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Blog Action Day propõe um só papo no dia 15: ambiente

Bloggers Unite - Blog Action Day

A blogosfera a-do-ra marcar datas mundiais para chamar atenção para um determinado tema. E haja tema. Essa compulsão pela corrente entre os blogs e pelo meme agigantado exercita seus músculos dia 15, segunda-feira, quando o papo é ambiente. A convocação vem do Blog Action Day com um slogan charmoso: “One issue. One day. Thousands of voices” (Um tema. Um dia. Milhares de vozes).

Um de meus posts mais lidos (aguarde que a reformulação desse endereço prevê uma lista com os mais lidos, eu chego lá) fala sobre aquecimento global. É um tema que me diz ao coração. Gostaria muito que o planeta fosse melhor tratado do que essas caixinhas de embalar hambúrguer. Gostaria de continuar a caminhar pelas matas e encontrar vida ali nos próximos anos. Acho que os ursos polares não são os únicos a perder com essa história toda. Definitivamente, não são.

Correntes e convocação geral não costumam me comover, mas essa tem a ver comigo e com você. Vamos escrever sobre ambiente? Falar e comentar não bastam, como disse hoje um anônimo no post sobre aquecimento global. Mas é um começo.

começo

Recicle, reduza, reutilize.

Dica da Coluna Extra.

Colaboração é a chave

Percebi nos últimos dias vários movimentos que mostram que o jornalismo colaborativo vai bem, obrigado, cheio de saúde. Na esfera da política cultural brasileira, a boa notícia foi o convite do Instituto Pensarte feito a mim, Rogério da Costa, Hernani Dimantas e Edney Interney Souza, para trabalharmos dia 3 e 4 de novembro, em Belo Horizonte, em uma oficina de jornalismo colaborativo. Depois dessa oficina, os participantes, que poderão chegar a três centenas, farão a cobertura da Teia, o encontro dos pontos de cultura organizado pelo Ministério da Cultura.

A cobertura já começa a aparecer no 100canais, a agência de notícias dessa festona que ocupará o centro de Belo Horizonte entre 7 e 11 de novembro.

Para a preparação dos “jornalistas cidadãos” (eu não gosto muito desse rótulo, é feio, hein? Prefiro dizer os que não são profissionais de comunicação), foi proposto um formato de café para a oficina. Haverá mesas de dez pessoas, revezamento contínuo entre os que participam da conversa e café, o próprio, em copinhos, ali por perto. Parece bom para um feriado.

A reunião entre oficineiros foi feita no Pontão do Kaos, uma espaço na alameda Nothman que é um dos pontos de cultura, comandado por Jorge Mautner. O visual do lugar é bem interessante, olha só:

Pontão do caos

Na esfera meganegócios, MSNBC compra Newsvine

Enquanto nos reuníamos para falar sobre jornalismo colaborativo no Pontão do Kaos, uma novidade de impacto chegava ao mercado. Newsvine, um projeto baseado em Seattle, nos Estados Unidos, foi comprado no dia 5, sexta-feira, pela MSNBC.com, joint venture entre Microsoft and NBC.

newsvine _ msnbc

É sinal de que as notícias feitas por quem não é profissional de comunicação têm valor para o mercado, pois são empresas que não costumam entrar em projetos por diletantismo, digamos assim. Como comentou Tiago Dória, foi a primeira compra da MSNBC em 11 anos. O Techcrunch deu mais detalhes sobre a transação: de um lado, a MSNBC tem 200 funcionários. De outro, o Newsvine tem seis.

Pierre Lévy analisa as rede sociais de São Paulo

“Inteligência Coletiva, Interdependênica e Projetos Sociais – Os desafios da atuação colaborativa em rede: um encontro com Pierre Lévy”.

Isso é na quinta, dia 16 de agosto, das 18h às 21h30, no Auditório da Telefônica, na Bela Vista. Vagas limitadas – para convidados.

“A proposta do encontro-laboratório é estimular junto aos participantes a percepção da Inteligência Coletiva como ferramenta para lidar com os desafios enfrentados por projetos sociais. Nesse encontro serão apresentados dois projetos sociais: o portal Educarede, uma iniciativa da Fundação Telefônica, e o Portal Rede Social São Paulo, uma iniciativa da Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo – Seads.”

A iniciativa é do LinC, um projeto sobre inteligência coletiva superbacana, e da Fundação Vanzolini, que deve transmitir o encontro pelo site www.vanzolini-ead.org.br (eu entrei no site e não encontrei bulhufas, em todo o caso, reproduzo aqui o endereço que leio no convite enviado pelo Sergio, mas não coloco o link porque ele não existe ainda, top secret).

