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Nas redondezas do Largo da Batata

Alfaiataria Alfaiataria

Adoro bairros com vida, com personalidade, com gente na rua.

Nas redondezas do Largo da Batata ainda resistem trechos bem vivos. Encontrei moradores antigos, hábitos antigos, registros de um jeito de fazer as coisas que não se usa mais. Em breve, o movimento de uma nova estação de Metrô vai transformar o ritmo desse pedacinho de São Paulo. Não há largo, não há praça, há muitos anos que o lugar não tem mais o mercado, não há mais batata.

Das Park: um hotel que usa tubulões de cimento

Em Ottensheim, cidade austríaca às margens do Danúbio, prossegue até outubro uma experiência diferente de hospedagem, criada pelo designer Andreas Strauss. É dirigida a espíritos e bolsos despojados. O Das Park Hotel oferece lençóis, cobertor, cama de casal e uma tomada para recarregar eletrônicos e em troca pede aos hóspedes que paguem somente o que acharem que devem pagar, de acordo com o tempo de uso do hotel e de suas possibilidades.

Das Park

Como banheiro, chuveiro e lanchonete pertencem ao parque onde estão os quartos, tudo é muito minimalista. Segundo o criador do projeto, que funciona entre maio e outubro pelo terceiro ano, o Das Park Hotel é uma forma barata de hospedagem que oferece uma experiência de aconchego em um espaço público.

Depois de fazer a reserva, o interessado recebe or e-mail a senha para trancar o quarto e usar o local de armazenagem disponível dentro de um dos três tubulões.

Das Park Hotel

Tem gente experimentando coisas diferentes, comentam aqui em casa. É um experimento para outra cultura, outro hemisfério, penso com meus botões. Começa com um e-mail e termina com elegância. Acho que por aqui não daria muito certo, a começar pelo pagamento da hospedagem. O hóspede deixa a soma no quarto antes de sair.

Dica do Pan-Dan, via Luciana Terceiro.

On the road

Viajarei para o interior de São Paulo, onde não chove há tanto tempo que a paisagem ficou mais amarelada, apesar do mar verde criado pelos canaviais. É o retrato do etanol brasileiro coberto de pó pela estiagem. Ainda é tempo de colheita de cana e há “treminhões” nas estradas - caminhões biarticulados, às vezes triarticulados, uma espécie de container sobre rodas que singra a terra seca e o asfalto esburacado das estradinhas municipais.

Esse papo bucólico todo é o que verei do dia sem carro em São Paulo. Perderei todo o movimento e estarei… na estrada. Para quem fica em São Paulo, é bom lembrar que é uma experiência: neste sábado, dia 20, deixar o carro na garagem e usar os pés, o transporte público ou a bicicleta para circular.

Veja a programação.

Sugestões que recebi e que eu toparia:

1- Fazer o circuito de ateliês da Vila Madalena. Sugestão de Beth Lima, que organiza o Arte na Vila.

Dia sem carro

2- Espiar a Casa da Xiclet, uma artista que transformou a própria casa em galeria e que depois dessa primeira sacada já fez muitas coisas. Ela inaugura às 20h do dia sem carro a mostra “Mercoseca”, que fica até 10 de outubro na rua Fradique Coutinho, 1.855. O preço é R$ 5 e R$ 10 ( “com direito ao cataloguim” , segundo a divulgação). Quem avisa é um amigo de Flickr, Felipe Fatarelli (FOTO). Participam os artistas:

Jeff Anderson e Eloir Santos , João Maciel, Felipe Luiz Fatarelli , Oriovaldo, Erik Thurm, Fabiana Arruda, Adriana Duarte, Cassiano Reis, Elisa Queiroz, Monika Jung, Monique Allain, Carlós Amorim, Adelaide Ivánova, Jailtão, Letícia Tonon, Rodger Savaris, Ricardo Guidara, Alexandre Matos, Luisa Dória, André Sztutman, Fernanda Figueiredo e Eduardo Mattos, Rafael Aboud Piovani, Jack Mugller, Tarik Klein , Maura Grimaldi, Victor Freitas, Luciano Cardoso, Caio Amaral Falcão, Breno Zylbersztajn, Jan Nehring, Henrique César, Deni L. Bill.

