Ganhei um presentão: “O Coração do Homem-Bomba, Volume 2″, álbum mais recente de Zeca Baleiro. Não demorou e já estava enfeitiçada pelo looping do refrão de “Tevê”:
“E a vida a passar, a vida sempre a passar…”
Verdade. O mundo cai, a Lusitana roda, pouca gente atinge o nirvana, mas a vida a passar, sempre a passar.
O presentão veio da Heleninha Tassara, diretora que fez bonito com o melhor média metragem da 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o documentário “Bode Rei, Cabra Rainha”. Helena convidou Zeca Baleiro para ler Ariano Suassuna, um grande entendedor da economia e do imaginário que circundam as cabras e os bodes. “O efeito colateral do filme foi que eu fiquei amiga do Zeca Baleiro”, conta ela.
Dessa amizade, nasceu o clipe de Trova, outra música desse álbum. As imagens são um corte e costura de sobras de outro documentário, travellings feitos para a série “O Povo Brasileiro” (baseada na obra de Darcy Ribeiro e dirigida por Isa Grinspum).
Gosto mais do clipe de “Trova” do que da música, mas essas coisas de paixão são tão pessoais. Gosto do clipe porque vejo o Brasil passar pela janela, como a vida, sempre a passar.