Jornalismo Cidadão | anacarmen.com

Arquivo da categoria: jornalismo cidadão

O estado em que nos encontramos eu e a internet

A torre do lobo A torre do lobo

Francisco fala como o Cebolinha. Começou a fazer aulas de natação e tem um pouco de medo. Ainda se interessa por caminhar com sapatos de adulto. Quer fazer tudo “tozinho”.

Eu voltei a trabalhar fora de casa e estamos os dois estranhando horrores. Eu voltei a trabalhar com internet o dia todo e, por isso mesmo, olhei com gula para o relatório The State of Internet, relatório anual do Pew Research Center’s Project for Excellence in Journalism. Só vontade, ando sem tempo para degustar.

O estado da internet deve ser melhor que o meu estado, imagino. Ô correria. Uma amiga de blog perguntou no post anterior, feito às pressas na época de carnaval: “Cadê você?”

Somos duas que não sabem de mim, Vivian. Cadê eu, eu e o meu estado com a internet.

No caminho para a escola, Francisco conversa comigo na cadeirinha instalada no banco de trás do carro.

- “Mamãe, a torre do lobo. Machucou o bumbum”.

Tradução: ele viu uma torre igual àquela por onde o lobo desceu na casa do porquinho da casa de tijolo, onde o esperava um caldeirão cheio de água quente, que queimou seu… bumbum.

- Filho, o nome disso é chaminé.

E assim a vida se esgueira pelas dobras, interessantíssima se a gente tiver olhos para vislumbrar.

Apagão via Twitter

Luz, light, light, luz Luz, light, light, luz

Eu estava em casa e me preparava para assistir a um vídeo pelo computador quando veio o apagão. Não me dei conta que era algo mais extenso do que os reparos que a Eletropaulo anda fazendo em meu bairro. Mas Renato e meus pais, que estavam próximos à avenida Paulista, em cinco minutos falavam ao telefone sobre a falta de luz que atingia vários bairros.

Celular na mão, procuramos notícia no UOL sobre o apagão. Ainda não havia nada, ah, até para redigir uma notinha levamos alguns minutos. No twitter pipocavam mensagens de vários estados sob a hashtag #apagao e nós ficamos sabendo o que acontecia. Não liguei o rádio, coisa que meu pai, que assiste ao futebol pela TV e ouve a narração pelo rádio, que é mais emocionante, deve ter feito. Coisa de geração.

Assisti ao vídeo, grata por estar em casa e não na rua, como me aconteceu no apagão de 1999. A bateria do computador aguentou até o fim do episódio de FastForward e a mistura de luz de velas, entretenimento pop, celular 3G, noticiário mais eficiente na rede social do que no portal de notícias foi curiosa.

Post pago, mostra a sua cara

“Post pago/mostra sua cara/quero ver quem paga/para a gente ficar assim/Blogueiro, qual é o seu negócio?/O nome do seu sócio?”

Claro que Cazuza nem sonhava/tinha pesadelos com posts pagos e blogueiros preocupados com a monetização de seus textos quando escreveu a letra de “Brasil”. Cantarolei essa versão ao saber que a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos definiu diretrizes para a responsabilidade civil sobre o post pago: blogueiro que receber para divulgar um produto terá de explicitar que o fez.

O jabá tornou-se ilícito, veja só. Presentinho, jantar, viagem, pagamento, qualquer retribuição em troca de divulgação ou promoção deve ser anunciada para o leitor.

“A partir de dezembro, blogueiros, tuiteiros e marqueteiros on-line dos Estados Unidos terão que contar aos consumidores quando forem pagos ou receberem presentes e outros brindes para escrever resenhas positivas ou posts promocionais”, explica a Folha Online.

Quem descumprir a determinação, pagará multa de US$ 11 mil: “Violating the rules, which take effect December 1, could bring fines up to $11,000 per violation. Bloggers or advertisers also could face injunctions and be ordered to reimburse consumers for financial losses stemming from inappropriate product reviews.”

Achei muito saudável. São boas novas. Vamos nessa, Brasil?

Download do livro Cultura digital

Câmera digital Câmera digital

Cheguei, achei a caixa postal com uma centena de mensagens. É vida digital. No meio delas, achei esse link para download do livro Cultura Digital. Claro que ainda não deu tempo de ler, mas pesquei uns trechinhos.

“O livro Cultura Digital Br é uma obra de intervenção. Foi pensado para provocar reflexão e ação em seus leitores”, adverte Rodrigo Savazoni logo nas primeiras linhas.

“Enfim, existe uma real carência de representação conceitual para os fenômenos surgidos no âmbito da cultura digital. Yochai Benkler, que refletiu criativamente sobre a possibilidade de uma teoria política da rede, enxerga na emergência das redes sociais e da produção dos pares uma alternativa a ambos os sistemas proprietários fudamentados nas lógicas do estado ou do mercado. Este novo “sistema operacional” da cultura seria capaz de fomentar  ao mesmo tempo criatividade, produtividade e liberdade, satisfazendo igualmente às demandas tanto de indivíduos quanto de coletividades”, escreve José Murilo Carvalho Junior.

