Deslocamentos

Hoje é dia de deslocamento, vou sair daqui e vou ali, volto já.

Vou sair do conforto de minha opinião formada e vou ouvir um cara que eu sempre considerei muito brega. Ele me lembra calça boca sino, parquinho de diversões na festa da padroeira, fumaça de churrasquinho de gato. O inimaginável, ir a um show do Odair José, é totalmente por conta de Helena Tassara. Ela roda durante esse show parte de seu documentário “Eu vou tirar você desse lugar”, seu primeiro longa-metragem. Minha amiga cineasta diz que o filme, sobre os cantores que eu sempre considerei muito bregas, “trata da censura moral e polí­tica, dos preconceitos e patrulhas ideológicas e estéticas que incidiram sobre esses artistas e suas canções durante o auge do período militar”. ”E não interessa o que os outros vão pensar”, como diz o Odair José.

Hoje também é dia de São José. Viva São José! Quem me lembrou foi o cartaz da padaria, é dia de comer zepoli, um doce italiano. Pelo Facebook, aprendi uma mandinga devocional. Tudo isso e ainda é manhã de sábado. Você escreve nomes das frutas que lembrar em um papel. Faz um desejo, brinca de bingo com os papéis e tira uma fruta. Até o ano que vem, no dia de São José, tem de ficar sem comer a tal fruta. Viva São José, que atende os pedidos!

Hoje ainda é dia de Perigeu. A lua vai parecer grande, muito grande, no dia em que sua órbita mais se aproximar de nós. Já sei que vai ser um dia de atmosfera diferente (deslocamentos). Semana passada encontrei uma amiga na fila do restaurante, sábado à noite. Peguei carona em sua brincadeira com os amigos de ler horóscopo pelo iPhone de uma astróloga que deve ser famosa, pela cara que ela fez quando eu perguntei. Susan Miller, a astróloga, prevê uma certa fragilidade no meu ser nesse dia (deslocamentos). Vou me sentir assim não sei direito o que, assim meio esquisita. Mais esquisita.

 

 

 

 

 

 

2666, Bolaño

na estrada na estrada

Um bom peso de porta, não fosse boa literatura. Deixei a livraria com o som de uma frase nos meus corredores internos: “Eu mato o Dani se esse livro for chato. Deste tamanho e chato.” Comprei “2666″ por causa de uma resenha bem escrita do Daniel Benevides. Pronto, pensei ao terminar de lê-la, me convenceu. Vou ler. Em tempos de pouco tempo para ler.

E assim foi, aos poucos, o volume pesando na barriga em madrugadas de verão. A primeira parte, uma intriga na corte do mundo acadêmico, uma coisa intelectualóide, rococó. A segunda, quase insuportável de ler, mesmo para quem já viu filme de Tarantino, a mesma crueza de açougue ao falar de crimes e narcotráfico na fronteira do México com Estados Unidos. Uma última parte surpreendente.

Foi assim que 2666 não virou peso de porta. Assim que terminei, foi emprestado, o amigo com uma urgência de quem tivesse lido a resenha. E não leu.

Sem o campo assunto

Prato Feito Prato Feito

Email = idade avançada

Se você usa o Facebook e SMS para conversar, você faz o mesmo que os jovens, que trocaram o email por algo mais imediato. Email demora, a nova geração quer interagir em tempo real. Deu no New York Times.

De olho na tendência, Facebook nem tem mais o campo “assunto” em mensagens. Sem assunto.

Eu? Eu gosto mesmo é dos botões “gostei” e “compartilhar”. Papai Noel, quero esses botões aqui.

Sem assunto, me despeço de 2010. Salve 2011!

Webjornalismo

webjornalismo

Magaly Prado lança o livro Webjornalismo sobre “a troca de informações em rede”, como explica na dedicatória, com a ressalva de que “jornalismo é jornalismo em qualquer plataforma”. Certo.

Sempre muito antenada, ela resolveu um enigma que eu mesma já tive de encarar: como falar sobre internet, como escrever sobre internet, sem que o livro fique velho e datado? Sim, porque texto sobre internet é mais perecível que alface e peixe no verão.

Pois essa imagem acima, um código de resposta rápida (quick response code), promete resolver a questão: por meio de um leitor que você baixa no celular, é possível chegar aos links citados em todos os capítulos, fazendo com que o livro dê um salto para o mundo digital, onde é possível renovar tudo incessantemente.

Puxa, Magaly, sensacional. “Não é? E se eu falo de uma foto, que não está no livro, você pode ver a foto pelo link.” E muita gente já usou esse recurso? “Não.”

QR Code, “um selo integrador de mídias”, muito modernex. Você baixa o trequito do Reader Kaywa no celular, aponta para a imagem e …bingo! Ainda não fiz o experimento. Ih… Nem li o livro, que terá de esperar uma brecha na minha corredeira de fim do ano, só xeretei transversalmente, coisa mais digital de se fazer.

