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Os vampiros de Sookie Stackhouse

lua lua

Cada um segue a novela que pode e eu viciei-me, confesso, nas histórias de vampiros de Sookie Stackhouse. O formato dos livrinhos é idêntico aos de Sabrina. Traduzi uma vez um livrinho da Sabrina e pude verificar a extensão da baboseira ali.

Estou no quinto livrinho da série escrita por Charlaine Harris (um bestseller do New York Times, como anuncia o selo na capa) e já vi todas as temporadas de “True Blood”, a adaptação para a TV feita pela HBO. Acredito estar habilitada a atestar a extensão da baboseira contida ali.

É interessante observar como o roteirista da série da TV arredondou e suavizou as besteiras de dona Charlaine. A foto da autora na orelha é inverossímil: uma mulher bem rechonchudona com colar de pérolas, toda sorridente. Não parece alguém interessada em vampiros. Mas parece uma leitora de Sabrina, aha!

É ela quem escreve a saga da garçonete Sookie Stackhouse, que acha finíssimo combinar a cor do batom com os brincos e que namora vampiros, sai com lobisomens e enfrenta bruxas. Uma salada mal escrita. Uma Sabrina pop.

Outra confirmação de que a historinha vicia: senti-me mais segura ao deixar a livraria ontem com outros três livrinhos sobre a brega da Sookie. Estoque suficiente para o feriado. Alívio.

Agora tem um “shapeshifter” que vira tigre, um “tigresomem”. É uma salada sem vergonha essa. Tão cheia de buracos que eu me sinto um gênio ao pinçar frases repetidas de livrinho em livrinho. “Provavelmente, a última coisa que os japoneses esperavam quando inventaram um sangue artificial é que sua disponibilidade traria os vampiros do reino das lendas para as luzes dos fatos.”

Essa frase deve ter 11 versões (uma para cada livro). É sempre um rearranjo para encher linguiça. Não gosto de terror, mas desde Lestat, o vampiro roqueiro, eu sentia falta de uma besteira desse porte.

#zemayerfacts

Sex Sex

Sempre achei que internet e besteira (jogo, fun, farra) foram feitos um para o outro.

Prova disso é o sucesso da tag #zemayerfacts, que está “galgando o pódium” dos assuntos mais comentados no Twitter, para usar uma expressão tão cafona quanto o conceito par-romântico-principal-da novela-das-8-da-Globo.

Ninguém acreditou que o José Mayer é novamente o gostosão da novela. A resposta coletiva foi cheia de humor, adoro isso. Para quem desceu da nave ainda agorinha, copio algumas das pérolas que o povo está colecionando:

José Mayer não conta carneirinhos, conta Helenas.

@diallmeida: 2 coisas contribuíram para a explosão demográfica humana: a revolução industrial e o nascimento do zé mayer.

@patiporto: Maria era virgem porque José não era Mayer

@7ropz: O movimento feminista surgiu porque Ze Mayer estava dando um intervalinho

O Zé Mayer está explorando o pré-sal.

@liviacarolinne: estudos comprovam q as mulheres tendem a se relacionar c/ homens parecidos com seus pais. meu pai parece com o zé mayer

@renatotarga Madonna só ficou com o Jesus Luz porque o Zé Mayer achou que ela era muito velha pra ele. Pegava mal.

@leandrocabido: Don Juan se deitou com 1000 mulheres. Zé Mayer que passou o telefone delas

@rjmeneghello: …se você perguntar que horas são para o Zé Mayer, ele responde “Faltam 3, 2, 1…” e depois te come

@garotona Darth Vader: “Zé Mayer, I’m your son”

@jakis_: Na Roma antiga, Baco dava festas com vinho e orgia em homenagem a Zé Mayer!

