Arquivo da categoria: urbanismo

Beco do Batman

Beco do Batman Beco do Batman

É oficial: o Beco do Batman tornou-se objeto de estudo e foi promovido oficialmente a mural de arte ao ar livre.

Estivemos lá eu e Francisco, 4 anos em alguns dias, que adora o Beco do Batman desde muito pequeno. Mal aprendeu a falar e já pedia para passar ali antes ou depois da escolinha. Como eu, adora acompanhar a transformação do lugar. Os grafites sazonalmente são substituídos.

Enquanto admirávamos os dois trabalhos mais toscos do pedaço, eleitos pelo meu filho como os de destaque do momento – duas pedrinhas pintadas singelamente com caretinhas, que impedem que os carros estacionem na calçada – vimos chegar um grupo de turistas. Insólita situação. Beco do Batman sempre foi um canto. Agora é ponto turístico.

Eram estudantes. Pranchetas na mão, ouviam explicações de uma guia-professora. Passaram rapidamente, nem tiveram tempo de escolher o que era mais legal. Pressa. Deixaram palavras soltas: cidade mais humana, São Paulo…

Os novos grafites

Dois tocos de pedra com caretas. Francisco elegeu os grafites mais toscos como os mais legais. Apelidamos os paralelepípedos cimentados na calçada de Cabeça-Dura e Cabeça-Linda. Ele, claro, era o Cabeça-Linda.

Voltaremos outras vezes. Quem sabe, para uma cidade mais humana.

Occupy Wall Street

Liberty Street Liberty Street

Tenso o clima lá em Liberty Plaza, viu? Disse que ia espiar e contava, pois bem: um desses guindastes de consertar poste de luz abriga uma estação policial que tudo acompanha. Nada fica barato, vai tudo para os arquivos. Aliás, vi mais câmeras ali que em entrevista coletiva. Uma grande ágora (como andam dizendo) midiática.

Em Wall Street propriamente dita, mais tensão ainda. Tudo bloqueado, guardas na frente dos bancos, uma turista advertida porque parou para fotografar (não fui eu, estava ciente do climão). Circulando, circulando, ralhou o policial.

Tenso. Ainda mais com o Marco Zero ali ao lado, com as lembranças pesadas.

Acabo de ver no site .org que hoje que hoje foram retirados geradores de energia. Polida, mas decididamente.

No aeroporto vi um homem de terno puxando sua malinha de mão preta-executivo-padrão que exibia adesivos em todas as faces: 99%. Eles usam terno também.

Não deixo aqui nenhuma conclusão, só registro essa impressão de força na surdina, de tensão não expressa, contida.

Melim pós Cidade Limpa: o olho agradece

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São Paulo baniu os outdoors do Minhocão, os letreiros que cobriam a fachada das lojas e minimizou os logotipos com a lei da Cidade Limpa. Um artista, Tony de Marco, o pixotosco, até ficou famoso com uma serie de fotos chamada No Logo, que rodou museus da Europa sob o impacto do vazio instaurado há quatro anos pela lei, especie de lei seca para a publicidade em espaços públicos. Pois o jogo mudou: uma galeria de arte, Choque Cultural, com o patrocínio de uma companhia aerea, ocupa esse vazio deixado pelo logos com um painel bonitão, de 25 m x 33 m, em prédio da Avenida Prestes Maia. É marketing, mas é mkt de outro jeito. A publicidade encontra um caminho e ele é criativo, veja só.

Daniel Melim cita Roy Lichtenstein. Acrescenta-se mais uma camada a essa reflexão visual, que envolve arte, mercado, urbanismo e até “serendipity”, palavra difícil de traduzir, coincidência ou engano fortuito em uma troca de emails que leva a este post.

Quatro meses

O painel de Melim fica por quatro meses em frente à adorável Pinacoteca do Estado, em diálogo com sua vetusta arquitetura, os jardins do parque mais antigo da cidade, os trens e tudo o mais.

Leio no press release: “Em sua obra constam a participação no Cans Festival, evento de arte organizado por Banksy em um túnel de Londres em 2008, Bienal de Valência em 2007, a exposição coletiva De dentro para fora/ De fora para dentro, no MASP entre 2009 e 2010, além do Projeto Jardim Limpão”  - um trabalho em um bairro inteiro em São Bernardo do Campo, de ocupação de um morro com a participação dos moradores.

O olho da gente agradece. Adoro os grafites de SP.

 

Riachos perdidos que podem voltar a céu aberto

luz luz

Um riacho corta o quarteirão do meu prédio ao meio. Nada se vê dele, apenas uma nesga que às vezes é terreno baldio, às vezes é cimentada, às vezes foi invadida pela área de lazer dos condomínios chiques e até mesmo por um estacionamento de trios elétricos (!!!).

