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Questões sobre jornalismo cidadão

Só um muro Só um muro

Questões políticas permeiam a produção do jornalismo cidadão. Encontro essa constatação em dois blogs. Andy Oram, editor da O’Reilly Books, com quem já conversei bastante por e-mail, escreve no O’Reilly Blog sobre os dez anos do Berkman Center for Internet & Society, uma instituição para pesquisa de temas relacionados à internet da Universidade de Harvard. O assunto é a produção peer to peer (p2p, entre pares, ou cidadãos): Yochai Benkler, others at Harvard map current and future Internet.

No blog GJOL, da universidade Federal da Bahia, a indicação é para Reclaiming the Media, um livro disponível para download. Aliás, fiquei sabendo do livro pelo Clico, logo Existo, um cantinho da blogosfera atento à “produção cidadã”, dos que não são profissionais de comunicação.

Política, uma palavra capaz de provocar calafrios em nossa espinha, tão desgastada está em nossa terra brasilis. Aqui no Brasil, política é pior que catapora, varíola, dengue e gripe juntas. Conhecemos o lado chatonildo, corrupto, velho e corrompido dessa força. Nesses dois posts, alívio, encontro um esforço para posicioná-la de uma forma saudável, como um ar fresco que renova nossa forma de pensar. Isso é raro quando se fala em política. Nem eu mesmo sei se acredito nessa palavra, só de ouvi-la me dá um sono.

Andy Oram conta o encontro de vários pensadores que se reuniram para discutir como Harvard pode posicionar-se para levar conhecimento útil para seis milhões de pessoas excluídas no mundo. Ambição assim.

Nesse livro, que ainda não li, encontro um capítulo sobre pluralismo: Making a difference to media pluralism: a critique of the pluralistic consensus in European media policy. Já começo a gostar da idéia. Nessa questão de jornalismo cidadão cintila uma característica: a variedade de opiniões. Só isso já é muito. São possibilidades, promessas, potencial.

O que se faz com isso, onde isso vai dar, se é bom, se é ruim, bem, isso é papo em Harvard, na Bahia, em São Paulo. Até no Irã, que tem a quarta maior blogosfera do mundo, coisa que eu não sabia.

Este blog no Estadão

Saiu neste domingo a reportagem O caos de São Paulo organizado nos blogs, uma matéria supersimpática do Estadão sobre blogs que mostram um lado bacana de São Paulo. Fui entrevistada e fiquei contente não só de ter sido lembrada, mas com esse jeito generoso de olhar os blogs. Estar de bem com a vida é tudo, inclusive numa reportagem. Parabéns aos repórteres Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli.

Assista às histórias do poder

Percorrer cem anos da história da política brasileira é uma verdadeira expedição ao nosso DNA histórico. Imagine que isso está disponível na web, onde você pode assistir aos cinco episódios de Histórias do Poder. Dirigidos por Max Alvim e Nelma Salomão, os vídeos mergulham em um gigantesco acervo de vídeos e fotos de momentos-chave, que podem nos ajudar a entender como chegamos onde chegamos, de onde viemos e, além do mais, quem são estes caras que viram nome de ruas, avenidas e aeroportos.

Interessante para professores, alunos, para quem nasceu antes, durante e depois da ditadura militar, das Diretas Já ou do Impeachment.

“Com o objetivo de promover o conhecimento, a reflexão e a pesquisa acerca da história política brasileira, a série de documentários Histórias do Poder - cem anos de política no Brasil (1900 – 2000) apresenta um mapeamento do comportamento político do país e mostra os bastidores do poder através de depoimentos de alguns dos principais protagonistas e estudiosos da história política brasileira do século XX”, diz a apresentação do projeto.

Uma dica: costumo usar o Firefox como browser e tive dificuldades em assistir aos vídeos, superadas quando apelei para o Internet Explorer.

Lessig faz campanha para o Congresso com blog, wiki e Facebook

Eu escrevi sobre direito digital sem saber que o assunto viria para ficar mais algum tempo nos posts. Ganhou novamente espaço, mas olha que interessante: Lawrence Lessig, fundador do Creative Commons, professor de Direito de Stanford e defensor da cultura livre, anunciou esta semana que pode ser candidato ao congresso norte-americano pela Califórnia. Em um blog, ele explicou que vai se dedicar ao movimento Change the Congress (Mude o Congresso) e que na semana que vem confirmará se vai ou não ser candidato.

