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Com um laptop na mão, crianças dão o salto quântico na alfabetização digital

olpc3 by Ana Carmen olpc3

Dois experimentos, o mesmo resultado e uma dica preciosa:

1- Na Etiópia, crianças analfabetas receberam um computador movido a energia solar dentro de uma caixa, sem instrução alguma, sem ninguém para dar explicações. Em quatro minutos, uma delas não só abriu a caixa como encontrou o botão de ligar e desligar. Detalhe: nunca havia visto um botão daqueles no vilarejo sem palavras escritas, sem placas, sem escola.

Em cinco dias, os meninos usavam uma média de 47 aplicativos por criança a cada dia. Em duas semanas, eles cantavam músicas de ABC em inglês. Depois de cinco meses, hackearam o Android para conseguir usar a câmera que estava bloqueada no computador.

2- Na Índia, Sugata Mitra fez a experiência do buraco na parede (Hole in the Wall), colocando um computador ligado à internet no muro que separava sua empresa em Nova Delhi de uma favela. As crianças saíram navegando pela rede sem precisar de instrução.

Em ambos experimentos, o mais importante foi conectar a criatividade e a inteligência da criança ao mundo.

Sou fã desses contos de fada modernos.

Aqui em casa

O lobo mau passeia aqui por perto. Com um iPod na mão, meu filho de 5 anos reluta em ler um livro, brincar de carrinho e pesquisar as opções acústicas para o brincar. Tecnologia é tudo de bom, mas também assusta porque rouba a cena.

Ele aperta joguinhos com palavras em inglês, como as crianças etíopes. Mas entra em lutas, corridas de moto e coisas do mesmo quilate, sem qualquer intenção didática. Ainda não baixa o aplicativo sozinho, mas escolhe quais deseja e pede, insiste e volta ao assunto até conseguir o que deseja. Como as crianças indianas.

Recursos Educacionais Abertos em livro: notícias do front sobre educação

Breve história da medicina

Doutor, tenho uma dor de ouvido:

2000 a.C. Coma esta raiz.

1000 d.C. Raiz é remédio pagão, faça esta oração.

1850 d.C. Essa oração é superstição. Beba essa poção.

1917 d.C. Esta poção é fajuta, engula este comprimido.

1985 d.C. Este comprimido é ineficaz, tome esse antibiótico.

2000 d.C. Este antibiótico não funciona, coma esta raiz.

(Anônimo)

Com essa comparação bem humorada da “história” da medicina com as soluções para os problemas de educação, Tel Amiel, pesquisador do Núcleo de Informática Aplicada à Educação  da Unicamp, ilustra o território por onde caminha a conversa no livro Recursos Educacionais Abertos: Práticas colaborativas e políticas públicas.

Organizado por Bianca Santana, Carolina Rossini e Nelson De Luca Pretto, o livro foi lançado durante um simpósio realizado na Casa de Cultura Digital, em São Paulo. Está disponível sem custo nenhum para leitura on-line e download. Reúne autores que pensam a educação lá do front das inovações.

É bom ouvir seus relatos do front, os textos têm sabor de pensar de um jeito novo. Como nessa história da medicina, ninguém traz única solução mágica para garantir educação com qualidade. Nem a internet salva.

Novas mídias, antigos anseios

REA fala em tornar acessível pela internet, de graça, todo o material didático. Acessível e aberto para remixagens, alterações, coautorias.

O livro não trata de novidades para a educação em termos de traquitanas tecnológicas. É isso, é também isso e bem mais que isso. O papel da internet na informação e comunicação entra na pauta, embrulhado por perguntas sobre como universalizar a educação, garantir a qualidade, qual a importância da escola na educação. A escola é o centro? A escola é necessária? A tecnologia resolve alguma coisa? Resolve o quê?

Novamente empresto um trecho de Tel Amiel sobre o que é Educação Aberta:

“Fomentar (ou ter a disposição) por meio de práticas, recursos e ambientes abertos, variadas configurações de ensino e aprendizagem, mesmo quando essas aparentam redundância, reconhecendo a pluralidade de contextos e as possibilidades educacionais para o aprendizado ao longo da vida.

