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Post pago, mostra a sua cara

“Post pago/mostra sua cara/quero ver quem paga/para a gente ficar assim/Blogueiro, qual é o seu negócio?/O nome do seu sócio?”

Claro que Cazuza nem sonhava/tinha pesadelos com posts pagos e blogueiros preocupados com a monetização de seus textos quando escreveu a letra de “Brasil”. Cantarolei essa versão ao saber que a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos definiu diretrizes para a responsabilidade civil sobre o post pago: blogueiro que receber para divulgar um produto terá de explicitar que o fez.

O jabá tornou-se ilícito, veja só. Presentinho, jantar, viagem, pagamento, qualquer retribuição em troca de divulgação ou promoção deve ser anunciada para o leitor.

“A partir de dezembro, blogueiros, tuiteiros e marqueteiros on-line dos Estados Unidos terão que contar aos consumidores quando forem pagos ou receberem presentes e outros brindes para escrever resenhas positivas ou posts promocionais”, explica a Folha Online.

Quem descumprir a determinação, pagará multa de US$ 11 mil: “Violating the rules, which take effect December 1, could bring fines up to $11,000 per violation. Bloggers or advertisers also could face injunctions and be ordered to reimburse consumers for financial losses stemming from inappropriate product reviews.”

Achei muito saudável. São boas novas. Vamos nessa, Brasil?

Tempos de mídia colaborativa: Wikipedia, The Guardian e a Rússia

Linux & Jesus Linux & Jesus

1- Sem loção

Um jornalista sem loção copiou da Wikipedia uma declaração que teria sido feita pelo compositor francês Maurice Jarre para usá-la no obituário que escreveu para a edição de 31 de março do jornal inglês The Guardian. Acontece que a declaração foi inserida no dia anterior na Wikipedia por um malandrinho de 22 anos. Deliberadamente ele colocou a isca para ver qual jornalista apressado mordia.

Shane Fitzgerald comenta a “barriga”, como se diz no jargão jornalístico e lista vários equívocos que o jornalista cometeu, a começar por não procurar uma “fonte primária” confiável.

Está na Wikipedia, beleza, mas não dá para tomar a Wikipedia como fonte primária. Concordo.

O Andre Deak deu a dica sobre essa “barriga” pelo Twitter e chamou-a de lição para os jornalistas, dois pontos, o link a seguir. Fiquei pensando se em vez de lição, esse não é só um incidente do tipo que será cada vez mais comum em tempos de mídias colaborativas.

Lição os jornalistas tomam na cabeça todo dia, em tempos de informação em tempo real. É só lição na cabeça, ui ui ui.

2- Com loção

Obama é o cara, quando se trata de trabalhar com a mídia social. Além de usar Twitter, Facebook, suas fotos no Flickr não tem cheiro de divulgação oficial. Quem posta o material tem loção.

3- Linux e Jesus

Recebi um pedido para autorizar em um blog a publicação dessa foto aqui, feita durante o Corpus Christi em frente a uma lan house de Dourado (SP).

Acho que esse blog é russo, palpitou a Kelly. Não faço idéia do que está lá escrito, mas se fala de open source, vamos lá, tá autorizado, com créditos.

Depois do café, só para começar meu dia, essas três coisas me chamaram a atenção. Reuni tudo porque pensei: ah, são sinais dos tempos de mídia colaborativa. É daí em diante.

Jornalismo e blogs

Tell a story Tell a story

Conquiste a Rede, coleção de livrinhos sobre a publicação de conteúdo na web, começou a ser escrita por mim e pelo Roberto Taddei em 2005, depois de um café e um papo gostoso. De lá para cá, o mundo mudou deveras. E de marias.