Facebook

Diz Lessig que nesse meio tempo acompanhará as discussões de um grupo do Facebook, onde teve início uma conversa engraçada sobre as razões pelas quais ele não deve concorrer ao congresso. Um dos motivos é que ele poderia ser juiz caso Obama ou Hillary vençam e isso lhe daria mais poder que o Congresso. Outro cara diz que ele é tímido. Outro diz que ele não é Arnold Schwarzenegger e que sua candidatura não decola, não dura três semanas…

Campanha de muitos links

Lessig diz que quer ouvir todo mundo, mande seu e-mail etc. Ele faz uma campanha de muitos links: Draft Lessig, Lessig08, Draft Lessig Wiki. É a campanha mais linkada do mundo, provavelmente. Aliás, lá no Facebook, um cara diz que Lessig é bom de link, mas não é bom de voto.

Webcast

Enquanto isso, a pressão por nova legislação relativa a direitos autorais segue seu caminho. Nesta segunda, dia 25, a Comissão Federal de Comunicação dos Estados Unidos debate en banc O Futuro da Banda Larga, no Berkman Center for Internet and Society de Harvard. Entre os participantes dos painés estão Yochai Benkler e executivos do BitTorrent, Comcast, Verizon e Sony.

O áudio do evento será transmitido ao vivo, caso alguém tenha interesse “beeeeem” profundo sobre assuntos jurídicos :)

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Leis brasileiras para a internet

Eclipse e Fidel

telescópio telescópio

Raramente vêem-se fenômenos tão espetaculares. No dia em que a Nasa avisa por sua newsletter que o telecópio Hubble descobriu 67 novas galáxias, Fidel Castro avisa por carta publicada no jornal Granma que deixa o poder.

E o noticiário da galáxia não inclui apenas notícias sobre estrelas longínquas e estrelas cadentes. Amanhã, 20 de fevereiro, haverá um eclipse total da lua. Leia mais sobre os eclipses.

A lua começa a entrar na penumbra às 21h35 e sairá completamente da sombra apenas às 3h17. O eclipse terá uma duração de 51 minutos.

Colaboração é a chave

Percebi nos últimos dias vários movimentos que mostram que o jornalismo colaborativo vai bem, obrigado, cheio de saúde. Na esfera da política cultural brasileira, a boa notícia foi o convite do Instituto Pensarte feito a mim, Rogério da Costa, Hernani Dimantas e Edney Interney Souza, para trabalharmos dia 3 e 4 de novembro, em Belo Horizonte, em uma oficina de jornalismo colaborativo. Depois dessa oficina, os participantes, que poderão chegar a três centenas, farão a cobertura da Teia, o encontro dos pontos de cultura organizado pelo Ministério da Cultura.

A cobertura já começa a aparecer no 100canais, a agência de notícias dessa festona que ocupará o centro de Belo Horizonte entre 7 e 11 de novembro.

Para a preparação dos “jornalistas cidadãos” (eu não gosto muito desse rótulo, é feio, hein? Prefiro dizer os que não são profissionais de comunicação), foi proposto um formato de café para a oficina. Haverá mesas de dez pessoas, revezamento contínuo entre os que participam da conversa e café, o próprio, em copinhos, ali por perto. Parece bom para um feriado.

A reunião entre oficineiros foi feita no Pontão do Kaos, uma espaço na alameda Nothman que é um dos pontos de cultura, comandado por Jorge Mautner. O visual do lugar é bem interessante, olha só:

Pontão do caos

Na esfera meganegócios, MSNBC compra Newsvine

Enquanto nos reuníamos para falar sobre jornalismo colaborativo no Pontão do Kaos, uma novidade de impacto chegava ao mercado. Newsvine, um projeto baseado em Seattle, nos Estados Unidos, foi comprado no dia 5, sexta-feira, pela MSNBC.com, joint venture entre Microsoft and NBC.

newsvine _ msnbc

É sinal de que as notícias feitas por quem não é profissional de comunicação têm valor para o mercado, pois são empresas que não costumam entrar em projetos por diletantismo, digamos assim. Como comentou Tiago Dória, foi a primeira compra da MSNBC em 11 anos. O Techcrunch deu mais detalhes sobre a transação: de um lado, a MSNBC tem 200 funcionários. De outro, o Newsvine tem seis.

