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Fotos em preto e branco na Pinacoteca

Foto: Boris Kossoy, São Paulo, 1970

Boris Kossoy, Cláudia Andujar, Carlos Moreira, Cristiano Mascaro, Fernando Lemos, German Lorca e Thomaz Farkas: com essas estrelas da fotografia a Pinacoteca exibe, a partir de sábado, dia 23, 80 fotos em preto e branco doadas para seu acervo.

Minha intenção é estar na inauguração da mostra, que vai das 11h às 14h do sábado. Além de fã desses olhares em preto e branco, visitar Jardim da Luz e tomar um café em frente às árvores centenárias é um de meus programas favoritos em São Paulo. (Uso o adesivo da Pinacoteca que identifica os visitantes na blusa como uma medalha para meninas espertas).

A exposição fica até 9 de agosto, de terça a domingo, das 10h às 18h. Ingresso combinado (Pinacoteca + Estação Pinacoteca): R$ 4 ou R$ 2. Grátis aos sábados.

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Ilusão é bão.

Confusão dos sentidos que provoca uma distorção da percepção

(Wikipedia)

Erro de percepção ou de entendimento; engano dos sentidos ou da mente; interpretação errônea
1.1 confusão de aparência com realidade
1.2 confusão de falso com verdadeiro
2 efeito artístico produzido pelo ilusionismo
3 manobra astuciosa para enganar, iludir; logro, mentira

(Houaiss)

Mube, um museu que virou bufê

Rankin no Mube Rankin no Mube

O Museu Brasileiro da Escultura (Mube) é tão perdido quanto eu na zona leste. Nâo sabe se é museu, se é anexo com laguinho de carpas do vizinho Museu da Imagem e do Som. Não descobriu sua vocação.

Transformado em cenário para festas luxuosas e casamentos, o museu me atraiu duas vezes, para duas exposições de fotos. Uma delas, que aparece na foto, é do Rankin, um fotógrafo de celebridades, organizada e bancada pelo Shopping Iguatemi, como explicavam os banners.

E as esculturas? Sei lá. Tem uma coisinha aqui e ali, mas vida e vida inteligente, não sei, nunca vi. Desculpe se for ignorância, mas o fato é que a programação não me “pescou” ainda.

Enquanto eu olhava os retratos de figuras carimbadas de Hollywood e da Billboard, respirava fumaça de cigarro. Em um museu. Bem, no Mube. Na sala contígua, um exército de homens montava uma pista de dança modernex, com tiras de pano para dar um tchan no ambiente. No meio do bate-bate, umas bitucas de cigarro e a fumaça, que não respeita tapumes.

Na superfície, uma “escultura” – ou seria “instalação” – chamou a minha atenção. Cadeiras de metal, dezenas delas, enfileiradas para esperar o sim de algum casal, quem sabe mais à noite.

Fantasiei que o catering pode ser providenciado ali mesmo no Museu – museu de que mesmo? No café, vislumbrei vários álbuns de fotos ao lado de menus… Quem sabe são fotos das diversas montagens que é possível encomendar. Quem sabe. Não parei para perguntar.

Que pena. São Paulo precisa tanto de praças, de bancos, de museus arborizados e cheios de vida artística. Em local tão privilegiado, no coração do Jardim América, ao lado de mansões, a observar os carros que descem a rua Augusta a 120 por hora, o Mube fica ali, como uma área de exposições de fachada, como se a programação fosse um álibi que esconde sua verdadeira atividade: bufê de festas.

Já fui a algumas dessas festas, são mesmo gostosas. O espaço é amplo, modernex. As empresas que alugam o museu encomendam salgadinhos do tipo “blinis com cream cheese, salmão defumado e um galhinho de salsa crespa por cima” e drinks servidos em tubos de ensaio, coisas do gênero.

Em compensação, lá do outro lado da cidade, no Jardim da Luz, as esculturas respiram ao lado de um museu, a Pinacoteca do Estado, que funciona como museu. Ufa.

Rescaldo da Campus Party, a quermesse do mundo digital

ideias luminosas ideias luminosas

Levei meu filhotinho de 1 ano no último dia de Campus Party. Foi ótimo. Ele queria mexer em todos os mouses, teclados, cpus e fios que viu. Sei lá como essa nova geração entende o mundo digital, mas tenho a impressão que ele em breve me dará aulas sobre câmeras, celulares e computadores. Ele já sabe “folhear” as fotos que tirei na minha câmera. Aperta a flechinha e volta, imagem por imagem. Fala sério!

