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Jornalismo e blogs

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Conquiste a Rede, coleção de livrinhos sobre a publicação de conteúdo na web, começou a ser escrita por mim e pelo Roberto Taddei em 2005, depois de um café e um papo gostoso. De lá para cá, o mundo mudou deveras. E de marias.

Passei a conversar com estudantes sobre jornalismo cidadão para suas monografias de graduação e mestrado. Fico surpresa e muito contente com o fato de que “Conquiste a Rede”, escrita para pessoas que estariam sendo iniciadas nos mistérios da internet, ou seja, noviços, supostamente de baixa escolaridade, faça carreira como bibliografia da universidade. Isso demonstra que, anos depois, os livros ainda servem a seus propósitos iniciais: a coleção nasceu da falta de material em português sobre o assunto e concretizou uma reflexão inicial sobre o tema. É bom que siga seu caminho como referência útil, isso representa um excelente retorno para mim, como autora. Ser lida e ser útil, maravilha.

Fiz esse preâmbulo para dizer a todos os que perguntam minha opinião que acho difícil palpitar sobre os caminhos da humanidade. Sou jornalista e me afastei do dia a dia da redação com um certo desencanto, antes que me perdesse em frases como “nos bons tempos era assim e assado”. Às vezes, resmungo coisas como “um eletricista ganha melhor que um jornalista”.

Trabalho com comunicação, mas entendo ser esse trabalho algo bem amplo, que vai da edição de informação à concepção de projetos web, coordenação de equipes multimídia, crossing de linguagens e referências, pesquisa sobre novas mídias e ferramentas. Aquele jornalismo tradicional para mim é um pedaço desse mundo da comunicação.

Não tenho respostas sobre a crise do jornalismo tradicional, não sei como conciliar a profissão com o direito de todos à informação, pesquiso sobre direitos autorais versus conteúdo livre, uma discussão alentada, a meu ver.

Recebi perguntas do Eduardo Trindade, estudante da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e vou respondê-las pelo blog para que outros interessados possam participar e para ganhar tempo, pois nem sempre consigo parar para concatenar meus “pitacos”.

Pergunta 1- Como você vê, como jornalista, o futuro dos jornalistas profissionais com as possibilidades oferecidas aos cidadãos comuns, pelos blogs e plataformas web 2.0 de publicação online?

Um bom jornalista já se adaptou ou procura se encaixar no novo cenário. Sabe trabalhar com várias mídias (imagem, som, texto) e é fluente nessas diversas linguagens. Transita por redes sociais e sabe como usá-las com elegância e ética. Usa ferramentas como blogs, microblogs (Twitter), agregadores, bookmarks e mensagens instantâneas para obter, filtrar, avaliar e difundir notícias e informações.

O texto, a linguagem escrita, a meu ver, permanece como um grande desafio para a nova geração. Afinal, ela é formada por nativos digitais, mais acostumados à fala coloquial.

Esse profissional trabalha o tempo todo com fontes de diversas origens. Avaliar a qualidade da fonte é outro de seus desafios. Nesse cipoal de informações disponíveis, produzir, disseminar e editar informação fidedigna e confiável é tarefa bem complexa.

Ética, direitos autorais e viabilidade econômica dos projetos jornalísticos são questões fundamentais do jornalismo no século 21.

Pergunta 2- O que pode (se é que pode) diferenciar um profissional graduado dos blogueiros amadores em um blog?

Em tese, o amador não tem compromisso com sua audiência (público). O profissional, por seu lado, deve ter conhecimento técnico e ser ético. Na prática, blogueiro e jornalista não se distinguem na qualidade do que é produzido.

Já foi superada a divisão clara e nítida, preto no branco, entre o jornalista e o blogueiro. Há jornalistas blogueiros e blogueiros que são ótimos profissionais das notícias, mesmo sem ter o diploma do curso de jornalismo (se é isso o que define um jornalista). A prática do jornalismo obedece várias regras, tem técnicas, exige conhecimento. Um bom blogueiro não é um desavisado e estuda o universo da comunicação, o que nem todo jornalista faz.

Pergunta 3 – Quantos jornalistas profissionais vc conhece que trabalham apenas com blogs (não vinculados a grande grupos) e qual a faixa de renda destes?

