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Fotografia no Campus Party: do zero ao tudo de bom

João Liberato João Liberato

Somente no início de janeiro que a área de fotografia do Campus Party foi oficialmente criada. A pressa bateu na minha prainha. Renato Targa (meu marido), coordenador da área no evento, topou o desafio binário: do zero ao 1 em poucos dias. O relógio já na contagem regressiva. Tique taque. Dois dias para montar uma grade de palestras e workshoops. Tique taque.

Procurei ajudar. Os amigos fotógrafos-buscadores-estudiosos toparam participar. A rapidez deu frutos. Oficialmente, ainda não é um coletivo, mas é oficialmente feliz esse encontro.

Eu não pude cobrir o evento como gostaria, mas o Fotocolagem faz isso diariamente, veja que bacana: Fotocolagem

Essa mesma foto aqui do post foi parar no blog de um site muito legal de fotografia, o PicturaPixel. Uma cobertura com muitos colaboradores, graças à ação da antenadíssima jornalista carioca Adriana Paiva: Pictura Pixel

O Fore escreveu sobre o segundo dia de fotografia no campus party.

Como eu disse outro dia, o melhor do #cparty são as pessoas e esse encontro feliz.

Sugestões para o Campus Blog do Campus Party

Eu e Edney Souza, coordenador da programação do Campus Blog, uma das áreas do Campus Party,  conversamos esta semana, via e-mail. Ele me procurou depois de ler o post que escrevi sobre blogs e jornais, uma relação que tem a passionalidade de uma paixão de tango. Dizia ele no e-mail: “Gostaria de saber o que você gostaria de ver na programação do Campus Blog desse ano, ela ainda não está fechada, então dá pra mexer um pouco.”

O que respondi, acho melhor publicar aqui. A Lúcia Freitas, sempre antenada, citou as críticas que fiz no post sobre a paixão de tango em seu Ladybug e eu não quero deixar impressão de que minhas críticas são soltas no ar.

Ando sem motivação de ouvir os mesmos pontos de vista sobre a blogosfera. Faço parte do grupo que pensa e fala sobre o assunto e ele é pequeno, o que é compreensível, pois nosso país não é um mar de letrados e a web é um nicho que reúne um número limitado de pessoas que querem pensar sobre o que é possível fazer na rede. Dá para fazer muita coisa e hoje já estamos em um momento em que o básico está em andamento. “O que mais dá para fazer?”, pergunto.

Copio meu email para o Edney, com algumas “sugestões-chinelo-havaiana”, despretensiosas e escritas de bate-pronto.

Pensar o futuro

“O que mais sinto falta na discussão da blogosfera é pensar o futuro, observar as tendências.

Para pensar no blog sob o ângulo da comunicação (e não somente dos negócios, da tecnologia etc), existe na USP um grupo chamado Com+ da qual fazem parte o Renato Targa, Beth Saad, Daniela Bertochi, Daniela Ramos, Francisco Madureira, Carol Terra, todos ligados a mídias sociais, talvez você possa convidá-los para a conversa. Na Bahia, o grupo do GJol é muito bom, eu também os colocaria na história.

Fora do mundo acadêmico, há um movimento interessante de mulheres que defendem parto natural,  amentação e temas afins, do qual a Bianca Santana, por exemplo, faz parte. Elas usam blog para se  comunicar e criaram as sessões de cinema para bebês e mamães. Acho esse movimento interessante, é o blog totalmente incorporado à vida familiar. Você encontra os contatos no Gama.

Nesse mundo de blogs e crianças, que por razões práticas me chama nesse momento atenção, há muita coisa curiosa, como o Diário de um Grávido e o Para Francisco, um blog criado para o filho conhecer o pai que morreu antes de ele nascer.

Para quem não tinha sugestões, até que dei algumas, assim de bate-pronto, não é? Nada que ajude muito, mas o que eu acho importante é tentar arejar o ambiente de discussão, às vezes eu vejo o grupo dos mesmos de sempre em vários eventos, falando das mesmas coisas ou evoluindo em suas opiniões, que não deixam de ser interessantes, mas é bom olhar para o que ainda não foi contemplado, para o que vem por aí, para o coro dos descontentes.

Desejo a vocês inspiração e sucesso. Estou aqui às ordens, interessada em participar.”

Família ligada pela internet

Logo depois de enviar essa mensagem, consegui ler alguns feeds atrasados. Sou mãe de um bebê de 10 meses e tem sobrado menos tempo para navegar. Encontrei uma pesquisa do Pew Internet Project de outubro que confirma meu comportamento como tendência: as famílias criam novas conexões com ajuda da web.

