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Upload recreativo

direcao

A festa de lançamento do Flickr.com.br (que por enquanto redireciona para o endereço ponto com, ainda nada da interface em português) foi no Museu da Escultura Brasileira de São Paulo e reuniu vários amigos. Diverti-me e comemorei com os que tiveram fotos escolhidas para serem publicadas em livro, como essas do André Passamani e Gleice Bueno. As fotos concorreram por meio do grupo Seu Brasil e serão divulgadas em livro. A exposição fica até dia 31 de outubro nesse museu que mais parece um salão de bufê elegante. Só vou lá para festas, todas bacanas, por sinal.

Voltando à festa Flickr. Senti-me um pouco compulsiva ao tirar minha “xereta” ali no ninho de fotógrafos, mas, dane-se, no dia seguinte todo mundo gosta de ver as fotos. Quem quiser pode conferir o meu set.

Tive um acesso de Hall of Fame ao encontrar meu nome na parede e fiquei feliz em ganhar mais um ano de assinatura Pro. Graças ao Flickr, treinei o olhar. Devo tudo ao Flickr. Brincadeira. Mas a ferramenta é realmente uma referência da web 2.0, fácil, bonita. Formei ali uma comunidade internacional muito feliz.

Para mim, Flickr é terapêutico. Quando estou cansada de escrever, estudar e trabalhar, subo uma foto. Upload recreativo. Deve ativar o lado esquerdo do cérebro.

On the road

Viajarei para o interior de São Paulo, onde não chove há tanto tempo que a paisagem ficou mais amarelada, apesar do mar verde criado pelos canaviais. É o retrato do etanol brasileiro coberto de pó pela estiagem. Ainda é tempo de colheita de cana e há “treminhões” nas estradas – caminhões biarticulados, às vezes triarticulados, uma espécie de container sobre rodas que singra a terra seca e o asfalto esburacado das estradinhas municipais.

Esse papo bucólico todo é o que verei do dia sem carro em São Paulo. Perderei todo o movimento e estarei… na estrada. Para quem fica em São Paulo, é bom lembrar que é uma experiência: neste sábado, dia 20, deixar o carro na garagem e usar os pés, o transporte público ou a bicicleta para circular.

Veja a programação.

Sugestões que recebi e que eu toparia:

1- Fazer o circuito de ateliês da Vila Madalena. Sugestão de Beth Lima, que organiza o Arte na Vila.

Dia sem carro

2- Espiar a Casa da Xiclet, uma artista que transformou a própria casa em galeria e que depois dessa primeira sacada já fez muitas coisas. Ela inaugura às 20h do dia sem carro a mostra “Mercoseca”, que fica até 10 de outubro na rua Fradique Coutinho, 1.855. O preço é R$ 5 e R$ 10 ( “com direito ao cataloguim” , segundo a divulgação). Quem avisa é um amigo de Flickr, Felipe Fatarelli (FOTO). Participam os artistas:

Jeff Anderson e Eloir Santos , João Maciel, Felipe Luiz Fatarelli , Oriovaldo, Erik Thurm, Fabiana Arruda, Adriana Duarte, Cassiano Reis, Elisa Queiroz, Monika Jung, Monique Allain, Carlós Amorim, Adelaide Ivánova, Jailtão, Letícia Tonon, Rodger Savaris, Ricardo Guidara, Alexandre Matos, Luisa Dória, André Sztutman, Fernanda Figueiredo e Eduardo Mattos, Rafael Aboud Piovani, Jack Mugller, Tarik Klein , Maura Grimaldi, Victor Freitas, Luciano Cardoso, Caio Amaral Falcão, Breno Zylbersztajn, Jan Nehring, Henrique César, Deni L. Bill.

Felipe Mercoseca

Enquanto isso, meu papo é totalmente off-line com o menino da porteira…

TU mercado de arte e moda no Istituto Europeo di Design

Mais uma dica da cestinha de recados, abarrotada neste pós-7-e-11- de-setembro. É da Nelcy del Grossi e atualizo o post com fotos que acabaram de chegar.

magnoliarisoflora

by Magnolia Risoflora

“Estamos divulgando o TU Mercado de Arte e Moda, que traz 55 expositores, sendo 11 alunos do IED (Istituto Europeo di Design) neste fim de semana, de 14 a 17 de setembro. Assinados por designers, objetos de decoração e utensílios domésticos ganham formas originais sem perder a funcionalidade.

