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A busca espiritual em Darjeeling

“Você fala como Marlene Dietrich, suas roupas são sempre feitas por Balmain. Você vive em um apartamento de luxo do boulevard Saint Michel, onde você guarda seus discos dos Rolling Stones. Você vai a festas nas embaixadas, onde conversa em russo e em grego. Você vem da Sorbonne. Mas diga, aonde você vai, adorável, quando está sozinha?”

free music

Como é a busca espiritual?

Ela tem como trilha “Where do you go to (My lovely)”.

A música de Peter Sarstedt foi hit em 1969 (!!!). Pelo menos, é assim no filme Viagem a Darjeeling (The Darjeeling Limited), dirigido por Wes Anderson. O aloprado diretor (seu Jorge cantando Bowie em português, lembre-se, foi coisa do cara) desta vez filma entrelinhas. Só filma o que não é dito.

Sendo assim, ao término do filme, tive aquela sensação de… bem… era isso? No dia seguinte, ainda com a cabeça no travesseiro, abri os olhos e passei a gostar mais e mais do filme. É daqueles que precisam assentar, que caem melhor depois que você mastiga e remói as cenas de pastelão. Os dias passam e Darjeeling fica cada vez mais interessante, mais “Darjeeling Unlimited”.

Esse filme com nome de chá e de uma cidade indiana para onde os ingleses fugiam durante os tórridos verões da colônia não tem limites quando se trata de ridicularizar a busca espiritual-pronta-entrega. Vista um sári e um colar de flores, ajoelhe-se diante de um templo nos confins da Índia, dê três pulinhos e alcançarás a purificação. Argh, explica o filme, sem limites quando se trata de pisar em cima da alma dos que ousarem confundir busca espiritual com malas Louis Vuitton. Daí a música que fala de verões e invernos do jet-set.

Genial

Os caras chegam ao templo sagrado de blá-blá-blá e um dos irmãos vira de costas para aquele santificado atalho para o nirvana e só pensa em achar um adaptador para tomadas com os camelôs. Assim é o ser humano. Louco por camelôs.

Hotel Chevalier

Como eu gostei de “Darjeeling Limited”, poderia passar horas a dizer o filme é genial por explicitar apenas o que não é essencial. Tudo o que realmente importa não é dito. Mas vou dizer apenas que é essencial ver Natalie Portman nua em Hotel Chevalier, um curta-metragem que explica tudo sobre o longa porque não explica nada. Essa tal busca espiritual, sabe como é. Não tem nada a ver com serviço de quarto em hotéis com talheres de prata.

Ex-girlfriend: Whatever happens in the end, I don’t wanna lose you as my friend.
Jack: I promise, I will never be your friend. No matter what. Ever.

Comunidade online dá emprego aos mais pobres da Índia

Reportagem do New York Times fala sobre o uso de comunidades online, do tipo Linked In e Facebook (Orkut é um bom exemplo para os brasileiros), para que os mais pobres indianos consigam visibilidade diante de possíveis empregadores.

O site Babajob.com é um projeto que tem como objetivo criar páginas na web para quem está nos andares mais humildes da cadeia produtiva e procura emprego. A reportagem começa com a história de um pintor, Manohar Lakshmipathi, que não tem computador e, com ajuda, coloca seu histórico profissional e foto na comunidade, para que um possível interessado possa contratá-lo.

O Babajob paga quem puder fazer esse cadastro. Seu público-alvo são pessoas que trabalham por US$ 2 ou US$ 3 ao dia e não têm acesso a um computador. O elo com essa fatia da população pode ser feita por quem quiser, de donos de lan houses a qualquer proprietário de um computador. O site remunera esses agentes para que encontrem essas pessoas. O projeto se sustenta com anúncios dos empregadores. Antes da reportagem, 2 mil já haviam se cadastrado. Depois dela, o sucesso com certeza será maior.

Quando um futuro patrão procura uma babá ou um jardineiro, quer referências. Para mimetizar as indicações pessoais e o boca-a-boca que regem esse tipo de acordo, o Babajob criou um mecanismo de prêmios em dinheiro. O site remunera o patrão e o empregado que conseguirem indicar alguém que satisfaça um outro empregador.

Ótima idéia. Deu no NYT, no Herald Tribune, The Times of India. O Babajob tem um blog. Bingo! É um projeto bem inteligente, “subproduto” do crescimento do mercado de outsourcing (terceirização de serviços) na Índia, segundo o jornal, um subproduto dos milhares de talentos mobilizados para o trabalho online que começaram a criar soluções para ajudar os mais pobres.