@Pitterdias: Se zé mayer comprasse a microsoft, ela mudaria o nome para bighard

@japeta_: Quando jovem, José Mayer gostava de escrever em seu diário, mais tarde ele ficou conhecido como “Kama Sutra”

@maribubbles: Na casa do zé mayer nem o azeite é virgem. #zemayerfacts

Cachalote, mamífero de idéias originais

Cachalote é o maior mamífero com dentes que existe. Baleia que não morde. É também uma loja/livraria/galeria dirigida por um coletivo e cheia de idéias originais. Fica na ministro Ferreira Alves, 48, na divisa entre Pompeia e Perdizes.

Auto-denominada “espaço de fomento de idéias estéticas”, a loja tem roupas, acessórios e objetos de Rita Vidal, manueladeombreiras, Nanquim e oitomilhertz, livros da editora Hedra, além dos trabalhos plásticos e gráficos de Rafael Coutinho e da Base-V (foto). Todo mundo jovem e disposto a renovar o repertório.

Caviar de brigadeiro

Neste sábado, dia 6, Valentina Aires, da marca Nanquim, lança a coleção Sol da Meia Noite, “para moças”. Com formação em Desenho Industrial e especialização em Design Gráfico, Valentina cursou Comunicação de Moda no London College of Fashion- University of the Arts e, com todos essas cartas na mão, promete servir caviar de brigadeiro para quem passar a Cachalote no sábado entre 12h e 20h.

Os modernos invadiram Perdizes

Entrei na lojinha e ficaria com serigrafias, objetos, camisetas, caixinhas, brinquedos, toy art, ímãs, com muita coisa, se pudesse. É uma farra para quem não quer nada convencional. Alê (Barbosa de Souza), dono da editora Hedra, “tomava conta do lojinha” quando entrei. Papo vai, papo vem, ele contou que uma senhora acabava de sair escandalizada com o mau gosto do que é vendido. “Voltei agora da Argentina e as coisas de couro lá são bem mais baratas”, teria dito ela, distante anos-luz do público-alvo da Cachalote, mais antenado e menos Calle Florida.

Alexandre virou editor de Conrad, Locke e Gramsci depois de largar a faculdade de Medicina no quarto ano. Maldosamente, eu o aconselhei a comentar com a senhora, possuidora de uma sinceridade à prova de bala e que havia prometido voltar “porque ele era uma gracinha”, que ele estava em dúvida. Não sabia se continuava como integrante do coletivo Cachalote ou se voltava ao estudo da Medicina.

Pérolas e atentados

cigarra cigarra

  • ‘O sero mano tem uma missão…’
  • ‘O Euninho já provocou secas e enchentes calamitosas. .’
  • ‘A situação tende a piorar: o madereiros da Amazônia destroem a Mata Atlântica da região.’
  • Não preserve apenas o meio ambiente e sim todo ele.’
  • ‘A AIDS é transmitida pelo mosquito AIDES EGIPSIO.’
  • ‘Já está muito de difíciu de achar os pandas na Amazônia’
  • … menos desmatamentos, mais florestas arborizadas. ‘
  • ‘Tudo isso colaborou com a estinção do micro-leão dourado.’
  • ‘… são formados pelas bacias esferográficas. ‘
  • ‘O serigueiro tira borracha das árvores, mas não nunca derrubam as seringas.
  • ‘Vamos deixar de sermos egoistas e pensarmos um pouco mais em nos mesmos.’

    OBS: eu recebi essa baciada de pérolas como resultados do Enem. Não duvido, mas também não comprovo. O “sero mano” é capaz de tudo, inclusive de inventar um spam cheio de humor.

    Academia dos dedos

    Exercício para os dedos/ Finger fitness Exercício para os dedos/ Finger fitness

    Xô tendinite, artrite, preguicite. Os dedos ganharam uma academia à sombra de árvores e ao lado de tanques cheio de carpas coloridas. Tudo muito bom.

    Essa escadinha para treinar os dedos fica no parque da Água Branca, na recém-inaugurada Praça dos Idosos. O lugar é tão simpático que também atrai jovens, que alongam depois da corrida nos bancos sombreados e aproveitam para pedalar sentados, ao lado dos senhores e senhoras.

