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Jornalismo cidadão é passageiro de segunda classe nos grandes portais

Juliano Spyer fez uma pergunta interessante pelo Webinsider: Por que o jornalismo participativo não decola nos portais?

Por chat, tivemos um papo, que reproduzo porque é assim que a gente fala na vida real, no meio da correria do dia-a-dia:

Ana: Carta de leitor? Nem li e já concordo.

Juliano: hahahaha

Ana: Eu ouvi naquele encontro da BBC o Terra e o G1 reclamarem de qualidade. Estou para escrever que isso nunca vai dar certo. Gente com cabeça boa e texto melhor ainda não vai perder tempo se relacionando com aquelas seções merrecas de grandes portais, perder tempo produzindo conteúdo para elas.

Juliano: Então escreve. Putz, perfeito.

Os grandes veículos não preparam um lugar relevante para receber essas contribuições do internauta. Não criam motivação alguma para seu público colaborar. Se o que é enviado tem qualidade, é por puro acaso, obra do destino, pela conjunção de astros ou por intuição de um internauta com certo desconfiômetro. Escrevi outro dia sobre isso: se nem alguns estudantes de comunicação se interessam pela produção de notícias com qualidade, por que um leigo o faria?

Agora, me diga: por que eu, internauta, enviaria conteúdo com algum valor jornalístico para esses grandes portais? Meu conteúdo será maltratado, ficará escondido e eu não vou ganhar nada com isso. O YouTube e até o meu blog, com audiência miudinha, de nicho, serão melhores aeroportos para essa produção. É isso o que sente o internauta que não é profissional de comunicação mas tem certo talento, formação e conhecimento para compartilhar.

A BBC sacou que maltratar a produção do jornalismo cidadão era uma forma errada de pensar e promoveu uma gigantesca reestruturação em suas equipes e na arquitetura de suas páginas para dar ao internauta um lugar mais relevante e que proporcione uma vivência mais interessante no momento em que ele se relaciona com a grife do jornalismo. Se tiver interesse, leia mais sobre o debate a respeito de um “novo jornalismo”, promovido pela BBC Brasil em São Paulo.

Mais sobre jornalismo cidadão

Antonio Prada, do Terra, fala sobre jornalismo cidadão

 antonio prada

Para Antonio Prada, diretor de conteúdo do Terra América Latina, “uma coisa é o usuário produzir conteúdo com as ferramentas disponíveis, outra coisa é o uso que se faz desse conteúdo dentro das regras do bom jornalismo”.Durante o debate “O Novo Jornalismo: Convergência e Interatividade” realizado em São Paulo no dia 13 de março, Prada comentou que o conteúdo enviado pelo público para o portal Terra hoje é mais relevante do que há dois anos, quando foi lançado o Você Repórter, um espaço para contribuições do público.

“O que acontece é muito interessante, porque no começo a gente recebia muita coisa que era lixo. No caso do Terra e do Você Repórter, que surgiu há dois anos, a gente optou nessa primeira fase por filtrar o material. Como o conteúdo enviado pelo internauta está muito relacionado a breaking news, a cidadanias, e ele pode ir para a primeira página, isso acaba afastando os aventureiros”, acredita Prada.

Participaram também desse encontro, permeado pelas questões do jornalismo cidadão, Américo Martins, editor executivo da BBC para Américas e Europa; Andrea Fornes, produtora executiva da MSN Brasil; Márcia Menezes, diretora de jornalismo do G1 e Pete Clifton, diretor da BBC News Interactive. O debate, realizado em 13 de março no Centro Brasileiro Britânico, foi uma iniciativa da BBC Brasil para marcar seus 70 anos.

Mais sobre jornalismo cidadão

Tom Zé no Radar Cultura

Tom Zé Tom Zé

No lançamento do Radar Cultura, www.radarcultura.com.br, projeto colaborativo para a Rádio Cultura AM.

Adorei a interface do novo projeto, de visual limpo, fácil de usar.

O mais divertido foi votar em músicas. Fazer a programação é mesmo um barato. Acho que isso vai dar samba. Com licença para o trocadilho.

Pitaco

Minha sugestão é que a nuvem de tags (tag cloud) leve também para música.

Penso em bossa nova, clico ali na palavra e só encontro posts ou podcasts sobre o assunto. Gostaria de uma lista de músicas do gênero quando não lembro de nenhuma. Uma lista para inspirar.

Veja mais fotos.

Rádio Cultura agora é colaborativa

A partir desta segunda-feira, às 20h, a Rádio Cultura passa a ter um ambiente colaborativo para que os ouvintes possam sugerir pautas e interferir na programação, como explica o Juliano Spyer em seu Não Zero.

Radar Cultura é o nome desse novo ambiente colaborativo. Para participar é preciso cadastrar-se e o conteúdo ganha destaque a partir do voto dos outros integrantes da comunidade, ou seja, ele é “moderado socialmente”. O conteúdo tem licença Creative Commons. Todas essas características são ótimas porque trazem o DNA da colaboração.

Outra coisa que me chamou a atenção foi a promessa de que as pautas sugeridas pela equipe da redação terão o mesmo peso das pautas sugeridas pelo público, com as mesmas chances de serem produzidas e divulgadas. Ponto para a Cultura. E para o Juliano Spyer e André Avório, que trabalharam no projeto.

O contraste: fiquei estarrecida ao abrir o Guia da Folha desta semana com uma edição para os melhores de 2007. Pela primeira vez, o guia traz o voto dos leitores -12 mil almas - mas sua opinião tem um peso três vezes menor do que o voto dos críticos escolhidos pelo guia. Vexame completo, que falta de faro! Os críticos têm seu cabedal de conhecimento e experiências, certo. Mas o guia consegue que mais de 12 mil leitores se dêem ao trabalho de interagir com o veículo para depois espremer seu voto no rodapé da página? Três quartos de página para os críticos e um quarto para os leitores? Miopia editorial é um jeito bondoso de falar dessa opção.

