você faz a notícia – jornalismo cidadão“.

“A separação rígida entre os que fazem as notícias e os que recebem as informações desaparece no mundo virtual. Os profissionais da comunicação têm agora milhares de aliados na tarefa de apurar fatos, conhecer novidades, reunir e comentar informações. Qualquer um pode fazer notícia. O modelo tradicional, que distingue os emissores dos receptores da informação, deu lugar à comunicação feita por meio da colaboração”, escrevemos há dois anos eu e Roberto Taddei no primeiro capítulo do livro.

Nestes últimos dois anos, desde o lançamento do livro (somente pela web, com licença Creative Commons, para permitir que ele tivesse larga distribuição) houve uma explosão do jornalismo cidadão. O fenômeno nem sempre é acompanhado por uma crescente qualidade no material produzido. Muitas críticas são feitas a essa produção.

Eu escrevo sempre aqui no blog sobre os muitos ângulos e questões que o tema traz e costumo dizer que poucas gerações puderam observar uma transformação tão drástica e definitiva na comunicação. Novidades nesse setor mostram que esse fenômeno ainda está em plena transformação.

Para observar a olho nu

Na semana passada, o YouTube lançou o Citizen News, um portal dedicado ao jornalismo cidadão. Há pelo menos dois novos portais em espanhol, o Igooh e o Notícias Latinoamericanas. Em Salvador, na Bahia, foi lançado também recentemente o Boca do Povo, com o slogan “Aqui você faz notícia”.

Ao mesmo tempo em que são poucos os portais exclusivos de mídia cidadã que têm grande repercussão, esses lançamentos mostram a ebulição nessa área. Acredito é precipitado desqualificar a produção do leigo. Tampouco é sensato declarar como valioso tudo o que é publicado.

Fatos, furos e redes

No Brasil, os blogs são a parte mais vistosa dessa tendência. Pelo que posso perceber, eu também apostaria algumas fichas nas redes sociais. Ferramentas que mesclam publicação de conteúdo com uma comunidade on-line têm todos os ingredientes para que o jornalismo cidadão floresça.

Twitter, Friendfeed, Google Reader, Justin TV, entre outros, são serviços que conectam um grupo e permitem a qualquer um acompanhar o que dizem os produtores de informação e de conhecimento, no que prestam atenção os pesquisadores, o que comentam os jornalistas. Oferecem cobertura ao vivo, ás vezes com o requinte de imagem e áudio, cursos, palestras e encontros fechados que cobram caro o ingresso dos participantes.

Essas ferramentas de publicação de conteúdo que também são redes são como um termômetro, revelam o buzz, o que os formadores de opinião consideram relevante agora, as últimas notícias que impactam aquele grupo conectado. Em suma, as redes são ótima fonte de notícias e oferecem material em primeira mão. Muitas vezes antes do que qualquer outro veículo de comunicação.

Roda Viva com Ivaldo Bertazzo a bordo do Twitter

Gravo um vídeo minutos antes de começar o Roda Viva com Ivaldo Bertazzo. Não resisto. Tiro também algumas fotos enquanto me preparo para conversar on-line e ao vivo com uma comunidade de “early adopters” de uma nova ferramenta de comunicação, o microblog.

Pelo Twitter, você lê o que eu escrevi e o que todos escreveram.

Atenção: se você não consegue acessar o endereço, paciência, tente novamente depois. O Twitter é “o novo Orkut” em termos de bugs, falhas (”no donuts for you”).

Realidade paralela

Ivaldo Bertazzo é um mestre, um educador, uma pessoa que sabe muito sobre ser humano. Lembro-me que ele dizia que precisamos ganhar uma estrutura antes de relaxar o corpo. Se você tentar só deitar e relaxar antes de ganhar essa estrutura, arrisca-se a virar uma poça de água, massa sem forma. Aprendi muito como sua aluna. Anos se passaram e sua clareza é cada vez mais aguçada. Ivaldo fala de uma subversão, a de transformar o corpo, dar-lhe consciência, eixo. “Cidadão dançante aprende que esse corpo que sofre continua produzindo linguagem. Quero instrumentalizá-lo para ter saúde”, disse ele no programa Roda Viva, da TV Cultura.

Essa citação eu publiquei ao vivo pelo Twitter. Fui convidada, ao lado de dois outros jornalistas e blogueiros, Helena Nacinovic e Alexandre Inagaki a cobrir e comentar o programa por essa ferramenta de microblog que para a maioria ainda é desconhecida.