Bom, no último dia de Campus Party o Tony de Marco falou sobre o sucesso de sua série de imagens No Logo, que registraram o sumiço da publicidade nas ruas de São Paulo com a Lei Cidade Limpa. Ele comentou algo que faz sentido: depois da lei, a publicidade ostensiva e incômoda migrou para o subsolo, para o metrô.

Ainda na área de fotografia, a Gleice Bueno concluiu o workshop sobre o Olhar Estranho e o Edison Angeloni falou sobre Pin Hole digital, coisa que eu desconhecia. Adorei a paixão dele por traquitanas, por formas de registro simples e esquisitas, tipo barril com furinho, caixa de fósforo com furinho que registra tudo distorcido. Qualquer objeto vira uma câmera na mão de quem entende de pin hole, pelo que entendi. Será que alguém já tentou com uma concha? Na praia, sei lá, as idéias aparecem…

Marijô Zilveti gravou um vídeo para o Pictura Pixel e eu, como sempre muito envergonhada, fiquei megaencabulada diante da lente, pilotada por Hans Georg:

No rescaldo do #cparty ainda entra uma entrevista da Folha Online, que recebi no domingo, via formulário de contato do meu blog, sobre o melhor e o pior do evento. Copio minha resposta (não se sabe nunca o que sobrevive na edição):

1- O melhor da Campus Party é o encontro entre as pessoas. E a rede é feita pelas pessoas. Muitas se conhecem apenas pela internet e tem ali oportunidade de um encontro presencial. Campus Party é uma espécie de quermesse do mundo digital, no qual a comunidade confraterniza.

2- O pior da Campus Party: A cacofonia gerada pela proximidade entre os palcos e o volume do som do palco central. Neste ano, mal se ouviam as palestras, parecia uma feira do peixe onde bom cabrito é o que mais berra.

Fotografia no Campus Party: do zero ao tudo de bom

João Liberato João Liberato

Somente no início de janeiro que a área de fotografia do Campus Party foi oficialmente criada. A pressa bateu na minha prainha. Renato Targa (meu marido), coordenador da área no evento, topou o desafio binário: do zero ao 1 em poucos dias. O relógio já na contagem regressiva. Tique taque. Dois dias para montar uma grade de palestras e workshoops. Tique taque.

Procurei ajudar. Os amigos fotógrafos-buscadores-estudiosos toparam participar. A rapidez deu frutos. Oficialmente, ainda não é um coletivo, mas é oficialmente feliz esse encontro.

Eu não pude cobrir o evento como gostaria, mas o Fotocolagem faz isso diariamente, veja que bacana: Fotocolagem

Essa mesma foto aqui do post foi parar no blog de um site muito legal de fotografia, o PicturaPixel. Uma cobertura com muitos colaboradores, graças à ação da antenadíssima jornalista carioca Adriana Paiva: Pictura Pixel

O Fore escreveu sobre o segundo dia de fotografia no campus party.

Como eu disse outro dia, o melhor do #cparty são as pessoas e esse encontro feliz.

Bom cabrito é o que mais berra na Campus Party

Fotógrafos :) Fotógrafos :)

Entrei de gaiata no navio da Campus Party. Ancorei no porto da fotografia, em ilustre companhia. Renato Targa, Boi, João Liberato (na foto), Fábio Pazzini, Michelle Gomes, Aline Moura, Rafael Jacinto e os meninos da Cia de Foto, tudo isso no primeiro dia. E tem mais nas palestras e workshops da semana.

Para chegar às lonjuras da Imigrantes, fui de metrô e desci na estação Jabaquara. Voltei de carona, esmagada na Bandeirantes entre caminhões gigantes que transportam contêineres. Tá louco, que mico.

Da #cparty, tag que a gente usa para agregar posts, fotos e vídeos no livestream do BlogBlogs, eu trouxe algumas considerações:

1- Barulho infernal
Pensei que estava na feira do peixe. Na Campus Party, bom cabrito é que mais berra?

2- Programação de blogs legal
Não deu tempo de comentar, mas ficou bacana a grade do Campus Blog. Tentei chegar perto ontem da área, mas o lugar estava bombando, gente demais, e eu fui embora sem nem saber do que se tratava. Sei que reuniu muita gente.

