Respeitável público, vem aí o circo de Alexander Calder (1898-1976), famoso criador de móbiles que nunca deixou de ser um meninão. Jean Cocteau, Miró, Fernand Léger, Mondrian e Le Corbusier freqüentaram suas arquibancadas em Paris. Essa turma da pesada e de vanguarda ia para o picadeiro montado no chão da sala do apartamento do artista (um norte-americano radicado na França, como era moda) e a noite escorria entre risadas. Agora, pelo You Tube, é possível juntar-se à ilustre platéia.
Quatro trechos de uma apresentação do circo de Calder filmada em 1961 por Carlos Vilardebo estão disponíveis para download. A impressão é de que Calder também se divertia muito com as incríveis atrações que construía com arame, lã, papel, rolha, madeira, barbante e tecido.
No clip número 1, o artista, já mais avançado em idade, faz o equilibrista saltar sobre o cavalo.
No clip número 2 ele mostra focas, camelos e a dança do ventre de uma Josephine Baker de arame.
No filminho número 3, rola até luta livre na lona.
No clip número 4, vê-se corrida de bigas, malabarismos no trapézio e outros números de talento e prodígio.
O circo nos tempos de Paris
A melhor parte da mostra “Alexander Calder no Brasil”, em cartaz na Pinacoteca de São Paulo, é um filme que mostra o circo nos tempos de Paris, mais antigo que o disponível no You Tube. O lado moleque de Calder está lá, para quem quiser rir. A cena do atirador de facas não se esquece facilmente.
Claro que exposição traz obras geniais - esculturas, pinturas, muitos móbiles, um engraçado retrato de Lina Bo Bardi - mas o filme é um de seus pontos altos, pois revela a chave para o universo de Calder. Ele veio ao Brasil três vezes. Tocou maracas, incorporou a figa aos trabalhos em metal e levou um pouco de samba no pé. Fez história nas artes visuais do Brasil e foi um dos expoentes do século 20. A dica é: antes de ver qualquer obra da exposição, assistir ao filme para ver toda essa trajetória com outros olhos.
