Alguém me escreve pelo formulário de contato deste blog, diz que trabalha em um escritório de arquitetura e pede o meu catálogo. Eu não tenho nem álbum de figurinhas.
Ultimamente, meu blog leva a vários mal entendidos.
Depois que fotografei luthiers e escrevi um post sobre eles, músicos pediram para que eu agendasse shows. Depois que eu escrevi sobre adoção, pessoas de vários países procuram informações sobre assunto, perguntas de toda a sorte, do tipo: “Posso adotar se for solteira?”
Procuro responder e mostrar o caminho das pedras, mas quem lê o que escrevi? As placas do Google são as únicas coisas que esses visitantes enxergaram.
O banco Itaú me envia um convite para um novo cartão de crédito.
Liquidações, novas coleções de estilistas e newletters de todas as redes sociais fazem volume em minha caixa postal.
O verbete solidão do mundo digital deve ser algo próximo disso.
Post Scriptum: Fui dar uma voltinha e pensei melhor. Voltei para falar um pouco mais sobre essa comunicação sem conversa. Sempre falei que blogs são conversas. Tá lá, escrito no livrinho da coleção Conquiste a Rede. As mensagens a que me refiro são como garrafas que trazem bilhetes e vão bater na areia de uma ilha, garrafas enviadas por náufragos. O mar é o Google, o search engine, o mecanismo de busca. Lá, se você digitar algumas palavras-chaves, recebe uma indicação para o meu blog logo na primeira página de respostas.
Às vezes, o robô considera minha página realmente relevante e meu post é a resposta.
Desavisados, os visitantes deixam aqui a pergunta que queriam fazer. E eu ouço, admirada. O que será que essa pessoa entendeu que eu faço? Eu não agendo shows, eu no máximo vou a um show. Por que alguém me enviaria seu número de registro da Ordem dos Músicos para mostrar que realmente toca bem, é certinho e profissional?
Por que as pessoas que querem saber detalhes sobre o processo de adoção não lêem quando respondo a elas que devem procurar a Vara da Infância e Juventude para esclarecer os pormenores da história individual? Que não sou advogada e que não gostaria de prejudicar o anseio de ninguém? Porque, cá entre nós, né, adoção pode ser uma coisa muito bacana…
Acrescentaria mais ecos da solidão digital, binária, O-1 ou 1-0. Os “seguidores comerciais” que eu ganho diariamente no Twitter. Eles querem que eu “ouça” o que eles estão falando, em prol de algum cliente. Às vezes, o cliente até vale a pena, como o personagem @vitorfasano. Mas é engraçado que eu “ganhe seguidores” em uma fase em que estou mais calada que tatu-bolinha, nunca falo nada nesse twitter. Entro nessa ágora como quem pega elevador errado: Entro, leio algo e ops, já saí.
Se você me lê e não é spider do Google, sei lá, conte o que acha dessa história toda. Is anybody home? ALô, alô, alguém aí? Câmbio?