    Passo ali com Francisco, a bordo do carrinho do bebê, para chegar no tanque de carpas, com direito a chafariz. Muito legal.

    O pug e a cadeira Eames

    Pug On Mini Eames Chair Pug On Mini Eames Chair

    O design tem seus marcos e essa cadeirinha para descansar ao lado é um deles. Em 1956, depois de anos de pesquisa, Charles e Ray Eames lançaram a “Lounge Chair”, construída a partir de três “conchas” de madeira. Leia mais.

    Quanto à foto, ao publicá-la entro em uma espécie de corrente da fortuna que só o mundo digital permite: primeiro, ela apareceu no Flickr da Jennifer Kelly, mas ela não sabe de quem é, diz que “achou online”. Depois, uma outra pessoa, Marv, postou a foto em seu blog. Eu, por minha vez, vi no Ping-Mag. Ela não é Creative Commons e tal, mas depois de tanto rodar o mundo e ter sido visa mais de 12 mil vezes no Flickr, eu topo reproduzi-la aqui, mesmo sem saber autor, porque é muito bonitinha.

    Atropelou o verbo e fugiu: qualidade no jornalismo

    Adoro o blog coletivo Conversas Furtadas, que coleciona bobagens ditas na rua. Copio um post chamado Pout-pourri, de Claudio Delamare, sobre estudante de comunicação que não gosta de ler:

    - Ah, professor, eu sempre achei essa coisa de ler um saco, nunca gostei.
    - Mas aluno de comunicação que não gosta de ler? Não pode.
    - Pois é, precisa, né? A agora eu empolguei com um livro que ganhei.
    - Qual?
    - O Código Da Vinci. Já li todo.
    - Tá, OK. É formulão, mas é um começo. Gostou?
    - Adorei! Agora tou empolgada, quero ler mais, até já escolhi o próximo!
    - E qual será?
    - Desvendando o Código Da Vinci.

    Atropelou o verbo e fugiu

    Essa situação dá uma pista a respeito da qualidade das notícias. Se nem os estudantes de comunicação que, teoricamente, deveriam se interessar pela coisa, mostram-se fluentes na produção de conteúdo, como esperar que a produção do leigo seja excelente? Ainda mais aqui, onde o cidadão é antes de mais nada, brasileiro. Brasil, escutai vossos pandeiros, 32% da população ainda é de analfabetos funcionais.

    Só por sorte do destino -e ainda que assim mesmo há inúmeros casos – a contribuição do cara que não é profissional de comunicação é redondinha, pensante, estruturada, criativa, confiável, ética, pertinente, responsável, dá voz aos dois lados, verifica informações antes de divulgá-las e reúne todos os atributos imagináveis para o conteúdo de qualidade. É pura sorte, uma variável metafísica. O leigo não tem idéia de que o que produz tem de ser assim ou assado, se o faz, é por intuição ou porque sabe de orelhada. Uma saída para que haja um salto de qualidade pode ser contar ao leigo o que é bacana fazer quando se publica na web.

    O que deveria preocupar a todos é a qualidade do que produzem os profissionais de comunicação. Nós, pobrezinhos, profissionais das comunicações, estamos “trocando o óleo do carro enquanto dirigimos pela estrada”, para usar a expressão de um diretor de uma empresa de comunicação chamado Howard Weaver. A frase desse senhor, sobre a reinvenção da forma de produzir e publicar notícias, que tumultua as redações nesse momento, consta no relatório The State of the Media 2008, divulgado esta semana, a respeito da mídia dos EUA. Qualidade é algo sensível tanto no jornalismo tradicional quanto no jornalismo cidadão.

