Francisco calçou o meu sapato e saiu por aí.
A imagem engraçadinha aos poucos foi caindo mais fundo, mais fundo, como a pedrinha que afunda no lago.
Francisco começa a seguir os meus passos. Francisco quer experimentar o meu sapato, quem sabe descobrir onde fica a pedrinha do meu sapato.
É uma fase mais fofa e eu sinto o peso da responsa só crescer. Ele agora tem passinhos decididos. Ele conversa, de um jeito cifrado, que às vezes só eu entendo.
Ele quer ir ao parque, andar de carro, imitar o avião, subir na moto, mostrar o dodói. Ele se interessa pelo trem.
Dança, gosta de chocolate (ai ai ai), ensaia o pique pique na cadeirinha do banco de trás do carro, só para eu morrer de rir. Enfia a mão na boca de qualquer cachorro. Puxa o rabo do gato. Foge da formiguinha. Cutuca a abelha.
Acordo, procuro o outro pé da sandália. Pode estar em qualquer lugar. Agora tem um menininho que a leva e traz. E ele quer mais.



