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Diploma de jornalismo não é mais obrigatório

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Acompanhe pelo Twitter o que se falou no momento em que o STF decidiu por 8 votos a 1 que o diploma de jornalismo não é mais obrigatório para o exercício da profissão: #diploma

Fim do drible da vaca

Eu me formei na ECA/USP em Rádio e Televisão e pouco tempo depois trocava empregos em TV e produtoras pelo trabalho de repórter de um jornal. Fui contratada como assistente administrativo e sem ter uma única aula sobre o que é um lead, escrevi meu primeiro texto com um. Pirâmide invertida na intuição, quem sabe de tanto ler notícias.

Os anos se passaram e eu resolvi “tirar” um diploma de jornalismo para deixar de ser “tradutora” em outra redação. Entrei numa instituição de ensino que muito lembrava uma caixinha registradora. Tilim! Meu comentário sobre a formação dos futuros jornalistas ali é que era deformação. Sem entrar no mérito da instituição, o currículo em si era crítico, muito técnico, emburrecedor.

O diploma “serviu” uma ou outra vez na vida profissional. Mas veio a onda da globalização, da terceirização, da web 2.0, da especialização, do fim da mediação entre público e produtor de informação, veio o século 21 e eu me tornei empresária, dona de uma microempresa que presta serviços de comunicação. Eu-presária. Diploma… Para que, nessas alturas, pergunto eu?

Ah, tá, as redações. Sim, muitos trabalham em redações, inclusive eu, voltei a algumas por breves períodos, muito breves, muito críticos, muito cruz-credo-o-que-foi-feito-da-profissão-de-jornalista-nesse-país?

Os meios de comunicação estão em crise, o jornalista ficou prensado entre a mudança dos tempos e a verba minguada do dono do veículo, a inteligência do bom jornalista permaneceu a mesma e ficamos agora a ver os juízes a votar, 8 contra 1.

Na prática, o diploma já não servia muito, achava-se, quando era o caso, uma forma de contornar a obrigatoriedade (chegamos ao drible da vaca, você joga a bola por um lado, corre pelo outro e ultrapassa o adversário/obstáculo). Não se achava um jeito quando não havia vontade suficiente (sei por experiência própria).

Podemos agora voltar para o que realmente importa: a formação do jornalista ou de quem assume um papel na comunicação. Costumam trabalhar na área de comunicação profissionais das mais diversas áreas. O STF só formaliza o que já acontece na prática.

Trabalham na área profissionais com diploma de Relações Públicas (eles começam com produção de eventos e em assessorias de imprensa, terminam na coordenação de megaproduções), Letras e História (costumam escrever bem e são abduzidos), Filosofia (têm ótima formação e não arranjam outro emprego que não de professor), Publicidade (entendem de marketing, hypes, redes sociais, virais), Design (todo site, livro, jornal, newsletter precisa de um e eles acabam ficando), Ciências Sociais (mesmo caso dos filósofos), Computação (a nova geração chega com cursos do tipo Mídias Digitais, Tecnologia etc e tal).

Já trabalhei com jornalistas formados em Medicina, Geologia, Engenharia, Cinema, Direito, Biologia, Economia, Biblioteconomia. A lista é imensa. Ninguém era melhor ou pior por ter ou não diploma de jornalista. Importante sempre foi o ser humano, se era honesto, ético, simpático, com aptidão para trabalhar em grupo (comunicação é feita toda em equipe) e se tinha boa formação, inteligência, gosto pela vida e pelo saber. Diploma nunca explicou nada, nunca filtrou nada, nunca separou bons e maus profissionais.

Em tempo: formação é fundamental

Não sou nem a favor, nem contra o diploma, acho essa questão superada porque nunca existiu. Na prática, a exigência de diploma valia, ma non troppo, como expliquei jocosamente com essa história de drible da vaca, uma das glórias de Pelé na Copa de 70.

