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Comunicação não é um penduricalho

Não sou nem a favor, nem contra o diploma de jornalista, acho essa questão superada porque nunca existiu. Na prática, a exigência de diploma valia, ma non troppo, como expliquei jocosamente no post anterior com essa história de drible da vaca, uma das glórias de Pelé na Copa de 70.

Acho fundamental o jornalista ter preparo e conhecimento técnico, assim como formação humanista, humor, olhar curioso, bondade na alma, enfim, recheio. O problema é que nem os que “tiram” diploma de comunicação estão preparados, uma vez que o currículo das universidades está sempre defasado. Em relação às novas mídias, por exemplo, é um desastre. O professor de jornalismo às vezes ainda está na fase acústica e analógica e muito pouco pode acrescentar à formação dos alunos.

O problema mais difícil de superar reside em outra esfera, porém. Comunicação ainda é um penduricalho na visão de muita gente. É aquela bobagenzinha que qualquer um sabe fazer. O design é da sobrinha do cliente. O texto foi a estagiária que copiou não sei de onde. A foto foi esticada para “caber” na resolução necessária. O site é atualizado uma vez por mês pelo RH. O livro saiu em 15 dias porque finalmente liberaram a verba e agora tem de sair, de qualquer jeito, vai assim mesmo…

Comunicação parece algo que qualquer um pode fazer. Esse é o problema. É por isso que os jornalistas esperneiam tanto em relação ao fim da obrigatoriedade do diploma. Nós, jornalistas, sabemos o quanto é difícil trabalhar em Comunicação e o quanto ela é estratégica, importante, complexa e difícil de ser bem feita. A gritaria provavelmente vem desse sentimento de “agora é que a vaca vai para o brejo de uma vez”, em termo de qualidade e da remuneração que as pessoas desavisadas estão dispostas a dar a quem sabe trabalhar em comunicação.

Depois de baixar a poeira

Esse complemento aos primeiros comentários sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista foi escrito quando parei para refletir se, afinal, eu era contra ou a favor do diploma.

Tenho dois diplomas em Comunicação, alguns cursos de especialização, um desejo de seguir mestrado adiante, quando conseguir, mais de um quarto de século de carreira na área (jesusinho). Foi por meio dos anos de universidade, da convivência com profissionais, mais os anos de experiência, mais um compromisso contínuo comigo mesma de nunca parar de estudar que lidei com essa barafunda até agora. Acho que não chega a ser a receita do sucesso. Só sei de uma coisa: diploma não separa inteligentes de mentecaptos.

Diploma de jornalismo não é mais obrigatório

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Acompanhe pelo Twitter o que se falou no momento em que o STF decidiu por 8 votos a 1 que o diploma de jornalismo não é mais obrigatório para o exercício da profissão: #diploma

Fim do drible da vaca

Eu me formei na ECA/USP em Rádio e Televisão e pouco tempo depois trocava empregos em TV e produtoras pelo trabalho de repórter de um jornal. Fui contratada como assistente administrativo e sem ter uma única aula sobre o que é um lead, escrevi meu primeiro texto com um. Pirâmide invertida na intuição, quem sabe de tanto ler notícias.

Os anos se passaram e eu resolvi “tirar” um diploma de jornalismo para deixar de ser “tradutora” em outra redação. Entrei numa instituição de ensino que muito lembrava uma caixinha registradora. Tilim! Meu comentário sobre a formação dos futuros jornalistas ali é que era deformação. Sem entrar no mérito da instituição, o currículo em si era crítico, muito técnico, emburrecedor.

O diploma “serviu” uma ou outra vez na vida profissional. Mas veio a onda da globalização, da terceirização, da web 2.0, da especialização, do fim da mediação entre público e produtor de informação, veio o século 21 e eu me tornei empresária, dona de uma microempresa que presta serviços de comunicação. Eu-presária. Diploma… Para que, nessas alturas, pergunto eu?

Ah, tá, as redações. Sim, muitos trabalham em redações, inclusive eu, voltei a algumas por breves períodos, muito breves, muito críticos, muito cruz-credo-o-que-foi-feito-da-profissão-de-jornalista-nesse-país?

Os meios de comunicação estão em crise, o jornalista ficou prensado entre a mudança dos tempos e a verba minguada do dono do veículo, a inteligência do bom jornalista permaneceu a mesma e ficamos agora a ver os juízes a votar, 8 contra 1.

