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Guia sobre novas regras para adoção

Sem açúcar com afeto Sem açúcar com afeto

Dia 4 de novembro entrou em vigor a nova lei de adoção no Brasil. Tire dúvidas no guia comentado da Associação dos Magistrados Brasileiros.

No rádio

Nova lei de adoção entrou em vigor. Crianças não podem ficar mais de dois anos em abrigos. Só que há muitas crianças que vivem há anos em abrigos. Procuram-se famílias para elas.

Mais notícias

A casa caiu

Três porquinhos Três porquinhos

Francisco já é fluente no embrulhol que só ele compreende, mas agora começou a formar frases.

A primeira foi “A casa caiu”. O pai chegava da rua e nós dois assistíamos aos Três Porquinhos pela milionésima vez. Ele correu contar as últimas sobre a casa de palha.

Nessa mesma semana, a empregada pediu as contas. Eu nem lamentei muito, não éramos felizes, nem ela, nem eu. Conseguimos “empurrar com a barriga” por nove meses e kaput. Finito.

Bem no meio da correria de um trabalho interessante, exaustivo e fora de um cronograma viável. Bem no meio da monografia de mestrado do Renato, das minhas pesquisas sobre imigração, das férias da escolinha, da viagem da vovó, da gripe suína, sei lá.

A casa caiu. Bem no meio da vida de verdade.

Dia das novas mães

pela estrada afora pela estrada afora

Domingo é um dia que não vou esquecer, meu primeiro Dia das Mães. Sou recém-chegada e é complicado tirar a carteirinha desse clube.

Abro o jornal e revistas e encontro lindos eletrodomésticos em oferta para o Dia das Mães. Ué… Pensei que as mães tinham se transformado, décadas depois das feministas de primeira hora. Quer dizer que as mães ainda se interessam por eletrodomésticos? A minha sempre disse que não queria panela nem qualquer coisa para a casa, sempre preferiu um presente pessoal, uma fofurice, uma roupa. Haja imaginação, é difícil escolher presente.

Olhei as ofertas dos anúncios. Achei um grill, muito bonito, muito caro, onde vou guardar essa especie chique de tranqueira etc. Olhei com o mesmo jeito com que, de vez em quando, namoro uma traquitana de fazer café, um luxo que continuará no fim da fila das prioridades por muito tempo. Bati os olhos em um editorial de moda no Vitrine, da Folha de S.Paulo, sobre roupinhas iguais para mãe e filha. Cruzes, eu não entraria nessa.

O resumo da ópera é que nesse primeiro cocktail do clube das mamães eu me sinto um peixe fora da água, pelo menos dessa pocinha em que os publicitários encaixaram o target. Quem são essas mães de hoje, então?

O que eu queria

Procuro e não encontro o anúncio que ia me ganhar: um lugar interessante e perfeito para eu ir com meu filho. Um lugar que não é um parque, um shopping, uma livraria, nem um parquinho infantil, opções infalíveis e previsíveis.

Cadê esse restaurante que é legal para as crianças também? Kids friendly, mamis friendly, gente normal friendly?

Cadê essa atividade para pequeninos dentro de São Paulo? Teatro infantil não é para ele ainda. O CineMaterna não é mais para ele, que quer correr e empurrar sua motinho feliz da vida pelo espaço aberto.

Parece que o mundo dividiu os espaços, atividades e momentos em coisas para crianças x coisas para adultos. Daria para ser diferente?

No Estadão, li uma matéria sobre mães modernas que não trabalham por opção. Mais parecidas com as mães com quem convivo, são mulheres que olham receita na internet, como eu. Que não esqueceram o cérebro em casa quando saíram para comprar fraldas. As mães com quem me identifico não sabem como vão dar conta. Não sabem com quem deixar o filho durante o congresso, por exemplo. Não sabem se vão voltar ao trabalho em tempo integral. Tem problemas para escolher escolinha, curar gripe, comprar cadeirinha para carro, descolar ponta de estoque para as roupas de inverno, criar ou não um blog sobre filhos.

Blog sobre filhos?

Ainda não decidi se abro um blog só para falar de mamãezices e criancices. São tantos os causos, os medos, as dúvidas, um período “mó animado”. Abrir esse blog representa um perigo delicioso de mergulhar no “gueto”, esse grupo que, para quem não tem filhos ou netos ou sobrinhos do coração, pode ser assustador e uma tremenda chatice. É engraçado, interessante e também é, às vezes, xiita, chaato.

Ainda não abri o blog por medo de ter meu tempo abduzido. Penso no assunto.

Preparar o cinto: meu filho começou a andar

Big glasses Big glasses

E foi assim, depois de um dia de parquinho e piscina, sem mais, que meu filho começou a andar. Faz a voltinha e não cai. Carrega um livrinho, balança, mas não cai.

