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Links sobre jornalismo cidadão

Começa o ano letivo nas universidades e eu percebo que a coleção Conquiste a Rede segue como uma referência para falar de conteúdo e notícias produzidas por quem não tem um diploma de Comunicação. É o chamado “citizen journalism”, ou jornalismo cidadão, um termo que já existia quando eu e Roberto Taddei escrevemos esses livrinhos de introdução ao mundo da publicação na rede. Já em 2005 discutíamos se o termo era esse mesmo e optamos por traduzir do inglês o termo que já era usado em We the Media, de Dan Gillmor.

Citizen Journalism, user-generated content, user-powered

Acho o nome “jornalismo cidadão” um horror, ainda mais porque ele dá a entender que tudo o que não for cívico, tudo o que não tiver a ver com política, cidadania e afins não é jornalismo cidadão. Ainda assim preferi colocá-lo no título de um dos livrinhos que lançamos com download grátis pela web, Jornalismo Cidadão - Você faz a notícia, para não reiventar a roda. E o nome seguiu carreira em português.

Acho mais leve o outro nome que se dá a essa mesma produção, “user-generated content”, ou seja, conteúdo criado pelo usuário (o internauta). Já dá a entender que o conteúdo não é necessariamente engajado e, como se pode ver pelos links abaixo, já existem vários projetos comerciais com citizen journalism no meio.

A CNN prefere falar em “site user-powered” para se referir a seu novo canal iReport, para o qual usuários enviam conteúdo. O que for divulgado pela própria CNN ganha um selo “on CNN” e o autor recebe por isso. O projeto é tão experimental para essa gigante da imprensa tradicional que leva “beta” até no domínio: beta.ireport.com.

Outros links

Bom, além desses links que coloquei nos parágrafos acima, e do que escrevi aqui sobre o tema, aproveito para listar outros endereços. Uma estudante do último ano de jornalismo me escreveu na semana passada para dizer que fará o trabalho de conclusão de curso sobre o tema jornalismo cidadão, que conta com minha colaboração e me lembrou que está aberta a temporada das monografias. Vamos ver se consigo, aos poucos, publicar referências e links para quem pesquisa.

Quem quiser colaborar pode deixar um link na seção de comentários. Grazie!

Projetos pelo mundo

  • Global Voices e Global Voices Brasil - Engajado, opinativo, tem correspondentes brasileiros que traduzem e comentam trechos de blogs brasileiros para o inglês e assim constrói uma ponte para as barreiras de língua.
  • Guias Global Voices em quatro idiomas - “Don’t hate the media, make media” (Não odeia a mídia, faça a mídia). Para ensinar a fazer “mídia cidadã”. Cada guia traz uma série de links interessantes para quem pesquisa comunicação, blogs, mobilidade e direitos humanos, tudo imbricado.
  • Vanguard Journalism - programa novo da Current TV voltado para jornalismo investigativo
  • My News - portal indiano
  • Now Public - portal canadense baseado em Vancouver
  • Helium - Publicar conteúdo e ser remunerado por isso. Esse modelo, já usado pelo OhMynews, é a promessa desse projeto que cobre áreas tão diversas quanto animais de estimação, automóveis, carreiras e empregos. (O brasileiro Carlos Rix já é um colaborador e enviou a dica.)
  • The Observers France 24 -Portal francês
  • Orato - Portal colaborativo canadense.
  • Scopical - projeto australiano.
  • OhMyNews - a iniciativa pioneira da Coréia do Sul.
  • Newswine - Para você ver como a Lusitana roda, o conteúdo é em inglês, mas o banner já está em português.
  • Scoopt - “Para que dar de graça a foto que você pode vender?” É o slogan dessa agência que intermedia a venda do material de repórteres fotográficos amadores para a grande imprensa.
  • YouTube - Nem tudo o que pulula nesses portais me interessa, certo? Muita coisa pode também não interessar a você. Mas há um endereço que agrada a gregos, troianos e baianos. YouTube é a unanimidade, o fenômeno de variedade e popularidade.

O lastro da academia

CNN fala de pirataria digital no tecnobrega de Belém

Encontrei uma aula sobre música brasileira e mercado brasileiro de música na CNN. Manaus é a boca dos piratas do Amazonas. Pirata do tipo que copia CDs e DVDs para vender nas calçadas. Extra. Extra. Belém também é a cena do mais “thriving” da cena pop: o tecnobrega. Thriving quer dizer florescente, próspero.

Em reportagem distribuída pela agência Associated Press (AP), a cantora Gabi Amarantos, que canta “Biba” -”Olha que tou louca!” - dá declarações esclarecedoras sobre a potência do fenômeno do tecnobrega.

Desconhecia Gabi Amarantos, Gabriela na verdade, subgênero Latina, na classificação da gravadora Trama Virtual. A prosperidade da música brega eu já conhecia há muito tempo. Amarantos é brega até onde alguém pode ser brega, correndo o risco de ser tão brega que é cult. Segundo ela, a pirataria ajuda a divulgar o nome dos artistas e sua música. Os músicos do tecnobrega vivem do que ganham nos shows. Seus CDs são entregues diretamente nas mãos dos vendedores de rua, que oferecem o produto ao preço que bem entenderem. Ficam com o que arrecadarem. E boa.

Um CD de tecnobrega chega a ser vendido por US$ 2 (cerca de 4 merréis), enquanto o disco “oficial” custa em torno de US$ 15 (cerca de 30 merréis). John Perry Barlow, que fazia letras para o Grateful Dead e que fundou a Eletronic Frontier Foundation, entidade que milita em favor do direitos digitais, dessas que balançam a bandeira política mesmo, foi ouvido pela reportagem. Barlow considera que o que o tecnobrega faz em relação com a pirataria é uma continuação do que os seguidores do Grateful Dread, os “dreads heads”, fizeram por muitos anos com fitas cassete, garantindo a divulgação da banda.

Ronaldo Lemos, da Creative Commons Brazil, compara números. Enquanto os selos internacionais vão lançar este ano 40 álbuns, o tecnobrega lança 400. E que isso prova que pirataria não inibe inovação.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas, o tecnobrega movimento US$ 5 milhões, quase R$ 10 milhões de reais (nada de merréis nessa escala) por mês na economia de Manaus.

A Associação Anti-Pirataria considera o tecnobrega um fenômeno insignificante. A seu ver, a pirataria rouba 2 milhões de empregos e o Brasil perde com ela US$ 15 bilhões por ano em impostos. Só de ouvir falar em impostos o brasileiro sente um arrepio na espinha, certo?

A aula termina com uma afirmação de peso. O jabá não vigora na música que sai das aparelhagens (essas eu já vi bem de pertinho, um som de rua de potência titânica com muita gente dançando na frente). Se o artista é popular, o dono da aparelhagem tem de tocar suas músicas porque o público conhece o artista e exige.

Foi assim que o tecnobrega virou um case de uma complexa aula de economia… E olha que tou louca.