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Atropelou o verbo e fugiu: qualidade no jornalismo

Adoro o blog coletivo Conversas Furtadas, que coleciona bobagens ditas na rua. Copio um post chamado Pout-pourri, de Claudio Delamare, sobre estudante de comunicação que não gosta de ler:

- Ah, professor, eu sempre achei essa coisa de ler um saco, nunca gostei.
- Mas aluno de comunicação que não gosta de ler? Não pode.
- Pois é, precisa, né? A agora eu empolguei com um livro que ganhei.
- Qual?
- O Código Da Vinci. Já li todo.
- Tá, OK. É formulão, mas é um começo. Gostou?
- Adorei! Agora tou empolgada, quero ler mais, até já escolhi o próximo!
- E qual será?
- Desvendando o Código Da Vinci.

Atropelou o verbo e fugiu

Essa situação dá uma pista a respeito da qualidade das notícias. Se nem os estudantes de comunicação que, teoricamente, deveriam se interessar pela coisa, mostram-se fluentes na produção de conteúdo, como esperar que a produção do leigo seja excelente? Ainda mais aqui, onde o cidadão é antes de mais nada, brasileiro. Brasil, escutai vossos pandeiros, 32% da população ainda é de analfabetos funcionais.

Só por sorte do destino -e ainda que assim mesmo há inúmeros casos - a contribuição do cara que não é profissional de comunicação é redondinha, pensante, estruturada, criativa, confiável, ética, pertinente, responsável, dá voz aos dois lados, verifica informações antes de divulgá-las e reúne todos os atributos imagináveis para o conteúdo de qualidade. É pura sorte, uma variável metafísica. O leigo não tem idéia de que o que produz tem de ser assim ou assado, se o faz, é por intuição ou porque sabe de orelhada. Uma saída para que haja um salto de qualidade pode ser contar ao leigo o que é bacana fazer quando se publica na web.

O que deveria preocupar a todos é a qualidade do que produzem os profissionais de comunicação. Nós, pobrezinhos, profissionais das comunicações, estamos “trocando o óleo do carro enquanto dirigimos pela estrada”, para usar a expressão de um diretor de uma empresa de comunicação chamado Howard Weaver. A frase desse senhor, sobre a reinvenção da forma de produzir e publicar notícias, que tumultua as redações nesse momento, consta no relatório The State of the Media 2008, divulgado esta semana, a respeito da mídia dos EUA. Qualidade é algo sensível tanto no jornalismo tradicional quanto no jornalismo cidadão.

Jornalismo cidadão

Passo ao segundo episódio desse relatório (leia o primeiro), que aponta para problemas no mundo do jornalismo cidadão. É preciso ressaltar que as críticas que o documento faz, bastante contundentes, vêm de expectativas elevadas que não se cumpriram. Se você estiver interessado em mergulhar na questão, leia mais no capítulo sobre principais tendências do relatório:

“As perspectivas para o conteúdo gerado pelo usuário, que pareciam ser centrais para a próxima era do jornalismo, agora parecem mais limitadas. Jornalistas dizem que a melhor parte da contribuição dos cidadãos são as novas idéias, fontes, comentários e, até certo ponto, fotos e vídeo. Cidadãos postando conteúdo jornalístico, no entanto, mostrou-se algo menos valioso, com pouca coisa nova ou verificável.

O pessimismo não está restrito à mídia tradicional. O conjunto de notícias produzidas por cidadãos e os blogs está chegando a um nível significativo. Mas um estudo sobre jornalismo cidadão contido nesse relatório verificou que a maioria desses sites não deixa estranhos fazer nada além de comentar o material do próprio site, o mesmo que fazem os sites da mídia tradicional. Poucos permitem postar notícias, informação, eventos da comunidade ou cartas ao editor. Blogs são ainda mais restritivos. Em resumo, em vez de rejeitar o papel de “guardião do portal” (gatekeeper) do jornalismo tradicional, os jornalistas cidadãos e os blogueiros parecem estar recriando esse papel em outros lugares.”

Vai fundo

O futuro do jornalismo e dos jornalistas

Sai dia 17 o relatório anual do Project for Excellence in Journalism, com dados sempre impressionantes sobre a mídia dos Estados Unidos e com qualidade para serem citados em pesquisa científica. Este ano, o relatório procura descobrir o que os jornalistas pensam do futuro da profissão. Analisa também o conteúdo de 64 sites de mídia cidadã, ou seja, de projetos que envolvem o jornalismo cidadão e a publicação de conteúdo por quem não tem diploma de Comunicação. No relatório do ano passado, como você pode ler, o foco era jornalismo digital.

folhinha

Pesquisa sobre blogs

Você, que pesquisa comunicação, anote aí: Blog Brasil é um wiki que reúne artigos publicados sobre weblogs no Brasil. Veja o que a academia diz a respeito.

Território ocupado

Enquanto isso, jornalistas e não-jornalistas que publicam conteúdo na rede continuam se estranhando no Brasil, em mútua animosidade. Alguns jornalistas dão a entender que blogueiro é aquele profissional de segunda categoria que avança sem aviso por seu território. Alguns blogueiros dão a entender que é a mãe. Eu acho essa conversa superada pelos próprios fatos, até quando vem acompanhada por bolinho de arroz, tabasco e chopp. Enquanto isso, a caravana passa e o relatório deve apontar para as novas tendências.

