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Quem vê a Copa na TV digital grita gol depois

tv_digital tecnologia e gambiarras

Assisti ao primeiro jogo do Brasil no escritório, que tem a TV mais antiga. Ali, as crianças faziam miséria na cadeira de balanço e pulavam na frente da tela, em ambiente de dispersão total. (No problema, foi um joguinho sem vergonha mesmo).

Nesta salinha do público café-com-leite gritamos gol antes dos que assistiam ao jogo na sala diante de uma tela plana com transmissão digital. Foi ridículo: com tanta tecnologia, eles souberam pelas crianças (e pela TV analógica a cabo) que o Brasil escapou do vexame inexplicável diante da Coréia do Norte. Gol!

Achei (via GJol) uma explicação para o curioso delay, dada por Luís Sucupira Neto: o sinal digital vai até o satélite (faz baldeação, portanto), volta, é decodificado e comprimido (precisa ser lavado, escovado e embalado) para somente então chegar ao consumidor final. O analógico não precisa de tanto tratamento. E o radinho de pilha, quem diria, ganha em velocidade dos dois.

Para os malucos por futebol – 99,8% dos brasileiros – recomenda-se um radinho de pilha na orelha para acompanhar a imagem lindona da tela plana. Só rindo.

Ou como diz o @renatotarga, meu querido: “Malucos por futebol com radinho de pilha? É smarthphone de última geração com headphone bluetooth (exceto iPhone, que não tem sinal FM)”.

Mapão do desempenho do Brasil

Nesse infográfico lindo do Estadão dá para monitorar a performance da seleção brasileira em cada partida em mundiais, desde a estreia em 1930. Outra dica do GJOL.

Novo prédio da Rádio e TV na USP

TV digital TV digital

O professor Luis Fernando Angerami, da Escola de Comunicações e Artes da USP, avisa que dia 21 de outubro será inaugurado um prédio novinho para o curso de Rádio e TV.

Se der, apareço, viu?

Fiquei com vontade de voltar para a ECA. Quando eu estudei ali, nos anos 80, usava equipamentos paleozóicos.

Câmeras em preto e branco, bitola larguíssima, umas fitas que se desmanchavam sozinhas e que você editava na gilete. Isso, fita magnética, imagine, na gilete. Uma grande porcaria.

Eram herança da TV Tupi. Não serviam para nadica, mas a gente inventava e se virava. Não saía lá uma maravilha, mas a gente treinou tudo o que devia: enquadramento, luz, roteiro, direção. Treinou também fazer alguma coisa a partir do nada, na base do improviso e da criatividade.

Todo mundo se salvou. Quem saiu do curso e seguiu carreira nas artes visuais, fez sucesso e tudo. Quem não ficou tão famoso, como eu, ainda assim, lustrou as idéias.

Minha tese é que o curso ensinava a pensar e, inclusive por absoluta falta de condições, não era nada técnico. Aposto minhas fichas no sucesso de um curso assim.

Os vampiros de Sookie Stackhouse

lua lua

Cada um segue a novela que pode e eu viciei-me, confesso, nas histórias de vampiros de Sookie Stackhouse. O formato dos livrinhos é idêntico aos de Sabrina. Traduzi uma vez um livrinho da Sabrina e pude verificar a extensão da baboseira ali.

Estou no quinto livrinho da série escrita por Charlaine Harris (um bestseller do New York Times, como anuncia o selo na capa) e já vi todas as temporadas de “True Blood”, a adaptação para a TV feita pela HBO. Acredito estar habilitada a atestar a extensão da baboseira contida ali.

É interessante observar como o roteirista da série da TV arredondou e suavizou as besteiras de dona Charlaine. A foto da autora na orelha é inverossímil: uma mulher bem rechonchudona com colar de pérolas, toda sorridente. Não parece alguém interessada em vampiros. Mas parece uma leitora de Sabrina, aha!

É ela quem escreve a saga da garçonete Sookie Stackhouse, que acha finíssimo combinar a cor do batom com os brincos e que namora vampiros, sai com lobisomens e enfrenta bruxas. Uma salada mal escrita. Uma Sabrina pop.

Outra confirmação de que a historinha vicia: senti-me mais segura ao deixar a livraria ontem com outros três livrinhos sobre a brega da Sookie. Estoque suficiente para o feriado. Alívio.

Agora tem um “shapeshifter” que vira tigre, um “tigresomem”. É uma salada sem vergonha essa. Tão cheia de buracos que eu me sinto um gênio ao pinçar frases repetidas de livrinho em livrinho. “Provavelmente, a última coisa que os japoneses esperavam quando inventaram um sangue artificial é que sua disponibilidade traria os vampiros do reino das lendas para as luzes dos fatos.”

Essa frase deve ter 11 versões (uma para cada livro). É sempre um rearranjo para encher linguiça. Não gosto de terror, mas desde Lestat, o vampiro roqueiro, eu sentia falta de uma besteira desse porte.

Bode rei, cabra rainha

Bode rei, cabra rainha, filme de Helena Tassara que foi escolhido como o melhor média metragem da última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, estará na TV Cultura. Ele abre a programação de Janela Brasil na quinta, dia 9, às 22h10.

Eu já vi e gostei. Tem humor, poesia, pastoreio, cenas de buchada explícita. Helena contou que a carne preparada como churrasco é saborosa. Eu, por meu lado, compreendo bem uma senhora que diz no filme não conseguir comer o bicho que cria. Eu costumava alimentar coelhos no sítio de meus tios e eles viravam tapetinhos. Foi um ótimo treinamento para virar veggie.

Leia mais sobre Zeca Baleiro nesse filme.

Em boca fechada não entra mosquito

frog frog

Eu ia falar mal dos repórteres de TV que “fazem poesia” durante as passagens. Passagens são aqueles segundos de glória para o jornalista, quando ele aparece no vídeo ensanduichado entre as imagens da reportagem.

É na passagem que a poesia-meleca se concentra e alça vôos atlânticos, é na passagem que as metáforas pululam como sapos do brejo.

Detesto essas passagens standard, elas têm um tom de voz e um estilo narrativo que me dão nos nervos. São um extrato de chavões, lugares comuns e filosofia de rabeira de caminhão.

Mas só digo uma coisa: o sapo não lava o pé, não lava porque não quer.