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Alfabetizar e ler

Riobaldo Riobaldo, a colheita é comum, mas o capinar é sozinho…

Quente

Educar para crescer dá dicas de livros para crianças de acordo com a idade.

(via Lu Terceiro)

OBS: Francisco adora pelo menos três dos livros indicados para 2 anos. Lista testada e aprovada.

Frio

O Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional do Instituto Paulo Montenegro) apurou na sexta edição que apenas 54% dos brasileiros com idade entre 15 e 64 anos que estudaram até a 4ª série têm os rudimentos da alfabetização.

O impressionante é que 10% desse universo são analfabetos. Ou seja, tudo em brancas nuvens, mesmo depois de “passar de ano” pelo menos 3 vezes.

OBS: Frio na alma.

A chuva e a fala

chuva chuva

Undo ma.

Francisco repetiu: “Undo ma”.

Uma tempestade deixava São Paulo imobilizada, cheia de água, de trânsito e de atrasos.

Undo ma, pensei. Francisco fala apenas as últimas sílabas… Fundo do mar!

Sim, filho, São Paulo, de dentro do carro, parece o fundo do mar e a gente, no congestionamento, fica igual à tripulação do Nautilus.

Guia sobre novas regras para adoção

Sem açúcar com afeto Sem açúcar com afeto

Dia 4 de novembro entrou em vigor a nova lei de adoção no Brasil. Tire dúvidas no guia comentado da Associação dos Magistrados Brasileiros.

No rádio

Nova lei de adoção entrou em vigor. Crianças não podem ficar mais de dois anos em abrigos. Só que há muitas crianças que vivem há anos em abrigos. Procuram-se famílias para elas.

Mais notícias

Ele quer usar o meu sapato

O carro e a pedrinha O carro e a pedrinha

Francisco calçou o meu sapato e saiu por aí.

A imagem engraçadinha aos poucos foi caindo mais fundo, mais fundo, como a pedrinha que afunda no lago.

Francisco começa a seguir os meus passos. Francisco quer experimentar o meu sapato, quem sabe descobrir onde fica a pedrinha do meu sapato.

É uma fase mais fofa e eu sinto o peso da responsa só crescer. Ele agora tem passinhos decididos. Ele conversa, de um jeito cifrado, que às vezes só eu entendo.

Ele quer ir ao parque, andar de carro, imitar o avião, subir na moto, mostrar o dodói. Ele se interessa pelo trem.

Dança, gosta de chocolate (ai ai ai), ensaia o pique pique na cadeirinha do banco de trás do carro, só para eu morrer de rir. Enfia a mão na boca de qualquer cachorro. Puxa o rabo do gato. Foge da formiguinha. Cutuca a abelha.

Acordo, procuro o outro pé da sandália. Pode estar em qualquer lugar. Agora tem um menininho que a leva e traz. E ele quer mais.

Quando brincar é bom

Brincar na calçada Brincar na calçada

Dia 12 vem aí e Francisco vai ganhar um livro com pop ups que traz sons de baleia, golfinho e ondas do mar. Encantamento meu com o livro, coisa minha, que não sou pródiga em presentes para ele. Sou contida, digamos assim, perto do que vejo ao meu redor.

Para Francisco, dia da criança é todo dia. Para mim, dia 12 é um pretexto para dar o livro. Se eu o presenteasse com mais uma bola, ele ficaria bastante feliz, embora já tenha a favorita, azul, brinde da barraca de pescaria de uma festa junina. Francisco ainda não pede presentes caros. Bola e raquete de ping-pong é a onda do momento.

Criança precisa de tempo e espaço para explorar seus brinquedos. Não precisa de tantos. Acho.

Gostei do mapa do brincar que a Folhinha, suplemento infantil da Folha de S.Paulo, divulgou. É muito bom resgatar brincadeiras antigas e preservar as tradições. É bom brincar com pouco, com nada, com a imaginação.

Eu e outros pais, como a Luciana Terceiro, mãe da Alice, estamos de cabelo em pé com o consumo que envelopa a infância. Propaganda dirigida a criança é um absurdo, como mostra o documentário Criança, a Alma do Negócio.

