Calor
na
roça.
Verão
sem
vergonha.
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Sem mais, me despeço, inté, ciao para esse ano. Nos últimos dias terminei três livros que esperavam por um bom momento, recheados com um marcador. O momento chegou, já passou, me dou por satisfeita em termos de últimos preparativos para a nova década.
Não apareço aqui tão cedo, pelo jeito, aproveito para desejar um 2010 fresquinho a você. Tomei toda essa chuva que acompanha os últimos dias deste ano – chuva para lavar mesmo, dirão os mais entusiasmados. Chuva além da conta para meu gosto, para lavar, ensopar, enlamear, gotejar. Pois que 2010 traga a chuva que você pediu, na sua medida.
Que traga o essencial, o essencial invisível aos olhos. E que seja largo de horizontes. Com muito riso.
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Fim de ano dá uma preguiça/cansaço. O entorno de dezembro, espécie de papel de embrulho feito de preparativos, confraternizações, balanços, planos, presentes e correria, mescla-se à rotina como maquiagem pesada, dessas que só é boa quando a gente retira com algodão umedecido.
Eu olho para o presépio de palha e acho que alguma coisa se perdeu nesses natais desde a minha infância. Os anos não terminavam assim quando eu era criança.
Dezembro, temporais e verão. O ano cozinha em fogo baixo, até dourar. Gosto de fim e recomeço. Pausa para água de coco, bolo de aniversário e jingle bells. Muito jingle bells. Francisco diz “dji-go-bell” diante de qualquer luzinha que pisca, papai noel ou árvore enfeitada.
Cartão de Natal do Hubble
Sabe o que combina com tanto pisca-pisca? Galáxias e supernovas! Cartões de Natal do telescópio Hubble.
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Sei que é cedo para pular sete ondinhas, mas é tarde para a árvore de natal, que eu não tenho. Há anos. Uma árvore do terraço quebrou o galho algumas vezes, em outras nada quebrou o galho. Um sapo-Noel musical pregado com ventosa na geladeira no ano passado faz arder a memória. Francisco gosta dessa bagunça de Papai Noel roqueiro, ou mesmo sapo. Será que esse ano eu compro uma árvore na 25?
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Li no twitter: Amor é nome de paçoca.
(citação sem autor, esqueci de quem era a arrobinha, desculpe)
ou então, como decorei, sem saber que me iniciava no espanhol, e ouvi da memória, uma impossível @Violeta Parra:
El amor es torbellino de pureza original
Hasta el feroz animal susurra su dulce trino
Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros,
El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.
Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber
Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento
Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente
Nos aleja dulcemente de rencores y violencias
Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.
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Francisco calçou o meu sapato e saiu por aí.
A imagem engraçadinha aos poucos foi caindo mais fundo, mais fundo, como a pedrinha que afunda no lago.
Francisco começa a seguir os meus passos. Francisco quer experimentar o meu sapato, quem sabe descobrir onde fica a pedrinha do meu sapato.
É uma fase mais fofa e eu sinto o peso da responsa só crescer. Ele agora tem passinhos decididos. Ele conversa, de um jeito cifrado, que às vezes só eu entendo.
Ele quer ir ao parque, andar de carro, imitar o avião, subir na moto, mostrar o dodói. Ele se interessa pelo trem.
Dança, gosta de chocolate (ai ai ai), ensaia o pique pique na cadeirinha do banco de trás do carro, só para eu morrer de rir. Enfia a mão na boca de qualquer cachorro. Puxa o rabo do gato. Foge da formiguinha. Cutuca a abelha.
Acordo, procuro o outro pé da sandália. Pode estar em qualquer lugar. Agora tem um menininho que a leva e traz. E ele quer mais.
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Do tempo do zagaia
expressão antiga
do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça
do tempo em que o Mug era amigo do Boko Moko
Por alguns dias vou me ausentar. Ninguém vai reparar muito, uma vez que minhas postagens andam rareando. Falta de assunto? De jeito nenhum. Falta de tempo e de conversa feita por meio do blog. São tantos os outros canais para contato que de vez em quando repenso esse negócio de manter essa página aqui rolando… Já pensei em desblogar, mas é besteira. É só uma fase com menos posts.
Gostaria de anunciar que não esqueci o cérebro na gaveta e que ele ainda funciona, embora eu não twitte tanto, não suba tantas fotos no Flickr, não faça absolutamente nada no Facebook a não ser “aceitar amizades”, não participe do fórum de Cultura Digital, não indique nenhum link fantástico no meu friendfeed. Ando quieta, mas como concluí agorinha messsss, é só uma fase mais acústica e ocupada com as coisas práticas.
Fico off-line por uns dias, mas volto já.
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O pensador saiu em busca de novos ares.
Sem chegar a nenhuma conclusão.
Só sentiu uma inquietação desconhecida.
Talvez fosse promessa de renovação. Talvez não.
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Francisco já é fluente no embrulhol que só ele compreende, mas agora começou a formar frases.
A primeira foi “A casa caiu”. O pai chegava da rua e nós dois assistíamos aos Três Porquinhos pela milionésima vez. Ele correu contar as últimas sobre a casa de palha.
Nessa mesma semana, a empregada pediu as contas. Eu nem lamentei muito, não éramos felizes, nem ela, nem eu. Conseguimos “empurrar com a barriga” por nove meses e kaput. Finito.
Bem no meio da correria de um trabalho interessante, exaustivo e fora de um cronograma viável. Bem no meio da monografia de mestrado do Renato, das minhas pesquisas sobre imigração, das férias da escolinha, da viagem da vovó, da gripe suína, sei lá.
A casa caiu. Bem no meio da vida de verdade.
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