Ronaldo Lemos | anacarmen.com

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Esse papo de Web 2.0 já era

Passado glorioso Passado glorioso

Assisti uma parte do debate entre Geert Lovink e Ronaldo Lemos no auditório do Tuca (PUC/SP), que me atraiu porque prometia uma discussão sobre web 2.0 temperada com idéias sobre produção artística e discussão de autoria. Embora tenha saído do Tuca empastelada de sono, infelizmente vencida pelo cansaço do dia, guardei ecos de frases interessantes. A conversa pode ser retomada pelo Twitter do netart.studies

Lovink quer estudar os buscadores e a Wikipedia. Esse negócio de blogs, diz ele, é só um pedacinho da conversa. Concordo totalmente (outro dia até escrevi sobre blogs porque um estudante pediu, mas acho isso miúdo). Peixe grande hoje são os buscadores e as redes sociais

Os buscadores, comenta Lovink, para muitos são hoje a única coisa que interessa na internet. “Achei bonitinho quando ouvi de uma pessoa que ela não usava mais internet, só o Google”, citou.

A Wikipedia, acredita ele, precisa ser estudada com seriedade, não adianta ficarmos em uma conversa de “olha, a Wikipedia é legal” enquanto os detratores dizem sempre a mesma coisa: olha como a Wikipedia é falha. Essa crítica e essa defesa precisam ser aperfeiçoadas, conclui o pesquisador holandês.

As redes sociais estão nas mãos de empresas (Facebook, Orkut, MySpace, citou). “Nas redes sociais, o momento é semelhante à transição do Blogger para o Wordpress”, comparou ele. E falou das ferramentas open source para criação de redes.

Arte na pista

Ronaldo Lemos me surpreendeu ao discutir arte e tecnologia, por ser professor de direito e lembrar de gatos verde-limão criados por engenharia genética como um ato artístico e por debater alter-modernismo. Vou simplificar aqui a discussão, o que não ajuda muito, mas é o que um blog de gente apressada consegue. Ele aposta em 4 caminhos para o encontro da arte com tecnologia:

1- Levar até as últimas conseqüências os rompimentos que a tecnologia permitiu

2- Trabalhar com suportes obsoletos (citou a gravação de vídeos digitais em vinil)

3- Encarar a pesquisa científica (o exemplo do gato verde-limão)

4- A apropriação da tecnologia por parte das periferias globais (citou um roteiro mundial de fenômenos como o tecnobrega de Belém)

Mais: na Netart

Estamos Preparados para o Público 2.0?

foto: Lovink bio

Gisele Beiguelman avisa que na terça, dia 14, Geert Lovink (Institute of Network Cultures, Holanda) e Ronaldo Lemos (Creative Commons Brasil/FGV-Rio de Janeiro) discutem as perspectivas da criação artística e produção de informação no contexto da Web 2.0

O evento é uma parceria do Grupo de Pesquisas: Net Art – Perspectivas Criativas e Críticas (PUCSP/CNPq) com a Agência Click.

Sobre os Convidados

Geert Lovink: É um dos co-fundadores da lista de discussão Nettime, um dos mais fervilhantes pontos culturais da internet, e do festival de mídia tática Next Five Minutes (o primeiro do gênero no mundo).
Doutor pela Universidade de Melbourne, é ativista de mídia e crítico de internet. Foi editor da revista de cultura digital holandesa Mediamatic e ajudou a organizar fóruns e conferências como Fiberculture, digitalcity.nl e Ars Eletronica. Autor de diversos livros e ensaios, seu mais recente empreendimento é o Institute of Network Cultures, misto de escola e incubadora, sediada em Amsterdã, junto à Escola Politécnica, que desenvolve projetos e estudos sobre o uso da internet.
Leia o abstract da conferência de Geert Lovink: http://net-trends.ning.com/

Ronaldo Lemos. É graduado em direito pela Universidade de São Paulo, mestre em direito pela Universidade de Harvard, doutor em direito pela Universidade de São Paulo. Professor titular e coordenador da área de propriedade intelectual da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas – RJ. Diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade (www.direitorio.fgv.br/cts). Professor visitante da Universidade de Oxford (Michaelmans term, 2005). Diretor do projeto Creative Commons no Brasil. Co-fundador do projeto Overmundo (www.overmundo.com.br), vencedor do Golden Nica na categoria Digital Communities do Prix Ars Electronica 2007. Coordenador dos projetos A2K Brasil (www.a2kbrasil.org.br), Cultura Livre (www.culturalivre.org.br) e Open Business (http://www.overmundo.com.br/tag/open-business).

Ronaldo Lemos fala sobre a tensão entre leis e internet

Ronaldo Lemos

Em relação ao direito autoral, a nossa constituição é uma das mais restritivas do mundo, explica Ronaldo Lemos, da Creative Commons Brasil. “A lei brasileira diz tudo o que você não pode fazer, mas ela não explica o que você pode fazer”, diz ele.