Acho fundamental o jornalista ter preparo e conhecimento técnico, assim como formação humanista, humor, olhar curioso, bondade na alma, enfim, recheio. O problema é que nem os que “tiram” diploma de comunicação estão preparados, uma vez que o currículo das universidades está sempre defasado. Em relação às novas mídias, por exemplo, é um desastre. O professor de jornalismo às vezes ainda está na fase acústica e analógica e muito pouco pode acrescentar à formação dos alunos.

O problema mais difícil de superar reside em outra esfera, porém. Comunicação ainda é um penduricalho na visão de muita gente. É aquela bobagenzinha que qualquer um sabe fazer. O design é da sobrinha do cliente. O texto foi a estagiária que copiou não sei de onde. A foto foi esticada para “caber” na resolução necessária. O livro saiu em 15 dias porque finalmente liberaram a verba e agora tem de sair, de qualquer jeito, vai assim mesmo…

Comunicação parece algo que qualquer um pode fazer. Esse é o problema. É por isso que os jornalistas esperneiam tanto em relação ao fim da obrigatoriedade do diploma. Nós, jornalistas, sabemos o quanto é difícil trabalhar em Comunicação e o quanto ela é estratégica, importante, complexa e difícil de ser bem feita. A gritaria provavelmente vem desse sentimento de “agora é que a vaca vai para o brejo de uma vez”, em termo de qualidade e da remuneração que as pessoas desavisadas estão dispostas a dar a quem sabe trabalhar em comunicação.

O jornalista é o produto

Espelho, espelho meu Espelho, espelho meu

Simpatizei com o ângulo que o jornalista português Alexandre Gamela, do blog O Lago, escolheu para escrever o post 10 mudanças no papel do jornalista e 5 coisas que se mantêm

Entre as mudanças, a lista menciona que o jornalista precisa saber trabalhar em diferentes mídias e que hoje ele é marca e é produto. Acho que sim, o jornalista já há algum tempo é um produtinho que um camelô poderia exibir sobre um feltro esticado na calçada – com essa despretensão, embora muitos ainda pensem que seus textos e análises têm o peso daquilo que muda o mundo.

O post menciona também que o jornalista hoje é um arqueólogo de informações, que é mais um guarda de trânsito do que um detetive e, finalmente, que é um DJ, a remixar tudo. Esse meu post, inclusive, ilustra bem essa última tese. É um moderador, é um validador, um produtor. Ufa, quanta coisa.

Aquário para a imprensa no Campus Party

Aquário para a imprensa no Campus Party Aquário para a imprensa no Campus Party

Humor é tudo :)

Delícias de um Campus Party

Foto de Renato Targa

Mais um dia de Campus Party Brasil. Em três etapas:

1- Pela manhã, um céu azul celeste radiante total para quem caiu da cama às 6 da matina. A Oca de Niemeyer e o Jardim de Esculturas do MAM estavam especialmente iluminados.

2- Na oficina de blogs, o equipamento funcionou direitinho em menos de meia hora! E a oficina – dada apenas por mim e Luciana hoje – terminou sob aplausos.

Eu também adorei, professores. Palmas para vocês, que são interessados, simpáticos, bacanas. Missão cumprida.

3- Como nota dissonante, uma conversa muito fora de tom entre jornalistas e jornalistas sobre… Sobre o que mesmo? Bem, me convidaram para um debate. Mas não me convidaram para subir ao palco, onde estavam alguns jornalistas. Ficamos ali, os convidados, estranhando o desconvite. Como? Disseram ao meu grupo – “os blogueiros” – que devíamos perguntar aos jornalistas coisas importantes (sobre o futuro da nação, da comunicação e o sentido da vida). “Os blogueiro”, era o que faltava. Comecei a pensar como sairia daquela, mas fiquei imobilizada. Petrificada pelo nonsense, sei lá. Às vezes eu sou assim, boba.

Já no palco (o pessoal sabe chiar direitinho, subiram dez ao palco com cadeirinhas nas mãos), com o microfone na mão, dei a enorme contribuição de dizer que sou jornalista e sou blogueira e que o mundo não se divide desta forma. Fora isso, entrei muda e saí calada.

Queria informar aos amigos todos que não poso de oráculo – e que acho que isso representa algum progresso em termos de respostas a essas questões importantes sobre o sentido da vida.