Descobri esse riacho durante a Feira da Pompéia, quando encontrei o arquiteto César Augusto Sartorelli, que conheço dos nossos tempos de USP, em uma barraquinha da Prefeitura. Ele divulgava o projeto Riachos Perdidos, que mapeou riachos e fontes/nascentes da bacia da Pompéia (que vai da Avenida Sumaré à Vila Romana), conforme me explicou em um papo rápido por e-mail:

A idéia é deixar a água novamente a céu aberto?

Sim.

É possível isso?

Sim, desde os anos 70 já acontece nos EUA, Canadá, Europa, Japão.

E todas as fundações feitas ao lado da canalização, como ficam?

O rio continua lá. Se afetasse as fundações já o teria feito.

Será que haverá um dia um riacho a cortar essas quadras todas aqui do bairro?

Sonho com isso. Sim, haverá.

Harmonia com fachada ecológica e projeto Triptyque

farm farm

Você sente o cheiro do século 21 quando visita o número 57 da Harmonia, na Vila Madalena.

O projeto do escritório de arquitetura Triptyque recobriu com flores, samambaias e trepadeiras as paredes da fachada. Canos verde-limão aparentes irrigam as plantinhas. Durante minha breve visita, não tive oportunidade de verificar se o visitante sai molhado ou não caso esteja por perto. Detalhe irrelevante, gostoso foi encontrar por acaso, durante uma caminhada, o projeto que havia visto em revistas de arquitetura.

Ali funciona uma loja da grife carioca Farm, de roupas felizes e confortáveis. E caras, logicamente. Há um bazar no terceiro andar onde, quem sabe, você possa encontrar algo com preço viável. Não sei, não xeretei nada. Gostei de uns adesivos para carro. Flores coloridas. Coisa extremamente frufru, de mulherzinha, bem teen, bem pop. Nunca me ocorreria uma coisa dessas, mas hoje, justamente, vi na rua um carro assim paramentado. Alguém já tomou a iniciativa.

O achado do projeto Tryptique (gostoso falar isso) ocorreu bem cedo, antes das 10h. Quando todo o comércio da Vila Madalena estava fechado, a casa do século 21 já respirava e me recebeu com simpatia.

Falando nisso, há cartazes lambe-lambe em algumas das paredes da Harmonia 57 com palavras na tipografia especial do Profeta Gentileza, andarilho que escrevia sob os viadutos do Rio de Janeiro.

Gostei dessa modernidade toda, gentilezas acessórias, conceitos básicos, um ótimo começo para um dia de outono.

Nas redondezas do Largo da Batata

Alfaiataria Alfaiataria

Adoro bairros com vida, com personalidade, com gente na rua.

Nas redondezas do Largo da Batata ainda resistem trechos bem vivos. Encontrei moradores antigos, hábitos antigos, registros de um jeito de fazer as coisas que não se usa mais. Em breve, o movimento de uma nova estação de Metrô vai transformar o ritmo desse pedacinho de São Paulo. Não há largo, não há praça, há muitos anos que o lugar não tem mais o mercado, não há mais batata.

Das Park: um hotel que usa tubulões de cimento

Em Ottensheim, cidade austríaca às margens do Danúbio, prossegue até outubro uma experiência diferente de hospedagem, criada pelo designer Andreas Strauss. É dirigida a espíritos e bolsos despojados. O Das Park Hotel oferece lençóis, cobertor, cama de casal e uma tomada para recarregar eletrônicos e em troca pede aos hóspedes que paguem somente o que acharem que devem pagar, de acordo com o tempo de uso do hotel e de suas possibilidades.

Das Park

Como banheiro, chuveiro e lanchonete pertencem ao parque onde estão os quartos, tudo é muito minimalista. Segundo o criador do projeto, que funciona entre maio e outubro pelo terceiro ano, o Das Park Hotel é uma forma barata de hospedagem que oferece uma experiência de aconchego em um espaço público.

Depois de fazer a reserva, o interessado recebe or e-mail a senha para trancar o quarto e usar o local de armazenagem disponível dentro de um dos três tubulões.

Das Park Hotel

Tem gente experimentando coisas diferentes, comentam aqui em casa. É um experimento para outra cultura, outro hemisfério, penso com meus botões. Começa com um e-mail e termina com elegância. Acho que por aqui não daria muito certo, a começar pelo pagamento da hospedagem. O hóspede deixa a soma no quarto antes de sair.

Dica do Pan-Dan, via Luciana Terceiro.

