Rua Pavão, Vila Madalena, oito e meia da noite, o cozinheiro sonha.
Eu passo e roubo o momento.
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O cozinheiro sonha
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Sexta-feira é dia de graça
Dieu merci c’est vendredi!
Foi com essa saudação garimpada em meus feeds que meu dia começou. Foi assim que lembrei das mitologias que envolvem esse dia que marca o fim da jornada de trabalho da semana na era industrial. Uma coisa que o século 20 e a nova economia aboliram, sexta já não é mais fim nem começo de nada.
Sexta-feira é o nome do amigo do Robinson Crusoe. Começa daí a simpatia do dia de Vênus (dies Veneris, em latim), de Freyja (deusa germânica pagã da fertilidade, da beleza, do amor) e de Shukra, deus hindu que monta um cavalo, um crocodilo ou um camelo e que é igualmente associado às qualidades feminas, às artes, à dança. Em sânscrito, sexta é Shukravaar.
Em português, toda essa influência de Vênus ficou subterrânea. Como dizia uma professora de italiano que tive, Piera Camerini, só mesmo em português foram os feirantes que decidiram o calendário. Porque em português contamos os dias como feirantes: a feira do primeiro dia, do segundo e assim vai.
Em todo o caso, a moçada ainda “guarda” a happy hour da sexta-feira como dia de comemorar a vida, festejar. Eu estou nessa, para mim hoje é dia de “clássico”: assisto pela primeira vez ao vivo Arnaldo Cohen ( Rachimaninov e Brahms) e depois experimento o restaurante da Sala São Paulo. Um clássico para temperar com toque de Vênus a feira do sexto dia.
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Bom Retiro + Barra Funda ganham cor com 6EMEIA
Conversei por e-mail com o Anderson Augusto (SÃO), morador da Barra Funda, que faz dupla com Leonardo Delafuente (D lafuen T), morador do Bom Retiro. Juntos, eles pintam declarações de amor aos bairros onde moram. É o projeto 6EMEIA:
O que eles têm a declarar
“Bom Retiro e Barra Funda são bairros referencias na cidade de São Paulo, não é de hoje que seus nomes estão vinculados a movimentos artísticos e culturais. Crescemos olhando à nossa volta um passado tranqüilo e harmonioso e olhamos para um futuro de descaso, turbulento. Como são bairros centrais, que décadas atrás abrigavam grandes fábricas, com o desaparecimento das mesmas eles sofreram com o descaso dos órgãos públicos e com o tempo. Desde que a cidade tem uma corrida de crescimento vertical, esses bairros sofrem com a especulação imobiliária. Por sermos contra essa especulação, tanto do mercado imobiliário, quanto por parte da prefeitura, com sua suposta ação de revitalização, decidimos melhorar o bairro por iniciativa própria.”
Mais sobre o projeto
- Veja o set de fotos do Projeto 6EMEIA no Flickr.
- Leia o Post no Daily Flog, o blog oficial do Fotolog: “Check it out: for at least a year, a few enterprising young artists who post under the Fotolog name 6emeia have been beautifying the city’s storm sewer openings with their cute and clever cartoon paintings.”
- Veja o post do wooster collective, um site bem bacana sobre street art.
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Vila Madalena rocks
Esse monstro das letras é uma criação de Fefê Talavera que fotografei na Vila Madalena, perto do Sujinho, já na área urbanizada pela City, que ali provavelmente se chama City Pinheiros. Foi no muro de um dessas casaronas da fronteira da Vila Madalena que encontrei esse exemplar puro-sangue de tipografia, um luxo.
Veja outro monstro das letras da Fefê Talavera que achei na Pompéia.
Veja as fotos da artista no Flickr.
Via Agenda da Cidade, soube que dias 5 e 6 de abril tem Arte da Vila, uma oportunidade para zanzar pela Vila Madalena e visitar ateliês. Veja a programação. Veja o mapa. É sempre divertido passear pelas ladeiras quando os artistas abrem seus ateliês.
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Antídoto contra o mau humor
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“O peixe que comia estrelas cadentes”, exposição da dupla de grafiteiros do Cambuci conhecida como osgemeos, fica somente até este sábado, 16 de setembro, na Galeria Fortes Vilaça, na Vila Madalena. Colorido e feliz, o trabalho dos irmãos Otavio e Gustavo Pandolfo engole meteoros para cuspir sonho, brincadeiras visuais e um irresistível olhar inocente.
A mistura de realismo mágico com feira medieval e cordel é uma das boas surpresas dessa temporada, que começa a pegar fogo - vem aí a Bienal e suas milongas sobre vida coletiva. Durante alguns meses, a instalação de osgemeos foi “o” passeio descolado em São Paulo para adultos, crianças e até bebês. Ganhou um boca-a-boca forte em blogs e fotoblogs. Formaram-se filas na galeria, que chegou a fechar as portas durante um sábado, quando 800 pessoas passaram por ali.
Mas não é que um crítico desses que tem porte para discutir arte conceitual e os rumos da produção contemporânea xingou a exposição de desfile de escola de samba? Era o mau humor que havia levantado a tampa de um bueiro para mostrar a cara feia.
É muito feliz - em todas as acepções da palavra - a transposição dos personagens amarelinhos e grafitados para o circuito formal das artes visuais. O peixe engolirá estrelas cadentes até sábado. Depois osgemeos seguem carreira internacional, famosos em vários idiomas.
Fio da meada
O mau humor? Esse volta a mostrar a cara feia. Sempre volta. Encontrei-o no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) quando fui visitar uma exposição chamada “Manobras Radicais”. Uma das paredes está coberta de facas e coldres de couro. Funciona assim: você tenta passar no corredor onde está a obra e um segurança pula à sua frente, com a mão no revólver e a cabeça nos ataques do PCC.
Você quase morre de susto, pragueja, manda a produção contemporânea catar coquinho e vai até a urna de sugestões. Deixa um apelo à instituição, argumentando ser apenas um visitante e não uma ameaça. A instituição, solidária, responde que tentou alterar a forma de exibição da coleção Ginsu, mas a artista não concordou.
Tudo bem. O antídoto fica na sala ao lado. Um fiapo de seda branca enroscado em qualquer coisa tem ao lado uma plaquinha com o nome da artista. Só rindo. Na próxima vez em que sua camiseta soltar um fio de linha, corra até o museu mais próximo, pendure na parede e assine. É suuuuperconceitual.
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