varal de brinquedos
A novidade chegou em junho: Francisco, meu filho.
Foi um forrobodó. Eu estava em Vitória, era noite de quinta-feira quando recebi a notícia de que poderíamos adotar uma criança. Fiquei ainda mais um dia no Espírito Santo com aquele alvoroço dentro de mim, sem comentar nada com ninguém, só aquela possibilidade ali a me espiar.
Sobraram algumas horas de tempo livre em Vitória e eu aproveitei para visitar o convento da Penha, onde chorei com a cumplicidade da santinha, que segura um bebê no colo. Nesse convento que foi freqüentado por Anchieta, a emoção aflorou em forma de riso e lágrimas misturados. Embalei a novidade e observei durante mais de hora o mar, os barcos e o vôo de um urubu que aproveitava a corrente de ar. Até segunda, no entanto, nada foi. Deixei tudo para ser quando estivesse confirmado.
Foi assim, então, que de uma segunda para uma terça a vida deu uma pirueta e nunca mais foi a mesma. Ganhei uma alegria sem fim. Francisco é gente boa, é fofo, é bonito até não poder mais, um menino que conquista corações.
Naquela segunda-feira, eu e Renato tivemos apenas uma hora e meia para comprar um bercinho de viagem, uma mamadeira, um pacote de fraldas, uma chupeta, uma roupinha, uma lata de leite, um disso e um daquilo. Foi tudo doce e completamente maluco.
Quase três meses depois, ainda sentimos como a falta de preparo nos pegou de jeito. Mas aos poucos nos ajeitamos. Aliás, muito rapidamente nos ajeitamos. Um bebê é cheio de coisinhas muito específicas (colherinha de bebê, por exemplo, é de látex molinho, não serve colher de café que a gente tem na gaveta da cozinha). Por isso, nos ajeitamos a toque de caixa, sem tempo para observar o vôo de pássaros.
Já temos berços (isso, no plural), mamadeiras, roupinhas suficientes.
Já recebemos visitas. Muitas. Celebramos com os amigos, apresentamos o baby para a minha família e a família do Renato, já o introduzimos nas reuniões barulhentas em que todo mundo fala ao mesmo tempo. Perdi a conta das tias, primas e vovós que o levaram do nosso colo para dar beijinhos e voltinhas na sala. Francisco conquista corações e é muito querido. Comemorei em julho no interior, nesse quintal que aparece na foto, seus 7 meses, com bolo, velinha, língua-de-sogra, sorvete, bexigas. O pai estava em viagem de trabalho, teremos de fazer outras festas de mensário, que beleza.
Nessa viagem a um outro lado da vida, o blog, o e-mail, as aulas, as palestras e os encontros foram todos para o espaço. Houve até quem não entendeu direito o post anterior, embora a roupinha ali no cabide para secar, aquela “uma roupinha para começar tudo”, a meu ver explique muita coisa.
Explico, então, tim-tim por tim-tim: sou mamãe e não sobra tempo para bulhufas. Por um período imagino que o ritmo será esse. Sem tempo para conversar aqui no blog.
Parei hoje aqui graças à porcaria de uma virose. Estou longe do Francisco para que ele não pegue esse bichinho também (se bem que, com certeza, ele é imune, pois continua com ótima saúde, apetite e humor). O pai foi passear com ele ao ar livre, para aproveitar o horário bom do sol e eu fiquei aqui, escrevinhando.
Nos últimos meses li alguns livros - todos sobre bebês, obviamente. O que esperar no quinto mês de vida, como preparar a comida, quais os cuidados a tomar quando ele começar a engatinhar. O desenvolvimento da linguagem. Chupeta or not chupeta?
Ontem, indisposta, perdi o sono e fiquei lendo o que as amigas de uma lista de discussão chamada “Materna SP” falam. Fiquei a fim de usar sling, um paninho para carregar Francisco no colo. Quem sabe sem abusar tanto da minha coluna, já que o cara é fortinho.
Sendo assim, ainda não sei para onde corre esse rio. O blog sempre falou de comunicação e tal, agora eu quero mais é saber onde acho o sling (no Gama, nesse site babywearing e na loja Maria Barriga eu já sei que tem). Não deixei de gostar de comunicação, nessa noite já li as novidades sobre o mundo da mídia social, dos blogueiros, dos jornais etc. Mas devo ser sincera: meus olhos voltam-se para essa incrível discussão sobre a quantidade de sal a colocar na papinha. O que é irrelevante para a maioria dos que passeiam por aqui, eu sei. E que nem será mais tão importante daqui a um tempo, quando eu já estiver em outro estágio dessa história e o sling tornar-se impraticável para um meninão
Como eu disse, ainda não sei para onde correrá esse rio.