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Outubro rosa: prevenção é uma boa ideia

Outubro Rosa chegou Outubro Rosa chegou

Câncer de mama é um assunto seu. Mesmo que você seja homem.

Convivo com mulheres em tratamento. Vai dar tudo certo e vamos continuar a rir nas festinhas de nossas crianças por muitos anos. Câncer de mama tem tratamento e se for detectado no estágio inicial ele será menos invasivo e as chances de recuperação total serão enormes.

Outubro Rosa

Outubro Rosa é uma campanha para lembrar que prevenção é prioridade. Aprendi bem essa lição quando trabalhei na comunicação do Hospital A.C Camargo, um grande centro de pesquisa de Oncologia. Prevenção e exames periódicos fazem toda a diferença.

A campanha Outubro Rosa é aquela que “pinta” de rosa vários marcos arquitetônicos durante este mês – Cristo Redentor, no Rio, e Congresso Nacional, em Brasília. A campanha  milita por políticas públicas que tornem acessíveis a todas as brasileiras exames de prevenção. Mamografia é o principal deles, mas nem sempre é suficiente, outros exames podem ser necessários.

Acontece que havia até outro dia uma “cota” de mamografias que os hospitais podiam usar a cada mês, azar de quem chegasse depois de esgotada. Já não é mais assim, mas há quem more longe de qualquer hospital. Como atingir essa fatia da população? Entre o diagnóstico e o início do tratamento, dias fazem toda a diferença, o câncer aumenta de tamanho em dois meses. Como agilizar a autorização para tratamento? E se o paciente não consegue realizar o tratamento a cada três semanas porque o governo repassa o pagamento apenas a cada quatro?

Mais: como fazer com que você, que tem todo o acesso e condições, não “esqueça” de se cuidar? Perguntas assim valem uma briga.

Fatores de risco

Tabagismo, uso de hormônios (TRH – terapia de reposição hormonal), ingestão de álcool, primeira menstruação quando a menina é muito jovem, menopausa em idade mais tardia, gravidez em idade cada vez mais tardia, excesso de peso. Ouvi da doutora Maira Caleffi, médica que coordena a campanha Outubro Rosa, que 90% dos cânceres de mama não têm fatores hereditários implicados.

No site da Femama, organização que ela dirige, você lê:  ”O câncer de mama é hoje um grave problema de saúde pública. É a neoplasia que mais mata mulheres no Brasil, sendo a principal causa de mortalidade de mulheres em idade fértil. A cada ano, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), cerca de 50 mil novos casos de câncer de mama são diagnosticados no país.”

Pelo Inca, você aprende nesse folder bem simplicado:

  • “Prevenção do câncer de mama significa diminuir o risco de a mulher apresentar a doença durante toda a sua vida. A prevenção consiste na eliminação ou diminuição da exposição aos fatores de risco.

 

  • Por meio da alimentação saudável, atividade física e do controle do peso corporal, é possível evitar 28% dos casos de câncer de mama. Consumo excessivo de álcool, uso de contraceptivos orais, excesso de peso, principalmente na pós-menopausa, e terapia de reposição hormonal aumentam o risco de câncer de mama.

 

  • A Terapia de Reposição Hormonal (TRH), principalmente a terapia combinada de estrogênio e progesterona, está associada com aumento do risco do câncer de mama. A cada 10 mil mulheres que fazem uso da reposição hormonal combinada, há aumento de oito casos de câncer de mama. Assim, a sua indicação deve ser discutida com o médico. Nas situações em que a TRH é realizada o risco elevado de desenvolver câncer de mama diminui progressivamente após a sua suspensão.

 

  • A exposição excessiva à radiação ionizante (Raios-X) aumenta o risco de câncer de mama.

 

  • A amamentação exclusiva até os seis meses diminui o risco de câncer de mama.”

É contigo

Reparou que obsesidade e tabagismo são fatores de risco? Hum? Resumindo: cuide-se.

Dia sem carne

papinha papinha

Sem carne às segundas-feiras contra o aquecimento global. A proposta é que as pessoas não comam carne na segunda-feira. O lançamento da campanha será dias 3 e 4 de outubro, no Parque do Ibirapuera.

Quem me avisou foi o Laurent Rains. No fundo da memória remexeu-se uma lembrança de alguma celebridade hollywoodiana gastando suas fichas para convencer as pessoas a aderirem. Não sei quem.