Para quem não sabe, um sobrevôo rápido: é uma rede que conversa por mensagens com no máximo 140 caracteres. Elas podem ser lidas pela web, no site do serviço, pelo celular, pelo gtalk, por e-mail, você escolhe como quer usar o serviço. É possível enviar as mensagens pelo computador ou pelo celular e a conversa é ouvida por quem quiser “seguir” o autor do texto. Para ser ouvido por outra pessoa, ela precisa querer ouvir (seguir) você.

No Brasil, esse serviço, que é grátis, já começa a se espalhar, uma vez que brasileiro é louco por interação. Ivaldo Bertazzo, Ana Francisca Ponzio, Paulo Lima, entre alguns dos convidados da noite com quem conversei, não conheciam o Twitter e não sabiam direito o que íamos fazer ali. Mostraram-se curiosos e disseram já ter “ouvido falar” da ferramenta.

A TV Cultura inova ao trazer a riqueza das redes para o jornalismo. Foi uma experiência muito interessante participar como tuiteira – jornalista experiente já sou, mas ali eu tinha toda uma rede a contribuir, interagir, brincar e comentar. Percebi que uma nova camada de vivências foi acrescentada ao programa e quem só o acompanhou pela TV perdeu as informações, dúvidas e ironias dessa esfera.

Faltou encaminhar as dúvidas que chegavam via Twitter para Ivaldo Bertazzo. Pedro Markun diz que os tuiteiros são como Paulo Caruso que, com suas charges, comenta o programa e também não interage com o entrevistado. Verdade. Só que podemos ver suas aquarelas durante o programa de TV e não lemos as mensagens de twitter na tela, só pela web. A maioria precisaria abraçar o computador/celular e a televisão ao mesmo tempo se quisesse ter a experiência completa. Acho que o Twitter tem de entrar na veia do Roda Viva, sim. Inagaki sugeriu legendas no pé da tela. Qualquer outra solução vale, acho que conectar essas vozes só rejuvenescerá o programa, o mais reputado da emissora. Inovar ali é uma aposta no mundo digital do presidente da Fundação Anchieta, Paulo Markun.

Gambiarra: conexão do restaurante

Jornalista e tuiteiro sem lugar na platéia, Renato Targa foi ao restaurante da TV Cultura e conseguiu uma conexão muito mambembe com a internet, acrescentando outra camada ao programa. Fotografou os bastidores e publicou, também ao vivo, suas imagens, antes de o programa acabar. Acrescentou outra camada ao programa. Soubemos por ele que fora do estúdio a noite tinha, além de lua cheia, pernilongos a granel. Achei que sua intervenção curiosa porque mostra como a web exige poucos recursos e muita criatividade. Isolado no restaurante, ao lado de alunos de Ivaldo, Renato estava conectadíssimo.

Vídeos

Fiz dois vídeos: Bastidores do Roda Viva e Roda Viva com Ivaldo Bertazzo.

Fotos

Não resisti e também tirei fotos de nossa participação, que você encontra no meu álbum Webthings do Flickr. Com essa multiplicidade de canais, saí convencida de que a comunicação caminha a passos largos em várias direções ao mesmo tempo.

Muita gente acompanhou pela web, via streaming, o programa. É inovador contar com tantos canais e melhor ainda ter bons interlocutores. O grupo de pessoas que participava pelo twitter é de formadores de opinião, estudantes, jovens, geeks todos. Uma alquimia poderosa.

Nos blogs

A conversa nunca termina por aí. Blogueiros são gregários e hoje a rede traz mais leituras dessa experiência.

    E por aí vai. As camadas são infinitas.

    Trilha do filme sobre Rolling Stones no YouTube

    Rolling Stones e o diretor Martin Scorsese no centro

    Todas as músicas de Shine a Light, documentário de Martin Scorsese sobre os Rolling Stones, estão disponíveis para você ouvir agora no YouTube. Muito bom. Estou curiosa para ver o filme, gravado no Beacon Theater de Nova York em 2006. Tem participações de filme de Jack White, da banda White Stripes, de Christina Aguilera e do guitarrista Buddy Guy.

    Ouça Shine a Light.

    Eu soube via Gui Fellitti Gui Felitti, do Chá Quente.

    Como é fácil usar o iPhone

    Via Rodrigo Prior encontrei esse vídeo da pequena Deby. Ela contracena com André Sá em Los Angeles e mostra como usar o iPhone. Deby tem 3 anos!!!!!!!!!!

    André Sá aprendendo a usar o iphone

    Ronaldo Lemos fala sobre a tensão entre leis e internet

    Ronaldo Lemos

    Em relação ao direito autoral, a nossa constituição é uma das mais restritivas do mundo, explica Ronaldo Lemos, da Creative Commons Brasil. “A lei brasileira diz tudo o que você não pode fazer, mas ela não explica o que você pode fazer”, diz ele.