Infância hoje é como reserva de mata nativa, desprotegida diante dos interesses comerciais. Nesse sentido, a Luciana indica em seu blog a Alana, uma instituição que busca proteger as crianças do consumismo.

Eu me sinto perdida nesse mundo de lançamentos de coisas de plástico e eletrônicos. Tudo é muito caro, tudo é marketing e embalagem. Faço um esforço para navegar em outras águas. Francisco ainda não entende nada disso, mas já reconhece alguns bonequinhos “de marca”. Lá vamos nós… como será o Dia das Crianças daqui a alguns anos?

Outra coisa: maquiagem e salto para menininhas, desculpem a caretice, para mim é algo estranho, muito estranho.

A casa caiu

Três porquinhos Três porquinhos

Francisco já é fluente no embrulhol que só ele compreende, mas agora começou a formar frases.

A primeira foi “A casa caiu”. O pai chegava da rua e nós dois assistíamos aos Três Porquinhos pela milionésima vez. Ele correu contar as últimas sobre a casa de palha.

Nessa mesma semana, a empregada pediu as contas. Eu nem lamentei muito, não éramos felizes, nem ela, nem eu. Conseguimos “empurrar com a barriga” por nove meses e kaput. Finito.

Bem no meio da correria de um trabalho interessante, exaustivo e fora de um cronograma viável. Bem no meio da monografia de mestrado do Renato, das minhas pesquisas sobre imigração, das férias da escolinha, da viagem da vovó, da gripe suína, sei lá.

A casa caiu. Bem no meio da vida de verdade.

Instalação de Ernesto Neto para crianças

Instalação de Ernesto Neto Instalação de Ernesto Neto

Nessa foto, do Renato, eu e Francisco afundamos na maciez do artista Ernesto Neto, celebrado no mundo todo por suas instalações com formas orgânicas e estímulos sensoriais. Estamos no Sesc Pompeia, na mostra Arte para Crianças.

Rimos muito nessa piscina de bolinhas gigante, um marshmellow que engole você e que repousa, ao mesmo tempo, os sentidos, um chamado para o relaxamento. Francisco nem sabe, mas essa fofura toda é arte.

Arte para crianças
Até 2 de agosto. De terça a sábado, das 10h às 21h. Domingos e feriados, das 10h às 20h.

Música de toda América Latina para crianças

Música Música

O Sesc Pompéia realiza o Encontro Internacional da Canção para Crianças. O objetivo é trazer ao Brasil uma amostra do Movimento da Canção Infantil latino-americana e Caribenha.

Copio a apresentação do festival, que começa dia 24 de junho:

“A cada dois anos, artistas de vários países latino-americanos se encontram em um país determinado para discutir a produção cancional para crianças. O que une estes artistas é o respeito à capacidade intelectual da criança, por meio de uma produção cancional elaborada do ponto de vista da expressão e do conteúdo.”

Luis Pescetti (ARG) e Márcio Coelho e Ana Favaretto (BRA)
Dia(s) 24/06 Quarta, 20h.
Participação de Arnaldo Antunes. Luis Pescetti apresenta um espetáculo solo de humor familiar/infantil, com brincadeiras. Sua canção “El hermanito” (Irmãozinho) foi gravada pelos grupos brasileiros Palavra Cantada e Rodapião.

Rodapião (BRA), Los Musiqueros (ARG) e Rita Del Prado y Duo Karma (CUB)
Dia(s) 25/06 Quinta, 20h.
Formado em meados dos anos 90, o Grupo Rodapião vem encantando crianças e adultos, em espetáculos que revitalizam a tradição cultural brasileira. o espetáculo é um convite a fazer uma rota cultural que menciona lugares, comidas, personagens, tradições, costumes e paisagens de Cuba.

Julio Brum com Los Pajanos Pintados (URU) e Palavra Cantada (BRA)
Dia(s) 26/06 Sexta, 20h.
O grupo uruguaio apresenta uma proposta artístico-educativa que busca despertar nas crianças a imaginação e o respeito pelos animais da fauna autóctone do Uruguai e da América do Sul.

Cantoalegre (COL) e Hélio Zinskind (BRA)
Dia(s) 27/06 Sábado, 20h
Cantoalegre apresenta um espetáculo protagonizado por crianças e jovens no qual o público é parte vital. Saltar, rir, brincar e dançar fazem parte deste Cantoalegre.