Mudar um hábito é tão difícil. Mudar um hábito alimentar por uma motivação racional é coisa para poucos. Experimente fazer dieta. Experimente ficar proibido de comer chocolate. Vem uma vontade absurda de comer chocolate. Se você adora um bife, experimente parar de comer picanha só porque leu uma reportagem. Vai salivar loucamente quando o bifão passar exalando seus odores sob o seu nariz.

Eu, que tenho aversão a cheiro de carne e acho cheiro de picanha no fogo enjoativo para caramba, achei estranha essa ideia da campanha contra a carne. Será que funciona?

Não como carne desde a adolescência porque não gosto. Assim fácil. Sem camadas de ideologia em cima é mais fácil não salivar, mudar o hábito alimentar, comer de forma mais saudável etc.

Goste ou não do bifão, vale a pena uma segunda sem carne. Passe lá no blog Dia sem Carne para saber mais.

Programação

“Na Marquise do Parque haverá um caminho com grandes fichas coloridas, espécie de jogo, onde estarão dispostas informações, receitas e muito mais. As pessoas serão convidadas a percorrer o caminho de tijolos coloridos e entrar em quatro estações temáticas dispostas por este caminho: meio ambiente, ética, saúde e novos sabores.

Haverá exibição de filmes e palestras e apresentação e degustação de comida com a presença de alguns chefs na Escola Municipal de Astrofísica Professor Aristóteles Orsini, também no Ibirapuera.

Serão distribuídos e sorteados brindes como toy arts, receitas, camisetas, aventais e outros.

Oficinas do Gosto, promovidas pelo movimento Slow Food, serão promovidas gratuitamente para crianças, onde será possível desenvolver o olfato e conhecer alguns temperos. Haverá degustações no correr dos dois dias, oficina de compostagem doméstica e prática de yoga.”

Cartilha dos orgânicos

Ilustrada pelo Ziraldo e lançada pelo Ministério da Agricultura, a cartilha Produtos Orgânicos – O Olho Do Consumidor – é tudo de bom:

Sebos do Brasil vendem on-line

pitanga pitanga

Estante Virtual se apresenta como “a maior rede de sebos do Brasil”, que está presente em 5 mil cidades do Brasil.

Eu e Lu Terceiro, mamãe fresquinha, descobrimos esse site quando conversávamos por chat – ela com a Alice no colo, teclando com uma mão só – sobre comida. A gente adora comer e a gente tem intenções de cozinhar bem. A Lu criou até um blog sobre o assunto, Gastronautas Amadores.

Comentei com ela que comecei a cozinhar com ajuda de um livro, Chiang Sing, Yoga da Alimentação. Googlei o título e descobri que hoje ele só está disponível em sebos. Vale cada centavinho dos R$ 13 que custa nos sebos. O meu livro nem capa tem mais, ficou desbeiçado com o uso.

Muitas das receitas são óbvias, do tipo corte o chuchu, refogue com cebolinha, coloque sal e sirva. Fui a primeira numa família de cozinheiras a se aventurar por receitas naturebas e para uma adolescente foi um bom começo. Esse livro antiguinho ensina como preparar arroz integral e, além disso, na época os livros de receita que eu conhecia não ensinavam a refogar chuchu. Nem a preparar müsli.

Será que ele ainda vale quanto pesa? Não voltei a ele nos últimos anos. Lembro de umas bobagens como a paella vegetariana, que se mostrou um fiasco, na prática, arroz com um monte de legumes preparados de uma forma rococó e demorada…

A saúde é subversiva porque não dá lucro a ninguém

Soube pelo Crianças na Cozinha que Sonia Hirsch agora tem um blog, Deixa Sair. Sou fã da Sonia Hirsch, tenho alguns de seus livros e já preparei várias de suas receitas mega-naturebas, como uma tortilla de inhame e cebolinha, por exemplo, que fica muito gostosa. Com ela aprendi a comer umeboshi e a fazer doces sem açúcar algum. Ela é mestra.