10 + 10

O mesmo povo envolvido com o Fórum de Cultura Digital leva a conversa até Santos nessa quinta e sexta, dias 1 e 2.

Gilberto Gil, Pierre Levy, André Lemos, Laymert García, Alfredo Manevy, Cláudio Prado e Sérgio Amadeu discutem cibercultura: um balanço e reflexão sobre os últimos dez anos e os próximos dez da cultura digital no Brasil e no mundo.

Dá para acompanhar ao vivo.

“O primeiro dia, quinta-feira agora (dia 1º), será uma discussão sobre os últimos dez anos e sobre os próximos dez. Daí o nome do evento: Cibercultura 10+10. A sexta-feira (dia 2) será outra coisa: uma oficina de remix”, explica o release.

BBC encerra projeto de jornalismo colaborativo

New vocabulary New vocabulary

Fim de uma fase de euforia do jornalismo colaborativo: “The BBC World Service’s citizen journalism project, ‘Your Story’ has been axed due to lack of funding, reports journalism.co.uk.”

Trocando em miúdos: Sua História” (Your Story), projeto de jornalismo cidadão da BBC, lançado em junho de 2008, extingue-se por falta de verba.

O Estado da Mídia 2009: pior, muito pior

Piano de criança Piano de criança

A sexta edição da pesquisa The State of the News Media 2009 traz notícias sombrias para o mundo relacionado ao jornalismo. Acompanho a série há alguns anos certa de que os Estados Unidos funcionam como um termômetro do jornalismo, em termos globais. Quando as coisas desandam por lá, os reflexos são sentidos aqui. Podemos esperar uma força semelhante em nosso mercado alguns meses depois, pois aqui a onda bate em seguida.

Pelas conclusões do projeto, ligado ao Pew Research Center e que tem como objetivo ser um “fact tank” apartidário para pesquisas de ciências sociais e opinião pública, aquilo que ia mal um ano atrás, agora desmorona. Não existe uma grande novidade, apenas a aceleração do processo, que ficou vistoso. Podemos ouvir o barulho que a mídia tradicional produz ao ruir.

Para quem, como eu, é jornalista, as notícias são tristes. Um em cada 5 jornalistas dos EUA perdeu o trabalho no ano passado, mesmo sendo um ano de eleição presidencial no país. Muitos jornais foram à bancarrota e a audiência migrou massivamente para a internet.

Para os estudantes que me procuram eu sempre digo que a minha profissão é a melhor para mim, porque adoro comunicação. De mim, o estudante também ouve, incrédulo, que um eletricista pode ser melhor remunerado que um jornalista.

O jornalista e a empresa jornalística perdem cada vez mais seu lugar ao sol. O relatório anual traz dados para sustentar essa afirmação: “Power is shifting to the individual journalist and away, by degrees, from journalistic institutions. The trend is still forming and its potential is uncertain but the signs are clear. Through search, e-mail, blogs, social media and more, consumers are gravitating to the work of individual writers and voices, and away somewhat from institutional brand. Journalists who have left legacy news organizations are attracting funding to create their own websites.

Ou seja: por meio de buscadores (como o Google), e-mail, blogs, redes sociais, entre outros, os consumidores voltam-se para o trabalho de autores individuais e distanciam-se das vozes institucionais (empresas de comunicação).

Leia mais:

Relatório 2008

Relatório 2007

Em tempo: A Hearst Corporation anunciou hoje que o jornal Post-Intelligencer, de Seattle, passa a existir somente na versão digital, seattlepi.com. A versão papel empregava uma equipe de 165 pessoas. A versão web precisa apenas de 20, segundo informou o New York Times. (Dica da tia Tina Foschini-Miller)

Links legais

Nunca terei tempo de compartilhar as descobertas. Para não dizer que tudo passou em branco, hoje parei para listar algumas:

1- O indivíduo, o movimento e a cidade.

Chris Esteves, coreógrafa, convida para debates na Casa das Caldeiras. O próximo debate é dia 23 de março, com Peter Pal Pelbart.

2- Para monitor notícias

Media Cloud, ou nuvem de notícias. Como elas são dadas, em que extensão, por quem. Lançamento do Berkman Center.

2- Os blogs das crianças

No blog da pequena Luna, uma aventura de bicicleta Tandem pelas pedras do Morro do Sabão.

A baby Alice chega para animar a festa. No Nhoc.

3- O amigo traidor

Tony de Marco escreve sobre os flagrantes do “jornalismo cidadão”.

Trechinho: “O povo vai misturando todo tipo de conteúdo pirateado com todo tipo de efeito manjado, sem medo de ser feliz.”

Notícias e Informação no momento em que a mídia digital chega à maturidade

Media Re:public: News and Information as Digital Media Come of Age (Re:pública da Mídia: Notícias e Informação no momento em que a mídia digital chega à maturidade) é um estudo divulgado pelo Berkman Center for Internet & Society, da Universidade de Harvard.