Na Casa da Ruth (BRA)
Dia(s) 28/06 Domingo, às 18h.
Concebido e interpretado pela cantora Fortuna, o espetáculo têm, além de Fortuna acompanhada pelas crianças do Coral Infantil do SESC Vila Mariana

Veja toda a programação

Agradeço a dica da Lu Terceiro

Cantigas de roda com roupa eletrônica

A cantora e produtora Olivia vestiu as cantigas de roda com uma batida eletrônica. Quando nos encontramos semana passada, na praça ao lado do fórum da Vila Madalena, Olivia explicou que se elas fossem feitas hoje, seriam assim.

Pelo que pude ouvir, no blog do projeto Meu Tempo de Criança, as cantigas ficaram muito elegantes. No blog, Olivia dá uma palhinha – O Cravo e a Rosa e Capelinha de Melão - e deixa um gosto de quero mais. Quero mais, viu, Olivia?

Dia das novas mães

pela estrada afora pela estrada afora

Domingo é um dia que não vou esquecer, meu primeiro Dia das Mães. Sou recém-chegada e é complicado tirar a carteirinha desse clube.

Abro o jornal e revistas e encontro lindos eletrodomésticos em oferta para o Dia das Mães. Ué… Pensei que as mães tinham se transformado, décadas depois das feministas de primeira hora. Quer dizer que as mães ainda se interessam por eletrodomésticos? A minha sempre disse que não queria panela nem qualquer coisa para a casa, sempre preferiu um presente pessoal, uma fofurice, uma roupa. Haja imaginação, é difícil escolher presente.

Olhei as ofertas dos anúncios. Achei um grill, muito bonito, muito caro, onde vou guardar essa especie chique de tranqueira etc. Olhei com o mesmo jeito com que, de vez em quando, namoro uma traquitana de fazer café, um luxo que continuará no fim da fila das prioridades por muito tempo. Bati os olhos em um editorial de moda no Vitrine, da Folha de S.Paulo, sobre roupinhas iguais para mãe e filha. Cruzes, eu não entraria nessa.

O resumo da ópera é que nesse primeiro cocktail do clube das mamães eu me sinto um peixe fora da água, pelo menos dessa pocinha em que os publicitários encaixaram o target. Quem são essas mães de hoje, então?

O que eu queria

Procuro e não encontro o anúncio que ia me ganhar: um lugar interessante e perfeito para eu ir com meu filho. Um lugar que não é um parque, um shopping, uma livraria, nem um parquinho infantil, opções infalíveis e previsíveis.

Cadê esse restaurante que é legal para as crianças também? Kids friendly, mamis friendly, gente normal friendly?

Cadê essa atividade para pequeninos dentro de São Paulo? Teatro infantil não é para ele ainda. O CineMaterna não é mais para ele, que quer correr e empurrar sua motinho feliz da vida pelo espaço aberto.

Parece que o mundo dividiu os espaços, atividades e momentos em coisas para crianças x coisas para adultos. Daria para ser diferente?

No Estadão, li uma matéria sobre mães modernas que não trabalham por opção. Mais parecidas com as mães com quem convivo, são mulheres que olham receita na internet, como eu. Que não esqueceram o cérebro em casa quando saíram para comprar fraldas. As mães com quem me identifico não sabem como vão dar conta. Não sabem com quem deixar o filho durante o congresso, por exemplo. Não sabem se vão voltar ao trabalho em tempo integral. Tem problemas para escolher escolinha, curar gripe, comprar cadeirinha para carro, descolar ponta de estoque para as roupas de inverno, criar ou não um blog sobre filhos.

Blog sobre filhos?

Ainda não decidi se abro um blog só para falar de mamãezices e criancices. São tantos os causos, os medos, as dúvidas, um período “mó animado”. Abrir esse blog representa um perigo delicioso de mergulhar no “gueto”, esse grupo que, para quem não tem filhos ou netos ou sobrinhos do coração, pode ser assustador e uma tremenda chatice. É engraçado, interessante e também é, às vezes, xiita, chaato.

Ainda não abri o blog por medo de ter meu tempo abduzido. Penso no assunto.

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