“Technology is enabling new forms of family connectedness that revolve around remote cell phone  interactions and communal internet experiences”.

Trocando em miúdos, a pesquisa diz que, embora alguns tivessem medo de que a tecnologia separasse os integrantes de uma família, este estudo revela que os pais usam seus celulares e a internet para coordenar e interligar suas vidas e a de seus filhos.

Tudo a ver com essa conversa sobre blogs e bebês e família e internet entrando na nossa vida prática para ficar.

Blogs e jornais, paixão de tango

Jornais e blogs, jornais ou blogs, jornais versus blogs, blogs de jornais e até jornais de blogs. Essas duas substâncias díspares e ao mesmo tempo afins estão em discussão em vários posts que li e não se avista consenso nesse caso de paixão de tango.

1- Interney divulgou hoje alguns dos nomes que participam da próxima edição do CampusBlog, uma das áreas do Campus Party 2009.

Como o próprio Edney Souza, que organiza a programação desta edição, fala sempre em formas possíveis de ganhar dinheiro na web e, em particular, com blogs, esse aspecto do debate sobre a blogosfera foi contemplado na lista de discussões, onde leio “monetização” e “empreendedorismo digital”.

Curiosa, procuro as novidades “desta estação”, será que tem alguma? “Miguxas na web”? Ah, não, isso já rendeu. “Mulheres e blogs”? Parece tão antigo quanto “Homens e blogs”. Falando sério: jornalismo, ética e mídia, moral, direito digital, sexo, mobilidade e até política, temas que aparecem na programação, dão o molho básico para começar a cozinhar as tendências da web.

2- Publico.org é um projeto de jornalismo colaborativo que traz nomes conhecidos, como o do Rodrigo Savazoni, Pedro Markun, Paulo Fehlauer, Ceila Santos. “Nosso objetivo é realizar uma cobertura jornalística cidadã, apartidária, colaborativa, plural, diversa, multimídia e hiperlocal da cidade de São Paulo”, explicam.

Não entendi se o projeto está se organizando ou se organizado está. Os posts são poucos, esparsos, sem uma freqüência, o último foi ao ar em agosto. Talvez a cobertura seja feita nos blogs e endereços de cada um dos participantes e a comunidade se agrupe ali para se apresentar como grupo, não entendi. Mas foi por meio do Público que acabei achando debates outros capítulos sobre o que chamei, só para variar, de paixão de tango e que menciono abaixo:

3- Vários nomes para a mesma coisa, assim eu e o Roberto Taddei falávamos em 2005 sobre jornalismo cidadão. Daniela Bertocchi discorda e explica a diferença entre jornalismo cívico e jornalismo cidadão, em entrevista do ExuCaveiraCover.

O “jornalismo participativo” (colaborativo) ocorre quando um cidadão, ou grupo de cidadãos, assume uma função ativa no processo de recolha, reportagem, análise e divulgação de notícias e informações”, diz Bertochi. “O “jornalismo cívico”, por outro lado, procura encorajar a participação, mas as organizações noticiosas mantêm um elevado nível de controle através da determinação da agenda temática, da seleção dos participantes e da moderação das conversas.”

Continuo discordando e considero participativo e colaborativo os nomes mais bonitos. E só.

4- Em O Jornalismo Morreu, encontrei ainda uma entrevista com Beth Saad, parceira de blog da Daniela e professora da USP, sobre… O destino dos jornais. “O poder ainda não rejuvenesceu e, mesmo aqueles mais jovens que estão muito próximos do nível de decisão, ainda estão sob a tutela de uma cultura empresarial muito forte, arraigada a valores familiares e ao tamanho do poder social e de formação de opinião que o jornalismo supostamente possui”, diz Beth Saad.

Concordo com o comentário, que me lembrou a letra de uma música: “Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam, não…”

5- Donos da Mídia www.donosdamidia.com.br - Um projeto de cartografia dos grupos de mídia brasileiros.

“Produzido pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom), entidade parceira do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, e idealizado pelo jornalista Daniel Herz, Donos da Mídia, é uma grande, inédita e valiosa base de dados sobre os grupos de mídia do Brasil”, explica o excelente blog da UFBA Jornalismo e Internet – GJol.

Donos da Mídia traz artigos que falam em “concentração da mídia e coronelismo eletrônico”, por exemplo. Nesta “Comparsita”, podem trazer ângulos interessantes para a paixão de tango.

Ronaldo Lemos fala sobre a tensão entre leis e internet

Ronaldo Lemos

Em relação ao direito autoral, a nossa constituição é uma das mais restritivas do mundo, explica Ronaldo Lemos, da Creative Commons Brasil. “A lei brasileira diz tudo o que você não pode fazer, mas ela não explica o que você pode fazer”, diz ele.