    Jornalismo cidadão

    Passo ao segundo episódio desse relatório (leia o primeiro), que aponta para problemas no mundo do jornalismo cidadão. É preciso ressaltar que as críticas que o documento faz, bastante contundentes, vêm de expectativas elevadas que não se cumpriram. Se você estiver interessado em mergulhar na questão, leia mais no capítulo sobre principais tendências do relatório:

    “As perspectivas para o conteúdo gerado pelo usuário, que pareciam ser centrais para a próxima era do jornalismo, agora parecem mais limitadas. Jornalistas dizem que a melhor parte da contribuição dos cidadãos são as novas idéias, fontes, comentários e, até certo ponto, fotos e vídeo. Cidadãos postando conteúdo jornalístico, no entanto, mostrou-se algo menos valioso, com pouca coisa nova ou verificável.

    O pessimismo não está restrito à mídia tradicional. O conjunto de notícias produzidas por cidadãos e os blogs está chegando a um nível significativo. Mas um estudo sobre jornalismo cidadão contido nesse relatório verificou que a maioria desses sites não deixa estranhos fazer nada além de comentar o material do próprio site, o mesmo que fazem os sites da mídia tradicional. Poucos permitem postar notícias, informação, eventos da comunidade ou cartas ao editor. Blogs são ainda mais restritivos. Em resumo, em vez de rejeitar o papel de “guardião do portal” (gatekeeper) do jornalismo tradicional, os jornalistas cidadãos e os blogueiros parecem estar recriando esse papel em outros lugares.”

    Vai fundo

    Momento gracinha involuntária no Campus Party

    Quando você sai gravando uma palestra, você não faz idéia do que a outra pessoa vai falar, não há um roteiro. De vez em quando, o registro sai totalmente sem pé nem cabeça, sem ponto de corte, um rascunho sem serventia. Em outras vezes, o vídeo fica fora de contexto, como nesse trecho da fala do Ronaldo Lemos. Não faço idéia do que ele dizia antes e o que disse depois.

    Intrigante

    “A resposta é essa pergunta é muito intrigante”, diz o diretor da Creative Commons no Brasil. “Porque ela é basicamente a seguinte: ninguém sabe a resposta.”

    Gaping Void, twitter e o jornalismo de zumbis

    Patrícia Kalil, com seu Reviravoltas de Alice, e Gaping Void estão me ajudando a compilar a mais louca história do blog. Gaping Void (Hugh MacLeod) conta sobre a evolução de seu blog:

    gaping void twitter

    Blogging is dead? according to whom?

    Blog está morto? Segundo quem, pergunta ele. E escreve muitas coisas interessantes: “I guess my point is, if you’re one of these people considering giving up on blogging in exchange for paying more attention to Facebook, Twitter, YouTube and MySpace, or whatever they throw at us mere mortals, bear in mind you are giving up on something rather unique and wonderful. But I would say that.”

    Jornalismo de mortos-vivos

    Já a inteligente Patrícia, que circula agora em um conversível em Key West e beberica mojitos em homenagem a Hemigway (Acho. Faz o estilo), traz uma análise minimalista e divertida do universo do jornalismo (de onde saiu o fio da meada para os desenhos do Void, feitos atrás de cartões de visita), que ela divide em três categorias:

    citizen journalism/jornalismo cidadão

    legendary journalism /os “clássicos”

    zombie journalism/jornalismo morto-vivo

    Bobagens ditas, oferecidas e enviadas

    1- Ditas

    • Tem murfin” com “iorgute”. (Em café do centro de São Paulo)
    • Empresa responsável deve compensar a emissão de carbono 14. (No Intercon, o que rendeu muitos posts no Twitter)

    2- Oferecidas

    • Sobrancelha geométrica. (Em salão de cabelereiro do bairro)
    • Acesso por linha discada. (No pacote Connect de serviços que o Carrefour acaba de lançar. Só para quem não navega)

    3-Enviadas

    • Brasil é o quinto maior emissor de spam no mundo. Pesquisa da consultoria Sophos mostra que o país só perde para EUA, Coréia do Sul, China e Rússia.

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