O novo blog ainda está assim, digamos, esquentando os tamborins. Parece aquém de sua verve e de seu conhecimento sobre nutrição e alimentação saudável. É como se ela estivesse ocupadona com outros projetos e escrevesse apressadamente, só para variar de tom e de timbre – “mal traçadas linhas”, algo assim, pensamentos, fotos, caderninho de rascunhos. É uma pena para quem tem fome, como eu, de ler Sonia Hirsch, porque o site de sua editora, Corre Cotia, também não ajuda, com seu layout do período Paleozóico (uma única coluna de texto na largura da tela, como nesse trecho de Prato Feito) e com conteúdo disponível a embrulhar a venda de livros, sem arquitetura.

Mas vou parar de mimimi (como diriam os blogueiros do gueto) porque sou fã e estou aqui para elogiar a jornalista e escritora. Ela é autora, por exemplo, de um livro com o título “Manual do Herói”. E fala sério.”A saúde é suberversiva porque não dá lucro a ninguém”, slogan do novo blog da Sonia, é sensacional. Estou aqui para avisar que é bom ficar de olho nessa figurinha.

Como parar de fumar

Koi Koi

Completo 10 anos sem cigarro.

Parar de fumar foi uma das coisas difíceis que encarei.

1- Descompressão
Por um ano, acalentei nos dedos a ideia de que parar era um fato, não uma possibilidade. Eu iria parar de fumar. Nâo era preciso parar justamente hoje, nem amanhã, mas isso iria acontecer no médio prazo. Ficava sem cigarro por dois dias, depois quatro, voltava a fumar durante outros dez, depois conseguia uma janela maior e assim se passaram meses e meses. Seriam 11 anos desde o início dessa viagem, na prática.

2- Ninguém precisa saber
Muita gente nem reparou: você fumava?

3- Em caso de emergência
Guardei dois cigarros na gaveta para usar quando quisesse. Sem neura. Nunca usei. Pulei o ridículo de anunciar que tinha parado de fumar e começar a “serrar” cigarro alheio. Além disso, foi uma forma de evitar o charme do proibido.

4- O outro não é problema meu
Posso me juntar aos amigos no fumódromo. Posso ir ao show no inferninho. Posso beber chopp no Filial e não vou fumar só porque o outro acendeu um cigarro às duas da manhã. Uma dura lei da vida: o outro não é problema meu.

5- Um copo de água
Deu vontade de fumar? Bebe um copo de água. Não resolve nada, mas distrai. O corpo agradece.

6- Tempo para cuidar do assunto
Sei que são dez anos desde que parei de fumar não porque estou na contagem dos minutos desde então, mas porque escolhi uma época de poucas pressões e muita diversão – férias no Canadá e EUA – para inaugurar oficialmente a nova fase. Viagem inesquecível a que a data ficou associada. Dez dias antes do embarque. Sou péssima para datas, mas cheguei a Toronto em 1º de maio. Não era feriado, memorizei.

7- Nem uma tragadinha
Duas tentativas fracassaram com essa brincadeira de só uma tragadinha. Uma delas durou dois anos! Assumi o estilo AA: não sei fumar socialmente.

8- Meu gatilho
Descobri que fumava para espantar o cansaço. Nos plantões de fim de semana na redação do jornal. Na madrugada gelada de um show que eu havia transmitido ao vivo para a TV, enquanto os peões desmontavam as câmeras, quando sobrava eu e o meu sono.

9- Informação sobre o vício
Trabalhei na comunicação do Hospital do Câncer A.C. Camargo e fiz parte da equipe que criou uma campanha sobre comportamentos que levam ao câncer, produzida pela agência JWT. Nessa época, mergulhei em papers e estudos científicos sobre tabagismo e conversei muito com médicos famosões. Escrevi a respeito, consolidei algum conhecimento.

Já havia escrito uma reportagem sobre como parar de fumar nos anos 80, uma tentativa louvável da editora de moda do JT na época, Maiá Mendonça, de me tirar dessa vida. Cheguei a visitar uma clínica que dava choque no fumante cada vez que ele levava o cigarro à boca (behaviorismo tosco).

Mas o que mais me ajudou em termos de vivência foi uma reportagem que fiz em uma clínica para recuperação de viciados em drogas. Eles usavam o método dos 10 passos e eu, como repórter, entrei nos passos como uma forma de assumir que eram viciados. Ouvi coisas que eles provavelmente não contaram para mais ninguém. Ali aprendi a respeitar o inimigo, a ser mais humilde. Vício é um comportamento definido, não importa no que você é viciado. Aprender como o vício funciona é muito esclarecedor.