Na prática, o diploma já não servia muito, achava-se, quando era o caso, uma forma de contornar a obrigatoriedade (chegamos ao drible da vaca, você joga a bola por um lado, corre pelo outro e ultrapassa o adversário/obstáculo). Não se achava um jeito quando não havia vontade suficiente (sei por experiência própria).

Podemos agora voltar para o que realmente importa: a formação do jornalista ou de quem assume um papel na comunicação. Costumam trabalhar na área de comunicação profissionais das mais diversas áreas. O STF só formaliza o que já acontece na prática.

Trabalham na área profissionais com diploma de Relações Públicas (eles começam com produção de eventos e em assessorias de imprensa, terminam na coordenação de megaproduções), Letras e História (costumam escrever bem e são abduzidos), Filosofia (têm ótima formação e não arranjam outro emprego que não de professor), Publicidade (entendem de marketing, hypes, redes sociais, virais), Design (todo site, livro, jornal, newsletter precisa de um e eles acabam ficando), Ciências Sociais (mesmo caso dos filósofos), Computação (a nova geração chega com cursos do tipo Mídias Digitais, Tecnologia etc e tal).

Já trabalhei com jornalistas formados em Medicina, Geologia, Engenharia, Cinema, Direito, Biologia, Economia, Biblioteconomia. A lista é imensa. Ninguém era melhor ou pior por ter ou não diploma de jornalista. Importante sempre foi o ser humano, se era honesto, ético, simpático, com aptidão para trabalhar em grupo (comunicação é feita toda em equipe) e se tinha boa formação, inteligência, gosto pela vida e pelo saber. Diploma nunca explicou nada, nunca filtrou nada, nunca separou bons e maus profissionais.

Em tempo: formação é fundamental

Não sou nem a favor, nem contra o diploma, acho essa questão superada porque nunca existiu. Na prática, a exigência de diploma valia, ma non troppo, como expliquei jocosamente com essa história de drible da vaca, uma das glórias de Pelé na Copa de 70.

Acho fundamental o jornalista ter preparo e conhecimento técnico, assim como formação humanista, humor, olhar curioso, bondade na alma, enfim, recheio. O problema é que nem os que “tiram” diploma de comunicação estão preparados, uma vez que o currículo das universidades está sempre defasado. Em relação às novas mídias, por exemplo, é um desastre. O professor de jornalismo às vezes ainda está na fase acústica e analógica e muito pouco pode acrescentar à formação dos alunos.

O problema mais difícil de superar reside em outra esfera, porém. Comunicação ainda é um penduricalho na visão de muita gente. É aquela bobagenzinha que qualquer um sabe fazer. O design é da sobrinha do cliente. O texto foi a estagiária que copiou não sei de onde. A foto foi esticada para “caber” na resolução necessária. O livro saiu em 15 dias porque finalmente liberaram a verba e agora tem de sair, de qualquer jeito, vai assim mesmo…

Comunicação parece algo que qualquer um pode fazer. Esse é o problema. É por isso que os jornalistas esperneiam tanto em relação ao fim da obrigatoriedade do diploma. Nós, jornalistas, sabemos o quanto é difícil trabalhar em Comunicação e o quanto ela é estratégica, importante, complexa e difícil de ser bem feita. A gritaria provavelmente vem desse sentimento de “agora é que a vaca vai para o brejo de uma vez”, em termo de qualidade e da remuneração que as pessoas desavisadas estão dispostas a dar a quem sabe trabalhar em comunicação.

BBC encerra projeto de jornalismo colaborativo

New vocabulary New vocabulary

Fim de uma fase de euforia do jornalismo colaborativo: “The BBC World Service’s citizen journalism project, ‘Your Story’ has been axed due to lack of funding, reports journalism.co.uk.”

Trocando em miúdos: Sua História” (Your Story), projeto de jornalismo cidadão da BBC, lançado em junho de 2008, extingue-se por falta de verba.

Tempos de mídia colaborativa: Wikipedia, The Guardian e a Rússia

Linux & Jesus Linux & Jesus

1- Sem loção

Um jornalista sem loção copiou da Wikipedia uma declaração que teria sido feita pelo compositor francês Maurice Jarre para usá-la no obituário que escreveu para a edição de 31 de março do jornal inglês The Guardian. Acontece que a declaração foi inserida no dia anterior na Wikipedia por um malandrinho de 22 anos. Deliberadamente ele colocou a isca para ver qual jornalista apressado mordia.