Falar em direito digital é entrar em terreno pantanoso, cheio de sombras mal explicadas e extensas áreas a descoberto. Ninguém sabe direito o que pode e não pode fazer na internet. Eu tenho a impressão, por exemplo, de que se comprar um CD na loja, pagar por ele, eu posso copiá-lo para o meu iPod. Mas não posso. Uma professora que participou da oficina sobre uso de blogs na educação durante o Campus Party me disse que tem a impressão de que se for para fins educativos, é permitido reproduzir uma obra. Basta dar os créditos e fica tudo certo. Mas não é permitido.

A legislação brasileira está totalmente defasada em relação às questões do mundo digital. No Brasil, a situação anacrônica soma-se ao fato de que como ninguém sabe o que é permitido, muita gente faz qualquer coisa. Basicamente, tudo é proibido. Não há quem verifique o cumprimento da lei e tudo acaba em pizza. Portanto, nada é proibido?

Ronaldo Lemos é uma das pessoas que pode explicar um pouco mais sobre esse cipoal de questões. Não por coincidência, eu e o Juliano Spyer, em seu remix colaborativo Não Zero, publicamos esta semana vídeos no YouTube e em nossos blogs com Ronaldo Lemos. Ele é o cara que pode dar uma luz sobre o assunto.

Vale a pena reunir em uma mesma lista as várias fontes para ouvi-lo. Ronaldo é um desses pensadores atentos para as novas fronteiras do mundo digital. Admiro sua postura de incentivo à colaboração da rede e morro de orgulho de ter sido ele quem escreveu o texto de apresentação da coleção Conquiste a Rede. Um texto inspirado e, ainda por cima, bonito, cheio de estilo. Esse mesmo estilo bacana a gente pode ver nesse post recente que ele publicou no Overmundo, Belém: do rock, da aparelhagem e de tudo o mais. Os novos caminhos da produção cultural aparecem desta vez em cenário transamazônico. Segue minha lista:

Livro para download grátis

Direito, tecnologia e cultura. Editado em 2005 pela Editora FGV, o livro está disponível para download no Overmundo. “Esta obra tem como objetivo investigar os desafios propostos ao direito em decorrência do advento da internet e da tecnologia digital. A relação entre direito e realidade sempre foi um tema central no pensamento jurídico”, diz Lemos logo no primeiro parágrafo.

Apresentações

1- Apresentação de Ronaldo Lemos sobre direito digital que seria feita durante a Campus Party e que ficou para depois, por problemas de equipamento.

2- Produção Cultural e Inclusão Digital nos Países em Desenvolvimento, palestra em inglês realizada nos EUA em novembro de 2007. Veja o vídeo, vale a pena: Cultural Production and Digital Inclusion in Developing Countries.

Meus vídeos:

3- Blogs e direito autoral

4- Posso copiar um CD que eu acabei de comprar na loja? Não, a lei brasileira não permite a cópia integral. Só permite cópias de pequenos trechos de obras. Você não pode copiar um CD inteiro para o iPod. Mesmo para fins não comerciais, fins educacionais, fins de pesquisa, você não pode.

5- Em casos de processos contra blogueiros, cabe a cada juiz decidir o que aconteceu.” A legislação brasileira não regulamenta a responsabilidade civil dos blogueiros.

Vídeos do Juliano Spyer

6- O direito autoral no Brasil

7- Xerox e direito autoral

8- Vale a pena lançar um livro em Creative Commons?

9- Por que o criador do Creative Commons agora estuda corrupção? Juliano, que fez estas entrevistas durante a Campus Party, conversa com Lemos sobre Lawrence Lessig, professor da Faculdade de Direito em Stanford que criou o Creative Commons. Em 2007, Lessig anunciou que mudaria o foco de suas pesquisas para corrupção.

Campus Party Brasil 2008

Campus Party Brasil 2008 Campus Party Brasil 2008

Foto de Pixel y Dixel, publicada originalmente aqui: http://www.flickr.com/photos/pixelydixel/2270612172/

Ela já foi reproduzida “n” vezes, já que está licenciada por Creative Commons. Valeu pela iniciativa de chamar todo mundo para uma pose. Apareço ali e concordo com o comentário do Manoel Neto: havia muito mais gente que não aparece. Segundo ele, 270 inscritos na área de Blog Camp.

Valeu, Pixel y Dixel!

PS: O rescaldo do Campus Party prosseguirá? Estou me sentindo parte do Corpo de Bombeiros, ainda trabalhando no assunto depois de dois dias.