Aquela energia toda para explorar o mundo. Sonho com viagem de jipe no deserto de Atacama. Quem sabe um vulcão no Chile, os violeiros do Nordeste, manteiga de garrafa, Mercado Ver o Peso, os cânions do Rio Grande do Sul. E as ondas. As ondas de Santa Catarina. Quanta coisa eu preciso mostrar a ele.

Carneiros, ele nunca viu. Galos, galinhas, patos, cavalos, sim. Porquinho não. Enfim, o mundo é grande, quanta coisa para mostrar.

Onde guardar brinquedos

tunel tunel

Há duas semanas procuro uma solução para guardar os brinquedos do Francisco. Se você tiver alguma dica, vou adorar.

Fui até a Kokada e achei umas caixas e baús lindos com preços muito feios. Uma caixa com rodinhas custa R$ 850.

A Luciana Terceiro mandou links de coisas de sonho da Great Little, que tem várias opções de caixas e baús.

Ela, que coleciona links dos sonhos para crianças, indicou também esse baú meio trambolhudo.

Vi em supermercados e na Liberdade caixas organizadoras de plásticos, bem básicas e sem graça nenhuma. Custam em média R$ 80. Nâo achei que uma boa opção porque não chegam a ser baratas e estão longe de serem bonitas. Já tenho uma em uso e o meu bebê adora batucar nela. Ele tem força para virá-la sozinho e espalhar tudo no chão. Pensando bem, até que essas caixas são um boa opção para começar a conversa.

No Desabafo de Mãe encontrei um post sobre o assunto, mas infelizmente ele não trouxe nenhuma luz sobre onde guardar as coisinhas.

Vou experimentar as lojas de móveis e brinquedos educativos. Se não encontrar nada viável para o meu bolso, vou bater um papo com o marceneiro e levar umas idéias da Little Great.

Atualizado em 14/12 - Eu comprei um tigre com perninhas de pato na Etna por R$ 39 que, por enquanto, vai quebrar meu galho. É uma espécie de túnel feito com anéis de arame recobertos por tecido impermeável amarelo-cone-de-sinalização-de-rua. Uma das extremidades é o fundo, a outra tem a cara do tigre que funciona como tampa. Assim que tirar uma foto, mostro o trambolho aqui. Estou prestes a acionar a tecla marceneiro, como comentei com o Gustavo, que deixou um comentário abaixo.

24/03/2009: O tempo passou e eu e o tigrão ficamos muito amigos. Recomendo essa solução baratinha e vistosa. Não cai na cabeça da criança e resolve o problema dos brinquedos espalhados. Um banho no tigrão de vez em quando é recomedável.

Criança, a alma do negócio

Esse trailer é do documentário “Criança, A Alma do Negócio” de Estela Renner e Marcos Nisti.

Estou curiosa para ver a íntegra do projeto, que encontra repercussão entre as minhas neuras. Começo a sentir na pele a pressão para transformar meu filhinho em uma “criança normal”, que tem pilhas de brinquedos eletrônicos, que conhece todos os Backyardigans etc.

Cadê os contos de fada, as cantigas de roda, as canções folclóricas nessa pilha de atividades modernésimas? Todo mundo preocupado com a melhor escolinha porque ela é também a única salvação?

Renato reparou outro dia que as crianças conhecem o Príncipe Encantado como um vilão, por causa de Shrek. Que confusão, que mundo muito, muito, muito longe daqui.

Assista aqui a Criança, a Alma do Negócio.

É legal, é para bebês e crianças II

Do blog Minor Details

Adorei, porque é tudo baixinho, sem arestas pontiagudas, sem muito rococó.

É para bebês, é legal

brinquedolândia brinquedolândia

Meu bebê chegou de repente, não tive aquele momento enxoval e não sou exatamente uma rata de lojinhas (por falta de tempo e não de vocação para xeretar). De vez em quando, compro pontualmente alguma coisa que Francisco precisa.

Na semana passada, por exemplo, saí à procura de uma sandalinha para o verão e acabei com um modelo Crocs Otter todo ajustável, de velcro. Não chega a ser um achado, pois cada dinossauro na sandalinha custou uma grana, mas a sola, ao menos, é molinha. Quem teve a idéia de fabricar calçados para bebês com solas duras? Que heresia! Não ajuda nem o aprendizado dos movimentos, nem os pezinhos. Por isso guardei esse link de sapatinhos da Bb Moderno. Quem sabe ainda vou usar.