3- A luz é uma m…
Olhei de nariz torto para minha coleção de fotos: por que não estava lá essas coisas? Resposta: a luz é uma porcaria. Ai que saudades das janelonas do prédio da Bienal.

4- Morri com a latinha de refrigerante na mão
Na lanchonete, não encontrei lata de lixo reciclável. O Jorge Cordeiro disse que elas existem, mas eu não achei. Mal sinal. Fiquei só na vontade de clicar o lixo orgânico misturado com o reciclável. Fui impedida pelo senso estético.

5- As pessoas são começo, o meio e o fim :)
O melhor disso tudo ainda é encontrar as pessoas e ter oportunidade de papear sobre besteiras.

6- Eu sou o @qualquercoisadotwitter
Fui apresentada a muita gente e percebi que a praxe é dizer o nome e depois como a pessoa assina no twitter. Esquisito para caramba. Não consigo guardar nomes, imagine avatares. Complicou para o meu lado.

7- Pena que não deu para ouvir
Volto para onde comecei. De que adianta um monte de palestras e debates interessantes se a gente não ouve nada? A #cparty virou uma cacofonia dos infernos?

Lembrei de uma viagem a Belém. Fui a uma festa da SBPC na zona da cidade, onde cada boteco/bordel punha uma caixa de som gigantesca na porta e tocava uma música diferente. Lembrei daquela competição grotesca em termos de decibéis e lamentei não ouvir o que os fotógrafos falavam na #cparty.

Mas descobri que alguém ali ouve até demais: Mr. Manson, com um microfone direcional, passa o tempo a ouveir a conversa alheia a metros de distância, sem que ninguém perceba. Aproveita para gravar e publicar na web a conversa. Tá bom para você?

O tempo sem tempo

efêmero efêmero

A gente nunca tem tempo, ele sempre escorre entre os dedos.

Fotógrafos, safáris e coletivos

Pra ficar pensando melhor Pra ficar pensando melhor

A dica é da Gleice Bueno e eu reproduzo o texto que ela enviou por e-mail porque está bem escrito e explica tudo. A foto do post é do set no Flickr do Encontro de Coletivos Ibero-Americanos.

Dica da Gleice:

“Gente, vale muito a pena o Encontro de Coletivos Fotográficos Ibero-Americanos que está rolando na Galeria Olido.

Coletivos fotográficos são como centros de umbanda, pelo que pude perceber. Não há um igual ao outro. Há sim aquilo que os une – além do termo – em torno da premissa maior que parece ser a vontade de ter controle sobre sua produção. E todos fazem da web o principal meio de difusão.

Propostas autorais, outras mais documentais e, por que não, algumas mais comercias foram apresentadas ontem à noite (11/12) pelo Mondaphoto, Garapa, Pandora (virei fã) e Supay Fotos. Diferenças que só somam, eles contaram como, quando e por que decidiram se agrupar, tendo a fotografia como élan.

Os discursos que embasam e justificam a produção plural em torno de uma única marca variam entre ideais democráticos, colaborativos e as sinceras declarações de busca por mais visibilidade para os trabalhos.

O mexicano Mondaphoto, que existe desde 2006, funciona como uma agência, na qual seis jornalistas prestam serviços para mercado editorial e publicitário. Com o mercado cada dia mais competitivo, acharam inteligente se organizar como coletivo para alavancar mais trabalhos e conseguir, de quebra, financiar os projetos pessoais e do grupo.

O brasileiro Garapa vai além dos limites estáticos da fotografia. São um coletivo multimídia formado por três repórteres fotográficos, reunidos há pouco mais de um ano, para cumprirem as pautas que estão a fim e que – muitas vezes – não cabiam nas páginas dos jornais. Além de potencializar a realização dos trabalhos, a crítica permanente é destacada por eles como grande vantagem do trabalho coletivo.

O Supay Fotos, do Peru, também foi criado em 2007 para documentar e difundir a cultura peruana: as festas, a fé, a força. Os quatro membros são “cholos” e estão vivendo, contando e fazendo a própria história.

Deixei por último o que considerei o melhor trabalho da noite, o do Pandora. Vai ser bom assim mundo a fora! É um coletivo com características extremamente globais, focado num tema único: o ser humano. A produção de cada trabalho do Pandora é praticamente individual, da pauta a pós-produção. O conteúdo social é o que une os seis fotógrafos da agência, criada há um ano, para contar histórias que acontecem em diferentes cantos do planeta.

