Arquivo da categoria: economia

Wall Street 99%

99 Cent dreams 99 Cent dreams by PetroleumJelliffe

O movimeto Occupy Wall Street está vivinho. No tumblr We Are the 99%  as pessoas que partipam do protesto em Nova York colocam suas histórias e fotos, veja lá.

“Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui”, alerta o filósofo Slavoj Žižek in loco. “Carnavais custam muito pouco – o verdadeiro teste de seu valor é o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida normal e cotidiana será modificada. Apaixone-se pelo trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: o tabu já foi rompido, não vivemos no melhor mundo possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. ”

Um bom começo para uma reflexão.

É interessante também o que John Cassidy escreve na New Yorker . Alguém (Mike Konczal) que teve o cuidado de pesquisar a média de idade dos que postam no tumblr dos 99% descobriu que é 26 e que entre as palavras que mais aparecem ali destacam-se as ligadas a estudo e emprétimos. Wall Street não está na lista das palavras mais usadas. John Cassidy pondera que o protesto não é anti-Wall Street. É anti-status quo. Wall Street serviria como ponto focal:

“None of them feature in the top twenty-five. This absence feeds my suspicion that Occupy Wall Street isn’t primarily an anti-Wall Street phenomenon. It is a generalized anti status-quo protest movement, for which Wall Street serves as the convenient focal point.”

Vou e volto já

Depois conto o que vi.

 

Suíços do Brasil: história da imigração está no ar

escola Nicolau Flue Helvetia

Nessa foto de 1927, meninas em um intervalo da escola São Nicolau de Flüe, da Colônia Helvetia, (Acervo Dra. Lotte Köhler – Carlota Schmidt Memorial Center)

“Cada imigrante suíço que desembarcou no Brasil trouxe na bagagem um pouco de seu país. A motivação da viagem varia conforme a época e a história individual: fuga da pobreza, motivos religiosos e ideológicos, busca de liberdade, gosto pela aventura, projetos pessoais ou profissionais, curiosidade científica, globalização da economia.”

Ajudei a compor essa história que o projeto Suíços do Brasil conta sobre a imigração suíça no Brasil. É com prazer que vejo os textos, imagens, entrevistas e pesquisa que compõem o projeto disponíveis também pela web. Trabalhar nesse projeto foi apaixonante e complexo. A síntese de tantas histórias e vivências precisava resultar em uma experiência que transmitisse sabores, cores e experiências de uma saga, de um povo que veio fazer o Brasil.

Por isso é muito agradável encontrar o material na web, pronto para consulta a um clique. Ficou bonito o resultado.

Suíços do Brasil

Assista às histórias do poder

Percorrer cem anos da história da política brasileira é uma verdadeira expedição ao nosso DNA histórico. Imagine que isso está disponível na web, onde você pode assistir aos cinco episódios de Histórias do Poder. Dirigidos por Max Alvim e Nelma Salomão, os vídeos mergulham em um gigantesco acervo de vídeos e fotos de momentos-chave, que podem nos ajudar a entender como chegamos onde chegamos, de onde viemos e, além do mais, quem são estes caras que viram nome de ruas, avenidas e aeroportos.

Interessante para professores, alunos, para quem nasceu antes, durante e depois da ditadura militar, das Diretas Já ou do Impeachment.

“Com o objetivo de promover o conhecimento, a reflexão e a pesquisa acerca da história política brasileira, a série de documentários Histórias do Poder – cem anos de política no Brasil (1900 – 2000) apresenta um mapeamento do comportamento político do país e mostra os bastidores do poder através de depoimentos de alguns dos principais protagonistas e estudiosos da história política brasileira do século XX”, diz a apresentação do projeto.

Uma dica: costumo usar o Firefox como browser e tive dificuldades em assistir aos vídeos, superadas quando apelei para o Internet Explorer.

Imposto de renda e os macaquinhos

Três macaquinhos Três macaquinhos

Declarar o imposto de renda é algo que praticamente pertence ao mundo das fábulas. Experimente essa, dos três macaquinhos que encontraram na floresta o leão. Um macaquinho não falava, o outro não ouvia e o terceiro não via. Eles haviam criado um programa de e-gov, no que haviam sido muito inovadores. Sabiam que o ponto fraco da invenção era uma interface cinza-ratinho. Mas viviam felizes, até o dia em que apareceu o leão.