Passei a conversar com estudantes sobre jornalismo cidadão para suas monografias de graduação e mestrado. Fico surpresa e muito contente com o fato de que “Conquiste a Rede”, escrita para pessoas que estariam sendo iniciadas nos mistérios da internet, ou seja, noviços, supostamente de baixa escolaridade, faça carreira como bibliografia da universidade. Isso demonstra que, anos depois, os livros ainda servem a seus propósitos iniciais: a coleção nasceu da falta de material em português sobre o assunto e concretizou uma reflexão inicial sobre o tema. É bom que siga seu caminho como referência útil, isso representa um excelente retorno para mim, como autora. Ser lida e ser útil, maravilha.

Fiz esse preâmbulo para dizer a todos os que perguntam minha opinião que acho difícil palpitar sobre os caminhos da humanidade. Sou jornalista e me afastei do dia a dia da redação com um certo desencanto, antes que me perdesse em frases como “nos bons tempos era assim e assado”. Às vezes, resmungo coisas como “um eletricista ganha melhor que um jornalista”.

Trabalho com comunicação, mas entendo ser esse trabalho algo bem amplo, que vai da edição de informação à concepção de projetos web, coordenação de equipes multimídia, crossing de linguagens e referências, pesquisa sobre novas mídias e ferramentas. Aquele jornalismo tradicional para mim é um pedaço desse mundo da comunicação.

Não tenho respostas sobre a crise do jornalismo tradicional, não sei como conciliar a profissão com o direito de todos à informação, pesquiso sobre direitos autorais versus conteúdo livre, uma discussão alentada, a meu ver.

Recebi perguntas do Eduardo Trindade, estudante da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e vou respondê-las pelo blog para que outros interessados possam participar e para ganhar tempo, pois nem sempre consigo parar para concatenar meus “pitacos”.

Pergunta 1- Como você vê, como jornalista, o futuro dos jornalistas profissionais com as possibilidades oferecidas aos cidadãos comuns, pelos blogs e plataformas web 2.0 de publicação online?

Um bom jornalista já se adaptou ou procura se encaixar no novo cenário. Sabe trabalhar com várias mídias (imagem, som, texto) e é fluente nessas diversas linguagens. Transita por redes sociais e sabe como usá-las com elegância e ética. Usa ferramentas como blogs, microblogs (Twitter), agregadores, bookmarks e mensagens instantâneas para obter, filtrar, avaliar e difundir notícias e informações.

O texto, a linguagem escrita, a meu ver, permanece como um grande desafio para a nova geração. Afinal, ela é formada por nativos digitais, mais acostumados à fala coloquial.

Esse profissional trabalha o tempo todo com fontes de diversas origens. Avaliar a qualidade da fonte é outro de seus desafios. Nesse cipoal de informações disponíveis, produzir, disseminar e editar informação fidedigna e confiável é tarefa bem complexa.

Ética, direitos autorais e viabilidade econômica dos projetos jornalísticos são questões fundamentais do jornalismo no século 21.

Pergunta 2- O que pode (se é que pode) diferenciar um profissional graduado dos blogueiros amadores em um blog?

Em tese, o amador não tem compromisso com sua audiência (público). O profissional, por seu lado, deve ter conhecimento técnico e ser ético. Na prática, blogueiro e jornalista não se distinguem na qualidade do que é produzido.

Já foi superada a divisão clara e nítida, preto no branco, entre o jornalista e o blogueiro. Há jornalistas blogueiros e blogueiros que são ótimos profissionais das notícias, mesmo sem ter o diploma do curso de jornalismo (se é isso o que define um jornalista). A prática do jornalismo obedece várias regras, tem técnicas, exige conhecimento. Um bom blogueiro não é um desavisado e estuda o universo da comunicação, o que nem todo jornalista faz.

Pergunta 3 – Quantos jornalistas profissionais vc conhece que trabalham apenas com blogs (não vinculados a grande grupos) e qual a faixa de renda destes?

