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OPovoempé no centrão: Aqui dentro, aqui fora

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O grupo OPOVOEMPÉ leva o público a uma caminhada pelas ruas do centro de São Paulo durante o espetáculo “Aqui Dentro, Aqui Fora”, em cartaz até 27 de outubro. Nesta reportagem do Metrópolis, me identifiquei com a sensação de retomar o espaço público como lugar de acolhimento, de encontrar miragens e projetar sonhos durante a caminhada. Senti isso durante a Virada Cultural,  às 3 da manhã em vielas e cantinhos impraticáveis durante os dias comuns.

Suíços do Brasil no Memorial do Imigrante

Embarque de imigrantes suíços

Foto: Acervo Memorial do Imigrante

Trabalhei no projeto da exposição Suíços do Brasil, que será inaugurada em 3 de outubro, um sábado, no Memorial do Imigrante e permanecerá ali até 2 de novembro. Depois, seguirá para outras cidades brasileiras onde a imigração suíça deitou raízes.

Quem for ao Memorial do Imigrante pode aproveitar para dar uma voltinha na antiga locomotiva que ainda circula nos finais de semana nessa antiga hospedaria. Ali ficavam os imigrantes por alguns dias, antes que serem “despachados” para as plantações de café.

Escrevi os textos, fiz a pesquisa iconográfica e parte da pesquisa histórica da exposição. Fui surpreendida pelo que aprendi. Desconhecia que os suíços, assim como os italianos, migraram em massa para o Brasil impelidos pela fome e a crise econômica de seu país natal. Conhecia apenas a versão mais sofisticada da viagem, opção de artistas, intelectuais, cientistas e empresários.

Viajei pela história da ciência ao escrever sobre Emílio Goeldi, do Museu Paraense que hoje leva seu nome, e Adolfo Lutz. Foi gostoso falar de Guilherme Gaensly, o fotógrafo que retratou a avenida Paulista na época dos barões. As imagens dos casarões da Paulista na época em que era uma pacata área de chácaras sempre foram de minha predileção, sempre suspirei ao ver fotos de Gaensly, tão lindas. Foi um prazer receber um email recheado de fotos de Claudia Andujar, falar com artistas, professores, instituições, mergulhar em mil fontes.

Abaixo, copio o texto de divulgação.

Suíços do Brasil – press release:

Realizada pela Embaixada da Suíça no Brasil e pelo Consulado Geral da Suíça em São Paulo, a exposição Suíços do Brasil’ – que acontece de 3 de outubro a 2 de novembro, no Memorial do Imigrante, revela pela primeira vez, num conteúdo histórico e biográfico, um panorama da presença suíça no Brasil.

Para comemorar o Dia Nacional da Suíça, 1º de agosto, a exposição foi inaugurada em Indaiatuba, na Colônia Helvetia, fundada em 1888 por imigrantes que vieram trabalhar nas fazendas de café da região. Cerca de 8 mil pessoas visitaram a mostra, que chega agora a São Paulo.

Numa iniciativa da agência Presença Suíça, a exposição Suíços do Brasil é composta por módulos que percorrem a história da presença suíça no país, destacando perfis de 21 personalidades que tiveram e têm uma importante participação na sociedade brasileira. O projeto apresenta também depoimentos em vídeo de suíços que vivem no Brasil.

A exposição integra o programa Laços Suíços na América Latina, que até 2010 vai celebrar a história suíça nos países que receberam grande número desses imigrantes e ainda mantêm fortes vínculos culturais e econômicos com a Suíça.

Organizada a partir de material levantado em pesquisa histórico-biográfica, a exposição mostra os laços entre os dois países e resgata a história das relações suíço-brasileiras, que vêm se renovando e permanecem vivas até hoje.

Dentre os perfis individuais de personalidades suíças ligadas a áreas como literatura, ciência, engenharia, música e artes plásticas, estão o sanitarista Adolfo Lutz, a fotógrafa Claudia Andujar, o poeta Blaise Cendrars, o artista gráfico John Louis Graz, os engenheiros Robert Mange e Erich Meili, o cientista Emilio Goeldi, o músico Anton Walter Smetak e os artistas plásticos Dias e Riedweg.


Hospedaria da Mooca: o albergue dos imigrantes

Hospedaria do brás Hospedaria do Imigrante

No fim do século 19, a Europa estava em crise, enquanto o Brasil precisava de braços para as plantações de café. Os imigrantes se despediam de tudo o que conheciam e desciam no porto de Santos, onde embarcavam em um trem. Chegavam a São Paulo pela estação da Hospedaria do Imigrante.  Podiam ficar seis dias. Mais quatro se houvesse problemas no destino.

