pela estrada afora pela estrada afora

Domingo é um dia que não vou esquecer, meu primeiro Dia das Mães. Sou recém-chegada e é complicado tirar a carteirinha desse clube.

Abro o jornal e revistas e encontro lindos eletrodomésticos em oferta para o Dia das Mães. Ué… Pensei que as mães tinham se transformado, décadas depois das feministas de primeira hora. Quer dizer que as mães ainda se interessam por eletrodomésticos? A minha sempre disse que não queria panela nem qualquer coisa para a casa, sempre preferiu um presente pessoal, uma fofurice, uma roupa. Haja imaginação, é difícil escolher presente.

Olhei as ofertas dos anúncios. Achei um grill, muito bonito, muito caro, onde vou guardar essa especie chique de tranqueira etc. Olhei com o mesmo jeito com que, de vez em quando, namoro uma traquitana de fazer café, um luxo que continuará no fim da fila das prioridades por muito tempo. Bati os olhos em um editorial de moda no Vitrine, da Folha de S.Paulo, sobre roupinhas iguais para mãe e filha. Cruzes, eu não entraria nessa.

O resumo da ópera é que nesse primeiro cocktail do clube das mamães eu me sinto um peixe fora da água, pelo menos dessa pocinha em que os publicitários encaixaram o target. Quem são essas mães de hoje, então?

O que eu queria

Procuro e não encontro o anúncio que ia me ganhar: um lugar interessante e perfeito para eu ir com meu filho. Um lugar que não é um parque, um shopping, uma livraria, nem um parquinho infantil, opções infalíveis e previsíveis.

Cadê esse restaurante que é legal para as crianças também? Kids friendly, mamis friendly, gente normal friendly?

Cadê essa atividade para pequeninos dentro de São Paulo? Teatro infantil não é para ele ainda. O CineMaterna não é mais para ele, que quer correr e empurrar sua motinho feliz da vida pelo espaço aberto.

Parece que o mundo dividiu os espaços, atividades e momentos em coisas para crianças x coisas para adultos. Daria para ser diferente?

No Estadão, li uma matéria sobre mães modernas que não trabalham por opção. Mais parecidas com as mães com quem convivo, são mulheres que olham receita na internet, como eu. Que não esqueceram o cérebro em casa quando saíram para comprar fraldas. As mães com quem me identifico não sabem como vão dar conta. Não sabem com quem deixar o filho durante o congresso, por exemplo. Não sabem se vão voltar ao trabalho em tempo integral. Tem problemas para escolher escolinha, curar gripe, comprar cadeirinha para carro, descolar ponta de estoque para as roupas de inverno, criar ou não um blog sobre filhos.

Blog sobre filhos?

Ainda não decidi se abro um blog só para falar de mamãezices e criancices. São tantos os causos, os medos, as dúvidas, um período “mó animado”. Abrir esse blog representa um perigo delicioso de mergulhar no “gueto”, esse grupo que, para quem não tem filhos ou netos ou sobrinhos do coração, pode ser assustador e uma tremenda chatice. É engraçado, interessante e também é, às vezes, xiita, chaato.

Ainda não abri o blog por medo de ter meu tempo abduzido. Penso no assunto.