Em outros países, principalmente nos EUA, são muitos os que tem como fonte de renda blogs e que são direta ou indiretamente (por meio de palestras, consultorias etc) remunerados pelo que postam na rede, sejam textos, fotos ou vídeos. No Brasil, percebo blogueiros como estes como casos isolados. São celebridades da blogosfera, um ou outro blogueiro, fotógrafo ou videomaker que consegue pagar as contas com o blogs e a reputação que eles conferem ao autor.

Em tempo: o Tiago Dória escreveu sobre os Super-Heróis dos Blogs, post que vale a visita.

“Para mim, um dos principais efeitos dos blogs é que eles aumentaram o número de pessoas participantes do mercado de opinião”, diz Dória. “Para o jornalismo, área a qual estou mais ligado atualmente, além de trazer novos profissionais, um dos principais efeitos foi ajudar a quebrar o tal do tabu da concorrência“.

“…O assunto pode ser cansativo. Falar de blogs é tão 2007″, comenta.

Leia livros gratuitamente

1-Livro Livre, o Mundo é uma biblioteca é uma idéia muito legal. Você deixa um livro em um lugar público para que outra pessoa o encontre. Você deve “libertar” um livro, convida essa iniciativa, chamada de bookcrossing. Aqui no Brasil, a libertação de livros é organizada pelo Jornal de Debates. Os títulos são bem atraentes. Quando olhei na home imperava José de Alencar, de quem tive a teimosia e o desprazer de ler muitos títulos. Mas lá estavam também “As Viagens de Gulliver” e “A Arte da Guerra” de Sun Tzu.

2- Essa foto engraçadinha (acima) eu encontrei no De(couer)ação, que dá a dica de download grátis de livros no E-books grátis. O porém é que faltam títulos para o meu gosto. No meio de uma montanha de livros desnecessários e de apelo bem popular, encontrei um solitário “Cidades Invisíveis” de Italo Calvino.

3- Domínio Público é o bicho. Anote aí. Você encontra nesse site e-books de qualidade, clássicos e, inclusive, os livros que escrevi com o Roberto Taddei, da coleção Conquiste a Rede (você pode baixar a coleção também aqui no meu blog). Na home do Domínio Público, o aviso: a obra completa de Machado de Assis, grátis, ali, para você mergulhar. Tem Fernando Pessoa, tem músicas para download, enfim, é um prato recheadíssimo.

4- Leia blogs também. Qual o problema, hum?

Oficina sobre blogs para professores no Campus Party

Zóios Zóios

É oficial: eu estarei todas as manhãs, de 12 a 16 de fevereiro, durante o Campus Party, com professores da rede municipal de educação de São Paulo.

Vamos falar sobre uso de blogs como ferramenta na sala de aula.

Não é bacana? Conversei hoje sobre como vamos usar essas quatro horas de atividades e fiquei entusiasmada. Blogs são muito bacanas para a escola, aposto nisso. Tenho uma coleção de livros que escrevi, Conquiste a Rede, que pode servir de apoio didático para as oficinas. O download é grátis.

O programa para começar essa conversa nas oficinas:

1 – O QUE SÃO BLOGS E FOTOLOGS

2 – QUAIS OS PRINCIPAIS BLOGS EDUCATIVOS

3 – QUEM USA BLOGS NA EDUCAÇÃO

4 – IDÉIAS DE USO EM VÁRIAS ÁREAS DO CONHECIMENTO: DA MATEMÁTICA AO
ENSINO DA HISTÓRIA.

5 – COMO USAR FOTOLOGS E VIDEOLOGS NO COTIDIANO ESCOLAR

6- EXPERIMENTANDO CRIAR SEU PRÓPRIO BLOG

7- EXPERIMENTANDO O YOUTUBE E O ORKUT COMO FERRAMENTAS EDUCACIONAIS.

8 – POSSIBILIDADES DO PEN DRIVE E AUDIO-CAST (IPOD ETC)

Andei sem qualquer tempo para postar, se a ausência é um lapso, deixo vagas desculpas. Estar off-line às vezes faz parte da construção e não há o que substitua a concretude do ser humano.

Mas eu falava: agora é oficial. Estive hoje em reunião com a equipe que fará as oficinas e sinto não poder participar das outras: astronomia e escola conectada. Tudo isso me interessa, quero ser aluna também, mas não vai dar.

Teremos 50 professores por dia, durante quatro horas faremos um ótimo exercício de pensar o uso de ferramentas bacanas para a educação. Obrigada por um começo de ano tão promissor :)

As idéias de Conquiste a Rede na universidade

A coleção “Conquiste a Rede” comemora um ano de lançamento nesses dias. Nesse ano, ela teve uma intensa vida nas universidades, onde ela foi lida, citada e comentada. “Conquiste a Rede” virou lição de casa de muita gente: leia o livro, faça um blog, publique uma resenha, seja avaliado por esse aprendizado.