Recebiam um cartão de “rancho” que lhes dava direito a refeições, cama, banho. Depois, subiam em outro trem e viajavam para o oeste de São Paulo, para as fazendas de café. A história dos imigrantes nesse alojamento para mil pessoas termina em 1978, quando ainda recebia coreanos. No total, 2,5 milhões de pessoas passaram por lá. Em 1998, a Hospedaria foi transformada em Memorial do Imigrante. Nos fins de semana, a Locomotiva Baldwin 1922 ainda deixa a estação para uma voltinha com as crianças.

Estive lá a trabalho e me perguntei como não fui antes. No computador, é possível pesquisar a chegada das imigrantes pelo sobrenome. Minha família  aparece com várias grafias. Brava gente, como já escreveu alguém. Meu bisavô não foi para a lavoura, parou na cidade. Quantas histórias começaram ali.

Criança, de férias na casa de meus avós no interior, eu me equilibrava no trilho da ferrovia desativada. Os depósitos da estação tinham uma luz filtrada, bonita. Gostei de atiçar as lembranças com o que encontrei no pequeno museu ferroviário. Achei bonito encontrar uma máquina do tempo tão à mão.

14ª Festa da Imigração

Eu não sabia e acho que pouca gente sabe que neste domingo, dia 28, a 14ª Festa da Imigração mostra o rendado de nacionalidades que compõe São Paulo. Barraquinha japonesa ao lado da barraquinha indiana, na boa. Durante todo o domingo haverá música, dança das 10h às 18h.

Ai, que frio

Gato no forno/ Cat in the oven Gato no forno/ Cat in the oven

Não me lembro quando foi que em São Paulo fez tanto frio por tanto tempo. Semanas seguidas de temperaturas máximas de 20 graus e mínimas de até 7.

Engraçado como o corpo se acostuma e aos poucos, vamos diminuindo a quantidade de casacos. Incorporamos o frio à rotina e não deixamos mais de levantar tão cedo ou de sair ao ar livre só porque está gelado. O gorro entra para o layout básico, a echarpe e o cachecol viram coringas da estação.

Soube que o frio vai embora e, quer saber, não gostei muito. Desde que o aquecimento global entortou de vez as estações, sinto saudade do frio durante o inverno.

Artesãos do Corpo em foto na Galeria Olido

Exposicao na Galeria Olido - Sao Paulo SP Exposicao na Galeria Olido – Sao Paulo SP

O fotógrafo Fábio Pazzini expõe a partir de sexta, dia 5, fotos do grupo Artesãos do Corpo na Galeria Olido. Os bailarinos/atores são uma das paixões de suas lentes. Fábio adora falar sobre o dia em que todo mundo ficou pelado, o dia em que isso e aquilo. São dez anos de palco, rua e fotos, explica ele.

Amigo, dessa vez acho que não vou conseguir aparecer… Beijos de blog, então. E suerte.

De 5 a 14 de junho
Galeria Olido
av. São João, 473 – Centro – São Paulo – SP

Riachos perdidos que podem voltar a céu aberto

luz luz

Um riacho corta o quarteirão do meu prédio ao meio. Nada se vê dele, apenas uma nesga que às vezes é terreno baldio, às vezes é cimentada, às vezes foi invadida pela área de lazer dos condomínios chiques e até mesmo por um estacionamento de trios elétricos (!!!).

Descobri esse riacho durante a Feira da Pompéia, quando encontrei o arquiteto César Augusto Sartorelli, que conheço dos nossos tempos de USP, em uma barraquinha da Prefeitura. Ele divulgava o projeto Riachos Perdidos, que mapeou riachos e fontes/nascentes da bacia da Pompéia (que vai da Avenida Sumaré à Vila Romana), conforme me explicou em um papo rápido por e-mail:

A idéia é deixar a água novamente a céu aberto?

Sim.

É possível isso?

Sim, desde os anos 70 já acontece nos EUA, Canadá, Europa, Japão.

E todas as fundações feitas ao lado da canalização, como ficam?

O rio continua lá. Se afetasse as fundações já o teria feito.

Será que haverá um dia um riacho a cortar essas quadras todas aqui do bairro?

Sonho com isso. Sim, haverá.

Harmonia com fachada ecológica e projeto Triptyque

farm farm

Você sente o cheiro do século 21 quando visita o número 57 da Harmonia, na Vila Madalena.

O projeto do escritório de arquitetura Triptyque recobriu com flores, samambaias e trepadeiras as paredes da fachada. Canos verde-limão aparentes irrigam as plantinhas. Durante minha breve visita, não tive oportunidade de verificar se o visitante sai molhado ou não caso esteja por perto. Detalhe irrelevante, gostoso foi encontrar por acaso, durante uma caminhada, o projeto que havia visto em revistas de arquitetura.