Um dos expositores é a The Toy que produz toy art.

Outro é o Leo Caraffa, designer que usa material reciclado como caixas do Ceagesp para criar cadeiras e mesas e revestimento de automóveis para criar futons. Ele também produz relógios de pulso inusitados.

leo caraffa

by Leo Caraffa

Há ainda corsets insinuantes da Only for Ladies Corsets, arte para a casa do estúdio Nous Sommes Beaux e dos designers do Magnólia Risoflora, brinquedos feitos com material reciclado da Volcano, um ateliê/escola de ecodesign que ensina jovens e adultos a criar e produzir brinquedos e jogos educativos com embalagens pós-consumo e materiais alternativos.

Infinitas Tramas

Abertura: 14 de setembro das 18h às 24h. Dias 15 e 16, das 13 às 22h. Dia 17, das 10 às 19h. A entrada é gratuita. O IED fica na Rua Maranhão, 617, Higienópolis.

Caixa de medos

Caixa de medos Caixa de medos

“O Mundo Livro” do Sesc Pompéia é uma mostra sobre a história do livro. Traduz conceitos muito difíceis de traduzir como “contos de fada”. Traduz abstrações como o medo do nada e de tudo das crianças.

Como comentei no post anterior, a exposição em São Paulo fala até de blog, podcast, videoblog, fotoblog. Com imagens! Difícil isso, hein?

Livros sempre foram meus bons companheiros. Todos eles. “Mundo Livro” tem tenda forrada de almofadas para a gente se espamarrar e ouvir histórias. Tem uma cobra de pano muito grande que delimita um lounge no meio da expo. A cofra virou um sofazão. Nada melhor para traduzir o mundo dos livros. A maior delícia é se jogar em algo muito confortável e deixar o espírito mergulhar em outro mundo.

Banana Pudding by Miki W.

A designer Miki fez um pudding de banana enquanto um pessoal ali ao lado ficava pelado a 11 ºC. De regata branca, eles usavam máscaras e estavam unidos por tubos de acrílico. Não deu para tirar foto da performance “Dispositivo de Interação Combinada” porque tinha tanta gente na Galeria Vermelho que era impossível ver qualquer coisa.

bananapudding

Subi em um banco para ver a cena insólita do pessoal de regata branca e depois fui perambular pelo Verbo, um festival de performances, instalações e bolinhos de banana, peixe assado na grelha, batatas assadas no papel alumínio.
[youtube]http://youtube.com/watch?v=_Odp-KWWF8Q[/youtube]

MIki

No vídeo que fiz a gente pode ver o cachorro Filé, entusiamado com tanta gente e tantos cheiros, de olho na grelha enquanto “Songs of Googlism” usava “dados do Google para a criação de textos montados com fragmentos de frases vindas de diferentes sites da internet”, assinado digigarden.

Além do pudding de banana, experimentei o peixe preparado pelo Projeto Apartamento, que ocupou há tempos um prédio da Encol e fez a primeira versão da grelha-instalação. Agora a grelha está no Verbo.

peixe galeria vermelho

Teresa Berlinck organizou o lance da cozinha. Segundo ela me contou, a “Cozinha Cultural” baseia-se na colaboração. Quem quiser (e souber) cozinhar aparece, traz ingredientes, cozinha. Quem quiser chegar, pode levar alguma coisa, uma bebida. “Cozinha Cultural propõe a criação de um núcleo de convivência e colaboração, abrindo espaço para a troca de experiências que podem ocorrer ao redor do fogão e da mesa. Receitas e dicas podem ser enviadas para blog www.cozinhacultural.blogspot.com.

O pudding de banana da Miki estava sensacional. A máquina que vende arte contemporânea na “Vending Machine” é dez. E devolve dez, como se vê no vídeo.

