Celular é mania. Não me refiro a falar pelo celular, o que é obviamente uma tara do pessoal que leva a sério as promoções “fale a vontade” das operadoras. Olhar fixamente para o celular e rir sozinho em seguida é a nova mania.
Passei ontem pela Paulista e uma banda tocava U2 na calçada, próximo à rua Augusta. A platéia até estava gostando, mas nem por isso a garotada levantava a cabeça para acompanhar o esforçadinho da guitarra. Muita gente de cabeça baixa entretida com o celular.
Celular, meu amigão
No restaurante, repare, as pessoas rapidamente espiam a tela do celular de tempos em tempos para ver se o mundo ainda não acabou. Elevador, fila e congestionamento, então, são cenários perfeitos para os entretidos com o celular.
A foto acima foi tirada em um dia de recorde do trânsito parado em São Paulo. Fiquei uma hora às margens do Rio Pinheiros. Cliquei e cliquei para passar o tempo. Publiquei no Instagram, dei uma espiada no e-mail e nada de sair do lugar. Meu celular, conectado ao som do carro por um fio, garantia a trilha sonora. Nada como as músicas favoritas para a passar o tempo. Meu celular, meu amigão.
Compro tudo pelo celular
Os smartphones (celulares espertos, em tradução beeeem livre), com acesso à internet, velocidade rápida o suficiente para vídeos e com memória para guardar playlists bacanas como a minha, agora também servem para comprar. Segundo uma pesquisa realizada pelo Google em parceria com a Ipsos e a Mobile Marketing Association (MMA), 80% dos consumidores brasileiros que têm smartphone pesquisam nele um produto ou serviço antes de comprar.
“A pesquisa em smartphones influencia as decisões dos compradores e as compras em canais. 31% dos usuários de smartphones fizeram uma compra pelo celular. Implicação: ter um site otimizado para celular é essencial. Além disso, é necessário ter uma estratégia para vários canais a fim de envolver os consumidores nos diversos caminhos até a compra.”
Jamais saio de casa sem ele
“A difusão dos smartphones atinge 14% da população, e esses proprietários de smartphones dependem cada vez mais de seus dispositivos. 73% acessam a Internet todos os dias no smartphone e muitos nunca saem de casa sem ele. Implicação: empresas que têm a rede móvel como um elemento central de sua estratégia se beneficiarão da oportunidade de envolver o novo consumidor, que está constantemente conectado”, conclui a pesquisa.
Sem ele não chegaria a lugares novos
Rodei muito com o auxílio de um guia de ruas em papel todo empoeirado que guardava no porta-luvas. Depois do advento do GPS embutido no meu celular, a vida mudou. A vida sorriu para mim, posso dizer. Consulto o mapinha da tela, dou zoom, vejo o nome das ruas paralelas àquela em que devo entrar, me encontro em um instante. Posso ainda fugir do congestionamento, se tiver paciência para pesquisar (não tenho o aplicativo adequado, nunca fiz isso) e já vi um amigo em corrida desabalada porque verificou pelo celular esperrrto que o ônibus que ele aguardava estava a poucas quadras de distância.
A pesquisa não fala em GPS, mas achei relevante meu depoimento de celular amigão. Até fazendo trilha de bicicleta no meio do mato, perdida entre muitos morros idênticos, foi um conforto saber que eu ainda iria achar o caminho. Pelo celular.
O horror, o horror
Para a geração dos meus pais essa mania de celular é abominável. “Ele e ela, namorados, sentaram um em frente ao outro na mesa e passaram a noite mudos, teclando no celular”, descreveu minha mãe, horrorizada, o comportamento do casal de 20 e poucos em uma pizzada de aniversário. “Acho que conversaram por SMS”.
Criança comportada tem celular na mão
Os pais descobriram um truque sinistro. Você nem precisa ensinar aos meninos bons modos. Basta emprestar o celular e eles ficam como que lobotomizados. Quietos, serenos, alheados. Em um mundo paralelo bem longe da reunião familiar.
Pesquisa mundial
Voltando aos dados científicos, essa pesquisa Our Mobile Planet é recheadona de dados, espie lá: www.ourmobileplanet.com/pt-br/ Cruza informações sobre a adoção e o uso de smartphones em mais de 40 países.
Relatórios por país: www.ourmobileplanet.com/pt-br/downloads/
Não sei como anda a vida para os chineses, deixa eu ver: ah, lá são 33% os que usam smartphones. E no Canadá? Suécia? Egito? Irlanda? Estados Unidos? Como será? Está tudo na pesquisa gorda, aberta para consulta.
E aí, será que na Irlanda, quando o U2 original (e não o cover) toca a moçada abaixa a cabeça e prefere o celular? Será?