Que curiosidade de acompanhar esse papo.

Qual o tamanho da bolha imobiliária?

Zen Zen

A bolha imobiliária estourou, como já haviam previsto tantos. Eu, que não sou da área, já sabia que havia uma bolha no preço dos imóveis nos EUA prestes a explodir. Cheguei a imaginá-la sobre as casas, como um balão transparente cheio de ar que pressionava os telhados das residências com gramado e cachorro labrador dos subúrbios e dos condomínios da Flórida.

Em 2000, quando eu ainda segurava nas mãos capas de revistas semanais sobre fortunas instantâneas criadas pela internet, um consultor me disse que a bolha havia estourado. Ela arruinaria todas aquelas empresas das capas de revista. “Acabou”, disse ele. Incrédula com a onda que avançava em minha praia -  eu trabalhava na web – vi de camarote a bolha da internet estourar. Puf.

Lembrei dessa previsão certeira quando hoje o ministro da Fazenda Guido Mantega disse que não era bem assim, que a bolha imobiliária não afetaria a ecomonia brasileira e tal e tal. Enfim… “O Brasil está sendo considerado próximo do investment grade. Ele está na alça de mira dos investimentos. Os investidores sabem que eles podem vir para cá para ganhar dinheiro com operações sólidas, com baixo risco. O risco é baixo, porque os fundamentos são sólidos, temos reservas, temos superávit comercial, superávit em transações correntes. As condições são muito favoráveis.”

Quem disse isso foi o ministro que falou que a crise aérea era sinal de abundância, que era uma coisa muito boa que acontecia no Brasil. Ao ouvi-lo, a pulga atrás de minha orelha fez uma exibição à altura do Pan, três saltos ornamentais seguidos de corrida de 100 metros. Lembrei do consultor, frio, personagem de quadrinhos.Terno escuro, pele azulada e olheiras cinzas. “Tudo isso vai para o brejo.”

E a bolha imobiliária, que tamanho tem?

O que todos querem saber é até que ponto as ondas sísmicas se espalharão. Dos EUA à América do Sul é um pulinho. A bolsa da União Européia torrou nesta sexta milhões de euros para instalar uma barreira de colchões a seu redor e amortecer o impacto.

PS: Na rua Pinheiros, São Paulo teve ainda outra bolha essa semana, de um líquido que é usado para facilitar a passagem do tatuzão pelo subsolo, uma espécie de lubrificante que vazou pelo asfalto da rua. Primeiro veio uma pocinha, depois o solo cedeu. Quem viu “A Coisa” um dos cinco filmes mais trash do ranking universal, pensou que estavam fazendo um remake ali em Pinheiros. Nessa produção das antigas, uma espécie de iogurte borbulha do solo e mata as pessoas de uma cidade.

Bric, uma constelação brilhante do céu do futuro?

Bric, pequena constelação de países emergentes formadas por Brasil, Rússia, Índia e China brilha no céu. Brasil é um país do futuro. De futuro. Quando banqueiros e investidores acreditam nessa hipótese, ela não parece mais história de Cuca e bicho-papão, saci e mula sem cabeça.

Esta semana, encontrei dados chamativos a respeito do Bric:

1- A China está perto de superar os Estados Unidos como o país com maior número de usuários de internet no planeta.

2- Os internautas brasileiros foram os que gastaram mais tempo navegando na grande rede em 2006 segundo dados do Ibope-NetRatings.

3- Em dez anos, a Índia poderá tornar-se a quinta maior potência mundial. Se o crescimento do país prosseguir, no meio do século a economia poderá ultrapassar até a dos Estados Unidos, ficando atrás somente da China, diz estudo do banco de investimentos Goldman Sachs.

Redigi uma nota da Veja Online a respeito: “Segundo informa a BBC, o relatório do banco credita ao programa de reformas a crescente eficiência e competitividade da Índia. Há um boom econômico e os sinais de prosperidade podem ser vistos em aeroportos cheios, nos carros novos, na afluente classe média e em novos shopping centers,que avançam sobre locais que pertenciam à zona rural. Provavelmente é apenas o começo de uma transformação que mudará a economia global. Dentro de 15 anos, estima-se que o indiano esteja cinco vezes mais rico que hoje. As previsões apontam também para um consumo de petróleo bruto três vezes maior.

Tamanho potencial de crescimento, no entanto, poderá encontrar barreiras. Problemas de infra-estrutura já estrangulam a expansão da Índia e cortes de energia são comuns por não haver eletricidade suficiente para atender a demanda. Os portos do país estão congestionados e as estradas não têm conservação. Outro fator que pode limitar o crescimento é a falta de profissionais capacitados para trabalhar na indústria de tecnologia, um importante pólo mundial.