    Falar em direito digital é entrar em terreno pantanoso, cheio de sombras mal explicadas e extensas áreas a descoberto. Ninguém sabe direito o que pode e não pode fazer na internet. Eu tenho a impressão, por exemplo, de que se comprar um CD na loja, pagar por ele, eu posso copiá-lo para o meu iPod. Mas não posso. Uma professora que participou da oficina sobre uso de blogs na educação durante o Campus Party me disse que tem a impressão de que se for para fins educativos, é permitido reproduzir uma obra. Basta dar os créditos e fica tudo certo. Mas não é permitido.

    A legislação brasileira está totalmente defasada em relação às questões do mundo digital. No Brasil, a situação anacrônica soma-se ao fato de que como ninguém sabe o que é permitido, muita gente faz qualquer coisa. Basicamente, tudo é proibido. Não há quem verifique o cumprimento da lei e tudo acaba em pizza. Portanto, nada é proibido?

    Ronaldo Lemos é uma das pessoas que pode explicar um pouco mais sobre esse cipoal de questões. Não por coincidência, eu e o Juliano Spyer, em seu remix colaborativo Não Zero, publicamos esta semana vídeos no YouTube e em nossos blogs com Ronaldo Lemos. Ele é o cara que pode dar uma luz sobre o assunto.

    Vale a pena reunir em uma mesma lista as várias fontes para ouvi-lo. Ronaldo é um desses pensadores atentos para as novas fronteiras do mundo digital. Admiro sua postura de incentivo à colaboração da rede e morro de orgulho de ter sido ele quem escreveu o texto de apresentação da coleção Conquiste a Rede. Um texto inspirado e, ainda por cima, bonito, cheio de estilo. Esse mesmo estilo bacana a gente pode ver nesse post recente que ele publicou no Overmundo, Belém: do rock, da aparelhagem e de tudo o mais. Os novos caminhos da produção cultural aparecem desta vez em cenário transamazônico. Segue minha lista:

    Livro para download grátis

    Direito, tecnologia e cultura. Editado em 2005 pela Editora FGV, o livro está disponível para download no Overmundo. “Esta obra tem como objetivo investigar os desafios propostos ao direito em decorrência do advento da internet e da tecnologia digital. A relação entre direito e realidade sempre foi um tema central no pensamento jurídico”, diz Lemos logo no primeiro parágrafo.

    Apresentações

    1- Apresentação de Ronaldo Lemos sobre direito digital que seria feita durante a Campus Party e que ficou para depois, por problemas de equipamento.

    2- Produção Cultural e Inclusão Digital nos Países em Desenvolvimento, palestra em inglês realizada nos EUA em novembro de 2007. Veja o vídeo, vale a pena: Cultural Production and Digital Inclusion in Developing Countries.

    Meus vídeos:

    3- Blogs e direito autoral

    4- Posso copiar um CD que eu acabei de comprar na loja? Não, a lei brasileira não permite a cópia integral. Só permite cópias de pequenos trechos de obras. Você não pode copiar um CD inteiro para o iPod. Mesmo para fins não comerciais, fins educacionais, fins de pesquisa, você não pode.

    5- Em casos de processos contra blogueiros, cabe a cada juiz decidir o que aconteceu.” A legislação brasileira não regulamenta a responsabilidade civil dos blogueiros.

    Vídeos do Juliano Spyer

    6- O direito autoral no Brasil

    7- Xerox e direito autoral

    8- Vale a pena lançar um livro em Creative Commons?

    9- Por que o criador do Creative Commons agora estuda corrupção? Juliano, que fez estas entrevistas durante a Campus Party, conversa com Lemos sobre Lawrence Lessig, professor da Faculdade de Direito em Stanford que criou o Creative Commons. Em 2007, Lessig anunciou que mudaria o foco de suas pesquisas para corrupção.

    Ronaldo Lemos fala sobre direito autoral na Campus Party

    Posso copiar um CD que eu acabei de comprar na loja para o meu iPod?“, pergunta Ronaldo Lemos durante palestra na Campus Party.

    Não!!!!!

    Direito digital no Brasil é um terreno superpantanoso, super-arcaico, super-do-arco-da-velha.

    Qual é a fonte de sua informação?

