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Uma kombi chamada Alice

Lateral - Alice Kombihome Alice Kombihome

Histórias de Alice é o nome do projeto de dois fotógrafos que conheço.

Como eu, eles têm vontade de rodar pelo Brasil, conhecer o país, fotografar, relatar a viagem. Eles, muito mais espertos que euzinha, já colocaram em prática o desejo.

Embarcam em 2010 para uma viagem de três anos (são os planos) nessa Kombi simpática, que até chuveiro quente possui. O nome da fofa, equipada com pia, varanda, conexão para eletricidade e outras comodidades, é Alice.

Franco e Inês explicam que o projeto tem proposta de inclusão por meio de contos (literatura), fotografia e cinema.

“Histórias de Alice nasce da decisão do casal de fotógrafos Inês Calixto e Franco Hoff de sair em viagem pelo Brasil a bordo de uma Kombihome (a Alice), fotografando histórias narradas por pessoas simples, investigando seu modo de ser e de viver.

Tem a pretensão de trabalhar a inserção cultural de comunidades do interior do Brasil, em três linguagens: a literatura, o cinema e a fotografia. Ao mesmo tempo compor uma coletânea de causos narrados pelos protagonistas (pessoas do lugar onde visitarmos) registrando seu modo de ser e fazer cultura.”

As saudações

Boa viagem meninos! Cuidem bem do seu Chico!

(Chico é o nome da marionete que acompanha os dois. Boa idéia para estar em boa companhia)

Mais

Festas juninas

Mastro de São João Mastro de São João

Uma cumbuquinha de canjica me lembrou esta manhã de como eu gosto de junho.

Subir mastro de São João, já viu? Joga-se no buraco do mastro café, miho, farinha, ovo e tudo o que a terra produz para garantir fartura e boa colheita. Um ritual pagão que deixa o mastro no quintal por todo um ano, um rastro a desbotar papéis de seda.

Gosto de junho porque adoro pinhão. Inventamos moda esta semana e colocamos gergelim sobre eles, depois de descascados. Enfeite desnecessário.

Junho é frio e permite fogueira e vinho tinto encorpado. Para melhorar, festa junina tem ainda pipoca, correio elegante, pescaria. Adoro pescaria, sou adepta de quermesses mambembes.

Essa foto, feita em Gonçalves três anos atrás, foi muito visitada nestes dias em meu Flickr. Imaginei aluninhos procurando ilustração para os trabalhos da escola sobre festas juninas. Praticamente ouvi um “acende a fogueira no meu coração”.

Artesãos do Corpo em foto na Galeria Olido

Exposicao na Galeria Olido - Sao Paulo SP Exposicao na Galeria Olido – Sao Paulo SP

O fotógrafo Fábio Pazzini expõe a partir de sexta, dia 5, fotos do grupo Artesãos do Corpo na Galeria Olido. Os bailarinos/atores são uma das paixões de suas lentes. Fábio adora falar sobre o dia em que todo mundo ficou pelado, o dia em que isso e aquilo. São dez anos de palco, rua e fotos, explica ele.

Amigo, dessa vez acho que não vou conseguir aparecer… Beijos de blog, então. E suerte.

De 5 a 14 de junho
Galeria Olido
av. São João, 473 – Centro – São Paulo – SP

Fotos de Roger Collet na Reserva Cultural

O fotógrafo francês radicado no Brasil Roger Collet inaugura nesta quinta, dia 4, às 20h, exposição na Reserva Cultural. “Re-membrar” é sua primeira mostra no Brasil e traz imagens feitas em Higienópolis e no jardim de sua residência em São Paulo. Pela amostra que vi, as fotos tem cores vibrantes e formas geométricas.

A veia artística é de família. Roger é irmão de Nicole, jornalista que conheci na ECA/USP. Ambos são filhos de Christine Yufon, artista plástica que no passado ensinou boas maneiras a várias gerações de aristocratas e modelos e que hoje desenha jóias enormes, esculturais.

Re-membrar fica de 5 a 30 de junho na Reserva Cultural.

Fotos em preto e branco na Pinacoteca

Foto: Boris Kossoy, São Paulo, 1970

Boris Kossoy, Cláudia Andujar, Carlos Moreira, Cristiano Mascaro, Fernando Lemos, German Lorca e Thomaz Farkas: com essas estrelas da fotografia a Pinacoteca exibe, a partir de sábado, dia 23, 80 fotos em preto e branco doadas para seu acervo.

Minha intenção é estar na inauguração da mostra, que vai das 11h às 14h do sábado. Além de fã desses olhares em preto e branco, visitar Jardim da Luz e tomar um café em frente às árvores centenárias é um de meus programas favoritos em São Paulo. (Uso o adesivo da Pinacoteca que identifica os visitantes na blusa como uma medalha para meninas espertas).