Shane Fitzgerald comenta a “barriga”, como se diz no jargão jornalístico e lista vários equívocos que o jornalista cometeu, a começar por não procurar uma “fonte primária” confiável.

Está na Wikipedia, beleza, mas não dá para tomar a Wikipedia como fonte primária. Concordo.

O Andre Deak deu a dica sobre essa “barriga” pelo Twitter e chamou-a de lição para os jornalistas, dois pontos, o link a seguir. Fiquei pensando se em vez de lição, esse não é só um incidente do tipo que será cada vez mais comum em tempos de mídias colaborativas.

Lição os jornalistas tomam na cabeça todo dia, em tempos de informação em tempo real. É só lição na cabeça, ui ui ui.

2- Com loção

Obama é o cara, quando se trata de trabalhar com a mídia social. Além de usar Twitter, Facebook, suas fotos no Flickr não tem cheiro de divulgação oficial. Quem posta o material tem loção.

3- Linux e Jesus

Recebi um pedido para autorizar em um blog a publicação dessa foto aqui, feita durante o Corpus Christi em frente a uma lan house de Dourado (SP).

Acho que esse blog é russo, palpitou a Kelly. Não faço idéia do que está lá escrito, mas se fala de open source, vamos lá, tá autorizado, com créditos.

Depois do café, só para começar meu dia, essas três coisas me chamaram a atenção. Reuni tudo porque pensei: ah, são sinais dos tempos de mídia colaborativa. É daí em diante.

CNN faz concurso universitário de jornalismo

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Recebi um press release de Frederico Conti, jornalista da que trabalha na divulgação da CNN, para que o 5º Concurso Universitário de Jornalismo CNN fosse divulgado neste blog. Está certo, divulgar um concurso de vídeos sobre “O uso da tecnologia no desenvolvimento social” em blogs tem muito a ver.

Reproduzo a mensagem do Frederico:

“As inscrições começaram no dia 24 de março e podem ser feitas até dia 29 de junho de 2009.O tema deste ano é “O uso da tecnologia no desenvolvimentosocial”.

A novidade de 2009 é que o estudante vai poder enviar o vídeo de até 2 minutos pelo YouTube, sendo que ele poderá produzir quantas matérias quiser.O concurso é válido somente para estudantes de jornalismo.O ganhador conhecerá os estúdios da
CNN International, além de ter sua matéria exibida pelo canal.
As inscrições podem ser feitas no site:
www.concursocnn.com.br

Acompanhe ainda as novidades no Blog:
www.concursocnn.com.br/2009/blog/

ISO para o jornalismo

camera camera

Recebi um release curioso hoje, da International Organization for Standartization, sobre padrões ISO para o jornalismo e os meios de comunicação.

A conexão peer-to-peer, ou seja, de indivíduo para indivíduo, fica mais fácil, na base do plug and play, diz um dos capítulos da revista da organização: Peer-to-peer connectivity made easy

Você pode ler todos os capítulos desta edição sobre mídia aqui: ISO Focus – April 2009

Fala-se em padrões para a arquitetura das redes, metadados, compressão digital de imagens e vídeo, pdf, enfim, coisas que tornam a vida do usuário possível em uma época em que novas tecnologias crescem como grama no jardim. Além disso, como explica o CEO Reiner Mittelbach, “padrões são importantes para a nossa indústria reduzir custos e esforços”.

Jornalismo e blogs

Tell a story Tell a story

Conquiste a Rede, coleção de livrinhos sobre a publicação de conteúdo na web, começou a ser escrita por mim e pelo Roberto Taddei em 2005, depois de um café e um papo gostoso. De lá para cá, o mundo mudou deveras. E de marias.

Passei a conversar com estudantes sobre jornalismo cidadão para suas monografias de graduação e mestrado. Fico surpresa e muito contente com o fato de que “Conquiste a Rede”, escrita para pessoas que estariam sendo iniciadas nos mistérios da internet, ou seja, noviços, supostamente de baixa escolaridade, faça carreira como bibliografia da universidade. Isso demonstra que, anos depois, os livros ainda servem a seus propósitos iniciais: a coleção nasceu da falta de material em português sobre o assunto e concretizou uma reflexão inicial sobre o tema. É bom que siga seu caminho como referência útil, isso representa um excelente retorno para mim, como autora. Ser lida e ser útil, maravilha.