Pelo Technorati, acompanhei os posts escritos sob encomenda dos professores. Talentosos muitos, engraçados aqueles em que se encontra o tom de dever de casa que só um aluno com pressa consegue perpetuar. Lição de casa é lição de casa até na blogosfera…

Houve outro movimento bastante interessante em monografias acadêmicas. Aproveito o aniversário do lançamento dos livros para falar da monografia de mestrado de Rafael Savi, da Universidade Federal de Santa Catarina. Ele apresentou no primeiro semestre a dissertação “Utilização de ferramentas interativas em Jornalismo Participativo: uma análise de casos de blogs, wikis, fóruns e podcasts em meados da primeira década do século XXI”.

O autor colocou a tese para download, sob licença Creative Commons, muito bacana, podemos todos lê-la – eu nunca entendi por que a produção acadêmica mais fresquinha fica guardada em papel nas bibliotecas das universidades. Difícil esse acesso. Ninguém sabe o que foi pesquisado, o que foi escrito recentemente, quais são as novas idéias. Todas as teses deveriam estar disponíveis para download.

E é possível ler também na coluna de Alexandre Gonçalves, a Coluna Extra, a entrevista com Savi.

Mude a senha: Writely migra para o Google

O Writely agora funciona com a senha do Gmail. O serviço de escrita colaborativa, eleito essa semana pela revista Wired como um dos melhores da web 2.0 foi adquirido pelo Google. A migração de empresas provocou a mudança – automática – no log in do serviço.

A recém-lançada coleção de livros “Conquiste a Rede” foi escrita via Writely em parceria com Roberto Romano Taddei. O processador de texto baseado na rede funcionou à perfeição: quando alguém alterava o texto, a atualização era imediata. Além disso, o Writely oferece um recurso importante para quem escreve a quatro mãos: o histórico das diferentes versões do texto.

Senha para o cérebro?

Senha é uma ginástica para a memória. Temo que em breve eu precise de senha para usar o cérebro, que não dá conta de tantos números, letras e combinações de alta segurança. Tão seguras que nem eu mesma consigo lembrar.

Criei um documento para guardá-las todas. São três ou quatro para emails, mais duas para o banco e um sem fim de sites nos quais é necessário fazer o log in. Não foi o suficiente, pois depois de formatar meu computador, perdi o caminho para o Blogger e o Skype. Desisti de recuperar minha identidade e criei novos personagens em ambos endereços.

Graças à “cola”, ainda consigo entrar no You Tube, Bloglines, Vimeo, New York Times, Orkut, Flickr, Odeo, Overmundo, Google Talk, Live Messenger, Delicious e WordPresss, só para citar alguns endereços. Já perdi a palavrinha mágica para muitos outros. No ICQ, qual seria, por exemplo, o meu abre-te sésamo? Não faço idéia.

Como queríamos demonstrar: que coisa mais chata são as senhas.

Por onde anda ‘Conquiste a Rede’

Alguns rituais interessantes, como a noite de autógrafos, desaparecem quando você lança livros pela web. O frio na barriga que antecede o vinho branco barato não evapora com a festa ao lado dos amigos. Fica ali, miudinho, escondido embaixo de URLs, posts e comentários, sem catarse.

Tudo é diferente. “Conquiste a Rede”, uma coleção de livros sobre ferramentas de comunicação e interação, foi ao ar pelo Overmundo. Tivemos, os dois autores, Ana Carmen Foschini e Roberto Romano Taddei, uma apresentação entusiasmada do Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas e diretor do projeto Creative Commons no Brasil. Foi um brinde bacana.

Em vez de fila dos autógrafos, os quatro títulos – Blog, Flog & Vlog, Podcast e Jornalismo Cidadão – ficaram na “fila da edição”, onde os internautas podiam criticar e comentar os textos durante 48 horas. Em seguida, os livros foram para a “fila de votação”, à espera da opinião da comunidade virtual. Todos passaram por esse crivo e conquistaram seu lugar no Banco de Cultura do Overmundo, onde estão disponíveis para download.

A coleção foi ainda para o site do Ministério da Cultura, para o Cultura Livre e Creative Commons Brasil.