A definição acima parte de um conceito nascido no âmbito da educação a distância conhecido como blended learning[2]. O modelo surgiu na busca pela sinergia entre o ensino a distância e o ensino presencial, buscando configurações de ensino que melhor pudessem satisfazer os interesses de alunos e professores, levando conta preferências de aprendizagem, tempo disponível, entre outros fatores. Não se trata, portanto, de pensar em quais novas mídias, sistemas ou técnicas podem suplantar modelos de ensino vigentes. Neste fértil e produtivo embate entre modelos sedimentados e emergentes, encontram-se oportunidades para configurações cada vez mais complexas de ensino e aprendizagem, que possam satisfazer a real diversidade de alunos e professores, nos mais variados contextos e condições. (AMIEL, 2011b)”

Todo material didático vai para a rede:

Educação Aberta, o site: educacaoaberta.org/rea

Recursos Educacionais Abertos: Práticas colaborativas e políticas públicas, o livro: livrorea.net.br

Alfabetização grafite

Alfabetização grafite by Ana Carmen Alfabetização grafite

Não tem F nessa parede.

edX: Harvard e MIT juntos oferecem cursos online grátis

A Universidade de Harvard e o Massachusetts Institute of Technology (MIT) uniram-se no edX, instituição sem fins lucrativos, para oferecer cursos online grátis. São dois dos maiores centros de conhecimento e tecnologia do mundo, vizinhos em Cambridge, nos Estados Unidos, e muitas vezes rivais na pesquisa, que investem no projeto US$ 60 milhões de dólares porque “a educação a distância pode mudar o mundo”.

Anant Agarwal, diretor do laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT escolhido para ser o primeiro presidente do edX, anuncia: “Nosso objetivo é atingir um bilhão de pessoas”.

Não será difícil. Neste ano, 120 mil se inscreveram no curso de introdução aos circuitos e eletrônica oferecido pelo recém-criado MITx, que permite aos estudantes obter certificados com e-learning. Na metade do curso, 20 mil alunos ainda participavam ativamente.

Experiência interativa

Os cursos do edX começam no segundo semestre, com um formato que promete ser inovador e interativo, com tutores para acompanhar os estudantes. “Esperamos transformar a experiência de aprendizado on-line”, foi anunciado durante o lançamento.

Trata-se de um experimento que envolve várias frentes, da tecnologia ao conteúdo e práticas pedagógicas. O edX vai expandir as fronteiras do e-learning e será uma experiência genuinamente diferenciaida, garante Susan Hockfield, presidente do MIT. Apertem os cintos, disse Hockfield, repetindo o mesmo tom rumo-ao-infinito.

A plataforma de e-learning nasce com código aberto para que atrair a colaboração de desenvolvedores interessados em aperfeiçoá-la. Uma característica importante para selar o sucesso do projeto.

Eu quero

Minha experiência com e-learning não é tão boa assim. Cursei por alguns meses um MBA sobre assuntos do mundo digital e sofri, desacostumada a tantas horas de teleconferência e conteúdo mal adaptado aos propósitos. Desisti do curso e demorei anos para me interessar novamente por aulas on-line.

Hoje, quando participo de webinars, workshops, palestras etc via internet, me percebo dispersiva, consultando outras páginas ao mesmo tempo em que o áudio segue, perdendo as imagens pouco atraentes de alguém sentado em uma escrivaninha ou exibindo slides. Isso é chato mesmo, convenhamos. Essa dificuldade em manter a atenção na telinha pode ser também um defeito da minha geração, que não nasceu teclando.

O desafio que Harvard e Mit aceitaram é interessante, pelo porte da encrenca e pelos resultados que pode alcançar, dado seu poder e sua declarada inclinação ao experimental e às inovações. É claro que tudo isso fica restrito, por enquanto, aos fluentes em inglês. Não chega a ser o fim do mundo, mas é elitista do nosso ponto de vista brasileiro. De qualquer forma, se puder, vou experimentar.

Deixo aqui a dica, que nem é notícia do dia (o anúncio do projeto foi no início de abril) porque tenho a intenção de registrar as boas coisas on-line que são grátis.

Edx: www.edxonline.org

 

Mundo digital para professores: o material didático que caiu na rede

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Material didático grátis e disponível na internet para que professores se preparem melhor, façam projetos mais interessantes com seus alunos e não tomem um caldo completo nas aulas relacionadas com o mundo digital. Material multimídia para os tablets que serão distribuídos pelo governo para escolas públicas.

São muitos os projetos lançados recentemente. Destaco alguns:

1- Coleção Ensinar e Aprender no Mundo Digital

Produzida pelo Cenpec, essa coleção de 5 ebooks traz “propostas didáticas para incorporar as tecnologias ao currículo escolar a partir de uma abordagem interdisciplinar.