Quis logo registrar aqui o projeto, que fala da prática de jornalismo em épocas bicudas, de “hibridização de tecnologias e linguagens”, “buzz” e “leitura rizomática”. Parece difícil e é mesmo.

Magaly mapeia o tamanho da confusão: fim do diploma de jornalista, “streaming”, “jornalistas multitarefeiros”, “lógica do touch”… Uma pedreira esse caminho, para quem ainda tem de se situar. E é bom saber tudo isso antes de se jogar na produção. Não é?

Yoga é bom

Good morning, Ganesh Good morning, Ganesh

Quem disse que as boas intenções vêm todas no início do ano?

Voltei a praticar Iyengar Yoga.

Blog do Iogue: o blog do Sandro, meu professor, é bem bacana.

O post mais recente que leio hoje cita Gurdjieff para começar: “O corpo e a alma são interconectados e é impossível curar um deles quando a causa da doença reside no outro.”

Beatles no meu quintal

balao Almost lost her mind

A quem interessar possa, eu não fui ao show do Paul McCartney e fiquei bem passada de vontade de ir.

Eu curti o congestionamento do show cidade afora, eu li um tweet fofo que dizia “Sim, o rock não morreu, ele vem a São Paulo raramente e seu show custa uma fortuna”, algo assim.

Comemorei também por tabelinha o êxtase dos amigos que foram aos shows, os que foram com seus filhos descolados, os que esperaram a vida toda por esse momento e os amigos músicos que sentenciaram: “Macca é tudo”.

Acho Beatles bons demais. Acho alguns refrões enjoativos porque, também, peraí, nada resiste ao bate e enxuga do tanque das razões comerciais.

But she loves you yeah yeah yeah fala de mim.

Should I stay or should I go? Part 2

Should I stay or should I go? Should I stay or should I go?

“Le Clash”, do artista Anri Sala, usa o prédio da Bienal como caixa de ressonância. Um rock pesadão da banda Clash, direto do punk rock, suaviza-se com a passagem do tempo e vai parar na caixinha de música.

Voltei à instalação e continuo gostando cada vez mais dessa reflexão que pertence ao núcleo sobre memória e esquecimento.

Também eu dancei muito ao som de “Should I stay or should I go“.

Meu clube, como esse que o artista frequentava em Bordeaux, também fechou e virou ruína e também para mim o tempo suavizou o riff.

Should I stay or should I go?

the cure the cure

Come on and let me know….

Na Bienal: “O interior de uma casa de shows de punk rock desativada em Bordeaux, na França, converte-se na fonte amplificada de trechos da canção Should I Stay or Should I Go?, da banda inglesa The Clash, que dá nome à obra. Os anos se passaram, mas a música, agora suavizada e nostálgica, prossegue repercutindo no prédio e nos moradores da cidade. Na Bienal, a ideia de uma memória suspensa num lugar e naqueles que o habitam ganha delicado dispositivo de ativação. Uma pequena caixinha de música instalada sobre a vidraça do Pavilhão ecoa baixinho as mesmas notas entoadas no vídeo. O resultado sonoro é sutil, demanda a aproximação do corpo, mas a metáfora acústica toma a exposição por inteiro.”

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=2FE9GeBJ8gg[/youtube]

Mais:

Metropolis de Fritz Lang na grama

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=5YE-mWtDIMk&feature=player_embedded[/youtube]

Metropolis, do Fritz Lang, projetado no parque do Ibirapuera, me fez lembrar de como estar em São Paulo pode ser gostoso.

Expressionismo no cinema mudo de 1927 contra a parede do Auditório do Ibirapuera, ao som da Jazz Sinfônica, do ponto de vista de quem estava deitada no gramado, confortavelmente lendo as legendas (a partir do primeiro intervalo, quando me sentei mais ou menos na sexta fileira de gente em frente à harpa). O Renato, que ainda teve vontade de fazer alguma coisa e fez esse vídeo, viu comigo o morcego sobrevoar o público e um amigo por perto gritar: “É 4D”. Fritz Lang tem esse jeito Doutor Mabuse de ser.

Dizem que 10 mil pessoas foram ao parque, o que me valeu uma excursão noturna pelo Autorama para estacionar o carro e uma apresentação ao reduto gay em pleno vapor no domingo à noite – um mix transcultural, de quebra.

A cópia restaurada com 25 minutos a mais foi exibida pela primeira vez na América Latina na 34ª Mostra de Cinema Internacional, o que me fez lembrar que eu estive na fila da primeira mostra e viajar em outro filme, esse bem interior.

Mais

  • Você sabia que a Thea von Harbou, que escreveu o livro em que Metropolis foi baseado, não é a loira de olhos esbugalhados que faz o papel de Maria? Aquela é Brigitte Helm.

Começo de primavera

(s)em foco (s)em foco

Uma comemoração sem fim aqui dentro de mim.

Uma amiga tem uma boa notícia.

Parece que finalmente começa a nova estação.

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