Exatamente no minuto em que o leão ia mostrar quem mandava naquela floresta, os três macaquinhos decidiram oferecer o sistema a ele. Enfileirados, revezaram-se para apresentar a ele o programa (foto). Um pouco desajeitados, os três conseguiram se expressar, com a ajuda de um projetor e uma apresentação em powerpoint.
O que não enxergava falou, o que não falava apertou as teclas do computador e o que não via encaminhou a negociação.

Satisfeito com o que viu, ouviu e conversou, o leão, que não era mané, adotou o sistema. Desse dia em dia em diante, a floresta ficou conhecida por ser pioneira na declaração de imposto de renda por internet.

Por que cinza-ratinho?

A moral dessa fábula é que falta usabilidade ao programa de declaração de renda, a começar pelo nome do arquivo. Usabi o quê? Usabilidade, esse atributo que torna a interação homem-máquina mais simples e fácil. Desde a época dessa fábula até hoje a interface segue cinza-ratinho, ignorando qualquer contribuição da linguagem visual. Seu menu é bem complicado para nós, os brasileirinhos que trabalhamos. Nem seria preciso enfeitar muito o programa, seria suficiente torná-lo menos alienígena para o brasileirinho que precisa computar o que havia em seu cofrinho (ou cofrão) no ano anterior.

Macaquinhos, hello! Desde o DOS, a interação homem-máquina criou novos códigos e conquistou alguns padrões. Vamos dar um tapa nesse programa, a começar pelos nomes dos arquivos?

Troquei de computador no segundo semestre do ano passado e tive de transferir uma cópia da declaração para o meu pen drive e dele para o novo computador. Depois, baixei o programa para abrir o arquivo. Na hora de instalar, pelamordedeus, que nome.

Não era algo facilmente localizável na minha lista de downloads, algo como “imposto_de_renda_2008”. É uma sopa de letrinhas que soma sigla a sistema operacional, ano e versionamento: “irpwin2008v1 etc e tal”. Vamos combinar que é um nome muito bonito para a máquina entender, mas não para o brasileirinho usar. Afinal, programa é para o usuário “usar”. Usabilidade, lembra?

A moral da história é que na hora do brasileiro juntar tudo o que tem a dizer e enviar para o governo, bem nessa hora em que a minha vontade seria de enviar ao governo também algumas sugestões sinceras a respeito do que é possível melhorar no país, seria melhor contar com uma interface amigável.

Enquanto a lógica do mercado ainda é de atrasar o pagamento de serviços e achar natural aquela frase “devo, não nego, pago quando der na lua”, seria tão legal ter uma experiência menos penosa na hora em que o brasileirinho paga impostos…

Espie a vitrine de idéias do TED

Terminou neste sábado, 1 de março, o TED, um encontro fechado para convidados que se realiza em Monterey, na Califórnia, sobre “ideas worth spreading”, ou seja, idéias que valem ser espalhadas. Na programação do último dia, só para dar uma amostra de como é heterogêno o grupo de convidados a dar palestras, o que vale a pena espalhar veio de Al Gore (Mr. Aquecimento Global), Bob Geldof (Mr. Live Aid) e John Francis, apresentado como Mr. Planet Walker, um phD em recursos da terra que ficou 17 anos sem falar. “Eu era tão crítico que decidi ouvir por um dia”, explica ele. Depois de um dia, vieram muitos outros em silêncio.

Para nós, idéias on-line

Para nós, que estamos longe do churrasco de confraternização na praia da Califórnia, há um blog e um acervo de vídeos gravados nos últimos encontros. É uma viagem interessante pelas idéias que valem.

Rheingold e a nova economia

Por uma dica do Não Zero, cheguei a um vídeo em que Rheingold fala sobre colaboração como uma forma de economia emergente. É interessante. E o cara é muito figura, elegante em um terno ocre sobre camisa azul.

Diz o autor de “Smart Mobs” nesse vídeo do TED: “Estou aqui para ajudar a dar uma nova forma à história de como as pessoas fazem as coisas. Vamos começar pela velha história: biologia é guerra, apenas os mais fortes sobrevivem. Os negócios e as nações têm sucesso apenas derrotando, destruindo e dominando. Competição. Fazer política é fazer com que seu lado vença, a qualquer custo. Mas eu acho que podemos ver o começo de uma nova história que começa a emergir. É uma narrativa espalhada por várias disciplinas em que colaboração, ação coletiva e uma complexa interdependência assumem um papel importante.”