Os fascículos estão licenciados em Creative Commons (CC) e podem ser copiados e reproduzidos”. Já disponíveis:

Fundamentos para prática pedagógica na cultura digital

Arte e Cultura: o audiovisual

Sujeitos, espaços e meio ambiente: redes virtuais

Resolução de Problemas: interpretação de dados

2-  Recursos Educacionais Abertos, REA

Nos sites do Projeto REA Brasileducaçãoaberta.org/rea você encontra referências e documentos para usar em sala de aula. Além disso, informações sobre os vários  congressos e encontros acadêmicos ligados a REA (na Unicamp e no Mackenzie SP, entre outros) que aglutinam a militância a favor de políticas e mudanças de comportamento para deixar disponível na internet todo o material didático possível, principalmente aquele usado em escolas públicas. A compra de tablets turbina esse debate.

Wiki Educação Aberta, um espaço colaborativo, tem uma seção “Repositório” apontando para os mil lugares com material didático. Fato: professor tem de ser valente para pesquisar e achar o que precisa.

Depoimentos de quem usa cria, usa e compartilha Recursos Educacionais abertos aqui.

 

3- Música na Escola

“Escutar. O verbo mais utilizado e praticado neste projeto”, anunciam os autores, financiados por leis de incentivo e atentos à volta do ensino de música às escolas do ensino básico.  Projeto multimídia, como não poderia deixar de ser.

4- Mais de 60 livros, manuais e cartilhas sobre cultura digital, mídias e educação disponíveis on-line

5- Nos EUA: o New York Times fez reportagem com o título Recursos Abertos: Transformando a maneira de transmitir conhecimento

Suíços do Brasil: história da imigração está no ar

escola Nicolau Flue Helvetia

Nessa foto de 1927, meninas em um intervalo da escola São Nicolau de Flüe, da Colônia Helvetia, (Acervo Dra. Lotte Köhler – Carlota Schmidt Memorial Center)

“Cada imigrante suíço que desembarcou no Brasil trouxe na bagagem um pouco de seu país. A motivação da viagem varia conforme a época e a história individual: fuga da pobreza, motivos religiosos e ideológicos, busca de liberdade, gosto pela aventura, projetos pessoais ou profissionais, curiosidade científica, globalização da economia.”

Ajudei a compor essa história que o projeto Suíços do Brasil conta sobre a imigração suíça no Brasil. É com prazer que vejo os textos, imagens, entrevistas e pesquisa que compõem o projeto disponíveis também pela web. Trabalhar nesse projeto foi apaixonante e complexo. A síntese de tantas histórias e vivências precisava resultar em uma experiência que transmitisse sabores, cores e experiências de uma saga, de um povo que veio fazer o Brasil.

Por isso é muito agradável encontrar o material na web, pronto para consulta a um clique. Ficou bonito o resultado.

Suíços do Brasil

Alfabetizar e ler

Riobaldo Riobaldo, a colheita é comum, mas o capinar é sozinho…

Quente

Educar para crescer dá dicas de livros para crianças de acordo com a idade.

(via Lu Terceiro)

OBS: Francisco adora pelo menos três dos livros indicados para 2 anos. Lista testada e aprovada.

Frio

O Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional do Instituto Paulo Montenegro) apurou na sexta edição que apenas 54% dos brasileiros com idade entre 15 e 64 anos que estudaram até a 4ª série têm os rudimentos da alfabetização.

O impressionante é que 10% desse universo são analfabetos. Ou seja, tudo em brancas nuvens, mesmo depois de “passar de ano” pelo menos 3 vezes.

OBS: Frio na alma.

Novo prédio da Rádio e TV na USP

TV digital TV digital

O professor Luis Fernando Angerami, da Escola de Comunicações e Artes da USP, avisa que dia 21 de outubro será inaugurado um prédio novinho para o curso de Rádio e TV.

Se der, apareço, viu?

Fiquei com vontade de voltar para a ECA. Quando eu estudei ali, nos anos 80, usava equipamentos paleozóicos.

Câmeras em preto e branco, bitola larguíssima, umas fitas que se desmanchavam sozinhas e que você editava na gilete. Isso, fita magnética, imagine, na gilete. Uma grande porcaria.

