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Alfabetizar e ler

Riobaldo Riobaldo, a colheita é comum, mas o capinar é sozinho…

Quente

Educar para crescer dá dicas de livros para crianças de acordo com a idade.

(via Lu Terceiro)

OBS: Francisco adora pelo menos três dos livros indicados para 2 anos. Lista testada e aprovada.

Frio

O Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional do Instituto Paulo Montenegro) apurou na sexta edição que apenas 54% dos brasileiros com idade entre 15 e 64 anos que estudaram até a 4ª série têm os rudimentos da alfabetização.

O impressionante é que 10% desse universo são analfabetos. Ou seja, tudo em brancas nuvens, mesmo depois de “passar de ano” pelo menos 3 vezes.

OBS: Frio na alma.

Os vampiros de Sookie Stackhouse

lua lua

Cada um segue a novela que pode e eu viciei-me, confesso, nas histórias de vampiros de Sookie Stackhouse. O formato dos livrinhos é idêntico aos de Sabrina. Traduzi uma vez um livrinho da Sabrina e pude verificar a extensão da baboseira ali.

Estou no quinto livrinho da série escrita por Charlaine Harris (um bestseller do New York Times, como anuncia o selo na capa) e já vi todas as temporadas de “True Blood”, a adaptação para a TV feita pela HBO. Acredito estar habilitada a atestar a extensão da baboseira contida ali.

É interessante observar como o roteirista da série da TV arredondou e suavizou as besteiras de dona Charlaine. A foto da autora na orelha é inverossímil: uma mulher bem rechonchudona com colar de pérolas, toda sorridente. Não parece alguém interessada em vampiros. Mas parece uma leitora de Sabrina, aha!

É ela quem escreve a saga da garçonete Sookie Stackhouse, que acha finíssimo combinar a cor do batom com os brincos e que namora vampiros, sai com lobisomens e enfrenta bruxas. Uma salada mal escrita. Uma Sabrina pop.

Outra confirmação de que a historinha vicia: senti-me mais segura ao deixar a livraria ontem com outros três livrinhos sobre a brega da Sookie. Estoque suficiente para o feriado. Alívio.

Agora tem um “shapeshifter” que vira tigre, um “tigresomem”. É uma salada sem vergonha essa. Tão cheia de buracos que eu me sinto um gênio ao pinçar frases repetidas de livrinho em livrinho. “Provavelmente, a última coisa que os japoneses esperavam quando inventaram um sangue artificial é que sua disponibilidade traria os vampiros do reino das lendas para as luzes dos fatos.”

Essa frase deve ter 11 versões (uma para cada livro). É sempre um rearranjo para encher linguiça. Não gosto de terror, mas desde Lestat, o vampiro roqueiro, eu sentia falta de uma besteira desse porte.

Sebos do Brasil vendem on-line

pitanga pitanga

Estante Virtual se apresenta como “a maior rede de sebos do Brasil”, que está presente em 5 mil cidades do Brasil.

Eu e Lu Terceiro, mamãe fresquinha, descobrimos esse site quando conversávamos por chat – ela com a Alice no colo, teclando com uma mão só – sobre comida. A gente adora comer e a gente tem intenções de cozinhar bem. A Lu criou até um blog sobre o assunto, Gastronautas Amadores.

Comentei com ela que comecei a cozinhar com ajuda de um livro, Chiang Sing, Yoga da Alimentação. Googlei o título e descobri que hoje ele só está disponível em sebos. Vale cada centavinho dos R$ 13 que custa nos sebos. O meu livro nem capa tem mais, ficou desbeiçado com o uso.

Muitas das receitas são óbvias, do tipo corte o chuchu, refogue com cebolinha, coloque sal e sirva. Fui a primeira numa família de cozinheiras a se aventurar por receitas naturebas e para uma adolescente foi um bom começo. Esse livro antiguinho ensina como preparar arroz integral e, além disso, na época os livros de receita que eu conhecia não ensinavam a refogar chuchu. Nem a preparar müsli.

Será que ele ainda vale quanto pesa? Não voltei a ele nos últimos anos. Lembro de umas bobagens como a paella vegetariana, que se mostrou um fiasco, na prática, arroz com um monte de legumes preparados de uma forma rococó e demorada…

Leia livros gratuitamente

1-Livro Livre, o Mundo é uma biblioteca é uma idéia muito legal. Você deixa um livro em um lugar público para que outra pessoa o encontre. Você deve “libertar” um livro, convida essa iniciativa, chamada de bookcrossing. Aqui no Brasil, a libertação de livros é organizada pelo Jornal de Debates. Os títulos são bem atraentes. Quando olhei na home imperava José de Alencar, de quem tive a teimosia e o desprazer de ler muitos títulos. Mas lá estavam também “As Viagens de Gulliver” e “A Arte da Guerra” de Sun Tzu.

2- Essa foto engraçadinha (acima) eu encontrei no De(couer)ação, que dá a dica de download grátis de livros no E-books grátis. O porém é que faltam títulos para o meu gosto. No meio de uma montanha de livros desnecessários e de apelo bem popular, encontrei um solitário “Cidades Invisíveis” de Italo Calvino.

3- Domínio Público é o bicho. Anote aí. Você encontra nesse site e-books de qualidade, clássicos e, inclusive, os livros que escrevi com o Roberto Taddei, da coleção Conquiste a Rede (você pode baixar a coleção também aqui no meu blog). Na home do Domínio Público, o aviso: a obra completa de Machado de Assis, grátis, ali, para você mergulhar. Tem Fernando Pessoa, tem músicas para download, enfim, é um prato recheadíssimo.

4- Leia blogs também. Qual o problema, hum?

Julie/Julia ou como comer um blog

Julie/Julia Julie/Julia

Ganhei este livro de aniversário de minha amiga Lu Terceiro e do Daniel Doro. Nesses meus tempos de trocas de fraldas, pouco sono e pouco tempo para lazer adulto, “Julie/Julia”, escrito pela norte-americana Julie Powell, foi meu amigo nos poucos minutos que me sobram antes de cair no sono, passada de cansaço.

Já percebi que um bebê tem ação um pouco anticultural na vida da mamãe que acaba de se tornar mãe. Francisco trouxe um repertório de cantigas de roda e quadrinhas d’antanho muito divertido para minha vida, mas colocou por algum tempo a literatura, os blogs, a culinária, o cinema, a música e quaisquer outros assuntos adultos em segundo, terceiro, quarto e quinto plano. Mandou tudo para plano algum, sendo bem franca. Por isso, o livro de Julie Powell caiu bem nesses tempos de papinhas turbinadas, me conectava com o mundo adulto.

Julie gosta de se apresentar como uma desequilibrada maluca por vodka-tônicas que encasquetou de preparar 524 receitas em 365 dias e narrar suas experiências em um blog.

As receitas vêm de um livro sobre culinária francesa de Julia Child, uma espécie de Dona Benta que tinha um programa de TV nos Estados Unidos popular como o de Ofélia aqui no Brasil.

Julie decidiu cozinhar feito louca depois do trabalho a troco de nada, criou para si um desafio que preenchesse seu vazio existencial. De dia, era secretária de uma repartição pública ligada à reconstrução do Ground Zero, o local onde houve o atentado de 11 de setembro. De noite, encarava coisas fora de moda como extrair o tutano de uma pata de vitelo para fazer uma porcaria chamada Aspic, com ovos incrustrados lá dentro desse mocotó – ciente do despropósito o tempo todo.

O livro de Julia Child ensinou uma geração de donas de casa americanas a cozinhar pratos franceses. Isso na década de 40.
Julie Powell o transformou em uma forma cult de adiar a decisão de ter filhos.

Para mim, Julie/Julia foi uma leitura leve e amanteigada, digamos assim, sobre uma americana porcalhona e perdida na vida que resolveu escrever palavrões em um blog, servir jantares às onze da noite diariamente e canonizar seu marido, tudo simultaneamente.

Fiquei chocada foi com o orgulho que ela sente em contar como não limpava a cozinha, onde nasceram larvas sob o secador de louças. Oh, céus. Lembrei-me do banco traseiro do carro da amiga americana de minha tia, cheio de meias de nylon usadas e embalagens de hamburger to go. Inesquecível a viagem que fiz nesse banco traseiro cheio de lixo. Quando uma americana negligencia a limpeza, ela sabe como ir longe nisso.

Vida de dona de casa é um mistério, me conte como ter tempo para limpar, escovar, cozinhar, brilhar, ler, entreter, receber, meditar e tudo o mais, sem o surgimento de larvas sob o escorredor de pratos.

Atropelou o verbo e fugiu: qualidade no jornalismo

Adoro o blog coletivo Conversas Furtadas, que coleciona bobagens ditas na rua. Copio um post chamado Pout-pourri, de Claudio Delamare, sobre estudante de comunicação que não gosta de ler:

- Ah, professor, eu sempre achei essa coisa de ler um saco, nunca gostei.
- Mas aluno de comunicação que não gosta de ler? Não pode.
- Pois é, precisa, né? A agora eu empolguei com um livro que ganhei.
- Qual?
- O Código Da Vinci. Já li todo.
- Tá, OK. É formulão, mas é um começo. Gostou?
- Adorei! Agora tou empolgada, quero ler mais, até já escolhi o próximo!
- E qual será?
- Desvendando o Código Da Vinci.

Atropelou o verbo e fugiu

Essa situação dá uma pista a respeito da qualidade das notícias. Se nem os estudantes de comunicação que, teoricamente, deveriam se interessar pela coisa, mostram-se fluentes na produção de conteúdo, como esperar que a produção do leigo seja excelente? Ainda mais aqui, onde o cidadão é antes de mais nada, brasileiro. Brasil, escutai vossos pandeiros, 32% da população ainda é de analfabetos funcionais.

