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Suíços do Brasil no Memorial do Imigrante

Embarque de imigrantes suíços

Foto: Acervo Memorial do Imigrante

Trabalhei no projeto da exposição Suíços do Brasil, que será inaugurada em 3 de outubro, um sábado, no Memorial do Imigrante e permanecerá ali até 2 de novembro. Depois, seguirá para outras cidades brasileiras onde a imigração suíça deitou raízes.

Quem for ao Memorial do Imigrante pode aproveitar para dar uma voltinha na antiga locomotiva que ainda circula nos finais de semana nessa antiga hospedaria. Ali ficavam os imigrantes por alguns dias, antes que serem “despachados” para as plantações de café.

Escrevi os textos, fiz a pesquisa iconográfica e parte da pesquisa histórica da exposição. Fui surpreendida pelo que aprendi. Desconhecia que os suíços, assim como os italianos, migraram em massa para o Brasil impelidos pela fome e a crise econômica de seu país natal. Conhecia apenas a versão mais sofisticada da viagem, opção de artistas, intelectuais, cientistas e empresários.

Viajei pela história da ciência ao escrever sobre Emílio Goeldi, do Museu Paraense que hoje leva seu nome, e Adolfo Lutz. Foi gostoso falar de Guilherme Gaensly, o fotógrafo que retratou a avenida Paulista na época dos barões. As imagens dos casarões da Paulista na época em que era uma pacata área de chácaras sempre foram de minha predileção, sempre suspirei ao ver fotos de Gaensly, tão lindas. Foi um prazer receber um email recheado de fotos de Claudia Andujar, falar com artistas, professores, instituições, mergulhar em mil fontes.

Abaixo, copio o texto de divulgação.

Suíços do Brasil – press release:

Realizada pela Embaixada da Suíça no Brasil e pelo Consulado Geral da Suíça em São Paulo, a exposição Suíços do Brasil’ – que acontece de 3 de outubro a 2 de novembro, no Memorial do Imigrante, revela pela primeira vez, num conteúdo histórico e biográfico, um panorama da presença suíça no Brasil.

Para comemorar o Dia Nacional da Suíça, 1º de agosto, a exposição foi inaugurada em Indaiatuba, na Colônia Helvetia, fundada em 1888 por imigrantes que vieram trabalhar nas fazendas de café da região. Cerca de 8 mil pessoas visitaram a mostra, que chega agora a São Paulo.

Numa iniciativa da agência Presença Suíça, a exposição Suíços do Brasil é composta por módulos que percorrem a história da presença suíça no país, destacando perfis de 21 personalidades que tiveram e têm uma importante participação na sociedade brasileira. O projeto apresenta também depoimentos em vídeo de suíços que vivem no Brasil.

A exposição integra o programa Laços Suíços na América Latina, que até 2010 vai celebrar a história suíça nos países que receberam grande número desses imigrantes e ainda mantêm fortes vínculos culturais e econômicos com a Suíça.

Organizada a partir de material levantado em pesquisa histórico-biográfica, a exposição mostra os laços entre os dois países e resgata a história das relações suíço-brasileiras, que vêm se renovando e permanecem vivas até hoje.

Dentre os perfis individuais de personalidades suíças ligadas a áreas como literatura, ciência, engenharia, música e artes plásticas, estão o sanitarista Adolfo Lutz, a fotógrafa Claudia Andujar, o poeta Blaise Cendrars, o artista gráfico John Louis Graz, os engenheiros Robert Mange e Erich Meili, o cientista Emilio Goeldi, o músico Anton Walter Smetak e os artistas plásticos Dias e Riedweg.


Hospedaria da Mooca: o albergue dos imigrantes

Hospedaria do brás Hospedaria do Imigrante

No fim do século 19, a Europa estava em crise, enquanto o Brasil precisava de braços para as plantações de café. Os imigrantes se despediam de tudo o que conheciam e desciam no porto de Santos, onde embarcavam em um trem. Chegavam a São Paulo pela estação da Hospedaria do Imigrante.  Podiam ficar seis dias. Mais quatro se houvesse problemas no destino.

Recebiam um cartão de “rancho” que lhes dava direito a refeições, cama, banho. Depois, subiam em outro trem e viajavam para o oeste de São Paulo, para as fazendas de café. A história dos imigrantes nesse alojamento para mil pessoas termina em 1978, quando ainda recebia coreanos. No total, 2,5 milhões de pessoas passaram por lá. Em 1998, a Hospedaria foi transformada em Memorial do Imigrante. Nos fins de semana, a Locomotiva Baldwin 1922 ainda deixa a estação para uma voltinha com as crianças.

Estive lá a trabalho e me perguntei como não fui antes. No computador, é possível pesquisar a chegada das imigrantes pelo sobrenome. Minha família  aparece com várias grafias. Brava gente, como já escreveu alguém. Meu bisavô não foi para a lavoura, parou na cidade. Quantas histórias começaram ali.

Criança, de férias na casa de meus avós no interior, eu me equilibrava no trilho da ferrovia desativada. Os depósitos da estação tinham uma luz filtrada, bonita. Gostei de atiçar as lembranças com o que encontrei no pequeno museu ferroviário. Achei bonito encontrar uma máquina do tempo tão à mão.

14ª Festa da Imigração

Eu não sabia e acho que pouca gente sabe que neste domingo, dia 28, a 14ª Festa da Imigração mostra o rendado de nacionalidades que compõe São Paulo. Barraquinha japonesa ao lado da barraquinha indiana, na boa. Durante todo o domingo haverá música, dança das 10h às 18h.