Filtro otimista/Optimistic filter
Um apagão, uma chuva, um show, um acidente, uma carreta muito alta, uma ponte muito baixa. Um buraco, uma cratera, um protesto, troca de lâmpadas, troca de calçada, inversão da mão. Inúmeros são os motivos que provocam congestionamento em São Paulo. Eles começam cedo, atravessam a tarde, avançam pela madrugada dos baladeiros. Qualquer hora é hora para congestionamento. Nenhuma hora está a salvo.
Hoje foi dia em que a cidade acordou com um apagão e trocentos quilômetros de “vias congestionadas”, como dizem os locutores de rádio. Foi um dia estranho, em que me senti um peixe que nada no território limitado de um aquário.
Atravessar a cidade tornou-se uma decisão: vou ou não vou. Quantas horas levo? Vale a pena? E se eu for de ônibus, metrô, a pé, de bicicleta? Quando é possível, melhor resolver tudo dentro do aquário, digo, no bairro, perto de casa, a caminho do trabalho, nas vizinhanças da escola, na minha região. Ficamos confinados pela falta de tempo, pelos congestionamentos, pelo custo da travessia.
Veja o meu caso: hoje eu podia eleger se adiava ou não uma viagenzinha até o Morumbi, para lá do estádio do Tricolor, longe de onde moro. Adiei, fiquei longe da experiência de ser testada em um congestionamento sob um sol tropical. Um raro prazer de peixe de aquário?