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Herbie Hancock & Macy Gray tocaram no Pólo Sul

Herbie Hancock no Villa-Lobos Herbie Hancock no Villa-Lobos

Foi a festa da capucha. Todo mundo de capinha de plástico transparente sobre a elegância do inverno. O show de Herbie Hancock e Macy Gray foi tão londrino, com sensação térmica de alguns graus abaixo de zero. Chuva fininha, daquela que molha os ossos, para não haver dúvidas.

Os cachorrinhos chiques dos moradores do Alto de Pinheiros usaram capinhas. Muita gente levou vinho, foi o desfile de safras do Chile, França, Itália e Argentina com alguns garrafões de Sangue de Boi na mão de incautos mais durangos. As meninas foram de botas. Os meninos, de boné. Sustentei a situação por várias músicas porque o cara é muito bom mesmo.

Fiquei surpresa em encontrar milhares de loucos como eu, que encararam a tarde gelada para ouvir jazz de primeiríssima qualidade. Um programão exótico no parque Villa-Lobos.

Sexta-feira é dia de graça

bailarina bailarina

Dieu merci c’est vendredi!

Foi com essa saudação garimpada em meus feeds que meu dia começou. Foi assim que lembrei das mitologias que envolvem esse dia que marca o fim da jornada de trabalho da semana na era industrial. Uma coisa que o século 20 e a nova economia aboliram, sexta já não é mais fim nem começo de nada.

Sexta-feira é o nome do amigo do Robinson Crusoe. Começa daí a simpatia do dia de Vênus (dies Veneris, em latim), de Freyja (deusa germânica pagã da fertilidade, da beleza, do amor) e de Shukra, deus hindu que monta um cavalo, um crocodilo ou um camelo e que é igualmente associado às qualidades feminas, às artes, à dança. Em sânscrito, sexta é Shukravaar.

Em português, toda essa influência de Vênus ficou subterrânea. Como dizia uma professora de italiano que tive, Piera Camerini, só mesmo em português foram os feirantes que decidiram o calendário. Porque em português contamos os dias como feirantes: a feira do primeiro dia, do segundo e assim vai.

Em todo o caso, a moçada ainda “guarda” a happy hour da sexta-feira como dia de comemorar a vida, festejar. Eu estou nessa, para mim hoje é dia de “clássico”: assisto pela primeira vez ao vivo Arnaldo Cohen ( Rachimaninov e Brahms) e depois experimento o restaurante da Sala São Paulo. Um clássico para temperar com toque de Vênus a feira do sexto dia.

Trilha do filme sobre Rolling Stones no YouTube

Rolling Stones e o diretor Martin Scorsese no centro

Todas as músicas de Shine a Light, documentário de Martin Scorsese sobre os Rolling Stones, estão disponíveis para você ouvir agora no YouTube. Muito bom. Estou curiosa para ver o filme, gravado no Beacon Theater de Nova York em 2006. Tem participações de filme de Jack White, da banda White Stripes, de Christina Aguilera e do guitarrista Buddy Guy.

Ouça Shine a Light.

Eu soube via Gui Fellitti Gui Felitti, do Chá Quente.

Gravadoras unem-se ao MySpace

Deu no New York Times: MySpace junta-se à Universal, Sony e WEA em site de música. É o “mais novo esforço da debilitada indústria musical para conter o declínio de suas perspectivas”, segundo o jornal.

Pelo que eu entendi, o serviço é gratuito e paga-se com publicidade. Em troca dá streaming, listas personalizadas, grupos de amigos e download. Fala-se em cobrar uma assinatura mensal para download ilimitado.

“Chris DeWolfe, executivo chefe do MySpace, uma divisão da News Corporation, descreve o serviço, que será apresentado no fim deste ano, como um lugar só para toda a música, nas suas variadas encarnações digitais.”

Se as gravadoras não podem combater o download irrestrito, juntam-se a ele, inexoravelmente.

