Hoje é dia de deslocamento, vou sair daqui e vou ali, volto já.
Vou sair do conforto de minha opinião formada e vou ouvir um cara que eu sempre considerei muito brega. Ele me lembra calça boca sino, parquinho de diversões na festa da padroeira, fumaça de churrasquinho de gato. O inimaginável, ir a um show do Odair José, é totalmente por conta de Helena Tassara. Ela roda durante esse show parte de seu documentário “Eu vou tirar você desse lugar”, seu primeiro longa-metragem. Minha amiga cineasta diz que o filme, sobre os cantores que eu sempre considerei muito bregas, “trata da censura moral e política, dos preconceitos e patrulhas ideológicas e estéticas que incidiram sobre esses artistas e suas canções durante o auge do período militar”. ”E não interessa o que os outros vão pensar”, como diz o Odair José.
Hoje também é dia de São José. Viva São José! Quem me lembrou foi o cartaz da padaria, é dia de comer zepoli, um doce italiano. Pelo Facebook, aprendi uma mandinga devocional. Tudo isso e ainda é manhã de sábado. Você escreve nomes das frutas que lembrar em um papel. Faz um desejo, brinca de bingo com os papéis e tira uma fruta. Até o ano que vem, no dia de São José, tem de ficar sem comer a tal fruta. Viva São José, que atende os pedidos!
Hoje ainda é dia de Perigeu. A lua vai parecer grande, muito grande, no dia em que sua órbita mais se aproximar de nós. Já sei que vai ser um dia de atmosfera diferente (deslocamentos). Semana passada encontrei uma amiga na fila do restaurante, sábado à noite. Peguei carona em sua brincadeira com os amigos de ler horóscopo pelo iPhone de uma astróloga que deve ser famosa, pela cara que ela fez quando eu perguntei. Susan Miller, a astróloga, prevê uma certa fragilidade no meu ser nesse dia (deslocamentos). Vou me sentir assim não sei direito o que, assim meio esquisita. Mais esquisita.