Em outros países, principalmente nos EUA, são muitos os que tem como fonte de renda blogs e que são direta ou indiretamente (por meio de palestras, consultorias etc) remunerados pelo que postam na rede, sejam textos, fotos ou vídeos. No Brasil, percebo blogueiros como estes como casos isolados. São celebridades da blogosfera, um ou outro blogueiro, fotógrafo ou videomaker que consegue pagar as contas com o blogs e a reputação que eles conferem ao autor.

Em tempo: o Tiago Dória escreveu sobre os Super-Heróis dos Blogs, post que vale a visita.

“Para mim, um dos principais efeitos dos blogs é que eles aumentaram o número de pessoas participantes do mercado de opinião”, diz Dória. “Para o jornalismo, área a qual estou mais ligado atualmente, além de trazer novos profissionais, um dos principais efeitos foi ajudar a quebrar o tal do tabu da concorrência“.

“…O assunto pode ser cansativo. Falar de blogs é tão 2007″, comenta.

Redes sociais e blogs são mais procurados que e-mail

Recebo o press release do Ibope Nielsen com números do acesso global com o título: Redes de relacionamento e blogs são agora a 4ª atividade on-line mais popular, acima de e-mail pessoal. Pinço ali outra movimentação relevante: O maior aumento no número de visitantes em sites veio de pessoas com 35 a 49 anos. Copio o press release, sempre útil para quem precisa de índices para a internet:

“Visitado por mais de dois terços (67%) da população on-line mundial, os ‘Member Communities’ que englobam as redes de relacionamento e blogs se tornaram a quarta categoria on-line mais popular – à frente do e-mail pessoal. O crescimento é duas vezes maior que qualquer outro dos quatro maiores setores (busca, portais, software para PC e e-mail), de acordo com um abrangente relatório da The Nielsen Company “Global Faces and Networked Places” (faces globais e lugares plugados) disponibilizado recentemente, documento que revela a nova marca global das redes de relacionamentos.

“Redes de relacionamento tem se tornado uma parte fundamental da experiência on-line mundial” afirma John Burbank, CEO da Nielsen Online. “Embora dois terços da população on-line global já acessem os sites community member, a vigorosa adoção e migração de tempo não mostra sinais de redução. As redes de relacionamento irão continuar a alterar não só o cenário on-line mundial mas a experiência do consumidor. Este estudo mostra como.”

De acordo com o relatório da Nielsen, o Facebook – a rede de relacionamento mais popular no mundo – é acessado por três em cada 10 pessoas on-line por mês, em nove mercados onde a Nielsen pesquisa o uso da rede de relacionamento. O Orkut no Brasil possui o maior alcance on-line doméstico (70%) que qualquer outra rede de relacionamento nestes mercados.

O relatório fornece insights sobre a constante mudança no tamanho e composição da audiência da rede de relacionamento global e sobre a crescente participação do tempo na internet que isto representa. O estudo também analisa como os principais provedores estão convivendo e o que os publicitários e editores podem fazer para tirar vantagem deste fenômeno de rede de relacionamento.

Outras descobertas chaves incluem:

- Um em cada 11 minutos on-line no mundo é decorrente dos sites de redes de relacionamento e blogs;

- A audiência das redes de relacionamento e blogs está se tornando mais diversificada em termos de idade: o maior aumento nos visitantes dos sites Member Community no mundo vem do grupo com 34-49 anos de idade (+11.3 milhão);

- Celulares estão tendo um crescente e importante papel nas redes de relacionamento. A Nielsen descobriu que a rede de celulares na Inglaterra possui a maior propensão de acessar as redes de relacionamento via seus aparelhos portáteis, com 23 % (2 milhões de pessoas), comparado com 19% nos EUA (10.6 milhões de pessoas). Estes números representam um grande aumento desde o ano passado – 249% na Inglaterra e 156% nos Estados Unidos.

“As redes de relacionamento não estão apenas crescendo rapidamente, mas também evoluindo em abrangência de audiência assim como adquirindo novas funções,” diz Alex Burmaster, autor do estudo e Diretor de Comunicações através da EMEA para a Nielsen Online. ” Nos sentimos obrigados a analisar o status do mercado global das redes de relacionamentos e considerar quais as implicações que isto traz para nossos clientes, editores e publicitários.”