Eram herança da TV Tupi. Não serviam para nadica, mas a gente inventava e se virava. Não saía lá uma maravilha, mas a gente treinou tudo o que devia: enquadramento, luz, roteiro, direção. Treinou também fazer alguma coisa a partir do nada, na base do improviso e da criatividade.

Todo mundo se salvou. Quem saiu do curso e seguiu carreira nas artes visuais, fez sucesso e tudo. Quem não ficou tão famoso, como eu, ainda assim, lustrou as idéias.

Minha tese é que o curso ensinava a pensar e, inclusive por absoluta falta de condições, não era nada técnico. Aposto minhas fichas no sucesso de um curso assim.

Kit de ferramentas da internet para educação

jazzy & stoned jazzy & stoned

Um link precioso da Barbara Dieu que pesquei esta semana: wiki com uma lista de ferramentas que professores e alunos podem usar para estudar e ensinar.

“A aprendizagem ocorre a todo momento, em um movimento contínuo e não linear”, lembra ela. A gente às vezes bobeia e esquece.

De quebra, Bee dá uma aula sobre ambientes de aprendizagem nessa apresentação.

A escolha da escola

Na escolinha Na escolinha

A escolha da escola, não fosse tão complexa, seria uma quadrinha.

Aconselho a quem procura uma escola para o filho imaginar o que gostaria de encontrar antes de sair a campo, para depois comparar com o que encontrou e chegar a um acordo. As mensalidades são de arrepiar o cabelo.

Repare no espaço físico. É limpo? É espaçoso? É seguro? Repare no espírito da escola, em uma sensação perceptível assim que você põe os pés ali. Há escolas barulhentas, eufóricas, há escolas tranquilas, há escolas apáticas e existem, infelizmente, escolas que lembram bufês infantis. Minha impressão é de que há público (clientes) para tudo.

Durante cerca de um mês, fizemos um tour pelas escolas indicadas por amigos ou frequentadas pelos vizinhos. O tempo para levar e buscar é importante, eu imaginei que se eram viáveis para os vizinhos, poderiam ser também para nós. Acabamos por escolher uma escola em outro bairro.

Encontramos muitas escolas preparadas para receber crianças com mais de 2 anos. Meu filho não chegou ainda lá. Em uma delas, renomada, bem bacana, no futuro uma possível escolha, a orientadora nos contou que a segunda-feira é dia em que as crianças sentam em roda para contar como foi o fim de semana. Fiz cara de interrogação: escute, estamos falando de uma escola para meu filho, lembra? Ele ainda não fala. Que maravilha essa escola, quem sabe, um dia. Fui.

Olhei o espaço físico e percebi, nessa bacaninha e em outras, um espaço perfeito para crianças maiores. Para quem ainda treina o equilíbrio, uma temeridade. Tsk tsk.

Uma visita me escandalizou: em vez de ensinar o que é boi da cara preta, uma escolinha infantil oferece para crianças a partir de 1 ano uma programação sobre o ano internacional da França. Nessa mesma escola, onde ouvi um discurso sobre “nutrição balanceada para suprir as necessidades do ser humano blá-blá-blá”, o cardápio do dia era “macarrão com sarchicha”. Então, escute, salsicha? Ah, é um embutido, mas é artesanal. Gente!

Fui visitar aquelas ali na esquina, onde eu chegaria em cinco minutos e voltaria a pé, empurrando o carrinho. São antigas residências em que seis turmas convivem e se espremem. Em uma delas tive a impressão de que as paredes tremiam com a gritaria de tantas crianças (14 por turma) reunidas em espaço tão exíguo.

Dispensei a escola top vip club, cuja mensalidade não alcanço, nem em sonho, tão cara quanto faculdade de medicina particular. Ou mais cara que isso. Até gostei de uma escola mantida por religiosos, ali a mensalidade era um fator muito favorável, mas pesou saber que a roda era feita dentro da capela, achamos que a orientação tinha grandes chances de não combinar conosco.

A escola de Francisco, 1 ano e 3 meses, tem quintais (no plural) com árvores, chão de terra e de areia, bastante espaço e um burburinho gostoso de crianças brincando. Ele adora o viveiro de jabutis, verdadeiros gourmets que ganham todo dia dos pequenos tomate, agrião ou alface, tudo lavado para que não haja problema quando a criança desiste de entregar o petisco para a tartaruga e decide improvisar um lanchinho. A comida é saudável, as preocupações são saudáveis.

Puxa, a escolha da escola seria uma quadrinha, não fosse tão difícil.

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