Duas considerações sobre o texto depois do blog. A primeira, inspirada por um comentário de Chris Anderson, editor da Wired, e a segunda, por Lea Woodward, que mantém o blog Location Independent, sobre pessoas que decidem viajar e trabalhar a partir de qualquer lugar do mundo, longe da luz fluorescente dos escritórios.
O blog arruinou meu texto

Na noite do domingo, entretida com a leitura dos meus feeds, achei a entrevista de Anderson para o livro “Blogging Heroes: Interviews with 30 of the World’s Top Bloggers”, que ainda será lançado. A estratégia para divulgá-lo foi permitir a cada um dos 30 blogueiros top do mundo (uhu, isso sim é vip) publicar seu capítulo no endereço pessoal.
Quem me avisou sobre os capítulos disponíveis foi um post da Luciana Terceiro, que hoje vi replicado em outros blogs e comentado no Twitter. Todo mundo quer ler Chris Anderson, autor do livro “The Long Tail” (Cauda Longa, como ele batizou a curva desenhada no gráfico pela pulverização de temas e nichos no mercado). Nessa entrevista, Anderson comenta que o blog arruinou seu texto para a revista:
“By the way, I find blogging ruins me for magazine writing. It’s difficult to write for magazines right now, which is ironic given that I’m a magazine editor. It’s difficult because magazines are a kind of one-size-fits-all product, and the audience is large, with differing interests. You have to write something that tries to satisfy all of [your readers] or many of them, whereas a blog is very self-selecting. If you’re interested in what I have to say, fine. If you’re not, that’s great—go somewhere else.”
Ele comenta que a revista precisa atingir o grande público e o blog é auto-seletivo. Se o leitor não está interessado no que ele tem a dizer, tudo bem, segue seu caminho e acabou-se a preocupação do autor. Acho que ele fala mais de liberdade do que de estilo, afinal, o leitor insatisfeito também abandona a revista, mas como funcionário de uma empresa, a reação não pode ser igualmente bem-vinda. Deve ser isso. Anderson também comenta como foi proveitosa a experiência de escrever “The Long Tail” junto com os leitores, de forma colaborativa. Acho que ele se refere ao prazer de ter interlocutores, ao resultado que é sempre melhor quando se tem um grupo que trabalha feliz e com generosidade pelo melhor resultado.
Blogo em cenários paradisíacos
Lea Woodward é para mim essa foto:

Você tira a Lea e coloca a Ana e tem idéia da visão que eu tive no início de 1999, enquanto mergulhava em um rio limpinho durante o verão, a poucos quilômetros da praia. Meses depois eu começava a trabalhar na web, para a web, em novos projetos web etc. Na época em que avistei essa miragem, não havia conexão sem fio, mas eu sabia que ela chegaria. A linha discada tornava impossível ser LIP, como diz Lea, Location Independent Professional (Profissional Independente de Local).
Guardei a visão: trabalhar na web pode ser algo portátil. Ainda não sou LIP, ainda dependo de local, mas Lea diz que tem algumas dicas. Ela escreveu um livro, lançou um vídeo, criou um blog e senta em coqueiro na área “quem sou eu” de seu blog graças às dicas. Uma visita superficial ao endereço não revela dicas tão preciosas assim. As cinco orientações básicas poderiam estar em qualquer guia de viagem.
Cá entre nós: o segredo, que ela não conta de cara, é ser pioneiro em uma determinada trilha. A trilha começa como picada, estreita, tortuosa, quase invisível. À medida em que se torna popular e o segredo se espalha, ela vira avenida e perde o valor.