Entre os mercados que a Nielsen mensurou, a penetração das visitas as redes de relacionamentos e blogs foram maiores no Brasil, onde 80% da audiência on-line acessa tais sites. A participação do tempo geral na internet nas redes de relacionamento e blogs também foram maiores no Brasil, onde quase um em quatro (23% minutos gastos on-line são usados nestes tipos de sites.”

Links legais

Nunca terei tempo de compartilhar as descobertas. Para não dizer que tudo passou em branco, hoje parei para listar algumas:

1- O indivíduo, o movimento e a cidade.

Chris Esteves, coreógrafa, convida para debates na Casa das Caldeiras. O próximo debate é dia 23 de março, com Peter Pal Pelbart.

2- Para monitor notícias

Media Cloud, ou nuvem de notícias. Como elas são dadas, em que extensão, por quem. Lançamento do Berkman Center.

2- Os blogs das crianças

No blog da pequena Luna, uma aventura de bicicleta Tandem pelas pedras do Morro do Sabão.

A baby Alice chega para animar a festa. No Nhoc.

3- O amigo traidor

Tony de Marco escreve sobre os flagrantes do “jornalismo cidadão”.

Trechinho: “O povo vai misturando todo tipo de conteúdo pirateado com todo tipo de efeito manjado, sem medo de ser feliz.”

Solidão binária

A canoa virou A canoa virou

Alguém me escreve pelo formulário de contato deste blog, diz que trabalha em um escritório de arquitetura e pede o meu catálogo. Eu não tenho nem álbum de figurinhas.

Ultimamente, meu blog leva a vários mal entendidos.

Depois que fotografei luthiers e escrevi um post sobre eles, músicos pediram para que eu agendasse shows. Depois que eu escrevi sobre adoção, pessoas de vários países procuram informações sobre assunto, perguntas de toda a sorte, do tipo: “Posso adotar se for solteira?”

Procuro responder e mostrar o caminho das pedras, mas quem lê o que escrevi? As placas do Google são as únicas coisas que esses visitantes enxergaram.

O banco Itaú me envia um convite para um novo cartão de crédito.

Liquidações, novas coleções de estilistas e newletters de todas as redes sociais fazem volume em minha caixa postal.

O verbete solidão do mundo digital deve ser algo próximo disso.

Post Scriptum: Fui dar uma voltinha e pensei melhor. Voltei para falar um pouco mais sobre essa comunicação sem conversa. Sempre falei que blogs são conversas. Tá lá, escrito no livrinho da coleção Conquiste a Rede. As mensagens a que me refiro são como garrafas que trazem bilhetes e vão bater na areia de uma ilha, garrafas enviadas por náufragos. O mar é o Google, o search engine, o mecanismo de busca. Lá, se você digitar algumas palavras-chaves, recebe uma indicação para o meu blog logo na primeira página de respostas.

Às vezes, o robô considera minha página realmente relevante e meu post é a resposta.

Desavisados, os visitantes deixam aqui a pergunta que queriam fazer. E eu ouço, admirada. O que será que essa pessoa entendeu que eu faço? Eu não agendo shows, eu no máximo vou a um show. Por que alguém me enviaria seu número de registro da Ordem dos Músicos para mostrar que realmente toca bem, é certinho e profissional?

Por que as pessoas que querem saber detalhes sobre o processo de adoção não lêem quando respondo a elas que devem procurar a Vara da Infância e Juventude para esclarecer os pormenores da história individual? Que não sou advogada e que não gostaria de prejudicar o anseio de ninguém? Porque, cá entre nós, né, adoção pode ser uma coisa muito bacana…

Acrescentaria mais ecos da solidão digital, binária, O-1 ou 1-0. Os “seguidores comerciais” que eu ganho diariamente no Twitter. Eles querem que eu “ouça” o que eles estão falando, em prol de algum cliente. Às vezes, o cliente até vale a pena, como o personagem @vitorfasano. Mas é engraçado que eu “ganhe seguidores” em uma fase em que estou mais calada que tatu-bolinha, nunca falo nada nesse twitter. Entro nessa ágora como quem pega elevador errado: Entro, leio algo e ops, já saí.