A exposição fica até 9 de agosto, de terça a domingo, das 10h às 18h. Ingresso combinado (Pinacoteca + Estação Pinacoteca): R$ 4 ou R$ 2. Grátis aos sábados.

Hi

Hi Hi

Ilusão é bão.

Confusão dos sentidos que provoca uma distorção da percepção

(Wikipedia)

Erro de percepção ou de entendimento; engano dos sentidos ou da mente; interpretação errônea
1.1 confusão de aparência com realidade
1.2 confusão de falso com verdadeiro
2 efeito artístico produzido pelo ilusionismo
3 manobra astuciosa para enganar, iludir; logro, mentira

(Houaiss)

Mube, um museu que virou bufê

Rankin no Mube Rankin no Mube

O Museu Brasileiro da Escultura (Mube) é tão perdido quanto eu na zona leste. Nâo sabe se é museu, se é anexo com laguinho de carpas do vizinho Museu da Imagem e do Som. Não descobriu sua vocação.

Transformado em cenário para festas luxuosas e casamentos, o museu me atraiu duas vezes, para duas exposições de fotos. Uma delas, que aparece na foto, é do Rankin, um fotógrafo de celebridades, organizada e bancada pelo Shopping Iguatemi, como explicavam os banners.

E as esculturas? Sei lá. Tem uma coisinha aqui e ali, mas vida e vida inteligente, não sei, nunca vi. Desculpe se for ignorância, mas o fato é que a programação não me “pescou” ainda.

Enquanto eu olhava os retratos de figuras carimbadas de Hollywood e da Billboard, respirava fumaça de cigarro. Em um museu. Bem, no Mube. Na sala contígua, um exército de homens montava uma pista de dança modernex, com tiras de pano para dar um tchan no ambiente. No meio do bate-bate, umas bitucas de cigarro e a fumaça, que não respeita tapumes.

Na superfície, uma “escultura” – ou seria “instalação” – chamou a minha atenção. Cadeiras de metal, dezenas delas, enfileiradas para esperar o sim de algum casal, quem sabe mais à noite.

Fantasiei que o catering pode ser providenciado ali mesmo no Museu – museu de que mesmo? No café, vislumbrei vários álbuns de fotos ao lado de menus… Quem sabe são fotos das diversas montagens que é possível encomendar. Quem sabe. Não parei para perguntar.

Que pena. São Paulo precisa tanto de praças, de bancos, de museus arborizados e cheios de vida artística. Em local tão privilegiado, no coração do Jardim América, ao lado de mansões, a observar os carros que descem a rua Augusta a 120 por hora, o Mube fica ali, como uma área de exposições de fachada, como se a programação fosse um álibi que esconde sua verdadeira atividade: bufê de festas.

Já fui a algumas dessas festas, são mesmo gostosas. O espaço é amplo, modernex. As empresas que alugam o museu encomendam salgadinhos do tipo “blinis com cream cheese, salmão defumado e um galhinho de salsa crespa por cima” e drinks servidos em tubos de ensaio, coisas do gênero.

Em compensação, lá do outro lado da cidade, no Jardim da Luz, as esculturas respiram ao lado de um museu, a Pinacoteca do Estado, que funciona como museu. Ufa.

Rescaldo da Campus Party, a quermesse do mundo digital

ideias luminosas ideias luminosas

Levei meu filhotinho de 1 ano no último dia de Campus Party. Foi ótimo. Ele queria mexer em todos os mouses, teclados, cpus e fios que viu. Sei lá como essa nova geração entende o mundo digital, mas tenho a impressão que ele em breve me dará aulas sobre câmeras, celulares e computadores. Ele já sabe “folhear” as fotos que tirei na minha câmera. Aperta a flechinha e volta, imagem por imagem. Fala sério!

Bom, no último dia de Campus Party o Tony de Marco falou sobre o sucesso de sua série de imagens No Logo, que registraram o sumiço da publicidade nas ruas de São Paulo com a Lei Cidade Limpa. Ele comentou algo que faz sentido: depois da lei, a publicidade ostensiva e incômoda migrou para o subsolo, para o metrô.

Ainda na área de fotografia, a Gleice Bueno concluiu o workshop sobre o Olhar Estranho e o Edison Angeloni falou sobre Pin Hole digital, coisa que eu desconhecia. Adorei a paixão dele por traquitanas, por formas de registro simples e esquisitas, tipo barril com furinho, caixa de fósforo com furinho que registra tudo distorcido. Qualquer objeto vira uma câmera na mão de quem entende de pin hole, pelo que entendi. Será que alguém já tentou com uma concha? Na praia, sei lá, as idéias aparecem…

Marijô Zilveti gravou um vídeo para o Pictura Pixel e eu, como sempre muito envergonhada, fiquei megaencabulada diante da lente, pilotada por Hans Georg:

No rescaldo do #cparty ainda entra uma entrevista da Folha Online, que recebi no domingo, via formulário de contato do meu blog, sobre o melhor e o pior do evento. Copio minha resposta (não se sabe nunca o que sobrevive na edição):

1- O melhor da Campus Party é o encontro entre as pessoas. E a rede é feita pelas pessoas. Muitas se conhecem apenas pela internet e tem ali oportunidade de um encontro presencial. Campus Party é uma espécie de quermesse do mundo digital, no qual a comunidade confraterniza.