No mês passado, uma delegação comercial dos Estados Unidos passou duas semanas no país à procura de oportunidades de negócios. Depois, foi a vez dos empresários britânicos, acompanhados pelo Ministro das Finanças, Gordon Brown. No próximo mês é Vladimir Putin, presidente da Rússia, quem deverá passar uma semana na Índia, interessado em contratos de fornecimento de energia nuclear e armamentos.”

E então: a Cuca vem pegar?

Os 800 milhões que serão classe média e vão comprar marcas americanas

É conosco: no Top 50 das pessoas mais influentes do mundo feito pela revista Business 2.0 estão as 800 milhões de pessoas da China, Índia, Rússia e Brasil que na próxima década serão classificadas como “classe média”. Em sétimo lugar do ranking, voltado para o mundo da tecnologia e da web.

Sabe por que tanto destaque? Segundo a revista, essa gente “ambiciosa e culta” representa ao mesmo tempo uma oportunidade e uma ameaça para a América. Leia-se do Norte, Estados Unidos da América. Não sei desde quando eles tomam o nome do continente como apelido para o país, mas sei que eles são um pouco ruins de geografia.

Voltando à questão, essa gente bacana está provocando uma pressão enorme no custo dos produtos da “América”, graças à globalização. E essa multidão, que é igual à população dos Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão juntas, tem dinheiro para gastar – coisa de US$ 1 trilhão por ano, segundo estimativas.

Aí vem a parte da qual eu mais “gosto”:

O ranking da Business 2.0 olha do Hemisfério Norte com sua lente de microscópio para toda essa gente que vai tirar o rostinho para fora do buraco na próxima década e comenta: “Eles gostam das marcas americanas!” Eles vão comprar, eles vão gastar, eles estão no papo.

Você gosta de marcas americanas?

Vídeo online mexe com o sangue das megacorporações

Vídeo online é a bola da vez na web e o mercado movimenta-se para correr atrás da onda que o You Tube soube surfar logo de início. Depois que o Google comprou o serviço de vídeo mais popular do mundo, as megacorporações de mídia fizeram mudanças estratégicas em cargos de liderança para ter fôlego no novo desafio: domar o bicho que corre solto pela rede.

News Corp., Time Warner, Viacom and CBS contrataram executivos vindos da TV ou do mundo do vídeo online, como detalha uma reportagem publicada pela CNN na editoria de negócios. O assunto vem à tona em termos de ações no mercado financeiro, veja bem, e não em termos de linguagem digital do entretenimento e coisas assim mais levinhas. Papo de economia globalizada.

Murdoch

A News Corp. chamou Peter Levinsohn, que era o chefe dos negócios digitais da Fox Entertainment e que estava encarregado de negociar com a Apple, Amazon e outras lojas virtuais a venda e distribuição dos programas de TV e filmes da Fox. Peter ocupa o lugar de Ross Levinsohn, seu primo, responsável pela compra da comunidade online My Space. Rupert Murdoch, CEO da News Corp., comentou outro dia em encontro na Austrália que o My Space poderia ser vendido por US$ 6 bilhões, ou seja, é um grande sucesso. Substituir o responsável por esse trunfo é algo significativo.

AOL

Já a Time Warner anunciou a contratação de Randy Falco, ex-presidente da GE NBC Universal Television Group, para cuidar da AOL, substituindo Johathan Miller. Embora Wall Street tenha aplaudido a nova estratégia da AOL de ampliar os serviços grátis, muitos ainda acreditam que a empresa precisa se concentrar no vídeo online para atrair ainda mais usuários e anunciantes, explica a CNN.

MTV

No início de novembro, a Viacom contratou um veterano do vídeo digital para cuidar de suas operações online: Mika Salmi, ex-CEO da Atom Entertainment, comprada pela Viacom em agosto. Salmi foi nomeado presidente de mídia digital para a MTV Networks, subsidiária que inclui a MTV, Nickelodeon e outros serviços a cabo. Apesar da compra da Atom e iFilm, a Viacom foi criticada por estar sendo muito lenta na adaptação ao mundo digital.

CBS

A CBS também anunciou uma importante substituição na área de negócios digitais. Sai Larry Kramer, entra Quincy Smith, executivo da Allen & Co, um banco de investimentos da indústria da mídia. Mesmo que ele não tenha experiência na TV ou vídeo online, sua contratação pode ser um sinal de que a empresa quer ir além de seu site Innertube.

