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Bode rei, cabra rainha

Bode rei, cabra rainha, filme de Helena Tassara que foi escolhido como o melhor média metragem da última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, estará na TV Cultura. Ele abre a programação de Janela Brasil na quinta, dia 9, às 22h10.

Eu já vi e gostei. Tem humor, poesia, pastoreio, cenas de buchada explícita. Helena contou que a carne preparada como churrasco é saborosa. Eu, por meu lado, compreendo bem uma senhora que diz no filme não conseguir comer o bicho que cria. Eu costumava alimentar coelhos no sítio de meus tios e eles viravam tapetinhos. Foi um ótimo treinamento para virar veggie.

Leia mais sobre Zeca Baleiro nesse filme.

Palavra (en)cantada: a força do verbo em documentário

No fun at all No fun at all

Escolhi assistir ao documentário Palavra (En)cantada com medo do arrependimento. Seria um chatomentário? Seria uma verborragia de especialistas sobre a força do verbo? Uma herança daqueles que me rodeavam, livro em punho e pergunta pronta, “você gosta de poesia”?

Surpreendi-me. Para bem. Ao fim do filme, senti um conforto espiritual. Existem reservas de biscoito fino. Resiste a inspiração.
O verbo ainda tem poder, ufa, que beleza, estamos salvos. O Big Brother Brasil e afins são apenas ilusão, transtorno coletivo de comportamento.

O filme de Helena Solberg e Marcio Debellian tem a seu favor um elenco de pensantes interessantes. Não conhecia a verve poética de Lirinha, que conhecia no microfone, à frente do Cordel do Fogo Encantado. Adorei sua interpretação do poema de João Cabral de Mello Neto. Algo assim: o amor me tirou isso, me tirou aquilo e aquilo e tal, o amor me roubou o medo da morte.

Adorei também o mergulho nas imagens de arquivo que o filme traz. Por meio dela, descobri que a impertinência e a burrice dos repórteres televisivos tem linhagem, que remonta a 1967, quando Caetano Veloso apresentou “Alegria, Alegria” no festival da Record.

O antepassado dos repórteres sem graça dispara para Caetano: “E aí, como é que você coloca Coca-Cola e Cardinale na mesma música? De onde vem isso e por que fazer isso?” Faltou perguntar o sentido da vida.

Duas horas viajando em letras da MPB, os olhos de Chico Buarque para me ajudar a viajar, um canto trovadoresco interpretado por Adriana Calcanhoto só para abrir o apetite, no começo. Que filme bacana, como é bom falar português, como eu gosto dessa misturança brasileira que deu em música e poesia.

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Nome próprio/ Première Nome próprio/ Première

Assisti a uma sessão do filme Nome Próprio, de Murilo Salles, na companhia de muitos blogueiros. Como a personagem do filme tem um blog, aha, que tal chamar um punhado de blogueiros? Tá na moda chamar um punhado de blogueiros. Fomos muitos para lá, a lista de URLs presentes é longa. Sábado, sessão da meia-noite no Unibanco do Frei Caneca.

Topei. Mesmo que “um pedaço da blogosfera brasileira” seja bom motivo – conheço vários blogueiros interessantes – gostei da idéia da première mais ainda porque estava curiosa sobre o filme. Para falar a verdade, não sabia direito do que se tratava. Tinha algo a ver com o Campus Party, Clarah Averbuch, algo assim bem vago, sendo que eu nem sabia se já tinha lido coisas dela. Ainda não sei.

Gostei:

1- O filme não é uma grande bobagem. Não é previsível. Está longe de ser um Duro de Matar 19. Ponto para ele por arriscar.

2- A Leandra Leal arrasa.

3- Na hora em que um cara que a blogueira bêbada conheceu no bar diz para ela que é de Ribeirão Preto e que não vai acontecer nada, que eles vão ficar ali só de boa, eu ri muito. Parece documentário. O filme tem outros momentos assim, de verossimilhança.

OBS: o post do Zander também menciona o rapaz de Ribeirão Preto.

Não gostei:

1- Tem um quê das pornochanchadas. Tem hora em que lembra umas melecas do fim dos 70, começo dos 80, quando os alunos e professores de cinema da ECA-USP lançavam filmes na Boca do Lixo. Uma coisa mezzo aliche, mezzo mussarela. Encontro entre o cinemão e a falta de cabimento. Muitas vezes ele chega ao bizarro. Eu vi um pedaço de braço no canto esquerdo da tela. Ao meu lado, Renato chiava porque não tinha nada de iluminação, esqueceram de fazer a fotografia, o desenho de luz. Tem esse lado trash.

O Eric Messa, que segura o celular nessa foto, também reclamou da tosqueira e mencionou a mídia espontânea que o filme geraria.

2- Ninguém merece cena de barata e de junkie em momentos sujos. Escatologia sem contexto não dá. Não é assim um “Cheiro do Ralo”, que trata desses assuntos com propriedade, como lembrou Pedro Markun, um dos blogueiros e twitteiros.

OBS: No post “porno-digitada”, Fernando Mafra menciona Bukowski, outro comentário recorrente. “Não é Fante, nem Bukowski”, dizia-se no bar.

O post de hoje de vários dos blogueiros convidados reclama da personagem junkie, dizem que ela é chata. Todos preferem dizer que foi melhor a conversa no bar Exquisito pós-filme, do que o filme em si.

Eu não chego a ser tão drástica. O Exquisito deixou meu casaco de inverno com cheiro de pastel. Detesto isso. Depois, quando um filme não tem correria de carrões eu já acho ótimo, ele já começa a ter crédito comigo. Mas eu acho que se perdeu ali uma oportunidade de falar de algo mais interessante. Menina com dor existencial quer ser escritora, mas toma bolinha, bebe cerveja quente (outra coisa que chocou muito o grupo dos blogueiros) e é meio mala não chega a ser um tema profundo.

3- Pena que a blogueira seja o clichê.

Explico: blogueira em 2001 tem sofrimentos existenciais, bebe cerveja quente e toma bolinha. Fica louca, escreve no blog, expõe a vida na internet, bebe cerveja quente, toma bolinha, escreve no blog. É nessa base. Podia ser uma blogueira menos chata.

Leandra Leal, você arrasa, mesmo como junkie sem nada para fazer da vida. Mas nem você salva o filme desse climão de fim de festa de gente chata.