Forma de organização contemporânea (e da modinha), apesar do trabalho reunido sob um nome único, parece sobrar bastante espaço para a individualidade nos coletivos, ao menos nos citados acima. Enquanto descobrem as formas mais adequadas de trabalho conjunto, o pessoal parece bem satisfeito com o aprendizado e os resultados já conquistados.”

www.mondaphoto.com
www.supayfotos.com
www.garapa.org/
www.pandorafoto.com

Safári na Paulista

A dica é do Milton Jung e a recebi via twitter. Reproduzo o texto do post porque o blog dele não tem link permanente para cada texto (vai entender essa política das grandes empresas de comunicação):

“O fotógrafo profissional e professor Eduardo Miguel Garofalo convida para um passeio pela Avenida Paulista, neste sábado, às três e meia da tarde. A intenção é que o cidadão com sua câmera na mão – e não precisa ser profissional – se dê a oportunidade de conhecer os detalhes da avenida no momento em que a região está decorada para o Natal. O material registrado será depois apresentado em exposição organizada por Garofalo.

Para quem aceitar o convite, faça sua reserva, de graça, pelo telefone (011) 4121-3120″

O fotógrafo invisível

Roda Viva da coxia Roda Viva da coxia

Nesta segunda, dia 8, fui convidada a fotografar o programa Roda Viva, da TV Cultura. O tema eram os direitos humanos no Brasil e o convidado, o ministro Paulo Vannuchi.

Fui para a Cultura com um frio na barriga, pois foi minha primeira cobertura oficial como fotógrafa. Sempre fotografo, mas nunca com a obrigação de apresentar algo que preste. Se sair bom, ótimo, se não der em nada, não deu.

Espantei o nervosismo com uma conversa fiada com o motorista do táxi sobre os últimos 35 anos da Freguesia do Ó. Depois, cliquei freneticamente e postei mais de 60 fotos. Publiquei mais de uma foto por minuto do programa. Tudo ali no calor da hora, ao vivo.

Se tirei boa nota no quesito “dedos nervosos”, como fotógrafa eu ainda sou boa escritora, algo assim. Nenhuma imagem ficou uma maravilha, nenhuma fala e vale por si. No entanto, fiquei satisfeita com a coleção, que você confere no set Roda Viva do meu Flickr.

Voltei para casa feliz da vida, pensando que só falta eu conseguir pagar as contas fazendo essas coisas de que gosto. Minha familiaridade com Twitter, Flickr, bastidores de TV e entrevistas ajudaram, eu estava no meu metier.

O programa teve uma transmissão experimental participativa, que você pode conferir no Radar Cultura.

Os convidados das redes sociais (Twitter e Flickr) responderam previamente, por e-mail, o que acham dessa modinha de viola. Veja o que dissemos: eu, Milton Jung, Rodrigo Savazoni e Hernani Dimantas.

Fotógrafo invisível

Aprendi uma coisa: fotógrafo é invisível. O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, foi muito simpático com todos, cumprimentou um a um os que estavam nos bastidores. Eu, com minha câmera gigantona na mão (equipamento profissional, nada de camerazinha dessa vez), acenei umas duas vezes com a cabeça para cumprimentar o ministro, que não percebeu.

Fotógrafo é aquele verbo “registrar”, aquele substantivo “imprensa”, aquela impressão de “lá vêm eles”, aquele comportamento de cardume e instinto de cão perdigueiro. Fotógrafo não é, naquele momento do clicar, uma pessoa, um jornalista, um convidado.

Na próxima, antes de sair roubando imagens e a alma de um ministro, vou me apresentar ou vou cumprimentá-lo e pedir licença, se puder.

Ganesha, o senhor das portas

Ganesha Ganesha

Era manhã e eu tinha acabado minha aula de yoga quando tirei essa foto de Ganesha (veja todo o simbolismo do elefantinho), uma das recordistas de visitação do meu fotoblog. Compreende-se: você digita no Google Ganesha, e ela é a quinta imagem que o buscador traz como resultado.

Ganesha representa o sábio, o homem em plenitude, e os meios de realização”.

Sou fã de Ganesha, senhor dos obstáculos e das portas. Converse com ele se precisar abrir alguma delas. Tem orelhas grandes para saber ouvir.

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