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Novo prédio da Rádio e TV na USP

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O professor Luis Fernando Angerami, da Escola de Comunicações e Artes da USP, avisa que dia 21 de outubro será inaugurado um prédio novinho para o curso de Rádio e TV.

Se der, apareço, viu?

Fiquei com vontade de voltar para a ECA. Quando eu estudei ali, nos anos 80, usava equipamentos paleozóicos.

Câmeras em preto e branco, bitola larguíssima, umas fitas que se desmanchavam sozinhas e que você editava na gilete. Isso, fita magnética, imagine, na gilete. Uma grande porcaria.

Eram herança da TV Tupi. Não serviam para nadica, mas a gente inventava e se virava. Não saía lá uma maravilha, mas a gente treinou tudo o que devia: enquadramento, luz, roteiro, direção. Treinou também fazer alguma coisa a partir do nada, na base do improviso e da criatividade.

Todo mundo se salvou. Quem saiu do curso e seguiu carreira nas artes visuais, fez sucesso e tudo. Quem não ficou tão famoso, como eu, ainda assim, lustrou as idéias.

Minha tese é que o curso ensinava a pensar e, inclusive por absoluta falta de condições, não era nada técnico. Aposto minhas fichas no sucesso de um curso assim.

O sonzão da Blip FM

Sonzão Sonzão

Blip FM é um serviço on-line de música grátis em que você é o DJ e seus amigos ouvem o que você escolher. Seus “amigos” no sentido de comunidade on-line, aquelas pessoas que você adiciona ou que adicionam você, no bom e velho estilo Orkut de relacionamentos pela internet.

A Blip já não é exatamente uma novidade, os convites espalharam-se de forma viral entre os usuários do Twitter há umas duas semanas. Os blogueiros já bateram tambores. Eu é que não tive tempo de recomendar aqui – e recomendo.

O acervo é gigantesco, muito bom. Fico surpresa em encontrar de Pixinguinha às bandinhas novas, indies, hypes, bregas, sul-americanas ou européias. Covers inusitados. Velharias. De Raul Seixas (ai) a Bessie Smith (meu filhote começou a cantar com ela), Muse (não conhecia e gostei ou conhecia e ignorava, como tantas bandas que passam pela gente).

Ouvi Les Negrésses Vertes, uns bagunceiros que eu não ouvia desde que dei meu vinil do álbum de estréia dos caras.

Ouvi Devendra Banhart, aquele cara que foi tão chalerado pelos críticos de música que eu tinha perdido a vontade de ouvir, com medo que fosse mais um “melhor som do mundo da semana”. Spyer me explicou, via Blip, que Banhart passou a infância na Venezuela e por isso tem sotaque espanhol impecável em “Pensando em Ti”, uma música que foi direto para a minha playlist.

Outra coisa interessante da Blip: você programa sua lista e, em um dia de preguiça, pode ouvir só as suas favoritas. A busca é o calcanhar de aquiles. Você digita Tom Waits, por exemplo, e os resultados incluem tudo que existe sobre Tom Jobim e outros “Tons”. Fora isso, a Blip é uma farra. É uma rede social que serve para alguma coisa: descobrir e ouvir coisas legais. Passe lá.

Tom Zé no Radar Cultura

Tom Zé Tom Zé

No lançamento do Radar Cultura, www.radarcultura.com.br, projeto colaborativo para a Rádio Cultura AM.

Adorei a interface do novo projeto, de visual limpo, fácil de usar.

O mais divertido foi votar em músicas. Fazer a programação é mesmo um barato. Acho que isso vai dar samba. Com licença para o trocadilho.

Pitaco

Minha sugestão é que a nuvem de tags (tag cloud) leve também para música.

Penso em bossa nova, clico ali na palavra e só encontro posts ou podcasts sobre o assunto. Gostaria de uma lista de músicas do gênero quando não lembro de nenhuma. Uma lista para inspirar.

Veja mais fotos.

Rádio Cultura agora é colaborativa

A partir desta segunda-feira, às 20h, a Rádio Cultura passa a ter um ambiente colaborativo para que os ouvintes possam sugerir pautas e interferir na programação, como explica o Juliano Spyer em seu Não Zero.

Radar Cultura é o nome desse novo ambiente colaborativo. Para participar é preciso cadastrar-se e o conteúdo ganha destaque a partir do voto dos outros integrantes da comunidade, ou seja, ele é “moderado socialmente”. O conteúdo tem licença Creative Commons. Todas essas características são ótimas porque trazem o DNA da colaboração.

Outra coisa que me chamou a atenção foi a promessa de que as pautas sugeridas pela equipe da redação terão o mesmo peso das pautas sugeridas pelo público, com as mesmas chances de serem produzidas e divulgadas. Ponto para a Cultura. E para o Juliano Spyer e André Avório, que trabalharam no projeto.

O contraste: fiquei estarrecida ao abrir o Guia da Folha desta semana com uma edição para os melhores de 2007. Pela primeira vez, o guia traz o voto dos leitores -12 mil almas – mas sua opinião tem um peso três vezes menor do que o voto dos críticos escolhidos pelo guia. Vexame completo, que falta de faro! Os críticos têm seu cabedal de conhecimento e experiências, certo. Mas o guia consegue que mais de 12 mil leitores se dêem ao trabalho de interagir com o veículo para depois espremer seu voto no rodapé da página? Três quartos de página para os críticos e um quarto para os leitores? Miopia editorial é um jeito bondoso de falar dessa opção.

De volta ao louvável: outro diferencial do Radar Cultura é a elegância do Spyer, que no mesmo Não Zero já citado acima, ressalta que a idéia de rádio colaborativa não brotou do solo esta semana, mas que a experiência em rádios públicas tem um histórico. Ele cita e ainda dá link.

Copio os links porque é um referencial importante para a terra de cegos:

  • Programa Open Source – O blog serve para a comunidade sugerir pautas, entrevistados e comentar o conteúdo que vai ao ar.
  • Rought Cuts da NPR – Espaço colaborativo onde a emissora apresenta aos ouvintes idéias programas novos para receber feedback da comunidade e iniciar a divulgação boca-a-boca.
  • Vocalo – Projeto de rádio produzida pela participação da comunidade.
  • Search Engine – A audiência é convidada a repercutir assuntos em suas comunidades e enviar de volta ao programa.”

É assim que se faz. Desejo sucesso ao Radar Cultura. E recomendo a leitura do post do texto sobre colaboração em rádios assinado por Mark Glaser que o Não Zero se deu ao trabalho de traduzir para o português. É muito claro ali um depoimento de Christopher Lydon, do programa Open Source, que diz : “Nós podemos treinar participantes e eles podem nos treinar. É um trabalho lento e humilde, mas toda a idéia de conteúdo criado pela audiência, onde ouvintes se tornam escritores, é uma boa idéia e funciona como um encanto.” Lento, humilde, construção e colaboração, uma rima.

Copio outro trecho da tradução, porque traz dicas de Greta Pemberton, a blogueira-chefe do programa Open Source, sobre o que funciona em jornalismo colaborativo: “No começo nós não instruíamos as pessoas em relação às sugestões e era realmente trabalhoso ler esse material. Desde que estamos dando mais feedback nas respostas, temos tido melhores resultados.”

Destruir é para iniciantes. Somar é uma arte.