Fiz esse preâmbulo para dizer a todos os que perguntam minha opinião que acho difícil palpitar sobre os caminhos da humanidade. Sou jornalista e me afastei do dia a dia da redação com um certo desencanto, antes que me perdesse em frases como “nos bons tempos era assim e assado”. Às vezes, resmungo coisas como “um eletricista ganha melhor que um jornalista”.

Trabalho com comunicação, mas entendo ser esse trabalho algo bem amplo, que vai da edição de informação à concepção de projetos web, coordenação de equipes multimídia, crossing de linguagens e referências, pesquisa sobre novas mídias e ferramentas. Aquele jornalismo tradicional para mim é um pedaço desse mundo da comunicação.

Não tenho respostas sobre a crise do jornalismo tradicional, não sei como conciliar a profissão com o direito de todos à informação, pesquiso sobre direitos autorais versus conteúdo livre, uma discussão alentada, a meu ver.

Recebi perguntas do Eduardo Trindade, estudante da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e vou respondê-las pelo blog para que outros interessados possam participar e para ganhar tempo, pois nem sempre consigo parar para concatenar meus “pitacos”.

Pergunta 1- Como você vê, como jornalista, o futuro dos jornalistas profissionais com as possibilidades oferecidas aos cidadãos comuns, pelos blogs e plataformas web 2.0 de publicação online?

Um bom jornalista já se adaptou ou procura se encaixar no novo cenário. Sabe trabalhar com várias mídias (imagem, som, texto) e é fluente nessas diversas linguagens. Transita por redes sociais e sabe como usá-las com elegância e ética. Usa ferramentas como blogs, microblogs (Twitter), agregadores, bookmarks e mensagens instantâneas para obter, filtrar, avaliar e difundir notícias e informações.

O texto, a linguagem escrita, a meu ver, permanece como um grande desafio para a nova geração. Afinal, ela é formada por nativos digitais, mais acostumados à fala coloquial.

Esse profissional trabalha o tempo todo com fontes de diversas origens. Avaliar a qualidade da fonte é outro de seus desafios. Nesse cipoal de informações disponíveis, produzir, disseminar e editar informação fidedigna e confiável é tarefa bem complexa.

Ética, direitos autorais e viabilidade econômica dos projetos jornalísticos são questões fundamentais do jornalismo no século 21.

Pergunta 2- O que pode (se é que pode) diferenciar um profissional graduado dos blogueiros amadores em um blog?

Em tese, o amador não tem compromisso com sua audiência (público). O profissional, por seu lado, deve ter conhecimento técnico e ser ético. Na prática, blogueiro e jornalista não se distinguem na qualidade do que é produzido.

Já foi superada a divisão clara e nítida, preto no branco, entre o jornalista e o blogueiro. Há jornalistas blogueiros e blogueiros que são ótimos profissionais das notícias, mesmo sem ter o diploma do curso de jornalismo (se é isso o que define um jornalista). A prática do jornalismo obedece várias regras, tem técnicas, exige conhecimento. Um bom blogueiro não é um desavisado e estuda o universo da comunicação, o que nem todo jornalista faz.

Pergunta 3 – Quantos jornalistas profissionais vc conhece que trabalham apenas com blogs (não vinculados a grande grupos) e qual a faixa de renda destes?

Em outros países, principalmente nos EUA, são muitos os que tem como fonte de renda blogs e que são direta ou indiretamente (por meio de palestras, consultorias etc) remunerados pelo que postam na rede, sejam textos, fotos ou vídeos. No Brasil, percebo blogueiros como estes como casos isolados. São celebridades da blogosfera, um ou outro blogueiro, fotógrafo ou videomaker que consegue pagar as contas com o blogs e a reputação que eles conferem ao autor.

Em tempo: o Tiago Dória escreveu sobre os Super-Heróis dos Blogs, post que vale a visita.

“Para mim, um dos principais efeitos dos blogs é que eles aumentaram o número de pessoas participantes do mercado de opinião”, diz Dória. “Para o jornalismo, área a qual estou mais ligado atualmente, além de trazer novos profissionais, um dos principais efeitos foi ajudar a quebrar o tal do tabu da concorrência“.

“…O assunto pode ser cansativo. Falar de blogs é tão 2007″, comenta.

O Estado da Mídia 2009: pior, muito pior

Piano de criança Piano de criança

A sexta edição da pesquisa The State of the News Media 2009 traz notícias sombrias para o mundo relacionado ao jornalismo. Acompanho a série há alguns anos certa de que os Estados Unidos funcionam como um termômetro do jornalismo, em termos globais. Quando as coisas desandam por lá, os reflexos são sentidos aqui. Podemos esperar uma força semelhante em nosso mercado alguns meses depois, pois aqui a onda bate em seguida.