De volta ao louvável: outro diferencial do Radar Cultura é a elegância do Spyer, que no mesmo Não Zero já citado acima, ressalta que a idéia de rádio colaborativa não brotou do solo esta semana, mas que a experiência em rádios públicas tem um histórico. Ele cita e ainda dá link.

Copio os links porque é um referencial importante para a terra de cegos:

  • Programa Open Source - O blog serve para a comunidade sugerir pautas, entrevistados e comentar o conteúdo que vai ao ar.
  • Rought Cuts da NPR - Espaço colaborativo onde a emissora apresenta aos ouvintes idéias programas novos para receber feedback da comunidade e iniciar a divulgação boca-a-boca.
  • Vocalo - Projeto de rádio produzida pela participação da comunidade.
  • Search Engine - A audiência é convidada a repercutir assuntos em suas comunidades e enviar de volta ao programa.”

É assim que se faz. Desejo sucesso ao Radar Cultura. E recomendo a leitura do post do texto sobre colaboração em rádios assinado por Mark Glaser que o Não Zero se deu ao trabalho de traduzir para o português. É muito claro ali um depoimento de Christopher Lydon, do programa Open Source, que diz : “Nós podemos treinar participantes e eles podem nos treinar. É um trabalho lento e humilde, mas toda a idéia de conteúdo criado pela audiência, onde ouvintes se tornam escritores, é uma boa idéia e funciona como um encanto.” Lento, humilde, construção e colaboração, uma rima.

Copio outro trecho da tradução, porque traz dicas de Greta Pemberton, a blogueira-chefe do programa Open Source, sobre o que funciona em jornalismo colaborativo: “No começo nós não instruíamos as pessoas em relação às sugestões e era realmente trabalhoso ler esse material. Desde que estamos dando mais feedback nas respostas, temos tido melhores resultados.”

Destruir é para iniciantes. Somar é uma arte.

Pesquisadora de Navarra fala sobre convergência

A pesquisadora da Universidade de Navarra Charo Sábada é uma simpatia. Em pleno lufa-lufa de dezembro, falou hoje sobre convergência na ECA/USP. Imagine: mídias digitais com gosto de lista de presentes de Natal. Valeu pela vivência de Sábada, que inicia uma pesquisa de campo ao lado de 25 pesquisadores espanhóis sobre a convergência nos meios de comunicação espanhóis.

“Todo fenômeno passa por uma fase de exagero”, diz ela no vídeo abaixo. Ela se refere ao “buzz” do jornalismo participativo (citizen journalism) e das redes sociais (social media).

Quem não entender espanhol, pergunte, posso publicar algumas anotações. Hoje nicas. É um daqueles dias que precisavam se multiplicar em muitos. Vídeo e a foto da charge (que encerrou a palestra), espero, são auto-explicativos.

Technology changes, human don’t

E bom fim de ano, gente, que 2008 traga conexões ainda mais certas.

Leia mais sobre a palestra e o “culto do amador”, como preferiu o Francisco Madureira, no Clico, logo existo.

Quase

Pássaro rumo à luz

De volta a São Paulo depois de uma pausa para fotografar e banhar as idéias na água da chuva.
Foram 32 dias non-stop de trabalho e uma linda pausa.

Estou on-line novamente, quase de volta.

Uma pilha de tarefas me espia.

Há um convite para escrever um livro sobre jornalismo colaborativo.

Outro convite para a abertura do Mobilefest.

Há um texto para escrever e entregar, uma pauta para inventar para a próxima semana.

De volta, ma non troppo. Quase.

Estou como esse passarinho aí, voltando.

Teia para quem não está em Belo Horizonte

ad infinitum

A Teia, encontro dos pontos de cultura, começa nesta quarta em Belo Horizonte. Daqui de São Paulo, sei que os oficineiros que trabalharam para preparar a cobertura colaborativa do evento estão cheio de idéias para ações on-line e off-line. Chegou a hora de ver o resultado da oficina de jornalismo colaborativo.

Encontrei na sala de imprensa um texto que procura explicar o que foi esse laboratório do qual participei. De Cataguases, sei que virão idéias da Fábrica do Futuro para uso do celular. Nos blogs já se vêem textos da Elisandra e do Rafael, mas acredito que haverá muito mais daqui a pouco. Dá para acompanhar também pelo Del.icio.us o que vai rolar. Marcelo Terça Nada aponta outros caminhos na web em seu Vírgula Imagem. Em resumo, clique e veja que história é essa de Teia:

Teia 2007

Luz e muito papo Luz e muito papo

Mais de cem pessoas participaram durante dois dias de uma oficina na Funarte de Belo Horizonte que preparou uma cobertura nos moldes colaborativos da Teia 2007, um grande encontro dos pontos de cultura que acontece esta semana, de 7 a 11 de novembro.

O tema da oficina foi “jornalismo cultural independente”. Cada uma das três palavras foi desconstruída e conceituada. Independente de quê? Jornalismo ou conteúdo? Cultura ou culturas? Etc e etc. A metodologia dos Papagallis foi de cafés à desconferência, passando por ciranda e o improviso geral.

Exausta e com a lembrança de um calor absurdo, acabo de voltar desse laboratório de técnicas e idéias com a percepção de que foi uma experiência e tanto. Falo mais depois.

A cobertura de todo o evento está na Rede 100 canais.

Veja as fotos.