    Blogs são fonte de informação, digo nesse trechinho da apresentação Mundo Blog na Educação, feita para professores sobre o uso da ferramenta em sala de aula. Ela tem roteiro sugerido pela coleção de livros Conquiste a Rede. Falo sobre o fenômeno do blog como fonte de informação, característico do século 21:

    Blog que criamos com os professores que participaram da oficina: webduca.blogspot.com

    Blogs na educação criam oportunidades de aprendizado

    O blog webduca webduca.blospot.com – que criamos com os professores durante a oficina de blogs e educação da Campus Party 2008 é um sucesso. Mostra como até um blog sozinho faz verão dentro de uma sala de oficina/aula. A conclusão de um estudo realizado com edublogueiros dos Estados Unidos comprova: blog é uma ótima forma de aprender e de ensinar.

    Manhãs do Campus Party 2008

    “Blogs são conversas. Blogs são janelas.” Veja um trecho da minha apresentação Mundo Blog na Educação. Durante todas as manhãs do Campus Party Brasil 2008, enquanto alguns ainda espantavam o sono, eu já trocava idéias a respeito desse universo com professores, coordenadores pedagógicos, diretores e profissionais de educação. Acho o vôo panorâmico importante porque navegamos melhor por esse mundo por meio de algumas referências-chaves. Procuro apresentar algumas delas. Nesse trechinho, falo sobre o blog como fonte de informação:

    É fofo e venceu concurso no YouTube

    “Laços (Ties)”, dirigido por Flávia Lacerda, venceu o concurso Project Direct, promovido pelo YouTube. A produção, escolhida em votação aberta dentre 20 finalistas, será exibida no Sundance Festival, realizado nos Estados Unidos, no próximo mês de janeiro”. (na Folha Online)

    O videozitcho é completamente fofo, derreteu meu coração com essa história de laço de gravata:

    Facebook e privacidade

    facebook

    Facebook é uma comunidade divertida. Aposto que os brasileiros, como os americanos, vão gostar desse Orkut evoluído assim que o descobrirem. A onda já chegou, mas ainda não envolveu a massa. A evolução se deve principalmente a aplicativos que permitem ao usuário personalizar seu espaço. Não se trata apenas de dar um layout mais charmoso a ele, coisa que deixou uma menina de 17 anos milionária, pois ela descobriu que as pessoas topavam pagar alguns dólares por um cantinho mais charmoso na comunidade. O Facebook oferece mais de 5 mil funcionalidades úteis e inúteis. Com elas é possível, entre outras coisas, integrar o Facebook a outras redes sociais, como o próprio Orkut, Flickr, Linked In, you name it.

    Esses mais de 5 mil aplicativos foram desenvolvidas pelos próprios usuários. Em maio a empresa liberou o código para que programadores pudessem inventar coisas incríveis como o jogo de Vampiros, que transforma seus amigos em zumbis, o Biscoito Chinês etc. Em outubro já existiam 5 mil aplicativos. Esta semana, a Microsoft pagou US$ 240 milhões por uma participação de apenas 1,6% na empresa, batendo proposta feita pelo Google. Os gigantes se enfrentam pelos 200 mil novos internautas que se juntam à comunidade diariamente e pela base de 47 milhões de usuários que ela já possui. Facebook é uma empresa que começou em 2004 nos dormitórios de Harvard e está avaliada agora em US$ 15 bilhões. Mark Zuckerberg, hoje com 23 anos, foi quem inventou essa mina de ouro.

    Vamos ao lado negro da força: privacidade. O vídeo abaixo conecta o Facebook à CIA, Arpanet (rede militar que deu origem à internet) e às Forças Armadas dos EUA.

    Via A Source of Inspiration.

    Teoria da Conspiração? Pode ser. Mas se há um terreno pantanoso é o da privacidade, seja no Google, seja em qualquer comunidade online. O que eles farão com nossos dados pessoais, preferências, conexões, aspirações, idéias, perfil de consumo, dados socioeconômicos e políticos? O que, hein? Não ouso imaginar.

    Um amigo, por acreditar que o Facebook é de todas as redes a que oferece um “grau de segurança” mais elevado, colocou ali seus telefones. Fiquei surpresa, ele costuma ser reservado. Explicou que estavam visíveis apenas para os amigos. Depois desse vídeo “Big Brother”, acho que ele deve mudar de idéia. (Veja bem: não é Big Brother Brasil, por favor, refiro-me a “1984″, livro de George Orwell em que o Grande Irmão tudo vê, tudo controla. É bom deixar isso claro, muita gente não leu o livro, inexplicavelmente.)

    Prefiro dizer que gosto de Miles Davis e Gus Van Sant, o que não chega a ser uma invasão de privacidade maior do que divulgar quem são as pessoas com que me relaciono. O Google já escaneia meus e-mails para oferecer produtos relacionados ao que está escrito. Não é pouco. Acho que não vou instalar o programinha de respostas no meu perfil do Facebook, combinado?

    Em 2008, o Facebook terá versão em português.

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