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Como são os blogs do Irã

Nem todos os blogs do Irã contestam o regime religioso, descobriu um estudo sobre a blogosfera iraniana feito pelo projeto Internet e Democracia do Berkman Center for Internet and Society, mantido pela escola de Direito de Harvard. A pesquisa revelou que existem hoje na blogosfera persa 60 mil blogs atualizados regularmente.

“Em contraste com a impressão de que todos os blogueiros iranianos são críticos do regime, encontramos uma larga variedade de opiniões representando pontos de vista religiosos conservadores”, diz o resumo do estudo, “assim como blogs seculares com temas que variam de política a direitos humanos, poesia, religião e cultura pop.”

Leia o relatório “Mapping Iran’s Online Public: Politics and Culture in the Persian Blogosphere”

Rosana Hermann

Rosana Hermann Rosana Hermann

Rosana Hermann é muito engraçada. A blogueira mais popular do Brasil (uma das mais populares, com certeza) tem a elegância de não se levar tão a sério. A integrante da equipe do programa-mor do esculacho na TV, o Pânico, me fez gargalhar ao discutir credibilidade.

Estávamos em um ambiente acadêmico, durante um seminário de Mídias Digitais na Cásper Líbero organizado pelo Tiago Dória. Um encontro que, para mim, teve um gosto de quermesse por causa dos amigos, do almoço em grupo, do papo interessante…

Rosana lembrou que os blogueiros fazem competição para ver quem acessou a internet antes. Como se isso significasse grande coisa. “Foi na era mesozóica”. “Eu acessei antes de existir”.

Números

“Todo sofrimento vem dos números”, afirmou ela. “Por causa deles a gente compara page rank e audiência no Ibope. Comparou, sofreu.”

Ganhar dinheiro

“É como se houvesse uma ligação entre voto de pobreza e credibilidade”.

Blogs selvagens x credibilidade

Muita gente pergunta sobre a credibilidade nos blogs: como é que fica? Dá para confiar na informação? De vez em quando eu paro, escrevo um pouquinho sobre o assunto e continuo a tocar o barco.

Esta semana finalmente consegui responder a uma entrevista, ou a parte dela, que me aguardava na lista de tarefas. Enviada pelo Blog do Luiz, ela passa por essas questões. “Credibilidade se constrói com o tempo e se destrói em um instantinho”, disse eu lá pelas tantas.

Chamo reforços. Ao escrever sobre o assunto, um decano da área de tecnologia me surpreendeu (para bem) com sua opinião sobre ética e mídia. John C. Dvorak, da PC Magazine, escreveu o seguinte:

“O público é a polícia. As coisas ficam ainda mais complexas ao passo que bloggers e a nova mídia chegam com um misto de notícias, farsas e opiniões singulares. Não há um padrão de ética para essas pessoas, e mesmo com a estúpida idéia de criar um código de ética entre os bloggers, é impossível forçar a sua utilização em cada publicação. Na nova mídia, a ética é imposta pelos leitores, e não pelos editores. Existem fóruns, comentários, mecanismos e estruturas vigiadas pelo público. A mídia tradicional não consegue entender esse conceito.”

Sobre o assunto, também encontrei um texto de Daniel Jelin que, com fina ironia, brinca com os que pretendem banir as bobagens da blogosfera:

“e ainda querem dizer como é que se bloga, como é que não se bloga. afe. a última que eu vi, sei lá onde, era assim: aplicam-se as seis propostas para o novo milênio à blogosfera, e, entre muitos corolários, extrai-se que não se deve usar o blog pra falar da sua própria vidinha (sic).

mas então como é que ficamos? além da vidinha, o que é que se tem? grandes idéias? grandes novidades? grandes revoluções? grandes propostas? tudo grande? vá lá, se todo blogueiro fosse um italo calvino…”

Adorei essa afinidade entre o decano e o meu mano.

Blogs são selvagens. A internet é praticamente indomável, como a cabeleira de crianças com cachinhos.

Credibilidade entra no rol dos bens intangíveis. Reputações podem ser destruídas em um instante.

A essa altura de uma conversa sobre credibilidade, costumo chegar à conclusão de de que ética e responsabilidade não se vendem por metro e estão sempre entre as grandes questões por resolver.