Felipe Mercoseca

Enquanto isso, meu papo é totalmente off-line com o menino da porteira…

Tony de Marco sem logo no filme de Wim Wenders

Fotos do Tony de Marco sobre a retirada dos outdoors depois da lei da Cidade Limpa em São Paulo estarão no novo filme de Wim Wenders, fico sabendo pela Ilustrada. Superduper, Tony. No Flickr, ele exibe a série de fotos no set No Logo.

Tony de Marco sem logo no filme de Win Wenders

Foto: Tony de Marco

“Eu fotografei as maiores placas para todo mundo entender o tamanho da encrenca. Isso era um inferno visual”, diz o artista, ao apontar a cidade da janela de seu apartamento na zona sul”, na entrevista da Ilustrada.

Wim Wenders é um dos meus favoritos, eternamente. Ele filma “The Palermo Shooting”, sobre um fotógrafo em crise existencial. Tony também é um favorito. Figuraça. Entre suas muitas artes, na qual se inclui a linda revista Tupigrafia, ele criou um tapetinho que controla a projeção de imagens digitais, de forma que quando a gente dança sobre o tapete, edita o que é projetado.

Barraquinhas de idéias

A 20ª Feira da Pompéia foi um mercadão de tendências e diversidade que raramente afloram no tecido social e na trama da cidade. Achei muito saudável a venda de idéias em barraquinhas brancas, padronizadas, uma interessante forma de dispor conceitos.

A Arte em Pneus, que transforma pneus usados em mobiliário descolado e ecológico, fala em 5 erres: reeducação, repensar a adequação dos resíduos, redução do consumo, reutilização e reciclar quando não é possível reutilizar ou reduzir.

Arte em pneus

O movimento Defenda São Paulo divulga um abaixo-assinado contra o barulho dos helicópteros. Durante a feira, procurou mobilizar o bairro contra a verticalização de Vila Romana, lembrando em uma filipeta: “É a última chance de inteferir na elaboração do Plano Diretor”. Uma das propostas é mexer no zoneamento de forma a abrir ao público áreas verdes dos megacondomínios.

Defenda SP

Achei as caixinhas de marchetaria do Projeto Pinóchio tudo de bom. O projeto é desenvolvido pela Comunidade Cultural Quilombaque, em Perus, fone (11) 3918-8259, com o mote de inclusão social e reciclagem de madeira.

Quilombaque

Outra barraquinha que me chamou atenção foi a da ONG Vira-lata é dez, adote um.

Quantas boas idéias secando ao sol :D

Da lama ao Jardim da Luz

O Jardim da Luz é poesia para a falta de rima dos condomínios fechados, portarias e crachás de identificação. Houve o desejo, depois um esforço. Isso bastou para que a ferida na urbanidade cicatrizasse. É a história de um parque que foi da lama à luz.

Jardim da Luz

Vocação para a claridade, um tanto de inspiração, outro de vontade política mais o financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) trouxeram o Jardim da Luz de volta à geografia de São Paulo. Degradado, degradante, ele não tinha mais luz. As pessoas que passavam por lá tinham desistido de sonhar, olhavam para o chão, não notavam os bichos-preguiça na copa das árvores centenárias. Território do crack e da prostituição, o jardim estava quase morto para a cidade.

Exuberante, o Jardim da Luz saiu da prostração. Tem canteiros de rosas, lagos renovados, esculturas, policiamento, limpeza e muita gente. Vida. Prostitutas e gigolôs convivem com os estudantes que vão ao Museu da Língua Portuguesa e os visitantes das boas exposições da Pinacoteca. Imigrantes coreanos, sul-americanos e turistas europeus emprestam tons variados a esta colagem de tipos.

Criado em 1798 como um Jardim Botânico, o parque é de um tempo em que a capital era tão pequena que ele ficava em seus arredores. Hoje está no centro, perto do coração. Foi pasto para o gado, perdeu parte das terras em 1860 para os trilhos da Ferrovia São Paulo Railway e entrou no século 20 como um lugar sofisticado para ver e ser visto aos domingos.

Foi esse momento que meu avô Francisco guardou na memória. Na década de 20, ele tirou foto de terno e chapéu com um lambe-lambe. Até 1974, revela um estudo de Rubens Fernandes Júnior, havia ainda oito fotógrafos lambe-lambe no parque. Não há mais nenhum. Os bichos-preguiça ficaram. No sábado, um gavião devorou uma sabiá no ninho, diante do olhar atônito dos visitantes.