Pelas conclusões do projeto, ligado ao Pew Research Center e que tem como objetivo ser um “fact tank” apartidário para pesquisas de ciências sociais e opinião pública, aquilo que ia mal um ano atrás, agora desmorona. Não existe uma grande novidade, apenas a aceleração do processo, que ficou vistoso. Podemos ouvir o barulho que a mídia tradicional produz ao ruir.

Para quem, como eu, é jornalista, as notícias são tristes. Um em cada 5 jornalistas dos EUA perdeu o trabalho no ano passado, mesmo sendo um ano de eleição presidencial no país. Muitos jornais foram à bancarrota e a audiência migrou massivamente para a internet.

Para os estudantes que me procuram eu sempre digo que a minha profissão é a melhor para mim, porque adoro comunicação. De mim, o estudante também ouve, incrédulo, que um eletricista pode ser melhor remunerado que um jornalista.

O jornalista e a empresa jornalística perdem cada vez mais seu lugar ao sol. O relatório anual traz dados para sustentar essa afirmação: “Power is shifting to the individual journalist and away, by degrees, from journalistic institutions. The trend is still forming and its potential is uncertain but the signs are clear. Through search, e-mail, blogs, social media and more, consumers are gravitating to the work of individual writers and voices, and away somewhat from institutional brand. Journalists who have left legacy news organizations are attracting funding to create their own websites.

Ou seja: por meio de buscadores (como o Google), e-mail, blogs, redes sociais, entre outros, os consumidores voltam-se para o trabalho de autores individuais e distanciam-se das vozes institucionais (empresas de comunicação).

Leia mais:

Relatório 2008

Relatório 2007

Em tempo: A Hearst Corporation anunciou hoje que o jornal Post-Intelligencer, de Seattle, passa a existir somente na versão digital, seattlepi.com. A versão papel empregava uma equipe de 165 pessoas. A versão web precisa apenas de 20, segundo informou o New York Times. (Dica da tia Tina Foschini-Miller)

Notícias e Informação no momento em que a mídia digital chega à maturidade

Media Re:public: News and Information as Digital Media Come of Age (Re:pública da Mídia: Notícias e Informação no momento em que a mídia digital chega à maturidade) é um estudo divulgado pelo Berkman Center for Internet & Society, da Universidade de Harvard.

Sua leitura é uma lição de casa para todo mundo que trabalha com comunicação e, principalmente, com notícias. Como eu.

Passo os olhos na conclusão do estudo: “Most of the challenges are linked directly to the disaggregation and  disintermediation of the media business, which offer both new opportunities and new challenges to authors, editors, and audiences alike.” Em resumo: o que fazer com essa mudança? Como ganhar dinheiro, como ter credibilidade? Quem deve produzir notícia? Que modelo de negócio serve para o jornalismo, hoje em dia?

Autores se dizem otimistas

“After a year spent talking to stakeholders across a broad spectrum of media and technology enterprises, overall we are optimistic. We believe that the combination of new and emerging digital media technologies with the deep expertise of the best of the traditional journalism community has the potential to create a news and information environment in the United States and other countries that is richer, more engaging, and more representative than anything that existed previously.”

Em resumo: as coisas estão melhores hoje do que jamais estiveram.

* Página do projeto
* blog
* Download do relatório

O jornalista é o produto

Espelho, espelho meu Espelho, espelho meu

Simpatizei com o ângulo que o jornalista português Alexandre Gamela, do blog O Lago, escolheu para escrever o post 10 mudanças no papel do jornalista e 5 coisas que se mantêm

Entre as mudanças, a lista menciona que o jornalista precisa saber trabalhar em diferentes mídias e que hoje ele é marca e é produto. Acho que sim, o jornalista já há algum tempo é um produtinho que um camelô poderia exibir sobre um feltro esticado na calçada – com essa despretensão, embora muitos ainda pensem que seus textos e análises têm o peso daquilo que muda o mundo.

O post menciona também que o jornalista hoje é um arqueólogo de informações, que é mais um guarda de trânsito do que um detetive e, finalmente, que é um DJ, a remixar tudo. Esse meu post, inclusive, ilustra bem essa última tese. É um moderador, é um validador, um produtor. Ufa, quanta coisa.

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