Comunidade online dá emprego aos mais pobres da Índia

Reportagem do New York Times fala sobre o uso de comunidades online, do tipo Linked In e Facebook (Orkut é um bom exemplo para os brasileiros), para que os mais pobres indianos consigam visibilidade diante de possíveis empregadores.

O site Babajob.com é um projeto que tem como objetivo criar páginas na web para quem está nos andares mais humildes da cadeia produtiva e procura emprego. A reportagem começa com a história de um pintor, Manohar Lakshmipathi, que não tem computador e, com ajuda, coloca seu histórico profissional e foto na comunidade, para que um possível interessado possa contratá-lo.

O Babajob paga quem puder fazer esse cadastro. Seu público-alvo são pessoas que trabalham por US$ 2 ou US$ 3 ao dia e não têm acesso a um computador. O elo com essa fatia da população pode ser feita por quem quiser, de donos de lan houses a qualquer proprietário de um computador. O site remunera esses agentes para que encontrem essas pessoas. O projeto se sustenta com anúncios dos empregadores. Antes da reportagem, 2 mil já haviam se cadastrado. Depois dela, o sucesso com certeza será maior.

Quando um futuro patrão procura uma babá ou um jardineiro, quer referências. Para mimetizar as indicações pessoais e o boca-a-boca que regem esse tipo de acordo, o Babajob criou um mecanismo de prêmios em dinheiro. O site remunera o patrão e o empregado que conseguirem indicar alguém que satisfaça um outro empregador.

Ótima idéia. Deu no NYT, no Herald Tribune, The Times of India. O Babajob tem um blog. Bingo! É um projeto bem inteligente, “subproduto” do crescimento do mercado de outsourcing (terceirização de serviços) na Índia, segundo o jornal, um subproduto dos milhares de talentos mobilizados para o trabalho online que começaram a criar soluções para ajudar os mais pobres.

Qual o tamanho da bolha imobiliária?

Zen Zen

A bolha imobiliária estourou, como já haviam previsto tantos. Eu, que não sou da área, já sabia que havia uma bolha no preço dos imóveis nos EUA prestes a explodir. Cheguei a imaginá-la sobre as casas, como um balão transparente cheio de ar que pressionava os telhados das residências com gramado e cachorro labrador dos subúrbios e dos condomínios da Flórida.

Em 2000, quando eu ainda segurava nas mãos capas de revistas semanais sobre fortunas instantâneas criadas pela internet, um consultor me disse que a bolha havia estourado. Ela arruinaria todas aquelas empresas das capas de revista. “Acabou”, disse ele. Incrédula com a onda que avançava em minha praia -  eu trabalhava na web – vi de camarote a bolha da internet estourar. Puf.

Lembrei dessa previsão certeira quando hoje o ministro da Fazenda Guido Mantega disse que não era bem assim, que a bolha imobiliária não afetaria a ecomonia brasileira e tal e tal. Enfim… “O Brasil está sendo considerado próximo do investment grade. Ele está na alça de mira dos investimentos. Os investidores sabem que eles podem vir para cá para ganhar dinheiro com operações sólidas, com baixo risco. O risco é baixo, porque os fundamentos são sólidos, temos reservas, temos superávit comercial, superávit em transações correntes. As condições são muito favoráveis.”

Quem disse isso foi o ministro que falou que a crise aérea era sinal de abundância, que era uma coisa muito boa que acontecia no Brasil. Ao ouvi-lo, a pulga atrás de minha orelha fez uma exibição à altura do Pan, três saltos ornamentais seguidos de corrida de 100 metros. Lembrei do consultor, frio, personagem de quadrinhos.Terno escuro, pele azulada e olheiras cinzas. “Tudo isso vai para o brejo.”

E a bolha imobiliária, que tamanho tem?

O que todos querem saber é até que ponto as ondas sísmicas se espalharão. Dos EUA à América do Sul é um pulinho. A bolsa da União Européia torrou nesta sexta milhões de euros para instalar uma barreira de colchões a seu redor e amortecer o impacto.

PS: Na rua Pinheiros, São Paulo teve ainda outra bolha essa semana, de um líquido que é usado para facilitar a passagem do tatuzão pelo subsolo, uma espécie de lubrificante que vazou pelo asfalto da rua. Primeiro veio uma pocinha, depois o solo cedeu. Quem viu “A Coisa” um dos cinco filmes mais trash do ranking universal, pensou que estavam fazendo um remake ali em Pinheiros. Nessa produção das antigas, uma espécie de iogurte borbulha do solo e mata as pessoas de uma cidade.