Dúvida cruel

  • Conseguirá o You Tube manter-se na liderança?
  • Depois do You Tube, quem é o próximo a vender o quê?
  • Quanto tempo as empresas brasileiras de mídia levarão para se adaptarem ao novo cenário? Entre elas, quem vai morrer por cegueira?

Líbia e Negroponte unem-se para dar um computador por criança em idade escolar

O nome de Muammar Abu Minyar al-Gaddafi deu um duplo mortal esta semana no noticiário sobre inclusão digital. Foi uma aparição pirotécnica deste chefe de Estado da Líbia desde 1969, mais conhecido por sua proximidade com atividades terroristas do que pelas idéias de vanguarda. Ele selou uma parceria com nada mais, nada menos, que Nicholas Negroponte.

Co-fundador e diretor do MIT Media Laboratory, Negroponte é também fundador da iniciativa Um Laptop Por Criança. Em reportagem do Los Angeles Times, lê-se que Gaddafi doou no início de outubro US$ 250 milhões para a iniciativa.

Chá no Saara

Foi em agosto, em uma tenda no deserto, que o líder africano e Negroponte selaram o futuro da Líbia. Negroponte comprometeu-se a entregar um milhão de computadores a Gaddafi em 2007. Já em 2010 a Líbia poderá ser o primeiro país no qual cada criança em idade escolar terá acesso a um computador e à rede mundial. Nenhum programa da Microsoft será instalado nos computadores.

Isso é uma mudança. Nas voltas que a geopolítica dá pode ser que surja um novo Vale do Silício no norte da África. A Líbia escolhe o caminho da Índia, que se transformou em pólo mundial importante quando entrou no mercado globalizado de tecnologia e serviços, fornecendo conhecimento e mão-de-obra especializada por preços atrativos.

Como disse o russo naturalizado americano Sergey Brin, co-fundador do Google, em entrevista mencionada no livro “O Mundo é Plano”, de Thomas Friedman:

“Quem possuir conexão por banda larga ou discada ou tiver acesso a um cibercafé, seja um garoto do Camboja, um professor universitário ou eu mesmo, que gerencio este mecanismo de busca, todos têm o mesmo acesso básico a dados gerais de pesquisa. É uma força equalizadora e muito diferente de quando eu era pequeno, quando o máximo que eu tinha era acesso a alguma biblioteca, que não tinha tanta coisa assim e só por milagre se conseguia uma informação, ou buscando algo muito simples, ou muito recente”.

O Brasil ainda ensaia os primeiros passos na mesma direção. O governo Lula apostou fichas no software livre, abriu centros de uso público da internet e criou espaço para a discussão da inclusão digital. A revolução digital ainda não ocorreu. Estamos no ensaio geral.

Upload

Upload é uma das coisas que fizeram o mundo encolher. Quem diz isso é o americano Thomas L. Friedman, expert em relações internacionais que é colunista do jornal The New York Times e coleciona prêmios Pulitzer. A idéia aparece em sua obra mais recente, The World is Flat, título que pode ser traduzido tanto como O Mundo é Plano como O Mundo é Chato.

Friedman explica de que forma o ato de colocar na internet quaisquer arquivos – texto, vídeo, áudio, imagem, o que for – transformou fronteiras e contribuiu para a globalização. O livro, lançado este ano no Brasil como O Mundo é Plano, saiu também em formato de audiobook pela Audible. Escolhi esta opção.

Blogs, flogs, vlogs, jornalismo participativo, tudo isso funciona graças à facilidade com que hoje fazemos upload. Não é preciso muita habilidade. Friedman fala em “plug and play”, algo como ligar e brincar, o mesmo princípio de uma torradeira, por exemplo, basta ligar e usar.

Com essa facilidade, a comunicação e a interação pela web aproximam-se do uso da torradeira no café da manhã que, em termos técnicos, não requer habilidade. Já em termos de criatividade…

Em português, dizemos “jogar o arquivo na rede”, “colocar no ar”. São palavras simpáticas. Mas nem tudo é brincadeira. Durante as últimas eleições, fiz o upload de cinco centenas de pesquisas de opinião, coisa séria, que mexe com o destino do país, das pessoas, dos candidatos. E nesses dias em que o blog começa a esquentar os tamborins, spiders (robozinhos) dos sites de busca já rastrearam meus recentes uploads. Não senti tanta leveza.

Não há qualquer possibilidade de controle. O upload ao alcance de todos contraria Cristóvão Colombo, que nos mostrou que o mundo era redondo. Hoje em dia, o mundo lembra o quintal da tia Maria, segundo as idéias de Friedman, tudo ali muito pertinho.

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