Juliano Spyer oferece capítulo de Conectado

Juliano Spyer Juliano Spyer

O Juliano Spyer (na foto, na palestra Zen e a Arte de Blogar, durante o Campus Party) abriu um capítulo de seu livro “Conectado” para download grátis. Diz ele:

“Um dos meus capítulos favoritos do Conectado é o Impactos da rede na mídia. Ele foi escrito pensando no profissional da comunicação que aprendeu a trabalhar usando o broadcasting e que agora está tendo que se reinventar com a internet. É justamente esse capítulo que agora está disponível em PDF para ser distribuído livremente. Ele tem 3 mega e pode ser carregado neste link:

http://www.4shared.com/file/38020138/b26e2957/Conectado_cap16.html

Quem não tiver lido poderá ter uma idéia do que é o Conectado e quem já tiver o livro, pode repassar a informação para amigos e conhecidos interessados no assunto, especialmente jornalistas e outros profissionais da comunicação.

O arquivo inclui o prefácio do Caio Túlio, a introdução, o índice, o
glossário, notas de roda-pé e referências bibliográficas.”

Valeu Juliano!

Responsabilidade civil dos blogueiros no Brasil

Ronaldo Lemos, da Creative Commons Brasil, fala durante a Campus Party sobre a falta de regulamentação da responsabilidade civil dos blogueiros no Brasil. “Em casos de processos contra blogueiros, cabe a cada juiz decidir o que aconteceu”, diz ele.

Você pode acompanhar pelo pdf a apresentação do Ronaldo Lemos. Problemas no equipamento (para variar) impediram que ele mostrasse o que preparou para o Campus Party.

Mais direito autoral

1- “Posso copiar um CD que eu acabei de comprar na loja para o meu iPod?“, pergunta Ronaldo Lemos durante palestra na Campus Party.

Não!!!!!

2- Posso colocar um MP3 do Caetano Veloso no meu blog?

Momento gracinha involuntária no Campus Party

Quando você sai gravando uma palestra, você não faz idéia do que a outra pessoa vai falar, não há um roteiro. De vez em quando, o registro sai totalmente sem pé nem cabeça, sem ponto de corte, um rascunho sem serventia. Em outras vezes, o vídeo fica fora de contexto, como nesse trecho da fala do Ronaldo Lemos. Não faço idéia do que ele dizia antes e o que disse depois.

Intrigante

“A resposta é essa pergunta é muito intrigante”, diz o diretor da Creative Commons no Brasil. “Porque ela é basicamente a seguinte: ninguém sabe a resposta.”

Niemeyer salva Campus Party da feiúra

Bienal in gold Bienal in gold

O Campus Party (ou a Campus Party, festa do Campus, estou em dúvida) foi lindo. Um evento cheio de vida, por isso mesmo lindo. Mas foram as curvas de Niemeyer que surpreendentemente funcionaram como antídoto antimonotonia visual.

No Campus Party, o forte do segundo andar, onde se realizavam as palestras, não era o cuidado com o cenário, com a ambiência. O segundo andar não era bonito. Havia longas bancadas. As bancadas eram ok. Bancadas cheias de pessoas interessantes, alguns amigos, muitos conhecidos, quer coisa mais linda? Isso era lindo.

bienal_curva

No mais, o segundo andar parecia um lego aloprado com peças em preto e azul. E só. De uma feiúra ímpar. Foi a primeira vez que senti alívio em contemplar um legítimo projeto Niemeyer de dentro dele. Porque o cara faz umas coisas inabitáveis, como o memorial JK, a biblioteca do Memorial da América Latina etc e etc. No Campus Party foi a primeira vez em que me senti adequada, em escala. Se fosse realizado em um Anhembi da vida, o Campus Party teria sido bem mais feio.

Mais bonito e com acústica

Sem a ajuda do projeto arquitetônico e sem o verde do parque entrando pelas janelas, arejando a visitação, o cparty teria sido ainda mais descuidado com o visual, virge! Para o próximo ano também seria legal pensar em um ambiente que, além de mais atraente e interessante tivesse boa acústica. O formato “feira do peixe” que se estabelecia entre os vários espaços com palestras simultâneas não é exatamente a melhor forma de conversar.

Ronaldo Lemos fala sobre direito autoral na Campus Party

Posso copiar um CD que eu acabei de comprar na loja para o meu iPod?“, pergunta Ronaldo Lemos durante palestra na Campus Party.

Não!!!!!

Direito digital no Brasil é um terreno superpantanoso, super-arcaico, super-do-arco-da-velha.

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