Lessig faz campanha para o Congresso com blog, wiki e Facebook

Eu escrevi sobre direito digital sem saber que o assunto viria para ficar mais algum tempo nos posts. Ganhou novamente espaço, mas olha que interessante: Lawrence Lessig, fundador do Creative Commons, professor de Direito de Stanford e defensor da cultura livre, anunciou esta semana que pode ser candidato ao congresso norte-americano pela Califórnia. Em um blog, ele explicou que vai se dedicar ao movimento Change the Congress (Mude o Congresso) e que na semana que vem confirmará se vai ou não ser candidato.

Facebook

Diz Lessig que nesse meio tempo acompanhará as discussões de um grupo do Facebook, onde teve início uma conversa engraçada sobre as razões pelas quais ele não deve concorrer ao congresso. Um dos motivos é que ele poderia ser juiz caso Obama ou Hillary vençam e isso lhe daria mais poder que o Congresso. Outro cara diz que ele é tímido. Outro diz que ele não é Arnold Schwarzenegger e que sua candidatura não decola, não dura três semanas…

Campanha de muitos links

Lessig diz que quer ouvir todo mundo, mande seu e-mail etc. Ele faz uma campanha de muitos links: Draft Lessig, Lessig08, Draft Lessig Wiki. É a campanha mais linkada do mundo, provavelmente. Aliás, lá no Facebook, um cara diz que Lessig é bom de link, mas não é bom de voto.

Webcast

Enquanto isso, a pressão por nova legislação relativa a direitos autorais segue seu caminho. Nesta segunda, dia 25, a Comissão Federal de Comunicação dos Estados Unidos debate en banc O Futuro da Banda Larga, no Berkman Center for Internet and Society de Harvard. Entre os participantes dos painés estão Yochai Benkler e executivos do BitTorrent, Comcast, Verizon e Sony.

O áudio do evento será transmitido ao vivo, caso alguém tenha interesse “beeeeem” profundo sobre assuntos jurídicos :)

Leia mais

Leis brasileiras para a internet

Juliano Spyer oferece capítulo de Conectado

Juliano Spyer Juliano Spyer

O Juliano Spyer (na foto, na palestra Zen e a Arte de Blogar, durante o Campus Party) abriu um capítulo de seu livro “Conectado” para download grátis. Diz ele:

“Um dos meus capítulos favoritos do Conectado é o Impactos da rede na mídia. Ele foi escrito pensando no profissional da comunicação que aprendeu a trabalhar usando o broadcasting e que agora está tendo que se reinventar com a internet. É justamente esse capítulo que agora está disponível em PDF para ser distribuído livremente. Ele tem 3 mega e pode ser carregado neste link:

http://www.4shared.com/file/38020138/b26e2957/Conectado_cap16.html

Quem não tiver lido poderá ter uma idéia do que é o Conectado e quem já tiver o livro, pode repassar a informação para amigos e conhecidos interessados no assunto, especialmente jornalistas e outros profissionais da comunicação.

O arquivo inclui o prefácio do Caio Túlio, a introdução, o índice, o
glossário, notas de roda-pé e referências bibliográficas.”

Valeu Juliano!

Ronaldo Lemos fala sobre direito autoral na Campus Party

Posso copiar um CD que eu acabei de comprar na loja para o meu iPod?“, pergunta Ronaldo Lemos durante palestra na Campus Party.

Não!!!!!

Direito digital no Brasil é um terreno superpantanoso, super-arcaico, super-do-arco-da-velha.

Radar Cultura + blogs + educação

Radar Cultura + blogs + educação Radar Cultura + blogs + educação

A Bel Colucci conversou para o Radar Cultura com os professores que participaram sábado da oficna sobre blogs e educação na Campus Party.

O blog webduca, construído durante as oficinas sobre o uso de blogs, fotoblogs, videoblogs e podcasts em educação é um exemplo prático do que dá para fazer.

Praça digital

Vale a pena passar algumas horas na Campus Party. Desavisados, abaixem seus teclados afiados e parem de achar tudo bobabem. No infeliz debate mencionaram um texto do site da revista Super (desinteressante) que dizia que todo mundo babava verde ali na Campus Party. Pelo menos é o que o primeiro parágrafo sugeria.

Não é não. Eu assisti palestras bem bacanas. Eu encontrei amigos. Eu dei uma oficina de quatro horas durante todas as manhãs para educadores, conversei muito e discuti assuntos interessantes. Se as escolas, quiçá as universidades, apresentasssem um tiquinho que fosse das novidades que ouvi durante o cparty, como ficou chamado em forma de tag, seria lindo

Sabadão de Campus Party

soninho soninho

Canseira. Essa maratona de oficinas de blog para professores teve início na terça-feira. Hoje, sabadão de Campus Party, o cansaço começa a pesar. Nossa, que semana comprida! Nossa, quanta coisa cabe em alguns dias. Nossa, como falar muito cansa. Nossa, como ar-condicionado faz mal para a voz.

One Laptop per Child no Campus Party

olpc olpc

Um dos laptops verdinhos do projeto OLPC (One Laptop per Child) apareceu na oficina de blogs na educação do Campus Party. Estava com um cara da equipe do Radar Cultura, mas eu não consegui perguntar se o bichinho deu conta do recado, se ele conseguiu fazer tudo certinho.

O que é RSS

Essa é jogo duro: explicar para alguém o que é RSS, como funciona um feed, como usar um agregador. A Luciana Terceiro conta tudo direitinho:

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