Se você me lê e não é spider do Google, sei lá, conte o que acha dessa história toda. Is anybody home? ALô, alô, alguém aí? Câmbio?

Chutar o balde é uma arte

Tem coleção de tudo, até de textos afiados. Achei dois.

No blog do André Forastieri, As regras do Jogo, um post bacana sobre propriedade intelectual que nos explica direitinho o que fazer com os contratos que assinamos com empresas cedendo os direitos sobre nossos textos e fotografias para todo o sempre.

“É uma completa insanidade alguém querer controlar como seus textos/fotos/qualquer coisa digitalizável. A tecnologia não permite proteção eficiente e consumidor não quer. Com toda a admiração que tenho pelas licenças do tipo Creative Commons”, diz Forastieri, “não me meto a querer legislar sobre o uso que você quiser fazer do que está escrito aqui. Até porque não tenho como controlar. E sei disso faz tempo.”

Interessante reflexão vinda de um diretor editorial (PC Magazine, entre outras publicações). Copio abaixo outro trecho desse texto:

Nós não vamos pagar nada daqui pra frente

“A grande pergunta é: os criadores vão continuar produzindo sem a expectativa de retorno financeiro – sem a chance de ficar milionários? Spielberg, os Racionais, escritores, editores, criadores de softwares e games vão morrer de fome? E as empresas de comunicação, vão falir ou vão se reinventar?

Ninguém sabe responder. Mas enfrentar o copyleft, o movimento do software livre e a pirataria é derrota certa. Nós não vamos pagar nada – e cada vez mais gente sabe disso.”

O segredo de se dar bem no mundo digital

Intercon e um post meio pessoal“, de Alê Nahra, explica aquela sensação de paralisia que se apossa de quem pensa muito antes de fazer porque quer fazer direitinho. Aí aparece um desatinado sem loção e faz de qualquer jeito e se dá bem. Os “revolts” se perdem no diálogo com seu superego artístico enquanto os desatinados mandam bala. Copio um trecho:

“Monetização – lindo se fosse tornar as coisas mais Monet, haha. Mas é tornar as coisas mais rentáveis, fazer dinheiro com a web – com um blog, um site, um aplicativo. Nada contra, eu também adoro ganhar dinheiros. Mas antes de pensar em “monetizar”, os novos gênios jovens do mercado digital precisam primeiro pensar em coisas mais básicas, como criar diálogos que as pessoas querem ter – e não empurrar goela abaixo conteúdo inútil e irrelevante. Tem gente que quer monetizar o blog mas precisa antes é aprender a escrever.

Eu faço parte da turma dos revolts. Sempre fui do contra. Não sou do tipo que tampa o nariz e acredita. Então, tem muita coisa no “mundinho da internet” que me dá dor de estômago. No domingo fui almoçar com o amigo @exucaveiracover, outro revolucionário que não acredita em hypes, e soltamos o verbo. Pelo menos eu não estou sozinha.

Tem um grande amigo meu que um dia me ensinou o segredo de se dar bem em São Paulo, e pode ser também o segredo de se dar bem no mercado digital. Diz ele: “em terra de cego, quem FINGE que tem um olho é rei”. Tem gente que finge tão bem que engana até a si próprio – esse é o segredo. São esses os caras que vão lá e fazem. A minha turma dos revolts deveria aprender pelo menos isso com eles. A gente fica se questionando, duvidando da própria capacidade, e acaba não fazendo nada.”

