Francisco | anacarmen.com

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Ponto de ônibus

Ponto de ônibus Ponto de ônibus

Ondbus, como diz o Francisco.

Hoje ele fez seu primeiro passeio com a escola de ondbus. Imagine um ondbus com 20 criancinhas, todas felizes e com um frio na barriga. Do lado de fora, pais nervosos e uma mãe repetindo o mantra: “Eles sabem o que estão fazendo. Eles estão acostumados. Eles sabem o que estão fazendo”.

Foram ao aquário. Tudo muito abstrato: quem mora no aquário, quem mora no mar? Tubarão morde a gente, carro morde a gente?

Tudo muito abstrato, explicar o que é natureza, o que é cultura, o que é cidade…

Por que sujaram o rio Pinheiros? Por que jogaram lixo no rio, mamãe? Por que a ponte tem fios? A ponte morde?

Desfraldar

sem fralda sem fralda

Francisco hoje vestiu uma cueca. Já não usa fraldas. O dia é especial, como se fosse uma formatura da fase bebê. Agora é oficial: ele é um “menino grande”, não é mais bebê.

Ele veste um “cacaco de tapu” (casaco de capuz) e leva à escola um “tapacete” de bombeiro, está pronto para o dia. Como é fofo! Como é gostoso acompanhar essa expansão e esse aprendizado.

Desfraldar é coisa de barco que desfralda as velas para atravessar oceanos e conquistar novos mundos.

O estado em que nos encontramos eu e a internet

A torre do lobo A torre do lobo

Francisco fala como o Cebolinha. Começou a fazer aulas de natação e tem um pouco de medo. Ainda se interessa por caminhar com sapatos de adulto. Quer fazer tudo “tozinho”.

Eu voltei a trabalhar fora de casa e estamos os dois estranhando horrores. Eu voltei a trabalhar com internet o dia todo e, por isso mesmo, olhei com gula para o relatório The State of Internet, relatório anual do Pew Research Center’s Project for Excellence in Journalism. Só vontade, ando sem tempo para degustar.

O estado da internet deve ser melhor que o meu estado, imagino. Ô correria. Uma amiga de blog perguntou no post anterior, feito às pressas na época de carnaval: “Cadê você?”

Somos duas que não sabem de mim, Vivian. Cadê eu, eu e o meu estado com a internet.

No caminho para a escola, Francisco conversa comigo na cadeirinha instalada no banco de trás do carro.

- “Mamãe, a torre do lobo. Machucou o bumbum”.

Tradução: ele viu uma torre igual àquela por onde o lobo desceu na casa do porquinho da casa de tijolo, onde o esperava um caldeirão cheio de água quente, que queimou seu… bumbum.

- Filho, o nome disso é chaminé.

E assim a vida se esgueira pelas dobras, interessantíssima se a gente tiver olhos para vislumbrar.

Ele quer usar o meu sapato

O carro e a pedrinha O carro e a pedrinha

Francisco calçou o meu sapato e saiu por aí.

A imagem engraçadinha aos poucos foi caindo mais fundo, mais fundo, como a pedrinha que afunda no lago.

Francisco começa a seguir os meus passos. Francisco quer experimentar o meu sapato, quem sabe descobrir onde fica a pedrinha do meu sapato.

É uma fase mais fofa e eu sinto o peso da responsa só crescer. Ele agora tem passinhos decididos. Ele conversa, de um jeito cifrado, que às vezes só eu entendo.

Ele quer ir ao parque, andar de carro, imitar o avião, subir na moto, mostrar o dodói. Ele se interessa pelo trem.

Dança, gosta de chocolate (ai ai ai), ensaia o pique pique na cadeirinha do banco de trás do carro, só para eu morrer de rir. Enfia a mão na boca de qualquer cachorro. Puxa o rabo do gato. Foge da formiguinha. Cutuca a abelha.

Acordo, procuro o outro pé da sandália. Pode estar em qualquer lugar. Agora tem um menininho que a leva e traz. E ele quer mais.

A casa caiu

Três porquinhos Três porquinhos

Francisco já é fluente no embrulhol que só ele compreende, mas agora começou a formar frases.

A primeira foi “A casa caiu”. O pai chegava da rua e nós dois assistíamos aos Três Porquinhos pela milionésima vez. Ele correu contar as últimas sobre a casa de palha.

Nessa mesma semana, a empregada pediu as contas. Eu nem lamentei muito, não éramos felizes, nem ela, nem eu. Conseguimos “empurrar com a barriga” por nove meses e kaput. Finito.

Bem no meio da correria de um trabalho interessante, exaustivo e fora de um cronograma viável. Bem no meio da monografia de mestrado do Renato, das minhas pesquisas sobre imigração, das férias da escolinha, da viagem da vovó, da gripe suína, sei lá.

A casa caiu. Bem no meio da vida de verdade.

Preparar o cinto: meu filho começou a andar

Big glasses Big glasses

E foi assim, depois de um dia de parquinho e piscina, sem mais, que meu filho começou a andar. Faz a voltinha e não cai. Carrega um livrinho, balança, mas não cai.

Aquela energia toda para explorar o mundo. Sonho com viagem de jipe no deserto de Atacama. Quem sabe um vulcão no Chile, os violeiros do Nordeste, manteiga de garrafa, Mercado Ver o Peso, os cânions do Rio Grande do Sul. E as ondas. As ondas de Santa Catarina. Quanta coisa eu preciso mostrar a ele.

Carneiros, ele nunca viu. Galos, galinhas, patos, cavalos, sim. Porquinho não. Enfim, o mundo é grande, quanta coisa para mostrar.