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Fotojornalismo e a manipulação de imagens

An award winner An award winner

Conversei na abertura da mostra das fotos vencedoras do World Press Photo Award com duas interlocutoras de peso. Maaike Smulders, gerente de projetos da World Press Photo Foundation, veio de Amsterdã para montar a exposição no Sesc Pompéia. Mônica Maia, que editou as fotos do Estadão por muitos anos e está abrindo uma nova agência de fotos, a Revelar Brasil, foi jurada deste mesmo concurso em 2000.

Smulders ouvia com atenção os comentários de Maia sobre a seleção deste ano, que premia uma foto de Tim Hetherington, um fotógrafo do Reino Unido, feita no Afeganistão para a Vanity Fair. Em entrevista, Tim explica que a foto traduz como ele se sentia ali com os soldados. “Ele e eu estamos conectados por essa foto”, diz. Vale a pena, para quem entende inglês, ouvir o depoimento do fotógrafo enquanto analisa a imagem. Fica tudo muito interessante.

Mônica comentava que ela acha que a história sobre a foto de Tim é muito longa, que a foto não é para tanto. “Muita história, pouca foto.” Ela não fala bem inglês e eu entrei na conversa com Maaike como intérprete. Tentei traduzir esse comentário: “A história tem mais força que a foto, algo assim”. Maaike pareceu preocupada. “É mesmo?” Mônica conciliou: “O primeiro prêmio é sempre polêmico”.

Conversamos sobre a manipulação da imagem no computador. Muitas das fotos premiadas estão mais bonitas porque foram “lavadas” no photoshop, o que lhes dá um efeito mais dramático. Fotojornalismo tem suas questões sobre a manipulação da imagem, afinal.

O que eu achei da mostra: muita guerra demais, muito engajada em todos os conflitos da face da Terra. Isso pesa. Segurei minha opinião e não contei às duas, Mônica e Maaike, que achei o conjunto pouco entusiasmante. Não sou autoridade, fiquei na minha, recém-empossada na função de intérprete. Eu não conversava com a Mônica há muitos anos, fiquei contente e curiosa com o projeto da nova agência. Para Maaike, senti que não era relevante e nem era mesmo.

Encontrei poesia em muitas imagens, são fotos muito boas, obviamente. Mas o conjunto é um pouco frio, tantas histórias pesadas causam um efeito de afastamento e não de emoção. Fui com outros fotógrafos à exposição e sentimos ausência de jurados que tenham nascido ao sul do Equador. Pesa nessa seleção o olhar do habitante de Primeiro Mundo do Hemisfério Norte, desnorteado, como o soldado de Hetherington, com tantos conflitos.

A mostra fica no Sesc Pompéia até a 11 de junho. De terça a sábado, das 9h30 às 20h30.

Do alto da Paulista

dezoito dezoito

A comedoria do Sesc Paulista tem essa vista absurda. Vai lá, experimente esse tratamento de quente-frio. Primeiro, você sobe no topo do prédio, espia a avenida Paulista do terraço, onde o vento é poderoso e gelado. Depois, entra para experimentar um chá ou café com rosquinhas de fubá que saem quentinhas e são as melhores do mundo. Depois invente algo, o roteiro é mais extenso do que parece, é um prédio inteiro de atividades, alguma coisa você acha para se entreter lá.

Neste fim de semana, por exemplo, a comedoria estava vestida em estilo japonês porque todo o Sesc Paulista comemora os 100 anos de imigração japonesa no Brasil. Pena que acabou a farra dessa exposição chamada Tokyogaqui, tinha butoh e Japão Pop.

Não sei se a comedoria já mudou de roupa, mas no fim de semana a um canto você encontrava uma máquina de karokê. Se ainda estiver lá, tenha piedade, ensaie antes, a gente agradece. Não repita o que eu presenciei: um pai embevecido encoranjando a filha a desafinar barbaramente uns hinos de louvor ao senhor. O que foi aquilo?