Em tempo: a receita do banana pudding

Ingredientes

Para o pudding
» 125g de farinha de trigo
» 3 colheres (sopa) niveladas de fermento em pó
» 125g de açúcar cristal
» 1 ovo batido
» 1 banana bem madura amassada (quanto mais madura, mais saborosa a sobremesa ficará)
» 250ml de leite em temperatura ambiente
» 1 colher (chá) de essência de baunilha
» 50g de margarina derretida e esfriada

Para a “crosta”
» 100g de açúcar mascavo
» 2 colheres (sopa) de mel Karo
» 150ml de água fervente

Modo de fazer
Pré-aqueça o forno a 180ºC.

Peneire a farinha de trigo e fermento numa vasilha grande e acrescente o açúcar, mexendo levemente. Reserve.

Misture o ovo, a banana amassada, o leite, a baunilha e a margarina derretida até ficar com uma mistura homogênea. Despeje com cuidado sobre a mistura seca reservada e mexa bem com uma colher para incorporar os ingredientes.

Nesse ponto, você pode fazer de duas maneiras: ou usar um pirex grande e deitar a mistura toda nele ou pequenas xícaras de porcelana ou cerâmica ou ainda ramequins e fazer porções individuais. Particularmente, eu acho as xícaras de café as mais fofas! Se esse também for o seu caso, não encha muito mais do que 2/3 da xícara, pois o fermento começa a agir e não sobrará espaço para a calda.

Parta, então, para a etapa da crosta: coloque a água em uma panela pequena e quando ela estiver fervento, adicione os demais ingredientes, mexendo bem. Deixe no fogo mexendo ocasionalmente. Assim que ferver, verta gentilmente sobre a massa.

Ajeite as xicrinhas em uma assadeira e leve ao forno por aproximadamente 30 ou 40 minutos. O centro tem que ficar firme. Ele é tudo o que importa. Se ainda estiver em ‘erupção’ como um pequeno vulcão é porque não está pronto.

Sirva quente.

Antídoto contra o mau humor

osgemeos

“O peixe que comia estrelas cadentes”, exposição da dupla de grafiteiros do Cambuci conhecida como osgemeos, fica somente até este sábado, 16 de setembro, na Galeria Fortes Vilaça, na Vila Madalena. Colorido e feliz, o trabalho dos irmãos Otavio e Gustavo Pandolfo engole meteoros para cuspir sonho, brincadeiras visuais e um irresistível olhar inocente.

A mistura de realismo mágico com feira medieval e cordel é uma das boas surpresas dessa temporada, que começa a pegar fogo – vem aí a Bienal e suas milongas sobre vida coletiva. Durante alguns meses, a instalação de osgemeos foi “o” passeio descolado em São Paulo para adultos, crianças e até bebês. Ganhou um boca-a-boca forte em blogs e fotoblogs. Formaram-se filas na galeria, que chegou a fechar as portas durante um sábado, quando 800 pessoas passaram por ali.

Mas não é que um crítico desses que tem porte para discutir arte conceitual e os rumos da produção contemporânea xingou a exposição de desfile de escola de samba? Era o mau humor que havia levantado a tampa de um bueiro para mostrar a cara feia.

É muito feliz – em todas as acepções da palavra – a transposição dos personagens amarelinhos e grafitados para o circuito formal das artes visuais. O peixe engolirá estrelas cadentes até sábado. Depois osgemeos seguem carreira internacional, famosos em vários idiomas.

Fio da meada

O mau humor? Esse volta a mostrar a cara feia. Sempre volta. Encontrei-o no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) quando fui visitar uma exposição chamada “Manobras Radicais”. Uma das paredes está coberta de facas e coldres de couro. Funciona assim: você tenta passar no corredor onde está a obra e um segurança pula à sua frente, com a mão no revólver e a cabeça nos ataques do PCC.

Você quase morre de susto, pragueja, manda a produção contemporânea catar coquinho e vai até a urna de sugestões. Deixa um apelo à instituição, argumentando ser apenas um visitante e não uma ameaça. A instituição, solidária, responde que tentou alterar a forma de exibição da coleção Ginsu, mas a artista não concordou.

Tudo bem. O antídoto fica na sala ao lado. Um fiapo de seda branca enroscado em qualquer coisa tem ao lado uma plaquinha com o nome da artista. Só rindo. Na próxima vez em que sua camiseta soltar um fio de linha, corra até o museu mais próximo, pendure na parede e assine. É suuuuperconceitual.

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