Um dos laptops verdinhos do projeto OLPC (One Laptop per Child) apareceu na oficina de blogs na educação do Campus Party. Estava com um cara da equipe do Radar Cultura, mas eu não consegui perguntar se o bichinho deu conta do recado, se ele conseguiu fazer tudo certinho.
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One Laptop per Child no Campus Party
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Líbia e Negroponte unem-se para dar um computador por criança em idade escolar
O nome de Muammar Abu Minyar al-Gaddafi deu um duplo mortal esta semana no noticiário sobre inclusão digital. Foi uma aparição pirotécnica deste chefe de Estado da Líbia desde 1969, mais conhecido por sua proximidade com atividades terroristas do que pelas idéias de vanguarda. Ele selou uma parceria com nada mais, nada menos, que Nicholas Negroponte.
Co-fundador e diretor do MIT Media Laboratory, Negroponte é também fundador da iniciativa Um Laptop Por Criança. Em reportagem do Los Angeles Times, lê-se que Gaddafi doou no início de outubro US$ 250 milhões para a iniciativa.
Chá no Saara
Foi em agosto, em uma tenda no deserto, que o líder africano e Negroponte selaram o futuro da Líbia. Negroponte comprometeu-se a entregar um milhão de computadores a Gaddafi em 2007. Já em 2010 a Líbia poderá ser o primeiro país no qual cada criança em idade escolar terá acesso a um computador e à rede mundial. Nenhum programa da Microsoft será instalado nos computadores.
Isso é uma mudança. Nas voltas que a geopolítica dá pode ser que surja um novo Vale do Silício no norte da África. A Líbia escolhe o caminho da Índia, que se transformou em pólo mundial importante quando entrou no mercado globalizado de tecnologia e serviços, fornecendo conhecimento e mão-de-obra especializada por preços atrativos.
Como disse o russo naturalizado americano Sergey Brin, co-fundador do Google, em entrevista mencionada no livro “O Mundo é Plano”, de Thomas Friedman:
“Quem possuir conexão por banda larga ou discada ou tiver acesso a um cibercafé, seja um garoto do Camboja, um professor universitário ou eu mesmo, que gerencio este mecanismo de busca, todos têm o mesmo acesso básico a dados gerais de pesquisa. É uma força equalizadora e muito diferente de quando eu era pequeno, quando o máximo que eu tinha era acesso a alguma biblioteca, que não tinha tanta coisa assim e só por milagre se conseguia uma informação, ou buscando algo muito simples, ou muito recente”.
O Brasil ainda ensaia os primeiros passos na mesma direção. O governo Lula apostou fichas no software livre, abriu centros de uso público da internet e criou espaço para a discussão da inclusão digital. A revolução digital ainda não ocorreu. Estamos no ensaio geral.

