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Casa-grande e Senzala no fim de semana

Walking over gold Walking over gold

Para quem não foi viajar, recomendo uma visita ao Museu da Língua Portuguesa para ver a exposição sobre Gilberto Freyre, o autor de “Casa-grande e Senzala”.

Nessa exposição temporária do museu, que sucede a de Guimarães Rosa e e a de Clarice Lispector, é uma delícia encontrar palavras escritas em açúcar, título de um dos livros de Freyre, ou então palavras guardadas em berços de marca Patente, lembranças do passado rural.

Como diz a apresentação da exposição:

“Casa-grande & Senzala, publicado em 1933, Gilberto Freyre revolucionou a historiografia. Em vez do registro cronológico de guerras e reinados, ele passou a estudar o cotidiano por meio da história oral, documentos pessoais, manuscritos de arquivos públicos e privados, anúncios de jornais e outras fontes que eram ignoradas. Usou também seus conhecimentos de antropologia e sociologia para interpretar fatos de forma inovadora.”

Eu recomendo. Com esse frio, um café na Pinacoteca, bem em frente ao museu, é parte indispensável dessa viagem.

And this is the end

And this is the end And this is the end

A Patrícia Kalil escreve sobre uma agência de aluguel de “extravagantes e inadequados”. Eles poderiam aparecer em eventos para dar um brilho, imagina ela. O dono da agência é Durandeau, personagem do escritor Emile Zola que imagina montar uma agência de complementos, especializada em “acompanhantes de contraste”. Patrícia transporta Durandeau para o século 21. O texto é divertido e brilhante. Reproduzo um trecho:

Até o mestre Durandeau enfrentou apuros para encontrar suas fealdades. Somente meninas razoavelmente jeitosas candidatavam-se espontaneamente. Um trabalhão para convencê-las do engano: veja bem, você não é suficientemente feia. No caso da agência de “extravagantes e inadequados” o problema seria outro: como atender um sujeito em fase de descoberta? Devemos estabelecer desde o princípio que não somos um consultório de psicanálise. Eu descartaria todo candidato voluntário na hora, sem dó. Se a pessoa já desconfia da própria falta de senso, isso é sinal de melhora, filosofia ou milagre.

Queremos pessoas categoricamente estúpidas, aquelas com o rei na barriga, certas de sua genialidade, missão, título e ética. Donos da solução para o mundo, para as gerações futuras e passadas, capazes de narrar qualquer caso em tom de sermão. Pessoas acima do bem e do mal, contra raios UV-A e UV-B, possíveis pastores evangélicos. O crème de la crème.

Caixa de medos

Caixa de medos Caixa de medos

“O Mundo Livro” do Sesc Pompéia é uma mostra sobre a história do livro. Traduz conceitos muito difíceis de traduzir como “contos de fada”. Traduz abstrações como o medo do nada e de tudo das crianças.

Como comentei no post anterior, a exposição em São Paulo fala até de blog, podcast, videoblog, fotoblog. Com imagens! Difícil isso, hein?

Livros sempre foram meus bons companheiros. Todos eles. “Mundo Livro” tem tenda forrada de almofadas para a gente se espamarrar e ouvir histórias. Tem uma cobra de pano muito grande que delimita um lounge no meio da expo. A cofra virou um sofazão. Nada melhor para traduzir o mundo dos livros. A maior delícia é se jogar em algo muito confortável e deixar o espírito mergulhar em outro mundo.

Clarice Lispector vivia de achados e perdidos

“Escrevo-te em desordem, bem sei. Mas é como vivo. Eu só trabalho com achados e perdidos”, diz Clarice Lispector em “Água Viva”.

Clarice e Guimarães Rosa, dois de meus ídolos na língua portuguesa, formam uma seqüência de exposições no Museu da Língua Portuguesa. Mais uma vez Felipe Tassara e Daniela Thomas mataram a charada de como apresentar e representar no espaço expositivo a alma de alguém com olhos no lado de lá da existência.