Falar em direito digital é entrar em terreno pantanoso, cheio de sombras mal explicadas e extensas áreas a descoberto. Ninguém sabe direito o que pode e não pode fazer na internet. Eu tenho a impressão, por exemplo, de que se comprar um CD na loja, pagar por ele, eu posso copiá-lo para o meu iPod. Mas não posso. Uma professora que participou da oficina sobre uso de blogs na educação durante o Campus Party me disse que tem a impressão de que se for para fins educativos, é permitido reproduzir uma obra. Basta dar os créditos e fica tudo certo. Mas não é permitido.

A legislação brasileira está totalmente defasada em relação às questões do mundo digital. No Brasil, a situação anacrônica soma-se ao fato de que como ninguém sabe o que é permitido, muita gente faz qualquer coisa. Basicamente, tudo é proibido. Não há quem verifique o cumprimento da lei e tudo acaba em pizza. Portanto, nada é proibido?

Ronaldo Lemos é uma das pessoas que pode explicar um pouco mais sobre esse cipoal de questões. Não por coincidência, eu e o Juliano Spyer, em seu remix colaborativo Não Zero, publicamos esta semana vídeos no YouTube e em nossos blogs com Ronaldo Lemos. Ele é o cara que pode dar uma luz sobre o assunto.

Vale a pena reunir em uma mesma lista as várias fontes para ouvi-lo. Ronaldo é um desses pensadores atentos para as novas fronteiras do mundo digital. Admiro sua postura de incentivo à colaboração da rede e morro de orgulho de ter sido ele quem escreveu o texto de apresentação da coleção Conquiste a Rede. Um texto inspirado e, ainda por cima, bonito, cheio de estilo. Esse mesmo estilo bacana a gente pode ver nesse post recente que ele publicou no Overmundo, Belém: do rock, da aparelhagem e de tudo o mais. Os novos caminhos da produção cultural aparecem desta vez em cenário transamazônico. Segue minha lista:

Livro para download grátis

Direito, tecnologia e cultura. Editado em 2005 pela Editora FGV, o livro está disponível para download no Overmundo. “Esta obra tem como objetivo investigar os desafios propostos ao direito em decorrência do advento da internet e da tecnologia digital. A relação entre direito e realidade sempre foi um tema central no pensamento jurídico”, diz Lemos logo no primeiro parágrafo.

Apresentações

1- Apresentação de Ronaldo Lemos sobre direito digital que seria feita durante a Campus Party e que ficou para depois, por problemas de equipamento.

2- Produção Cultural e Inclusão Digital nos Países em Desenvolvimento, palestra em inglês realizada nos EUA em novembro de 2007. Veja o vídeo, vale a pena: Cultural Production and Digital Inclusion in Developing Countries.

Meus vídeos:

3- Blogs e direito autoral

4- Posso copiar um CD que eu acabei de comprar na loja? Não, a lei brasileira não permite a cópia integral. Só permite cópias de pequenos trechos de obras. Você não pode copiar um CD inteiro para o iPod. Mesmo para fins não comerciais, fins educacionais, fins de pesquisa, você não pode.

5- Em casos de processos contra blogueiros, cabe a cada juiz decidir o que aconteceu.” A legislação brasileira não regulamenta a responsabilidade civil dos blogueiros.

Vídeos do Juliano Spyer

6- O direito autoral no Brasil

7- Xerox e direito autoral

8- Vale a pena lançar um livro em Creative Commons?

9- Por que o criador do Creative Commons agora estuda corrupção? Juliano, que fez estas entrevistas durante a Campus Party, conversa com Lemos sobre Lawrence Lessig, professor da Faculdade de Direito em Stanford que criou o Creative Commons. Em 2007, Lessig anunciou que mudaria o foco de suas pesquisas para corrupção.

Momento gracinha involuntária no Campus Party

Quando você sai gravando uma palestra, você não faz idéia do que a outra pessoa vai falar, não há um roteiro. De vez em quando, o registro sai totalmente sem pé nem cabeça, sem ponto de corte, um rascunho sem serventia. Em outras vezes, o vídeo fica fora de contexto, como nesse trecho da fala do Ronaldo Lemos. Não faço idéia do que ele dizia antes e o que disse depois.

Intrigante

“A resposta é essa pergunta é muito intrigante”, diz o diretor da Creative Commons no Brasil. “Porque ela é basicamente a seguinte: ninguém sabe a resposta.”

Ronaldo Lemos fala sobre direito autoral na Campus Party

Posso copiar um CD que eu acabei de comprar na loja para o meu iPod?“, pergunta Ronaldo Lemos durante palestra na Campus Party.

Não!!!!!

Direito digital no Brasil é um terreno superpantanoso, super-arcaico, super-do-arco-da-velha.

Posso colocar um MP3 do Caetano Veloso no meu blog?

Ronaldo Lemos, do Creative Commons Brasil, fez uma palestra (inspirada) no Campus Party Brasil sobre direito digital. Começou com um quiz sobre o que é permitido e o que é ilegal em um blog.

Pergunta: Posso colocar um MP3 com uma música do Caetano Veloso em meu site?

Resposta: “No meu, não, violão. Sem chance.”

Resposta errada. Veja o vídeo: