Chego mais cedo e fico na sala de espera a “cozinhar o galo” como se dizia no passado. A oferta de revistas é exótica, uma variedade de títulos que não costumo ler, um atlas geográfico, uma National Geographic amarrotada. Sem muita expectativa, pego uma dessas revistas para o público “Ah”. Experimento ler uma revista Audi do ano passado e encontro ali entretenimento.
Alexandre Matias, editor do caderno Link do Estadão, entrevista Marcello Dantas, curador do museu da Língua Portuguesa. Opa. Esse museu é legal. O cara deve ser também, vamos ler o que ele diz.
“O Brasil tem um paradoxo interessante. Temos uma deficiêcia que é a alfabetização formal, mas há uma enorme capacidade de entender mídia. O brasileiro tem uma cultura audiovisual como poucos no mundo. De certa forma, somos um país de cultura televisiva. E isso se revela como oportunidade de linguagem. Não vamos tirar o mérito disso. Vamos usar a nosso favor.”
Nunca havia pensando nisso, no analfabetismo funcional como uma oportunidade para a linguagem visual. Uau. Salinha de espera também é cultura.