On the road

Viajarei para o interior de São Paulo, onde não chove há tanto tempo que a paisagem ficou mais amarelada, apesar do mar verde criado pelos canaviais. É o retrato do etanol brasileiro coberto de pó pela estiagem. Ainda é tempo de colheita de cana e há “treminhões” nas estradas – caminhões biarticulados, às vezes triarticulados, uma espécie de container sobre rodas que singra a terra seca e o asfalto esburacado das estradinhas municipais.

Esse papo bucólico todo é o que verei do dia sem carro em São Paulo. Perderei todo o movimento e estarei… na estrada. Para quem fica em São Paulo, é bom lembrar que é uma experiência: neste sábado, dia 20, deixar o carro na garagem e usar os pés, o transporte público ou a bicicleta para circular.

Veja a programação.

Sugestões que recebi e que eu toparia:

1- Fazer o circuito de ateliês da Vila Madalena. Sugestão de Beth Lima, que organiza o Arte na Vila.

Dia sem carro

2- Espiar a Casa da Xiclet, uma artista que transformou a própria casa em galeria e que depois dessa primeira sacada já fez muitas coisas. Ela inaugura às 20h do dia sem carro a mostra “Mercoseca”, que fica até 10 de outubro na rua Fradique Coutinho, 1.855. O preço é R$ 5 e R$ 10 ( “com direito ao cataloguim” , segundo a divulgação). Quem avisa é um amigo de Flickr, Felipe Fatarelli (FOTO). Participam os artistas:

Jeff Anderson e Eloir Santos , João Maciel, Felipe Luiz Fatarelli , Oriovaldo, Erik Thurm, Fabiana Arruda, Adriana Duarte, Cassiano Reis, Elisa Queiroz, Monika Jung, Monique Allain, Carlós Amorim, Adelaide Ivánova, Jailtão, Letícia Tonon, Rodger Savaris, Ricardo Guidara, Alexandre Matos, Luisa Dória, André Sztutman, Fernanda Figueiredo e Eduardo Mattos, Rafael Aboud Piovani, Jack Mugller, Tarik Klein , Maura Grimaldi, Victor Freitas, Luciano Cardoso, Caio Amaral Falcão, Breno Zylbersztajn, Jan Nehring, Henrique César, Deni L. Bill.

Felipe Mercoseca

Enquanto isso, meu papo é totalmente off-line com o menino da porteira…

Tony de Marco sem logo no filme de Wim Wenders

Fotos do Tony de Marco sobre a retirada dos outdoors depois da lei da Cidade Limpa em São Paulo estarão no novo filme de Wim Wenders, fico sabendo pela Ilustrada. Superduper, Tony. No Flickr, ele exibe a série de fotos no set No Logo.

Tony de Marco sem logo no filme de Win Wenders

Foto: Tony de Marco

“Eu fotografei as maiores placas para todo mundo entender o tamanho da encrenca. Isso era um inferno visual”, diz o artista, ao apontar a cidade da janela de seu apartamento na zona sul”, na entrevista da Ilustrada.

Wim Wenders é um dos meus favoritos, eternamente. Ele filma “The Palermo Shooting”, sobre um fotógrafo em crise existencial. Tony também é um favorito. Figuraça. Entre suas muitas artes, na qual se inclui a linda revista Tupigrafia, ele criou um tapetinho que controla a projeção de imagens digitais, de forma que quando a gente dança sobre o tapete, edita o que é projetado.

Barraquinhas de idéias

A 20ª Feira da Pompéia foi um mercadão de tendências e diversidade que raramente afloram no tecido social e na trama da cidade. Achei muito saudável a venda de idéias em barraquinhas brancas, padronizadas, uma interessante forma de dispor conceitos.

A Arte em Pneus, que transforma pneus usados em mobiliário descolado e ecológico, fala em 5 erres: reeducação, repensar a adequação dos resíduos, redução do consumo, reutilização e reciclar quando não é possível reutilizar ou reduzir.

Arte em pneus

O movimento Defenda São Paulo divulga um abaixo-assinado contra o barulho dos helicópteros. Durante a feira, procurou mobilizar o bairro contra a verticalização de Vila Romana, lembrando em uma filipeta: “É a última chance de inteferir na elaboração do Plano Diretor”. Uma das propostas é mexer no zoneamento de forma a abrir ao público áreas verdes dos megacondomínios.

Defenda SP

Achei as caixinhas de marchetaria do Projeto Pinóchio tudo de bom. O projeto é desenvolvido pela Comunidade Cultural Quilombaque, em Perus, fone (11) 3918-8259, com o mote de inclusão social e reciclagem de madeira.

Quilombaque

Outra barraquinha que me chamou atenção foi a da ONG Vira-lata é dez, adote um.

Quantas boas idéias secando ao sol :D

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