Muita gente pergunta sobre a credibilidade nos blogs: como é que fica? Dá para confiar na informação? De vez em quando eu paro, escrevo um pouquinho sobre o assunto e continuo a tocar o barco.
Esta semana finalmente consegui responder a uma entrevista, ou a parte dela, que me aguardava na lista de tarefas. Enviada pelo Blog do Luiz, ela passa por essas questões. “Credibilidade se constrói com o tempo e se destrói em um instantinho”, disse eu lá pelas tantas.
Chamo reforços. Ao escrever sobre o assunto, um decano da área de tecnologia me surpreendeu (para bem) com sua opinião sobre ética e mídia. John C. Dvorak, da PC Magazine, escreveu o seguinte:
“O público é a polícia. As coisas ficam ainda mais complexas ao passo que bloggers e a nova mídia chegam com um misto de notícias, farsas e opiniões singulares. Não há um padrão de ética para essas pessoas, e mesmo com a estúpida idéia de criar um código de ética entre os bloggers, é impossível forçar a sua utilização em cada publicação. Na nova mídia, a ética é imposta pelos leitores, e não pelos editores. Existem fóruns, comentários, mecanismos e estruturas vigiadas pelo público. A mídia tradicional não consegue entender esse conceito.”
Sobre o assunto, também encontrei um texto de Daniel Jelin que, com fina ironia, brinca com os que pretendem banir as bobagens da blogosfera:
“e ainda querem dizer como é que se bloga, como é que não se bloga. afe. a última que eu vi, sei lá onde, era assim: aplicam-se as seis propostas para o novo milênio à blogosfera, e, entre muitos corolários, extrai-se que não se deve usar o blog pra falar da sua própria vidinha (sic).
mas então como é que ficamos? além da vidinha, o que é que se tem? grandes idéias? grandes novidades? grandes revoluções? grandes propostas? tudo grande? vá lá, se todo blogueiro fosse um italo calvino…”
Adorei essa afinidade entre o decano e o meu mano.
Blogs são selvagens. A internet é praticamente indomável, como a cabeleira de crianças com cachinhos.
Credibilidade entra no rol dos bens intangíveis. Reputações podem ser destruídas em um instante.
A essa altura de uma conversa sobre credibilidade, costumo chegar à conclusão de de que ética e responsabilidade não se vendem por metro e estão sempre entre as grandes questões por resolver.