Naveen Naqvi
“As pessoas devem abordá-la quando você anda na rua”, comentei com a jornalista paquistanesa Naveen Naqvi assim que começamos a conversar. Pensava no sucesso que apresentadores de TV fazem no Brasil e de como caminhar na rua pode ser complicado para uma celebridade da mídia.
Imaginei Naveen, tão simpática e bonita, âncora de TV e blogueira, distribuindo autógrafos e sorrisos na rua. Engano meu.
“Mas eu não ando na rua. No Paquistão, mulheres não andam nas ruas. Ficamos em ambientes fechados. Não uso véu, ando da forma como estou vestida agora, mas só homens andam nas ruas.”
Ih, comecei a ter ideia da distância de realidades. Os costumes islâmicos, porém, não a intimidaram. Naveen amplificou sua voz com o Gawaahi, um projeto pessoal pelos direitos humanos e democracia, voltado para o jornalismo cidadão (colaborativo). Esse levante digital que se observa nos países islâmicos também passa por suas mãos.
Na semana passada, depois de uma troca de emails, intermediada pela embaixada do Brasil no Paquistão, eu e ela combinamos um encontro. Pelo Google, ela conheceu a coleção de livros que escrevi com o Roberto Taddei, “Conquiste a Rede”, e quis que eu contasse para os paquistaneses como é que se faz isso, conquistar.
Achei que seria interessante que ela conhecesse outros pontos de vista além do meu jeito de contribuir para a inclusão digital, muito discreto, trabalho de formiguinha ano após ano. Os livros seguem seu caminho, continuam a ser lidos, parece que ainda se aprende neles, passados cinco anos, alguma coisa sobre como publicar conteúdo na internet. Sugeri uma conversa com amigos na Casa da Cultura Digital, em São Paulo, uma bonita vila inglesa construída nos anos 20 na Barra Funda. Além dos amigos e de outros pontos de vista, um bonito cenário para as gravações.
Em uma tarde dessas que parece um parênteses na vida, em que se faz uma amiga em poucas horas e depois já vêm as despedidas, conversamos sobre blogs, ideias, mudanças, educação, política, religião, pão de queijo. Foi um prazer. Conquistar a rede é assim, uma prática que mistura cultura, amigos, comida, ideias.
“Gosto de mish mash”, disse Naveen. “Gawaahi não é só sobre política, é um mish mash, e é criticado por isso”.
“Prefiro também o mish mash”, respondi. Rimos, no meio de um parênteses.
Gawaahi: gawaahi.com