Descobri que o mundo dos bebês é cheio de mistérios, não existe nenhum endereço que resolva tudo e da melhor forma. Rapidamente, de forma indolor, como eu gostaria. Por isso, pensei em dividir os achados que aos poucos faço e que saem do convencional (Alô Bebê e Ecobaby sempre me salvam, eu seria ingrata se não mencionasse essas lojonas). Aí vai minha primeira listinha:

Lençóis dos sonhos: você encontra o enxoval mais legal na Panacéia. Eu disse o mais legal, não o mais em conta.

Sem cara de bobo: Moshi Kids é tudo de bom. Essa grife para bebês tem bodies do Ultraseven, toy art, roupinhas que deixam seu bebê fofo, mas sem cara de Disneylândia. A lojinha, na rua Harmonia, fica tão escondida que é melhor levar o endereço. Ah, e os preços são bons. Mini-humanos tem várias coleções interessantes. O preço é mais salgado do que eu gostaria. Ronaldo Fraga para bebês: A estampa de bolacha Maria é fantástica. Ah, as roupitchas têm preço de grife Ronaldo Fraga, óbvio. Boas para olhar.

Bazar: Dias 7,8 e 9 tem Baby Bum na 9 de Julho, no antigo Sacre Coeur. Já ouvi falar que o forte não são os precinhos camaradas, mas a diversidade de coisas fofas, descoladas e afins. Acho que vou espiar, sim, se puder.

Comida de bebê: Baby Sol é um site português que se destaca pelo bom senso. Leio ali coisas interessantes, aprendo com os posts. Crianças na Cozinha já é outro papo. Natureba que sou, não encontro muita coisa entre tantas receitas de caldo de carne feito em casa. Mas sei lá, quem sabe daqui a um tempo encontre, já que para os maiorzinhos há várias receitas de cookies, biscoitos e bolos, além de pratos feitos no forno, coisa que adoro.

Julie/Julia ou como comer um blog

Julie/Julia Julie/Julia

Ganhei este livro de aniversário de minha amiga Lu Terceiro e do Daniel Doro. Nesses meus tempos de trocas de fraldas, pouco sono e pouco tempo para lazer adulto, “Julie/Julia”, escrito pela norte-americana Julie Powell, foi meu amigo nos poucos minutos que me sobram antes de cair no sono, passada de cansaço.

Já percebi que um bebê tem ação um pouco anticultural na vida da mamãe que acaba de se tornar mãe. Francisco trouxe um repertório de cantigas de roda e quadrinhas d’antanho muito divertido para minha vida, mas colocou por algum tempo a literatura, os blogs, a culinária, o cinema, a música e quaisquer outros assuntos adultos em segundo, terceiro, quarto e quinto plano. Mandou tudo para plano algum, sendo bem franca. Por isso, o livro de Julie Powell caiu bem nesses tempos de papinhas turbinadas, me conectava com o mundo adulto.

Julie gosta de se apresentar como uma desequilibrada maluca por vodka-tônicas que encasquetou de preparar 524 receitas em 365 dias e narrar suas experiências em um blog.

As receitas vêm de um livro sobre culinária francesa de Julia Child, uma espécie de Dona Benta que tinha um programa de TV nos Estados Unidos popular como o de Ofélia aqui no Brasil.

Julie decidiu cozinhar feito louca depois do trabalho a troco de nada, criou para si um desafio que preenchesse seu vazio existencial. De dia, era secretária de uma repartição pública ligada à reconstrução do Ground Zero, o local onde houve o atentado de 11 de setembro. De noite, encarava coisas fora de moda como extrair o tutano de uma pata de vitelo para fazer uma porcaria chamada Aspic, com ovos incrustrados lá dentro desse mocotó – ciente do despropósito o tempo todo.

O livro de Julia Child ensinou uma geração de donas de casa americanas a cozinhar pratos franceses. Isso na década de 40.
Julie Powell o transformou em uma forma cult de adiar a decisão de ter filhos.

Para mim, Julie/Julia foi uma leitura leve e amanteigada, digamos assim, sobre uma americana porcalhona e perdida na vida que resolveu escrever palavrões em um blog, servir jantares às onze da noite diariamente e canonizar seu marido, tudo simultaneamente.

Fiquei chocada foi com o orgulho que ela sente em contar como não limpava a cozinha, onde nasceram larvas sob o secador de louças. Oh, céus. Lembrei-me do banco traseiro do carro da amiga americana de minha tia, cheio de meias de nylon usadas e embalagens de hamburger to go. Inesquecível a viagem que fiz nesse banco traseiro cheio de lixo. Quando uma americana negligencia a limpeza, ela sabe como ir longe nisso.

Vida de dona de casa é um mistério, me conte como ter tempo para limpar, escovar, cozinhar, brilhar, ler, entreter, receber, meditar e tudo o mais, sem o surgimento de larvas sob o escorredor de pratos.