Eu e Edney Souza, coordenador da programação do Campus Blog, uma das áreas do Campus Party, conversamos esta semana, via e-mail. Ele me procurou depois de ler o post que escrevi sobre blogs e jornais, uma relação que tem a passionalidade de uma paixão de tango. Dizia ele no e-mail: “Gostaria de saber o que você gostaria de ver na programação do Campus Blog desse ano, ela ainda não está fechada, então dá pra mexer um pouco.”
O que respondi, acho melhor publicar aqui. A Lúcia Freitas, sempre antenada, citou as críticas que fiz no post sobre a paixão de tango em seu Ladybug e eu não quero deixar impressão de que minhas críticas são soltas no ar.
Ando sem motivação de ouvir os mesmos pontos de vista sobre a blogosfera. Faço parte do grupo que pensa e fala sobre o assunto e ele é pequeno, o que é compreensível, pois nosso país não é um mar de letrados e a web é um nicho que reúne um número limitado de pessoas que querem pensar sobre o que é possível fazer na rede. Dá para fazer muita coisa e hoje já estamos em um momento em que o básico está em andamento. “O que mais dá para fazer?”, pergunto.
Copio meu email para o Edney, com algumas “sugestões-chinelo-havaiana”, despretensiosas e escritas de bate-pronto.
Pensar o futuro
“O que mais sinto falta na discussão da blogosfera é pensar o futuro, observar as tendências.
Para pensar no blog sob o ângulo da comunicação (e não somente dos negócios, da tecnologia etc), existe na USP um grupo chamado Com+ da qual fazem parte o Renato Targa, Beth Saad, Daniela Bertochi, Daniela Ramos, Francisco Madureira, Carol Terra, todos ligados a mídias sociais, talvez você possa convidá-los para a conversa. Na Bahia, o grupo do GJol é muito bom, eu também os colocaria na história.
Fora do mundo acadêmico, há um movimento interessante de mulheres que defendem parto natural, amentação e temas afins, do qual a Bianca Santana, por exemplo, faz parte. Elas usam blog para se comunicar e criaram as sessões de cinema para bebês e mamães. Acho esse movimento interessante, é o blog totalmente incorporado à vida familiar. Você encontra os contatos no Gama.
Nesse mundo de blogs e crianças, que por razões práticas me chama nesse momento atenção, há muita coisa curiosa, como o Diário de um Grávido e o Para Francisco, um blog criado para o filho conhecer o pai que morreu antes de ele nascer.
Para quem não tinha sugestões, até que dei algumas, assim de bate-pronto, não é? Nada que ajude muito, mas o que eu acho importante é tentar arejar o ambiente de discussão, às vezes eu vejo o grupo dos mesmos de sempre em vários eventos, falando das mesmas coisas ou evoluindo em suas opiniões, que não deixam de ser interessantes, mas é bom olhar para o que ainda não foi contemplado, para o que vem por aí, para o coro dos descontentes.
Desejo a vocês inspiração e sucesso. Estou aqui às ordens, interessada em participar.”
Família ligada pela internet
Logo depois de enviar essa mensagem, consegui ler alguns feeds atrasados. Sou mãe de um bebê de 10 meses e tem sobrado menos tempo para navegar. Encontrei uma pesquisa do Pew Internet Project de outubro que confirma meu comportamento como tendência: as famílias criam novas conexões com ajuda da web.
“Technology is enabling new forms of family connectedness that revolve around remote cell phone interactions and communal internet experiences”.
Trocando em miúdos, a pesquisa diz que, embora alguns tivessem medo de que a tecnologia separasse os integrantes de uma família, este estudo revela que os pais usam seus celulares e a internet para coordenar e interligar suas vidas e a de seus filhos.
Tudo a ver com essa conversa sobre blogs e bebês e família e internet entrando na nossa vida prática para ficar.