Fui visitar a exposição de Clarice no sábado e me vi em momento de tietagem explícita. Vi minha musa angustiada, relatando em vídeo como o ato de escrever é sofrido. Se é sofrido para Clarice, quem sou eu para querer diferente…

Diz Clarice “quando escrevo, estou morta”. Ela tem de morrer quando escreve, para poder dar vida a outra realidade. “Por enquanto eu morri, vamos ver se eu renasço”, diz ela ao Julio Lerner, meio chatinho, da TV Cultura. O programa gravado em 1/2/1977 pode ser visto no You Tube.

Malucona, maravilhosa, toda ela transcendente. Abençoado o desvio da curva mediana que permite visões como as que ela transcreveu.

Renato Targa foi quem percebeu a semelhança entre Clarice jovem e Scarlett Johansson, considerada a mulher mais sexy do mundo:

Mix Scarlett Clarice

Clarice é assim, a mais linda.

Buster & eu

Chorei de saudades de meu cachorrinho Buster ao ler, em um único fôlego, “Marley & Eu: A vida e o amor do pior cão do mundo“. O best-seller de John Grogan não é um livro sobre cão tão inspirado como é Timbuktu, de Paul Auster. Mas tem o dom de fazer gargalhar e comover, o que não é pouco.

Meu Buster, assim como o labrador Marley, fingia desconhecer o significado da palavra NÃO.

Outra semelhança entre Buster e Marley é gostar de ter gente em volta. Foi minha mãe quem descobriu que Buster era um cão de companhia. A gente precisava fazer companhia para ele o tempo todo.

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Nas viagens, Buster gostava de se acomodar entre os dois bancos dianteiros do carro, como Marley, pegando carona no ventinho do ar-condicionado. Mas como era um cachorro de pele rosada e pêlo branco que morria de calor, ficar ao sol, no verão, nem pensar. Como um vampirinho com medo da luz, ele se esgueirava pelas sombras.

A lista de semelhanças é longa. Talvez todos os que têm cachorro digam o mesmo: “o meu também enfia a cara no meu rosto quando estou deitado” ou “ele adora usar o tapete da sala como guardanapo”.

Buster espalhava as almofadas do sofá quando voltava cheiroso de um banho. Odiava aquela camada pet shop sobre sua existência. Achei graça quando soube que Marley também praticava o esporte radical de lançar almofadas ao chão.

Em homenagem aos cães, suas idiossincrasias e fofuras, recomendo esse vídeo que ensina a postura do cachorro na yoga com a ajuda de… um legítimo Buster!

No hatha yoga, Adho Mukha Svanasana.

No site de vídeos 5min (dica da Lu3), sobre o que é possível fazer em cinco minutos, “Downward-facing dog posture. Buster helps me with peforming this transitional popular pose”:

24 horas de Flickr, Virada Cultural e Laurent Garnier

Dedos nervosos: neste sábado, dia 5, 24 horas de Flickr. A idéia é mostrar com fotografias o que acontece no mundo nessas em 24 horas. As melhores fotos viram livro etc. Mais informações no blog do Flickr.

Em São Paulo, não faltará assunto. Tanta coisa promete acontecer na Virada Cultural, que embola o sábado com eventos ininterruptos até que o domingo se instale. Gostei de saber que os museus vão estender os horários. Quem sabe terei tempo de ver Clarice Lispector no Museu da Língua Portuguesa?

Laurent Garnier toca lá para os lados do Sambódromo na hora em que o pão com manteiga começa a chegar no balcão das padarias no outro lado da cidade. O que acontece no mundo… Vamos ver.

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É dia 5, este sábado. O lembrete vale para mim, também, que posso esquecer de sair para a rua.

Respiros na correria de fim de ano: Lulu.com e Periodistas 21

Lulu.com

Adorei a idéia da Lulu.com, uma editora virtual com um modelo de negócio bem diferente das outras. “Editores comuns querem 100 autores que vendam um milhão de livros cada. Nós queremos 1 milhão de autores que vendam 100 livros cada”, explica seu criador, o canadense Bob Young.