Ali funciona uma loja da grife carioca Farm, de roupas felizes e confortáveis. E caras, logicamente. Há um bazar no terceiro andar onde, quem sabe, você possa encontrar algo com preço viável. Não sei, não xeretei nada. Gostei de uns adesivos para carro. Flores coloridas. Coisa extremamente frufru, de mulherzinha, bem teen, bem pop. Nunca me ocorreria uma coisa dessas, mas hoje, justamente, vi na rua um carro assim paramentado. Alguém já tomou a iniciativa.

O achado do projeto Tryptique (gostoso falar isso) ocorreu bem cedo, antes das 10h. Quando todo o comércio da Vila Madalena estava fechado, a casa do século 21 já respirava e me recebeu com simpatia.

Falando nisso, há cartazes lambe-lambe em algumas das paredes da Harmonia 57 com palavras na tipografia especial do Profeta Gentileza, andarilho que escrevia sob os viadutos do Rio de Janeiro.

Gostei dessa modernidade toda, gentilezas acessórias, conceitos básicos, um ótimo começo para um dia de outono.

Design Brasileiro: Fronteiras no MAM

Porcelanas com Asas Manus Porcelanas com Asas Manus

Caio Medeiros manda, via Flickr do Estúdio Manus , o convite:

“O Estudio Manus estará presente na exposição “Design Brasileiro:Fronteiras”, junto com 95 outros participantes, no MAM SP, no Ibirapuera . Convidamos você para a abertura da exposição dia 7 de abril, terça, as 20h.”

Caio dá asas à imaginação, literalmente. Adoro suas criações e “assemblages”. Vale a visita à mostra e ao estúdio Manus.

Ateliês da Vila Madalena abrem as portas

Frufru Frufru

No próximo fim de semana tem Arte da Vila, um evento anual em que os ateliês da Vila Madalena ficam abertos para visitas e comprinhas. São dias ótimos para quem gosta de caminhar pelo bairro. Se você preferir há um serviço de vans grátis para ir de uma ladeira até outra.

Saiba mais:

Mube, um museu que virou bufê

Rankin no Mube Rankin no Mube

O Museu Brasileiro da Escultura (Mube) é tão perdido quanto eu na zona leste. Nâo sabe se é museu, se é anexo com laguinho de carpas do vizinho Museu da Imagem e do Som. Não descobriu sua vocação.

Transformado em cenário para festas luxuosas e casamentos, o museu me atraiu duas vezes, para duas exposições de fotos. Uma delas, que aparece na foto, é do Rankin, um fotógrafo de celebridades, organizada e bancada pelo Shopping Iguatemi, como explicavam os banners.

E as esculturas? Sei lá. Tem uma coisinha aqui e ali, mas vida e vida inteligente, não sei, nunca vi. Desculpe se for ignorância, mas o fato é que a programação não me “pescou” ainda.

Enquanto eu olhava os retratos de figuras carimbadas de Hollywood e da Billboard, respirava fumaça de cigarro. Em um museu. Bem, no Mube. Na sala contígua, um exército de homens montava uma pista de dança modernex, com tiras de pano para dar um tchan no ambiente. No meio do bate-bate, umas bitucas de cigarro e a fumaça, que não respeita tapumes.

Na superfície, uma “escultura” – ou seria “instalação” – chamou a minha atenção. Cadeiras de metal, dezenas delas, enfileiradas para esperar o sim de algum casal, quem sabe mais à noite.

Fantasiei que o catering pode ser providenciado ali mesmo no Museu – museu de que mesmo? No café, vislumbrei vários álbuns de fotos ao lado de menus… Quem sabe são fotos das diversas montagens que é possível encomendar. Quem sabe. Não parei para perguntar.

Que pena. São Paulo precisa tanto de praças, de bancos, de museus arborizados e cheios de vida artística. Em local tão privilegiado, no coração do Jardim América, ao lado de mansões, a observar os carros que descem a rua Augusta a 120 por hora, o Mube fica ali, como uma área de exposições de fachada, como se a programação fosse um álibi que esconde sua verdadeira atividade: bufê de festas.

Já fui a algumas dessas festas, são mesmo gostosas. O espaço é amplo, modernex. As empresas que alugam o museu encomendam salgadinhos do tipo “blinis com cream cheese, salmão defumado e um galhinho de salsa crespa por cima” e drinks servidos em tubos de ensaio, coisas do gênero.

Em compensação, lá do outro lado da cidade, no Jardim da Luz, as esculturas respiram ao lado de um museu, a Pinacoteca do Estado, que funciona como museu. Ufa.

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