Bonito ser testemunha de algumas mudanças muito rápidas. Comecei a trabalhar justamente nessa área: primeiro tive um programa de rock no rádio, depois pesquisei música no Centro Cultural São Paulo, fui produtora da MTV, repórter da seção cultural de dois jornais, cansei as pernas em shows em estádio de futebol e festivais. O negócio todo mudou tão radicalmente, caramba. Não sobrou nada desse império das grandes gravadoras. Posso ouvir sua queda. “Quem te viu, quem te vê.”

Águas de março

Na estrada Na estrada

“São as águas de março fechando o verão/ É promessa de vida no teu coração.”

Fotografei sábado e registrei as águas de março fechando o verão, algumas horas antes de elas desabarem em forma de tempestade com raios. Deixaram para a lua cheia da Páscoa apenas uma breve aparição.

Tom Jobim era uma simpatia, um figura. Entre tantos músicos que entrevistei, ele pertence ao grupo dos gênios de grande porte.

“É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira”

Viajei para Campos do Jordão para a abertura de um festival de inverno especialmente para conversar com Tom Jobim sobre a criação da Universidade Livre de Música, da qual ele era patrono. Isso foi em mil novecentos e bolinha. Ele me enrolou um tanto, mas eu não estava com muita pressa mesmo. Nossa conversa acabou sendo rápida, muito rápida, constato hoje, no camarim do Auditório Cláudio Santoro. Tom embrulhado em cachecol e na nuvem de fumaça do charuto. Uma grande figura.

A busca espiritual em Darjeeling

“Você fala como Marlene Dietrich, suas roupas são sempre feitas por Balmain. Você vive em um apartamento de luxo do boulevard Saint Michel, onde você guarda seus discos dos Rolling Stones. Você vai a festas nas embaixadas, onde conversa em russo e em grego. Você vem da Sorbonne. Mas diga, aonde você vai, adorável, quando está sozinha?”

free music

Como é a busca espiritual?

Ela tem como trilha “Where do you go to (My lovely)”.

A música de Peter Sarstedt foi hit em 1969 (!!!). Pelo menos, é assim no filme Viagem a Darjeeling (The Darjeeling Limited), dirigido por Wes Anderson. O aloprado diretor (seu Jorge cantando Bowie em português, lembre-se, foi coisa do cara) desta vez filma entrelinhas. Só filma o que não é dito.

Sendo assim, ao término do filme, tive aquela sensação de… bem… era isso? No dia seguinte, ainda com a cabeça no travesseiro, abri os olhos e passei a gostar mais e mais do filme. É daqueles que precisam assentar, que caem melhor depois que você mastiga e remói as cenas de pastelão. Os dias passam e Darjeeling fica cada vez mais interessante, mais “Darjeeling Unlimited”.

Esse filme com nome de chá e de uma cidade indiana para onde os ingleses fugiam durante os tórridos verões da colônia não tem limites quando se trata de ridicularizar a busca espiritual-pronta-entrega. Vista um sári e um colar de flores, ajoelhe-se diante de um templo nos confins da Índia, dê três pulinhos e alcançarás a purificação. Argh, explica o filme, sem limites quando se trata de pisar em cima da alma dos que ousarem confundir busca espiritual com malas Louis Vuitton. Daí a música que fala de verões e invernos do jet-set.

Genial

Os caras chegam ao templo sagrado de blá-blá-blá e um dos irmãos vira de costas para aquele santificado atalho para o nirvana e só pensa em achar um adaptador para tomadas com os camelôs. Assim é o ser humano. Louco por camelôs.

Hotel Chevalier

Como eu gostei de “Darjeeling Limited”, poderia passar horas a dizer o filme é genial por explicitar apenas o que não é essencial. Tudo o que realmente importa não é dito. Mas vou dizer apenas que é essencial ver Natalie Portman nua em Hotel Chevalier, um curta-metragem que explica tudo sobre o longa porque não explica nada. Essa tal busca espiritual, sabe como é. Não tem nada a ver com serviço de quarto em hotéis com talheres de prata.