Em apenas três anos, ele saiu do zero para um faturamento de US$ 16 milhões. Publica 2.500 novos títulos por semana e tem mais de 100 mil títulos disponíveis para impressão ou download. Vende 90 mil livros por mês - e estima que venderá até 2 milhões no próximo ano. Publica principalmente em inglês, mas já trabalhou com obras de autores de 80 países e as vendeu para 60 países diferentes.

O autor tem completo controle sobre título, conteúdo, páginas e preço. Cobra o que quiser, desde que cubra o custo de cerca de US$ 8 por cópia da Lulu.com. Deduzida a quantia, o valor restante é dividido entre autor, que fica com 80%, e a editora.

É daquelas idéias perfeitas para a internet e tem um resultado muito interessante em termos criativos, permite que as idéias circulem, uma coisa tão saudável.

Periodistas 21

Um lugar interessante para quem gosta de assuntos ligados a jornalismo e comunicação: Periodistas 21. Juan Varela, criador desse blog, é um dos autores do livro espanhol Blogs, que será lançado no Brasil ano que vem. Fui convidada a fazer a revisão técnica do livro para a editora Thomson Learning e encontrei no terceiro capítulo, assinado por Varela, reflexões sobre alguns assuntos que assombram os debates sobre blogs.

Varela encara as dúvidas que todos os estudantes de jornalismo têm: blogs têm ética? Confiabilidade? Credibilidade? Eles vão acabar com o jornalismo tradicional? Adianto que ele acredita em uma nova simbiose, um novo equilíbrio em um “ecossistema mais interdependente”. Adoro essa conversa - que ninguém sabe onde vai dar.

Dez coisas legais

Guardar links interessantes é importante para nós todos, surfistas da web. Sem um de.li.cious, como lembrar tantos caminhos? Fiz uma lista de 10 links legais que amigos indicaram ou que eu colecionei:

1- Manchetes de todo o mundo

2- 10 tecnologias emergentes segundo o MIT

3- Som e luzes para o iPOD (dica do Xpop)

4- Momento retrô: antigas edições das revistas de cinema A Scena Muda (1921-1955) e Cinearte (1926-1942) no site do Museu Lasar Segall.

5 - Post Secret: publique um segredo

7- Violoncelo irado (Dica de Reviravoltas de Alice)

8- Uma fonte para a sua letra de mão

9- Dicionário de MPB (duas dicas do Favoritos)

9- Protetor de tela do céu

10. Edgard Morin (dica da Udi)

‘Grande Sertão: Veredas’ liberado na web

“Viver é um negócio muito perigoso”, escreve Guimarães Rosa em sua obra mais conhecida, “Grande Sertão: Veredas”, lançada há exatos 50 anos. Para comemorar a efeméride, a editora Nova Fronteira experimenta o sabor dessa constatação e oferece a obra para download na web até dezembro de 2006.

Baixe a edição comemorativa de “Grande Sertão: Veredas”.

Imensidade

Editar livros também é um negócio muito perigoso. Você pode reparar que na página onde se faz o dowload da obra há um minutinho para os comerciais da versão impressa. A argumentação soa um pouco desesperada: “Livro é portátil, livro dispensa eletricidade e baterias, livro é o melhor suporte já inventado para o diálogo entre o leitor e o texto.”

Sei, sei. Livro é caro e, a rede, líquida, fluida. Ela cabe nas palavras de Rosa: “aquela terrível água de largura: imensidade”. Água, quando represada aqui, acaba escoando ali por um algum buraquinho. Colocar o livro na rede é ótimo exercício, é aprender o caminho das águas.

Boa companhia

Vale a pena xeretar no portal Domínio Público, Guimarães Rosa está na boa companhia de Machado de Assis, Shakespeare, Júlio Verne e tantos outros na lista de obras que podem ser lidas sem qualquer custo para o internauta.