A liberdade de distribuição que a licença Creative Commons oferece, além de ser simpática, funciona. Poucos dias depois de lançada pela web, “Conquiste a Rede” começa a ser lida. É um ângulo interessante dessa nova forma de publicar: o retorno dos leitores não demora. É na lata, pá-pum.

O caminho

“Jornalismo Cidadão – Você faz a notícia” foi o livro que chamou a atenção do blog do Marmota. Agradeço ser excluída da “horda de bárbaros” que “repassa e-mails com apelos, promoções inexistentes e não-textos do Veríssimo”.

“Conquiste a Rede” também está no blog do Estadão do Renato Cruz, que por sua vez repercutiu no Impressão On Line. A coleção foi para os blogs Vírgula Nada, NerdGames e também foi notada pelo site Jornalistas da Web.

Ninguém leu quatro livros de imediato. Amigos, internautas e profissionais particularmente interessados no tema devoraram um ou outro dos quatro títulos. É um começo de conversa.

Quem tem um blog, um fotoblog e um videoblog quer leitores. Quem tem uma coleção de livros sobre os temas, deseja ainda mais: quer leitores e quer saber o que eles acham, como eles interagem, como se comunicam e o que descobriram essa semana. Que link bacana eles repassaram hoje à tarde? Qual o novo ambiente que entrou em beta essa semana?

Hoje à tarde me indicaram o link Como dissuadir você mesmo de ter um blog. Trata-se de um título enganoso, pois o texto é engajado na causa wiki page, defende o texto escrito de forma colaborativa.

Conselho desse link ao cair da tarde: “Fique tranqüilo. É totalmente respeitável não ter um blog.”

Conquiste a Rede é lançada nos sites Overmundo, Cultura Livre e Creative Commons Brasil

A coleção de livros “Conquiste a Rede” está no ar. Foi lançada nos sites Overmundo, Cultura Livre e Creative Commons Brasil. Caiu na rede, deve seguir seu caminho. A idéia é divulgar os quatro livros – “Blog”, “Flog e Vlog”, “Podcast” e “Jornalismo Cidadão” – para que eles tenham o destino para o qual foram criados: permitir que mais e mais pessoas entendam melhor e possam se beneficiar dos caminhos criativos da web. Quanto mais leitores tiver a coleção, melhor ela cumprirá sua missão.

As condições para divulgá-la são: dar os devidos créditos, não usá-la para fins lucrativos e compartilhá-la pela mesma licença. Qualquer internauta pode lê-la, sem custos.

Como apresentamos a coleção:

“Conquiste a Rede é um convite para participar do processo de criação coletiva na internet. Com um pouco de conhecimento, cada um de nós pode tornar-se dono de um veículo de comunicação. Convidamos você a ocupar seu espaço nessa plataforma onde vozes de todo o mundo interagem.

Nesse cenário, a contribuição de cada pessoa tem valor inestimável para a troca de conhecimento e os princípios de igualdade. Procuramos apresentar alguns conceitos básicos para que o controle da comunicação seja compartilhado com cada internauta.

Ferramentas de publicação acessíveis na rede revolucionaram o modo como as pessoas consomem, interpretam, produzem e divulgam informações. Elas permitem ao internauta deixar de ser um receptor silencioso para tornar-se um criador. Falamos sobre as principais ferramentas que contribuem para a descentralização da produção: blogs, podcasts, flogs e vlogs.

Colaboração é a palavra-chave e, por isso, o conceito de jornalismo cidadão permeia todos os títulos da coleção. Ocupar seu espaço na web significa também transformar o jornalismo em uma conversa de um para um, um para muitos e de muitos para muitos.

Algumas questões norteiam a coleção: contribuir para os esforços multilaterais de inclusão digital da população brasileira, apresentar referências para várias plataformas de computadores, como PC, MAC e Linux, e sugerir o uso de ferramentas gratuitas, uma vez que participar desse novo universo é uma questão de cidadania.

A coleção pretende reunir informações e conhecimentos raramente apresentados em português. Assumimos o risco de registrar um universo mutante porque acreditamos que a exclusão digital vem também da dificuldade em navegar sem as referências necessárias. Colocamos um glossário simplificado no final de cada título com esse mesmo objetivo.

A coleção foi concebida para usuários da web em geral, para cidadãos digitais. Ela quer ser um começo de conversa para facilitar o acesso a um mundo virtual necessário para a realização pessoal e profissional. Não pretende esgotar o assunto.”

Ana Carmen Foschini e Roberto Romano Taddei, Agosto de 2006