Só por sorte do destino -e ainda que assim mesmo há inúmeros casos – a contribuição do cara que não é profissional de comunicação é redondinha, pensante, estruturada, criativa, confiável, ética, pertinente, responsável, dá voz aos dois lados, verifica informações antes de divulgá-las e reúne todos os atributos imagináveis para o conteúdo de qualidade. É pura sorte, uma variável metafísica. O leigo não tem idéia de que o que produz tem de ser assim ou assado, se o faz, é por intuição ou porque sabe de orelhada. Uma saída para que haja um salto de qualidade pode ser contar ao leigo o que é bacana fazer quando se publica na web.

O que deveria preocupar a todos é a qualidade do que produzem os profissionais de comunicação. Nós, pobrezinhos, profissionais das comunicações, estamos “trocando o óleo do carro enquanto dirigimos pela estrada”, para usar a expressão de um diretor de uma empresa de comunicação chamado Howard Weaver. A frase desse senhor, sobre a reinvenção da forma de produzir e publicar notícias, que tumultua as redações nesse momento, consta no relatório The State of the Media 2008, divulgado esta semana, a respeito da mídia dos EUA. Qualidade é algo sensível tanto no jornalismo tradicional quanto no jornalismo cidadão.

Jornalismo cidadão

Passo ao segundo episódio desse relatório (leia o primeiro), que aponta para problemas no mundo do jornalismo cidadão. É preciso ressaltar que as críticas que o documento faz, bastante contundentes, vêm de expectativas elevadas que não se cumpriram. Se você estiver interessado em mergulhar na questão, leia mais no capítulo sobre principais tendências do relatório:

“As perspectivas para o conteúdo gerado pelo usuário, que pareciam ser centrais para a próxima era do jornalismo, agora parecem mais limitadas. Jornalistas dizem que a melhor parte da contribuição dos cidadãos são as novas idéias, fontes, comentários e, até certo ponto, fotos e vídeo. Cidadãos postando conteúdo jornalístico, no entanto, mostrou-se algo menos valioso, com pouca coisa nova ou verificável.

O pessimismo não está restrito à mídia tradicional. O conjunto de notícias produzidas por cidadãos e os blogs está chegando a um nível significativo. Mas um estudo sobre jornalismo cidadão contido nesse relatório verificou que a maioria desses sites não deixa estranhos fazer nada além de comentar o material do próprio site, o mesmo que fazem os sites da mídia tradicional. Poucos permitem postar notícias, informação, eventos da comunidade ou cartas ao editor. Blogs são ainda mais restritivos. Em resumo, em vez de rejeitar o papel de “guardião do portal” (gatekeeper) do jornalismo tradicional, os jornalistas cidadãos e os blogueiros parecem estar recriando esse papel em outros lugares.”

Vai fundo

Juliano Spyer oferece capítulo de Conectado

Juliano Spyer Juliano Spyer

O Juliano Spyer (na foto, na palestra Zen e a Arte de Blogar, durante o Campus Party) abriu um capítulo de seu livro “Conectado” para download grátis. Diz ele:

“Um dos meus capítulos favoritos do Conectado é o Impactos da rede na mídia. Ele foi escrito pensando no profissional da comunicação que aprendeu a trabalhar usando o broadcasting e que agora está tendo que se reinventar com a internet. É justamente esse capítulo que agora está disponível em PDF para ser distribuído livremente. Ele tem 3 mega e pode ser carregado neste link:

http://www.4shared.com/file/38020138/b26e2957/Conectado_cap16.html

Quem não tiver lido poderá ter uma idéia do que é o Conectado e quem já tiver o livro, pode repassar a informação para amigos e conhecidos interessados no assunto, especialmente jornalistas e outros profissionais da comunicação.

O arquivo inclui o prefácio do Caio Túlio, a introdução, o índice, o
glossário, notas de roda-pé e referências bibliográficas.”

Valeu Juliano!

O livro do Flickr chegou

Extra Extra, agora em português: acaba de chegar aqui em casa, por correio, o livro “Apresente seu Brasil para o Flickr”. Tem foto minha, Não solto as tiras, feita em Itacaré.

Não solto as tiras

Dia de sol, praia linda, um camaridinha louco por Havaianas e anos depois, a foto tem a ilustre companhia no livro de Pescador, do André Passamani e da Dona Coló, da Gleice Bueno. Muito bom!

E mais fotos de amigos que eu não tinha incluído: Rio Grande do Sul, de Franco Hoff e Mãos de Fé, de Mario Vitor Bastos.

Quase

Pássaro rumo à luz

De volta a São Paulo depois de uma pausa para fotografar e banhar as idéias na água da chuva.
Foram 32 dias non-stop de trabalho e uma linda pausa.

Estou on-line novamente, quase de volta.

Uma pilha de tarefas me espia.

Há um convite para escrever um livro sobre jornalismo colaborativo.

Outro convite para a abertura do Mobilefest.

Há um texto para escrever e entregar, uma pauta para inventar para a próxima semana.

De volta, ma non troppo. Quase.

Estou como esse passarinho aí, voltando.

No livro de fotos do Flickr

Não solto as tiras Não solto as tiras

A foto desse Maria Farinha insistente, louco pelas legítimas, foi escolhida para o livro do Flickr.com.br

Sempre achei que fosse a cara do Brasil, que era o tema da seleção.

:D