Sua leitura é uma lição de casa para todo mundo que trabalha com comunicação e, principalmente, com notícias. Como eu.

Passo os olhos na conclusão do estudo: “Most of the challenges are linked directly to the disaggregation and  disintermediation of the media business, which offer both new opportunities and new challenges to authors, editors, and audiences alike.” Em resumo: o que fazer com essa mudança? Como ganhar dinheiro, como ter credibilidade? Quem deve produzir notícia? Que modelo de negócio serve para o jornalismo, hoje em dia?

Autores se dizem otimistas

“After a year spent talking to stakeholders across a broad spectrum of media and technology enterprises, overall we are optimistic. We believe that the combination of new and emerging digital media technologies with the deep expertise of the best of the traditional journalism community has the potential to create a news and information environment in the United States and other countries that is richer, more engaging, and more representative than anything that existed previously.”

Em resumo: as coisas estão melhores hoje do que jamais estiveram.

* Página do projeto
* blog
* Download do relatório

O fotógrafo invisível

Roda Viva da coxia Roda Viva da coxia

Nesta segunda, dia 8, fui convidada a fotografar o programa Roda Viva, da TV Cultura. O tema eram os direitos humanos no Brasil e o convidado, o ministro Paulo Vannuchi.

Fui para a Cultura com um frio na barriga, pois foi minha primeira cobertura oficial como fotógrafa. Sempre fotografo, mas nunca com a obrigação de apresentar algo que preste. Se sair bom, ótimo, se não der em nada, não deu.

Espantei o nervosismo com uma conversa fiada com o motorista do táxi sobre os últimos 35 anos da Freguesia do Ó. Depois, cliquei freneticamente e postei mais de 60 fotos. Publiquei mais de uma foto por minuto do programa. Tudo ali no calor da hora, ao vivo.

Se tirei boa nota no quesito “dedos nervosos”, como fotógrafa eu ainda sou boa escritora, algo assim. Nenhuma imagem ficou uma maravilha, nenhuma fala e vale por si. No entanto, fiquei satisfeita com a coleção, que você confere no set Roda Viva do meu Flickr.

Voltei para casa feliz da vida, pensando que só falta eu conseguir pagar as contas fazendo essas coisas de que gosto. Minha familiaridade com Twitter, Flickr, bastidores de TV e entrevistas ajudaram, eu estava no meu metier.

O programa teve uma transmissão experimental participativa, que você pode conferir no Radar Cultura.

Os convidados das redes sociais (Twitter e Flickr) responderam previamente, por e-mail, o que acham dessa modinha de viola. Veja o que dissemos: eu, Milton Jung, Rodrigo Savazoni e Hernani Dimantas.

Fotógrafo invisível

Aprendi uma coisa: fotógrafo é invisível. O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, foi muito simpático com todos, cumprimentou um a um os que estavam nos bastidores. Eu, com minha câmera gigantona na mão (equipamento profissional, nada de camerazinha dessa vez), acenei umas duas vezes com a cabeça para cumprimentar o ministro, que não percebeu.

Fotógrafo é aquele verbo “registrar”, aquele substantivo “imprensa”, aquela impressão de “lá vêm eles”, aquele comportamento de cardume e instinto de cão perdigueiro. Fotógrafo não é, naquele momento do clicar, uma pessoa, um jornalista, um convidado.

Na próxima, antes de sair roubando imagens e a alma de um ministro, vou me apresentar ou vou cumprimentá-lo e pedir licença, se puder.

Leia livros gratuitamente

1-Livro Livre, o Mundo é uma biblioteca é uma idéia muito legal. Você deixa um livro em um lugar público para que outra pessoa o encontre. Você deve “libertar” um livro, convida essa iniciativa, chamada de bookcrossing. Aqui no Brasil, a libertação de livros é organizada pelo Jornal de Debates. Os títulos são bem atraentes. Quando olhei na home imperava José de Alencar, de quem tive a teimosia e o desprazer de ler muitos títulos. Mas lá estavam também “As Viagens de Gulliver” e “A Arte da Guerra” de Sun Tzu.

2- Essa foto engraçadinha (acima) eu encontrei no De(couer)ação, que dá a dica de download grátis de livros no E-books grátis. O porém é que faltam títulos para o meu gosto. No meio de uma montanha de livros desnecessários e de apelo bem popular, encontrei um solitário “Cidades Invisíveis” de Italo Calvino.

3- Domínio Público é o bicho. Anote aí. Você encontra nesse site e-books de qualidade, clássicos e, inclusive, os livros que escrevi com o Roberto Taddei, da coleção Conquiste a Rede (você pode baixar a coleção também aqui no meu blog). Na home do Domínio Público, o aviso: a obra completa de Machado de Assis, grátis, ali, para você mergulhar. Tem Fernando Pessoa, tem músicas para download, enfim, é um prato recheadíssimo.

4- Leia blogs também. Qual o problema, hum?

« Posts anterioresNext Page »