Sugestões para o Campus Blog do Campus Party

Eu e Edney Souza, coordenador da programação do Campus Blog, uma das áreas do Campus Party,  conversamos esta semana, via e-mail. Ele me procurou depois de ler o post que escrevi sobre blogs e jornais, uma relação que tem a passionalidade de uma paixão de tango. Dizia ele no e-mail: “Gostaria de saber o que você gostaria de ver na programação do Campus Blog desse ano, ela ainda não está fechada, então dá pra mexer um pouco.”

O que respondi, acho melhor publicar aqui. A Lúcia Freitas, sempre antenada, citou as críticas que fiz no post sobre a paixão de tango em seu Ladybug e eu não quero deixar impressão de que minhas críticas são soltas no ar.

Ando sem motivação de ouvir os mesmos pontos de vista sobre a blogosfera. Faço parte do grupo que pensa e fala sobre o assunto e ele é pequeno, o que é compreensível, pois nosso país não é um mar de letrados e a web é um nicho que reúne um número limitado de pessoas que querem pensar sobre o que é possível fazer na rede. Dá para fazer muita coisa e hoje já estamos em um momento em que o básico está em andamento. “O que mais dá para fazer?”, pergunto.

Copio meu email para o Edney, com algumas “sugestões-chinelo-havaiana”, despretensiosas e escritas de bate-pronto.

Pensar o futuro

“O que mais sinto falta na discussão da blogosfera é pensar o futuro, observar as tendências.

Para pensar no blog sob o ângulo da comunicação (e não somente dos negócios, da tecnologia etc), existe na USP um grupo chamado Com+ da qual fazem parte o Renato Targa, Beth Saad, Daniela Bertochi, Daniela Ramos, Francisco Madureira, Carol Terra, todos ligados a mídias sociais, talvez você possa convidá-los para a conversa. Na Bahia, o grupo do GJol é muito bom, eu também os colocaria na história.

Fora do mundo acadêmico, há um movimento interessante de mulheres que defendem parto natural,  amentação e temas afins, do qual a Bianca Santana, por exemplo, faz parte. Elas usam blog para se  comunicar e criaram as sessões de cinema para bebês e mamães. Acho esse movimento interessante, é o blog totalmente incorporado à vida familiar. Você encontra os contatos no Gama.

Nesse mundo de blogs e crianças, que por razões práticas me chama nesse momento atenção, há muita coisa curiosa, como o Diário de um Grávido e o Para Francisco, um blog criado para o filho conhecer o pai que morreu antes de ele nascer.

Para quem não tinha sugestões, até que dei algumas, assim de bate-pronto, não é? Nada que ajude muito, mas o que eu acho importante é tentar arejar o ambiente de discussão, às vezes eu vejo o grupo dos mesmos de sempre em vários eventos, falando das mesmas coisas ou evoluindo em suas opiniões, que não deixam de ser interessantes, mas é bom olhar para o que ainda não foi contemplado, para o que vem por aí, para o coro dos descontentes.

Desejo a vocês inspiração e sucesso. Estou aqui às ordens, interessada em participar.”

Família ligada pela internet

Logo depois de enviar essa mensagem, consegui ler alguns feeds atrasados. Sou mãe de um bebê de 10 meses e tem sobrado menos tempo para navegar. Encontrei uma pesquisa do Pew Internet Project de outubro que confirma meu comportamento como tendência: as famílias criam novas conexões com ajuda da web.

“Technology is enabling new forms of family connectedness that revolve around remote cell phone  interactions and communal internet experiences”.

Trocando em miúdos, a pesquisa diz que, embora alguns tivessem medo de que a tecnologia separasse os integrantes de uma família, este estudo revela que os pais usam seus celulares e a internet para coordenar e interligar suas vidas e a de seus filhos.

Tudo a ver com essa conversa sobre blogs e bebês e família e internet entrando na nossa vida prática para ficar.

É legal, é para bebês e crianças II

Do blog Minor Details

Adorei, porque é tudo baixinho, sem arestas pontiagudas, sem muito rococó.