ONU discute como reverter o aquecimento global, Al Gore mostra o estrago

No mesmo continente onde as neves do Kilimanjaro correm o risco de serem apenas nome de livro e filme, as Nações Unidas reúnem-se a partir de hoje para discutir o aquecimento global. A reunião realiza-se em Nairóbi, no Quênia, sem contar ainda com a adesão dos Estados Unidos ao protocolo de Kyoto.

É um bom momento para tomar um sorvete e assistir a “Uma Verdade Inconveniente”, documentário sobre Al Gore e sua campanha de alerta para as mudanças climáticas. O ex-futuro presidente dos Estados Unidos revela dados significativos: os Estados Unidos são responsáveis por 33% da emissão de gases poluentes na atmosfera. Se os EUA decidissem reduzir a emissão de poluentes, o planeta teria melhores chances. Simples assim.

O desastre começou. Na África, as neves do Kilimanjaro derretem. No meio de “Uma Verdade Inconveniente”, uma animação mostra o sorvete de Lisa Simpson derreter na casquinha antes que ela consiga experimentá-lo. É uma forma engraçadinha de mostrar uma situação crítica.

O documentário sobre Al Gore devia ser obrigatório na aula de geografia. Em vez de gráficos impessoais sobre os efeitos dos gases estufa, é mais convincente ver paredões de 200 metros de altura de gelo derreterem no Ártico. Observar a sinistra espiral dos furacões sobre águas excepcionalmente aquecidas, saber que pela primeira vez registrou-se um furacão no Hemisfério Sul - o Catarina, no litoral do Brasil.

“As mudanças no clima rapidamente tornaram-se uma das maiores ameaças que a humanidade jamais enfrentou.” Foi nesse tom que o presidente da conferência da ONU, o ministro queniano do meio ambiente, Kivutha Kibwana, abriu a rodada de negociações. Harlan Watson, representante dos Estados Unidos no evento, disse que Bush não muda uma palha na atual política.

Se Al Gore fosse o presidente dos EUA e tivesse assinado o protocolo de Kyoto

O filme deixa uma pergunta pertinente no ar. O que seria do planeta se Al Gore fosse o presidente, e não Bush? Acho que todo mundo se lembra que Bush foi eleito por pouco, muito pouco, em meio a uma polêmica sobre quem realmente venceu as eleições.

Se Gore fosse o presidente, os EUA teriam assinado o protocolo de Kyoto e essa fatia gorda de responsabilidade pelo estrago – os 33% - desapareceria. Simples assim?

Ouça nos blogs o que você não lê na imprensa

É refrescante a troca entre blogs e a grande imprensa. Renovadora, pelo menos.

Nessas eleições, a imprensa atrapalhou-se em um emaranhado de denúncias e perdeu esta semana, para os blogs, parte de sua confiabilidade. Afinal, o indivíduo sente-se um trouxa ao ouvir jornalistas combinando com um delegado da Polícia Federal a versão dos fatos que ele deve engolir.

A conversa na calçada entre o delegado Edmilson Bruno e alguns repórteres está no blog de Paulo Henrique Amorim e também no You Tube.

Como é bastante enrolado, o “causo” pode afastar o leitor menos interessado em política. No entanto, é um exemplo sobre como a dinâmica entre blogs e a grande imprensa tem o poder de renovar a difusão de informações.

Delegado e jornalistas combinaram uma história da Carochinha a respeito de imagens que mostram R$ 1,7 milhão usado por petistas na compra de um dossiê contra o PSDB. O fato de que o próprio delegado distribuiu as imagens seria omitido; circularia a versão Carochinha de que uma faxineira ou um repórter furtara as imagens da polícia. Divulgadas às vésperas da eleição, as fotos com pilhas de dinheiro impressionaram. Fizeram diferença no resultado do primeiro turno.

A revista Carta Capital trouxe à tona o acordo. Os blogs de Mino Carta e Luiz Carlos Azenha comentaram.

Luiz Weis parou para refletir sobre a diferença entre dissimulação e guardar sigilo sobre a fonte.

Roberto Romano Taddei pegou mais pesado, lembrou-se de Jason Blair, o repórter mentiroso do New York Times.

Josias de Sousa fez um registro seco, mas ao menos mencionou a história. É uma besteira os outros blogs da cobertura política guardarem silêncio. A gravação ardida está aí, à disposição na blogosfera.