2- O pior da Campus Party: A cacofonia gerada pela proximidade entre os palcos e o volume do som do palco central. Neste ano, mal se ouviam as palestras, parecia uma feira do peixe onde bom cabrito é o que mais berra.

Fotografia no Campus Party: do zero ao tudo de bom

João Liberato João Liberato

Somente no início de janeiro que a área de fotografia do Campus Party foi oficialmente criada. A pressa bateu na minha prainha. Renato Targa (meu marido), coordenador da área no evento, topou o desafio binário: do zero ao 1 em poucos dias. O relógio já na contagem regressiva. Tique taque. Dois dias para montar uma grade de palestras e workshoops. Tique taque.

Procurei ajudar. Os amigos fotógrafos-buscadores-estudiosos toparam participar. A rapidez deu frutos. Oficialmente, ainda não é um coletivo, mas é oficialmente feliz esse encontro.

Eu não pude cobrir o evento como gostaria, mas o Fotocolagem faz isso diariamente, veja que bacana: Fotocolagem

Essa mesma foto aqui do post foi parar no blog de um site muito legal de fotografia, o PicturaPixel. Uma cobertura com muitos colaboradores, graças à ação da antenadíssima jornalista carioca Adriana Paiva: Pictura Pixel

O Fore escreveu sobre o segundo dia de fotografia no campus party.

Como eu disse outro dia, o melhor do #cparty são as pessoas e esse encontro feliz.

Bom cabrito é o que mais berra na Campus Party

Fotógrafos :) Fotógrafos :)

Entrei de gaiata no navio da Campus Party. Ancorei no porto da fotografia, em ilustre companhia. Renato Targa, Boi, João Liberato (na foto), Fábio Pazzini, Michelle Gomes, Aline Moura, Rafael Jacinto e os meninos da Cia de Foto, tudo isso no primeiro dia. E tem mais nas palestras e workshops da semana.

Para chegar às lonjuras da Imigrantes, fui de metrô e desci na estação Jabaquara. Voltei de carona, esmagada na Bandeirantes entre caminhões gigantes que transportam contêineres. Tá louco, que mico.

Da #cparty, tag que a gente usa para agregar posts, fotos e vídeos no livestream do BlogBlogs, eu trouxe algumas considerações:

1- Barulho infernal
Pensei que estava na feira do peixe. Na Campus Party, bom cabrito é que mais berra?

2- Programação de blogs legal
Não deu tempo de comentar, mas ficou bacana a grade do Campus Blog. Tentei chegar perto ontem da área, mas o lugar estava bombando, gente demais, e eu fui embora sem nem saber do que se tratava. Sei que reuniu muita gente.

3- A luz é uma m…
Olhei de nariz torto para minha coleção de fotos: por que não estava lá essas coisas? Resposta: a luz é uma porcaria. Ai que saudades das janelonas do prédio da Bienal.

4- Morri com a latinha de refrigerante na mão
Na lanchonete, não encontrei lata de lixo reciclável. O Jorge Cordeiro disse que elas existem, mas eu não achei. Mal sinal. Fiquei só na vontade de clicar o lixo orgânico misturado com o reciclável. Fui impedida pelo senso estético.

5- As pessoas são começo, o meio e o fim :)
O melhor disso tudo ainda é encontrar as pessoas e ter oportunidade de papear sobre besteiras.

6- Eu sou o @qualquercoisadotwitter
Fui apresentada a muita gente e percebi que a praxe é dizer o nome e depois como a pessoa assina no twitter. Esquisito para caramba. Não consigo guardar nomes, imagine avatares. Complicou para o meu lado.

7- Pena que não deu para ouvir
Volto para onde comecei. De que adianta um monte de palestras e debates interessantes se a gente não ouve nada? A #cparty virou uma cacofonia dos infernos?

Lembrei de uma viagem a Belém. Fui a uma festa da SBPC na zona da cidade, onde cada boteco/bordel punha uma caixa de som gigantesca na porta e tocava uma música diferente. Lembrei daquela competição grotesca em termos de decibéis e lamentei não ouvir o que os fotógrafos falavam na #cparty.

Mas descobri que alguém ali ouve até demais: Mr. Manson, com um microfone direcional, passa o tempo a ouveir a conversa alheia a metros de distância, sem que ninguém perceba. Aproveita para gravar e publicar na web a conversa. Tá bom para você?

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