Blogs e jornais, paixão de tango

Jornais e blogs, jornais ou blogs, jornais versus blogs, blogs de jornais e até jornais de blogs. Essas duas substâncias díspares e ao mesmo tempo afins estão em discussão em vários posts que li e não se avista consenso nesse caso de paixão de tango.

1- Interney divulgou hoje alguns dos nomes que participam da próxima edição do CampusBlog, uma das áreas do Campus Party 2009.

Como o próprio Edney Souza, que organiza a programação desta edição, fala sempre em formas possíveis de ganhar dinheiro na web e, em particular, com blogs, esse aspecto do debate sobre a blogosfera foi contemplado na lista de discussões, onde leio “monetização” e “empreendedorismo digital”.

Curiosa, procuro as novidades “desta estação”, será que tem alguma? “Miguxas na web”? Ah, não, isso já rendeu. “Mulheres e blogs”? Parece tão antigo quanto “Homens e blogs”. Falando sério: jornalismo, ética e mídia, moral, direito digital, sexo, mobilidade e até política, temas que aparecem na programação, dão o molho básico para começar a cozinhar as tendências da web.

2- Publico.org é um projeto de jornalismo colaborativo que traz nomes conhecidos, como o do Rodrigo Savazoni, Pedro Markun, Paulo Fehlauer, Ceila Santos. “Nosso objetivo é realizar uma cobertura jornalística cidadã, apartidária, colaborativa, plural, diversa, multimídia e hiperlocal da cidade de São Paulo”, explicam.

Não entendi se o projeto está se organizando ou se organizado está. Os posts são poucos, esparsos, sem uma freqüência, o último foi ao ar em agosto. Talvez a cobertura seja feita nos blogs e endereços de cada um dos participantes e a comunidade se agrupe ali para se apresentar como grupo, não entendi. Mas foi por meio do Público que acabei achando debates outros capítulos sobre o que chamei, só para variar, de paixão de tango e que menciono abaixo:

3- Vários nomes para a mesma coisa, assim eu e o Roberto Taddei falávamos em 2005 sobre jornalismo cidadão. Daniela Bertocchi discorda e explica a diferença entre jornalismo cívico e jornalismo cidadão, em entrevista do ExuCaveiraCover.

O “jornalismo participativo” (colaborativo) ocorre quando um cidadão, ou grupo de cidadãos, assume uma função ativa no processo de recolha, reportagem, análise e divulgação de notícias e informações”, diz Bertochi. “O “jornalismo cívico”, por outro lado, procura encorajar a participação, mas as organizações noticiosas mantêm um elevado nível de controle através da determinação da agenda temática, da seleção dos participantes e da moderação das conversas.”

Continuo discordando e considero participativo e colaborativo os nomes mais bonitos. E só.

4- Em O Jornalismo Morreu, encontrei ainda uma entrevista com Beth Saad, parceira de blog da Daniela e professora da USP, sobre… O destino dos jornais. “O poder ainda não rejuvenesceu e, mesmo aqueles mais jovens que estão muito próximos do nível de decisão, ainda estão sob a tutela de uma cultura empresarial muito forte, arraigada a valores familiares e ao tamanho do poder social e de formação de opinião que o jornalismo supostamente possui”, diz Beth Saad.

Concordo com o comentário, que me lembrou a letra de uma música: “Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam, não…”

5- Donos da Mídia www.donosdamidia.com.br - Um projeto de cartografia dos grupos de mídia brasileiros.

“Produzido pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom), entidade parceira do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, e idealizado pelo jornalista Daniel Herz, Donos da Mídia, é uma grande, inédita e valiosa base de dados sobre os grupos de mídia do Brasil”, explica o excelente blog da UFBA Jornalismo e Internet – GJol.

Donos da Mídia traz artigos que falam em “concentração da mídia e coronelismo eletrônico”, por exemplo. Nesta “Comparsita”, podem trazer ângulos interessantes para a paixão de tango.

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