Ex-girlfriend: Whatever happens in the end, I don’t wanna lose you as my friend.
Jack: I promise, I will never be your friend. No matter what. Ever.

Pergunte ao Bob Dylan se o sonho acabou

1983: na cidade caipira, faz um calor daqueles, a tarde vira uma imensidão de tempo na qual nada se move. Nem o ar. A casa é simples, um cachorro grandão e feliz sucumbe à hora da siesta e no quintal há um pé de limão. Na sala, Bob Dylan resmunga: “Você nasceu com uma serpente em cada um de seus punhos enquanto soprava um furacão”. Leio Dostoievski e a cidade caipira não combina com nada disso.

Bob Dylan insite: “Jokerman dance to the nightingale tune, oooooo, jokermaaaan.” Durante os feriados, a vilinha de interior fica sem vida aparente. “A resposta, amigo, sopra no vento”, insiste a voz anasalada. Naquele pedaço de terra onde as pessoas puxam o erre até o fim do mundo não há sequer uma leve brisa. Apenas como uma mulher. “She breaks just like a little girl.” Ai que delícia, Dylan, cante toda essa tarde interminável.

Vendedor de sonho

Bob Dylan era “vintage” já em 1983. Como um artigo de brechó, ele tinha o toque áspero de quem acreditou no sonho dos anos 60. Inaugurava a década de 80 cantando o curinga (jokerman, em inglês), carta do baralho que vale por todas e salva o jogo, com roupas de um bobo da corte que de bobo, nunca teve nada. Bob Dylan era bom, como um vinho mais encorpado que amadureceu.

Nesse encontro insólito que tivemos na tarde quente, ele deixou a impressão de ser gente boa, um cara sem pose, com muito estilo, que canta o que pensa porque o que pensa vale a pena cantar, ainda que com uma voz inadequada.

Pausa para os comerciais

Esse velho amigo passa por perto de minha casa esta semana e eu adoraria revê-lo. Mas os ingressos, puxa, o preço dos ingressos… Eles são veementes em dizer: filha, o sonho acabou mesmo. O ingresso mais barato para os shows em São Paulo custa R$ 250, o mais caro, R$ 800. É quase obsceno, os ingressos são os mais caros da nova turnê. Até para assistir ao velho clipe de Jokerman você leva goela abaixo um comercial do patrocinador. Não resta dúvida.

Ronaldo Lemos fala sobre direito autoral na Campus Party

Posso copiar um CD que eu acabei de comprar na loja para o meu iPod?“, pergunta Ronaldo Lemos durante palestra na Campus Party.

Não!!!!!

Direito digital no Brasil é um terreno superpantanoso, super-arcaico, super-do-arco-da-velha.

Posso colocar um MP3 do Caetano Veloso no meu blog?

Ronaldo Lemos, do Creative Commons Brasil, fez uma palestra (inspirada) no Campus Party Brasil sobre direito digital. Começou com um quiz sobre o que é permitido e o que é ilegal em um blog.

Pergunta: Posso colocar um MP3 com uma música do Caetano Veloso em meu site?

Resposta: “No meu, não, violão. Sem chance.”

Resposta errada. Veja o vídeo:

Tom Zé no Radar Cultura

Tom Zé Tom Zé

No lançamento do Radar Cultura, www.radarcultura.com.br, projeto colaborativo para a Rádio Cultura AM.

Adorei a interface do novo projeto, de visual limpo, fácil de usar.

O mais divertido foi votar em músicas. Fazer a programação é mesmo um barato. Acho que isso vai dar samba. Com licença para o trocadilho.

Pitaco

Minha sugestão é que a nuvem de tags (tag cloud) leve também para música.

Penso em bossa nova, clico ali na palavra e só encontro posts ou podcasts sobre o assunto. Gostaria de uma lista de músicas do gênero quando não lembro de nenhuma. Uma lista para inspirar.

Veja mais fotos.

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